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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Um abraço é um poema

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Tenho por hábito, sempre que se proporciona, registar pormenores das vivências diárias. Acho giro viver cada dia como sendo uma página, entre as muitas, que se escrevem e se transformam na narrativa que é a nossa vida. A nossa vida é um discurso real. Um discurso real que vai para além muito para além dos likes, dos interesses de circunstância, dos calculismos, dos jogos.
A vida vai-se sendo construída, por todos nós, todos os dias, em todos os actos.

A beleza da vida está nesse sentimento que ela nos proporciona, dando a alegria, real, de ligarmos o discurso à vida real. Esse sentimento, podem crer, nada tem a ver com os sorrisos melancólicos. Aqueles sorrisos que são um sinal de sobrevivência. Os sorrisos que a «Noblesse oblige». Os sorrisos eleitorais. O problema é que esses sorrisos, por vezes, são traumáticos, causam stress e angústias.

No decorrer dos dias, vou anotando, sempre que posso, registo, comento comigo mesmo, divirto-me, por vezes dou grandes gargalhadas, principalmente, quando novos actores, voltam a entrar em cena com os mesmos papeis. Eles nem são actores reais, desempenham papeis. Eles são a vida e as circunstâncias. Sobreviver é preciso.

São, sem dúvida, os factos da vida real, esses, que me permitem sentir as palavras por dentro das palavras. As palavras que nascem na vida. As palavras que nascem nas memórias. Recordo. Vivo.
A vida é mesmo uma narrativa. Um romance. Uma comédia. Um filme.

Escrever que gostamos de um abraço, forte, aquele que se sente no peito a mergulhar dentro do peito, isso, acreditem, só é possível sentindo. Um abraço que nos une por dentro de memórias. Um abraço que se eterniza. Eu. Tu . Nós.
Um abraço virtual não passa de um abraço virtual, não tem cheiro, nem sensação.
Um abraço para ser escrito em palavras, para ser fonema soletrado, cântico trinado, luz a rasgar a penumbra, esse abraço, vibrante, terno, só é possivel quando ele toca as fissuras do cérebro, percorre as estradas dos braços e mergulha, ali, nesse local que uns chamam mente, outros até dizem ser a casa da alma.
Esse abraço único, vivo, que nasce nos lábios a sorrir e aperta os nós do coração, esse abraço – não tem preço, não tem subserviência, não tem ideologia, é o abraço da eternidade. É o abraço poema!

Acreditem, é na vida real que nós sentimos a vida a florir, em abraços que são nervos de saudade.
Aquele abraço que marca o fervor dos dias. Aquele abraço que se escreve com a palavra amizade.
Estes abraços amigos, que não pedem nada em troca, são abraços que se respeitam nas diferenças, que não cultivam o ódio, que forjam a tolerância e o respeito. Esses são os abraços que fazem cidade.
Eu gosto destes abraços, sem neuroses e sem os dramas de esquizofrenias do poder.
Sim, gosto dos abraços que inspiram palavras, que são sementes, que são cidade e marcam no fazer cidadania.

É por isso, apenas por isso, que registo, acontecimentos que fazem o quotidiano. Registo, porque a vida é para viver e registar.
Há coisas que ignoro, talvez por defeito de tempo vivido, de tantos encontros e desencontros, esses todos, imensos, que ao longo de muitos anos me permitiram conversar e dialogar com tanta gente, com gente com tantos sonhos de tanta dimensão, que me permite estar aqui, ao fim da tarde, tranquilamente, a escrever delicadamente, sem ambições, apenas com o prazer de partilhar emoções, essas que fazem a vida real.
Já vi, ao longo da vida, desde o século XX, em práticas reais, tantos senhores «nobres», «solenes», «justos», «democratas», «snobes», «pedantes», erguer o queixo acima do ombro do outro, que, neste século XXI, quando observo a solenidade de excelências doutorais, a tocar com os olhos no asfalto, afasto-me, porque aprendi que um homem deve, sempre, desviar-se.
Nessas circunstâncias paro a olhar e limito-me a sorrir. Registo, naturalmente registo.
Afinal, a vida é uma aprendizagem. Um abraço é uma lição. E, sem dúvida a natureza humana é a natureza humana.
Par que conste, este texto, é um registo de registos por dentro dos dias...é mesmo!
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

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