Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Vai ser entregue ao município do Barreiro Retrato iconográfico de Manuel Cabanas de autoria do pintor Kira

img_1530_16050854_311722223_1033150036_88344246_85

. Celebram-se hoje – dia 11 de Fevereiro – 119 anos do nascimento de Manuel Cabanas.


Colocar o quadro do Mestre Manuel Cabanas, de autoria do Kira, no Auditório Manuel Cabanas, na Biblioteca Municipal do Barreiro, é uma merecida e justa homenagem ao Mestre Manuel Cabanas. Dois amigos abraçados, num espaço de saber, cultura e de vivências democráticas.

Da ideia à realidade. Este um exemplo real. São as ideias que se transformam em práticas humanas. São as ideias que dão vida real aos sonhos. Um sonho realizado é uma ideia que se concretiza.

A ideia surgiu, simples, sem pretensões, essa, apenas com o desejo de juntar vontades, motivar um grupo de pessoas que se disponibilizassem a dar o seu contributo e, todos juntos, procederem à aquisição do quadro do Mestre Manuel Cabanas, de autoria do pintor Kira, para oferecer à Câmara Municipal do Barreiro. A ideia estava lançada.

A associação VULTOS DA NOSSA TERRA, aderiu ao projecto, motivou-se, e, nesse juntar vontades, foi lançado o repto ao jornal «Rostos» de gerar, através da concretização desta ideia, a dinamização de uma acção civica e cultural, promovendo-se uma campanha de crowdfunding ( uma angariação pública de fundos) visando a aquisição do quadro iconográfico de Manuel Cabanas.

O processo decorreu célere, dinâmico, com grande envolvimento da associação VULTOS DA NOSSA TERRA, e, concretizou-se o objectivo, tendo através da campanha sido obtida a verba de 2.225,00 €, depositados na conta do pintor Kira. Foram 46 os participantes.

Recorde-se que o valor total necessário para aquisição do quadro estava acordado em 2.000,00 €. A importância foi superada e está encerrada a campanha pública de recolha de fundos.
O quadro é de todos. Agora será efectuada a entrega ao municipio.

A ideia que foi motivadora deste projecto visava sugerir à autarquia que este quadro do Mestre Manuel Cabanas, pudesse ser colocado no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, ao qual recentemente foi atribuído o nome do Mestre de xilogravura, autodidata e republicano português, lutador antifascista, humanista, Mestre Maçon, democrata e membro fundador do Partido Socialista.

Mestre Manuel Cabanas, algarvio, natural de Cacela, concelho de Vila Real de Santo António, fez do Barreiro a sua terra. Sempre teve o Barreiro nos cantos mais nobres da sua interioridade. Amava o Barreiro e os barreirenses.

O Mestre Kira e o Mestre Manuel Cabanas foram amigos daqueles que ao longo da vida, nos dias que conviveram, partilharam as dores, as esperanças, as paixões pela cultura, pela arte e pela criatividade.

Colocar o quadro do Mestre Manuel Cabanas, de autoria do Kira, no Auditório Manuel Cabanas, na Biblioteca Municipal do Barreiro, é uma merecida e justa homenagem ao Mestre Manuel Cabanas. Dois amigos abraçados, num espaço de saber, cultura e de vivências democráticas.

Hoje, dia 11 de Fevereiro, o Mestre Manuel Cabanas assinalaria o seu 119º aniversário. Daqui a um ano esperemos estar a celebrar o seu 120º aniversário.

Tive a honra de conhecer o Mestre Manuel Cabanas, com ele partilhar conversas, aqui no Barreiro e na nossa terra natal.
Um homem integro que sempre respeitei e que sempre me abraçou com amizade, um homem que me alertou para os perigos, antes de Abril acontecer, um homem que me ensinou a sentir a força da Liberdade, aquela que foi a grande causa da sua vida.
Um homem que sabia o valor das diferenças, foi através dele que conheci, antes do 25 de Abril, outro conterrâneo nosso – Vicente Campina, comunista, então no exilio. Eram grandes amigos. Partilhavam a luta «contra o cerco». Foram homens como estes que abriram o caminho para aquele dia «puro e limpo» que vivemos em Abril.

Hoje, que o Mestre Manuel Cabanas celebraria os seus 119 anos. Aqui fica o meu obrigado pessoal, e do jornal «Rostos», a todos os que participaram na campanha, e, naturalmente, uma referência muito especial à forma apaixonada e voluntária como a associação VULTOS DA NOSSA TERRA, contribuiu para tornar real este sonho de dar um abraço e homenagear o Mestre Manuel Cabanas.

Agora, o desejo é que o município do Barreiro receba fraternalmente este quadro do Mestre Manuel Cabanas – um quadro com história - adquirido, por cerca de meia centena de barreirenses, todos contribuindo de forma voluntária, por amor ao Barreiro e por reconhecimento à arte e á cultura - bem expressa nestes dois nomes Manuel Cabanas e Kira.
Obrigado.

António Sousa Pereira

Nota - A entrega do quadro irá ser feita, em data a aprazar, a qual será previamente divulgada através do jornal ROSTOS, na sua edição online.

Eu gostava tanto de ver os teus primeiros passos

127763255_10220581484665684_2358879804910347134_o.

 

Este tempo vai ficar gravado nos ossos do pensamento. É um tempo que faz sentir a solidão, como coisa real, que toca os nervos. Os desejos de partilhar ficam bloqueados, ali, no patamar da porta de entrada e saída para o mundo. É isso, que sentimos, lá fora a cidade!
Este é um tempo que dói pela ausência de um beijo, de um abraço, de um carinho, hoje, até dói sentir a ausência da sobranceria, do pedante – o tal que é uma pessoa importante, muito importante. Faz falta sentirmos o pulsar da comunidade.
 
Ficamos deprimidos. Ficamos presos na solidão. Chegam as noticias. Tristes. A estatística da morte. A morte diária que mata a vida, de tal forma que, até, alterou as médias estatísticas da esperança de vida. É um tempo que mata, mata a vida de morte matada, e, mata a vida de morte vivida. A vida é para viver em comunidade. Nós somos com os outros. A ausência da comunidade é a morte do nosso outro lado da vida. O estar e o ser.
Este tempo mata-nos por fora e mata-nos por dentro. Leva-nos o corpo, de amigos que partem sem uma partilha solidária do adeus. Leva-nos a mente quando nos rouba os beijos e abraços, os sons das palavras e o brilho dos olhos. Absorve-nos.
 
Faz-nos falta sentir a vida o bater no coração, ao meio da tarde, ou no começo da manhã, escutar, sorrisos, apontar os olhos com o dedo, misturado as nossas energias no sabor de um café, ou numa cerveja. Gritar – “eu não gosto de esperar!”.
Estar ali, fumando, ou não fumando, sentindo no espaço as palavras misturadas em ruídos. Gritos. A mãe que adverte o filho. O namorado que toca suavemente os dedos, sorrindo. Sim, faz falta esse calor humano. Sentir os nervos. Irritar. Sorrir. Piscar o olho. Dar enormes gargalhadas.
 
A vida comunitária nas redes sociais é insonsa, o beijar nas redes sociais não tem o sabor dos lábios, um abraço nas redes sociais não faz sentir o corpo a tocar no corpo, aquele aperto nos ossos que dá a energia partilhada, não provoca emoção, nem sentimos aquela centelha que faz abrir os olhos em sorrisos. Até as lágrimas nas redes sociais, são secas de sal e carinho.
 
Nas redes sociais os sentimentos fogem pelas margens das palavras, escondem-se nos intervalos do logaritmos, não têm olhar, não têm o som da voz, e, por vezes, nem têm rosto, são híbridos. As redes sociais são apenas meros geradores de saudade.
É por isso que a vida perde sentido quando damos sentido demais ao que se diz, ao que se comenta nas redes socias, porque falta-lhes humanidade. As redes sociais sufocam os sentimentos e, contraditoriamente, são elas, neste tempo de solidão, que permitem abrir as portas ao mundo. Escutar os silêncios do mundo.
 
Este é um tempo, que nos dá tempo, tempo para parar, tempo para mergulharmos por dentro do que somos, olharmos a nossa interioridade, sentir o tempo pulsar no coração e viajar por dentro do pensamento. Tranquilamente. Um tempo que permite tocarmos quem está ao nosso lado. Reencontrar. Redescobrir. Renascer.
Vamos sentido que a vida continua, que o mundo apesar de tudo não pára – ela, a terra, continua a girar.
 
Um destes dias recebi as imagens da minha Alice, a dar os primeiros passos. Soube tão bem ver aqueles passos, sólidos, de peito erguido a dar a primeira caminhada, a descobrir a sua autonomia. E fiquei a olhar, a rever, repetidamente, aquelas imagens e a pensar: «Eu gostava tanto de ver os teus primeiros passos». Fechei os olhos. Sorri.
 
Recebi outras imagens, afinal, é isto que as novas tecnologias permitem, nas quais ela olhava, serena e calma as próprias mãos, olhava uma mão e dizia: «mã», olhava a outra e dizia «mã». A descoberta do corpo. A aprendizagem das palavras. Este tempo rouba-nos estes momento únicos que não se repetem, dos primeiros passos partilhados, dos primeiros sons, que chegam em vídeo, mas o vídeo, não é a mesma coisa, não tem perfume, não tem sabor, não permite agarrar a Alice, como quem pega uma flor, e dizer-lhe, ternamente, ao ouvido: Linda conseguiste, já andas!
É isso - Eu gostava tanto de ver os teus primeiros passos!
 
António Sousa Pereira

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

COMUNICAÇÃO SOCIAL

AUTARQUIAS

ESCOLAS

EMPRESAS

BLOGUES DO BARREIRO

ASSOCIAÇÔES E CLUBES

BLOGUES DA MOITA

SAPO LOCAL

PELO DISTRITO

CULTURA

POLITICA

TWITTER

FACEBOOK ROSTOS

Em destaque no SAPO Blogs
pub