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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

A alegria de um sorriso.

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Viver alegre não é viver feliz. A alegria não é uma energia que nasce de dentro lá do fundo, das entranhas, é um estado de espírito, é uma sensação, um instante. A felicidade são sucessão de instantes, de momentos, de alegrias que se espalham no tempo e que se entranham no pensar e ser.
A alegria são momentos, contextos, nos quais o nosso sorriso é uma explosão temporal. Uma festa que se esvai no tempo e dela apenas fica a memória, da festa que foi, do tempo vivido. Uma despedida.
A felicidade nunca se despede de nós, faz parte de nós, é o nosso olhar, o nosso estar no mundo, o nosso estar e ser na vida.
A alegria é o sentimento da etapa vencida, de uma vitória conquistada. É um estar, um chegar, um ponto de encontro com o tempo que vivemos. É um vencer. Uma superação.
A felicidade é o que permanece, o que fica, é a harmonia, o equilíbrio, é a realização do ser no estar, não é uma conquista é a nossa criatividade, é a nossa realização, é o que nos faz amar, é o que faz viver o amor. A felicidade atinge-se no fazer, um fazer que é sucessão de instantes, uma continuidade de emoções, é acumulação de momentos de alegria, de desejos realizados.
A felicidade somos nós e os outros, somos nós na obra, no projecto, no ser. Não é o sucesso, é sentirmos que ninguém nos substitui como ser livres e criadores. Únicos.
Na vida, podemos ter muitos momentos de alegria, um registo, uma efeméride, mas, sentimos a felicidade a fugir, foge-nos entre os dedos, foge-nos nas ondas do vento, no fluir dos nossos sentimentos, ou parte, e nós sentimos partir, como indo navegar suavemente sobre as ondas do mar. A alegria é temporal, é aqui e agora.
A alegria pode sentir-se naquele instante de um beijo ao luar, porque, afinal. a alegria sente-se no saciar desejos. No saborear uma cerveja, no comer um pastel de nata, ou beber um café, Ah, é verdade, sente-se voar no fumo de um cigarro ou de um cachimbo. Que saudades. Sente-se no comprar um livro, ver um filme, ver uma peça de teatro ou ir a um concerto.
A alegria é esse instante, são esses instantes, cada qual por si, de emoções diferentes, em momentos diferentes.
A felicidade é sentir todos esses momentos de alegria, uma cadeia que faz parte da nossa interioridade, afirmando-se como totalidade do que somos, do que fazemos – o ser e o estar.
É por isso que ser feliz é sermos nós, nós e os outros que queremos e desejamos que façam parte de nós, porque fazem parte do tempo que somos.
Só descobrimos o que é a felicidade quando realizamos o que somos, vivemos fazendo o que gostamos, agindo a partir de dentro, lá dentro, de nós mesmos. Somos.
A alegria é sempre um recomeço, uma busca, é sentir o nascer, é o gozo do instante, é a vida a esvaziar-se na busca de si mesma, um abraço que afaga, um sorriso escondido, é a fraternidade ou o partilhar, é viver o vivendo.
A felicidade é sentir a alegria do amor, da liberdade, do afecto, num encontro com o belo, o sublime, a arte, a poesia, o ser criança, vivendo sempre a caminhar e a interrogar. Quem sou? Para onde vou?
Por isso, é que, só vivendo a vida com alegria construímos os muitos momentos que nos fazem ir sendo felizes, descobrindo a felicidade, esse ser e estar, permanente e não ocasional que reside no sentirmos e vivermos a nossa emancipação cultural, esse cultural que faz de nós um ser na comunidade.
Ser feliz é acordar, todos os dias com a alegria nos olhos e sorrindo, dizer- Bom Dia! Um grito. Esse grito que toca o coração – só nós sentimos o pulsar do coração – e nesse pulsar os momentos de alegria.
É a ternura do coração que faz a felicidade, uma força invencível. Essa ternura não se compra, não se vende, conquista-se com alegrias, com sofrimentos, com lágrimas, com sorrisos.
A felicidade vive-se, de forma simples e serena, na alegria de um sorriso intemporal. Enorme.

António Sousa Pereira
20 de Abril de 2020

Um cravo na varanda

 

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Neste Abril de quarentena,
sentimos na vizinhança,
como sempre vale a pena,
viver a vida com esperança.

Essa esperança semeada,
ao som de uma canção,
que por todos é cantada.
Grândola com emoção.

E com essa forte emoção,
em cada rua uma bandeira,
em cada casa uma canção,
é celebrar Abril à maneira.

Esse Abril da nossa gente,
A pulsar no nosso coração,
Mantém viva essa semente
erguendo um cravo na mão.

Um cravo na tua varanda,
som da voz bem afinada,
só assim é que Abril anda,
seremos muitos rapaziada!

A quarentena em Abril
Dá mais força à cidade
no querer de muitos mil
hoje, sempre é Liberdade.


António Sousa Pereira
19 de Abril de 2020

 

As pessoas bonitas que entram no nosso coração

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A amizade não se explica, a única coisa que sabemos é que ela existe, ou não existe, tudo o resto são relacionamentos, de maior ou menor proximidade.
A amizade não se interroga, sente-se, partilha-se, vive-se. Ponto final.
A amizade que se interroga é uma amizade que vive com dúvidas, essa, não é uma amizade, é um emplastro, um faz de conta, uma gestão temporal de emoções, de interesses. É, talvez, um relacionamento que se aguenta por mera conveniência ou circunstância. Um aguenta. Um lá tem que ser. Um inconveniente.
Uma amizade vive-se. Viver uma amizade é viver um encontro, é preencher a nossa vida de outras vidas, é a partilha da nossa vida em reencontros, que nos enriquecem. Que nos ajudam a encontrar um sentido para os dias que somos. Sempre.
É viver o tempo que vivemos, com outros ou outras, inequivocamente. Numa amizade não há equívocos. A amizade é absoluta, no dar e receber. É intemporal.

Um amizade temporal não é uma amizade. Uma amizade temporal é algo que se vive num espaço cénico, com marcações, deixas de diálogos, vivências de expressões dramáticas. São jogos dentro do tempo, marcados de acasos e necessidades. Texturas. Encenações.
A amizade temporal existe quando a vida é um palco, uma mera representação. Teatro. É aquele tempo que se vive e deita fora. Rir. Chorar. Cantar. Usar. É uma amizade que se desfaz-se na sua temporalidade, ao dobrar da esquina. Serviu para fazer um caminho. Subir. Descer. Atingir objectivos. Ilusões.
A amizade temporal não é uma amizade é uma circunstância. É por isso que muitas destas ditas amizades acabam transformando-se em inimizades. A inimizade é a continuação da representação, dando continuidade ao trágico, dramático, irónico, à comédia, agora, com a ausência do outro ou outra, numa dimensão psicológica. O teatro dentro da cabeça. É uma necessidade mental para justificar o vazio cénico.

A amizade não é uma representação. A amizade que nasce de um olhar que se cruza com outro olhar, que nasce num aperto de mão que toca o pensamento, que nasce num beijo que se inscreve no coração, essa amizade, cimentada de vivências comuns, forjada de diálogos, do comunicar, do falar, esse falar que se escuta, por dentro da alegria e por dentro da dor, essa amizade, que se forja no suor e no sangue, sem quaisquer outros interesses senão esse, sublime, de viver o tempo por dentro do tempo, apaixonadamente, conquistando o tempo comum num viver e ser solidário. Essa amizade é, de facto, sem dúvida, a amizade que se inscreve na nossa vida, que é, que são, parte integrante da nossa vida. São pessoas que nos conhecem e pessoas que nós conhecemos. Pessoas com as quais nos despimos, por dentro, na nossa interioridade.
É por isso que, como diz a canção – há gente que fica na história da gente, e, outra que nem nome lembramos ouvir...
As amizades nascidas no tempo, por dentro do tempo, não são ideológicas, nem economicistas, ou outra coisa qualquer, são aquelas amizades construídas com pessoas bonitas, pessoas que entram no nosso coração, no nosso jardim, que tocam os nossos neurónios. Únicas.
São as pessoas que partilham o nosso tempo com serenidade, com a suavidade das gotas de chuva num dia de verão, com a ternura da ondulação do mar numa tarde calma, ao por-do-sol, com um cântico que toca os nervos, com poemas que são uma oração ou um hino à humanidade. São as pessoas que no viver comum, nos ajudaram a tocar a beleza da vida, com um brilho a tocar nos olhos e uma harpa a tocar nos lábios. Inesquecíveis.
São estas as amizades com quem aprendemos a viver o direito à diferença. São as amizades que, já, há muitos anos atrás escrevi – a minha liberdade não termina em ti, em ti recomeça a minha liberdade.
Esta é amizade que se escreve com nomes, reais, pessoas lindas, cada uma única e insubstituível, pessoas às quais dizemos sempre – Gosto de ti, porra!

António Sousa Pereira
15 de Abril de 2020

 

 

A politica

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A politica não é um jogo. A politica é a energia que faz cidade. As ideias politicas são o sangue da democracia. O problema é jogo - o jogo das vitórias, porque as vitórias é que fazem história, o ganhar ou perder o poder. Esse é, afinal, o jogo das decisões e opções. E quando o poder se coloca no centro do fazer politica, a politica que não devia ser um jogo, ela é um jogo...a guerra dos tronos!

É frequente familias começarem a falhar o pagamento de empréstimos

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Pela manhã, regularmente a primeira coisa que costumo fazer é deslocar-me para comprar o jornal diário. Sou leitor do jornal «Público» desde a sua primeira edição, faz parte das minhas vivências diárias. Senti a partida de alguns cronistas, que me deliciavam matinalmente. Um deles recordo com saudade Eduardo Prado Coelho.
As minhas primeiras conversas matinais começam com o diálogo que estabeleço com as páginas impressas. Gosto de sentir nas mãos as páginas e folhear.
Vou lendo. Interrogando. Pensando. É uma conversa interior que permite, calmamente, sem preocupações. Estar ali, ler. Viver.

Hoje, a manchete alertava para o aumento de familias a pedir ajuda, perante o incumprimento no pagamento de prestações.
Referia-se que entre Janeiro e Setembro cresceram o número de pedidos de apoio e cresceu a “infidilidade financeira”, que é dito ‘são cada vez mais frequentes’.
O aumento de rendas altas, nos centros das cidades, levam familias a não pagar o crédito ao consumo. Mas, acrescenta-se que o fenómeno já se estende às periferias, é frequente as familias começarem a falhar o pagamento de empréstimos, sendo de destacar os atrasos dos empréstimos relacionados com prestações da habitação. Empréstimos sobre empréstimos, para manter a vida, ou a aparência de vida.E, por fim, surgem as penhoras de ordenados e de outros bens.
Leio. Penso. Pois, foi assim que tudo começou, naqueles tempos antes da entrada da troika. O crescendo de situações desta natureza, definida depois nas teses – ‘os portugueses vivem acima das suas posses’, são o sinal de um futuro anunciado.

Vou caminhando. Na escola do ensino básico, escuto os gritos das crianças brincando, saltitando, felizes, alheias aos movimentos da vida e da história. Sim, aprendi isso vivendo, a história está a fazer-se todos os dias.
Olho a parede da escola e reparo que as pinturas feitas pelos pais, tenho a ideia que foi numa das jornadas do Dia B, desapareceram, a nova pintura tapou os trabalho que, pelo que soube na altura, foi feito com carinho e uma grande paixão pelos pais.
Enfim, reparou-se o telhado e retirou-se o amianto. Colocou-se o alpendre na entrada. Muito bom. Pintou-se a escola. Aquelas pinturas, pelos vistos, estavam ali a mais. Incomodavam ? Eu gostava, gostava acima de tudo por terem nascido do amor e voluntariado de pais, de querem dar cor e alegria ao espaço do recreio. Estava giro. Era naif e criativo.
Mas, enfim, é talvez, a tal ‘modernidade’ que desconstrói o passado e faz nascer um futuro inócuo, sem a presença dos sentimentos que nascem no coração.
Quando ali passava olhava aqueles desenhos infantis e sentia as suas cores misturadas nas crianças a saltitar. Agora sinto o silêncio das imagens apagadas. Faz-me lembrar aquela pintura que foi pintada num Dia Mundial da Criança, na Piscina Municipal do Barreiro e, um dia, igualmente, por um critério de ‘modernidade caviar’, em vez de recuperar, decidiram apagar, destruindo a memória e uma das primeiras obras de arte urbana existente no Barreiro, que, por acaso, o seu autor foi Rogério Ribeiro, um dos grandes nomes da Arte Portuguesa contemporânea.

Pela rua de mão dada lá vão, o pai e a mãe da Elsa. Sorriem, Cumprimenta-mos. Um abraço e um beijo. Tudo bem. Trocas breves de palavras. Afinal são momento destes que nos fazem sentir o território onde vivemos, como parte da nossa consciência, donde viemos, o que somos. É isto que somos. Sim, é isto que somos, humanos de sorriso no rosto. Gente com história e memória, gente que fez esta terra chegar aqui, com filhos e netos e muita esperança. Vale a pena encontrar rostos que nos fazem sorrir e sentir que somos.

Uma das coisas que, por razões da actividade de jornalismo local que mantenho, diariamente vou tomando contacto com as redes sociais. Por vezes é interessante, outras vezes é arrepiante.
Na verdade, se há espaço onde a desconstrução social e da sociabilidade é uma marca da vida quotidiana é por ali, especialmente, no facebook, onde proliferam perfis falsos, anónimos, ou semi-anónimos, cuja ‘virtude’ é difamar e caluniar.
Há mesmo quem pense que estas redes sociais vieram para retirar espaço ao jornalismo, por isso existem agências que são pagas para manter páginas, vocacionadas para o ‘terrorismo urbano’. São a voz das estratégia dos donos. Eles não vivem, sobrevivem.
Não os costumo ler, nem lhes passo cartão. Mas sei que existem, pelo que, por vezes, os meus amigos vão comentando.
Os amigos não percebem e dão-lhes troco. O que eles querem é que falem deles, falem bem, ou falem mal, falem deles, só assim se sentem vivos. Eles são faciopatas!

Há uma grande diferença entre as redes sociais anónimas e o jornalismo local. O jornalismo tem rostos, está sujeito ao cumprimento de regras deontológicas, é um dos pilares da democracia.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

Palavras

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As palavras não são grades,

onde prendes teus sentimentos.

 

As palavras não são grades,

onde escondes teus pensamentos.

 

Podes escrever a palavra amor,

podes escrever a palavra saudade.

 

As palavras não são grades,

quando escreves com dignidade.

 

As palavras não são grades,

ritmos de morte ou de vida,

elas, quando nascem no teu ser,

são sonho, energia, até…poesia!

 

António Sousa Pereira

Só quem luta, sente renascer o dia!

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Do fundo do tempo, lá longe, lá, onde meus sonhos erguia, lá do fundo do tempo, escuto um cântico rasgando os nervos, feito em lágrimas de alegria.

Sento-me, aqui, na noite, no silêncio, esse, onde fico a pensar, nos passos, nos gritos, nas ondas do mar, no vento, em tudo que em mim, lá longe, bem longe, em poemas erguia, uma esperança escrita em sonhos, flores a nascer na Primavera.

 

Lá no fundo do tempo, em ecos de penumbras, escuto as palavras de Allende, os protestos contra o napalm do Vietname, os cânticos de liberdade, as armas, os barões, o pensamento escrito no “branco do branco” areal, as minhas mãos nas tuas mãos, abrindo as curvas da escuridão, na descoberta do corpo, talvez por dentro dos sons de nós, e, desfolhando em gritos, nas bandeiras caídas em Alcácer Quibir, um Império, o meu Portugal, que chorava em toques de melodias que quebravam o silêncio fechado em grades. Resistindo.

 

Lá no fundo do tempo, até onde me leva o pensamento, encontro essa energia, que me fez caminhar, num combate comigo próprio, sempre em busca da Liberdade, e, sempre, por dentro dos dias, do tempo, ingenuamente, com a criança que transporto dentro do coração, caminhei, acreditando, nisso, apenas nisso, que é preciso viver cada dia, fazendo de cada dia um caminho, após outro caminho, na busca de caminhos, caminhos que são esse caminhar, entre o sol e o luar, incansavelmente, com resiliência, batendo com força no peito, esse lugar, onde cada um de nós guarda os segredos, esses segredos, que nos movem: sim, apesar de tudo ela move-se. A vida.

 

Sim, se viver é andar, se viver é seguir o tempo com a força, com a alegria, com as mãos enrugadas de terra, o suor a rasgar os pensamentos, viver com criatividade e liberdade, é, certamente, viver com todos esses sonhos que emergem de longe, lá longe, e, aqui, agora, sentir como o cavador, cada dia, como quem lança sementes à terra, sorrindo, para ver a vida florescer, renascer, em flores e frutos. Sonhando.

 

Sim, só semeando, conseguimos dar vida à vida e, em cada dia, sentir nascer a vida e outra vida, porque nós, somos, sempre as sementes que lançamos no tempo que percorremos. É por isso, só por isso, que as amizades forjadas no sangue, se inscrevem no tempo, porque fazem parte das nossas lutas, que fomos e somos. Lutando.

 

Lá longe, bem longe, escuto aquela voz a cantar, na margem do rio, ali, onde ao fim da tarde sopra sempre o vento norte, e grita: Luta, porque, só quem luta, sente renascer o dia!  

 

António Sousa Pereira

Pensar a ponte Hong kong – Macau de 55 Km e Barreiro – Seixal de 400 metros

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A noticia que corre as páginas da imprensa mundial, nos dias de hoje, é sobre a inauguração da ponte Hong kong – Macau, numa distância de 55 Km, com um túnel debaixo de água com cerca de 6Km.

Pelo que fomos lendo, a China avançou para este projecto não com uma visão local, mas com uma visão global, pois, de facto é salientado que um dos grandes objectivos deste projecto estruturante é promover a mobilidade e criar entre aqueles territórios – Macau, Hong Kong, Zhuhai – uma região que no futuro se afirme como “um gigante tecnológico” que possa rivalizar com Silicon Valley, nos Estados Unidos.
Um dos grandes objectivos desta ponte, refere-se, é, na verdade, aproximar Hong Kong e Macau de 11 cidades chinesas.
O percurso entre Hong Kong e Zhuhai, que demorava 4 horas, passa a ser feito em 30 minutos.
Esta noticia faz pensar se, no mundo de hoje, a competitividade, de facto, já não é entre cidades, mas sim, na verdade, entre regiões, essas, com capacidade de atrair empresas para os territórios, pela fluidez de mobilidade terrestre e, naturalmente, ás ligações aéreas.
A competição no mundo de hoje, reside no potenciar regiões metropolitanas, cuja escala não é local, nem internacional, é na sua influência no mundo e a forma como se colocam nessas estratégias de competitividade.

Leio esta notícia, nem sei porque razões, ou sei, talvez, por razões meramente subjectivas, dou comigo a pensar Barreiro e a pensar Área Metropolitana de Lisboa.

Penso Barreiro, porque sinto que este concelho, desde há décadas que está aqui, metido num canto, como se fosse um gueto da Península de Setúbal e da Área Metropolitana de Lisboa, quando, na verdade, ao nível territorial é uma centralidade.
Isto, porque não há uma ponte que permita que exista uma ligação rodoviária, rápida e eficaz, que ligue o Barreiro ao Seixal, e, desta forma dar massa critica aos dois concelhos.
Era a construção de uma ponte com cerca de 400 metros, que ligava os dois concelhos, evitando que as populações tenham que percorrer os actuais 16 quilómetros.
António Costa prometeu que poderia avançar com o Programa Portugal 2020. Está prometido. Mas se o assunto ficar no silêncio se não existir capacidade politica de reivindicar esta ou outra solução. Assim vamos continuar.

Depois, penso o que dizia Álvaro Mateus, quando se falou da mudança do novo aeroporto de Lisboa, previsto para a OTA, e, depois apontada para o Campo de Tiro de Alcochete.
Dizia que, era potenciar um aeroporto que iria contribuir para dar dimensão à AML - competir com Madrid – e, de facto, alargando a sua influência na margem sul, assim, nesta margem, nascendo, a tal cidade aeroportuária para dar a Lisboa, dimensão metropolitana e europeia.
E, naturalmente, neste contexto, avançar TTT, nem que fosse só ferroviária, pois ela faz parte do plano ferroviário nacional.
Em suma, era pensar Lisboa até Sines, uma Lisboa que devia, escutei depois, por outros, ser pensada de Peniche até Sines.

Afinal, isso, era dar a Portugal essa tal dimensão de plataforma Atlântica, afirmando-se com ligações até à Estremadura de Espanha, como “uma região no mundo”, de ligação à América, África, sendo aqui a porta da Europa.

E, de facto, foi isto que pensei hoje, ao ler esta noticia, e, imaginei que o Barreiro, era um lugar, um lugar central, neste pensar a AML e Portugal no mundo.
Porque afinal, no futuro, Portugal ou se pensa nesta competitividade mundial, ou ficamos assim, como um recanto para ser visitado…com o turismo, como a ponta de lança da nossa economia.

S.P.

 

És um rio

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És um rio onde mergulho, em ondas. És um rio onde navego, em movimentos.
És um rio onde flutuo, em beijos. És um rio onde viajo, em sonhos.
És um rio entre margens, um leito de nervos, onde me deito, em gritos de silêncio, rasgando o luar, por dentro das estrelas que fazem eternidade.

 

És um rio, feito de sangue, um abraço, sem fronteiras, nem limites, entre os ossos.
És um rio, um espelho, onde a paisagem, emerge a brilhar, com todas as cores, riscos no tempo, esses, que fazem nascer sorrisos, telas e poemas.

 

És um rio onde um moinho, transforma a vida. És um rio esse lugar onde uma gaivota, rasga o azul, para tocar o recomeço de um dia, renascendo a sorrir. E tu, ali, entre as margens, sorris.

 

És um rio, sempre a sorrir, por dentro dos dias, bem dentro do tempo, todo o tempo, aquele, que é, afinal o tempo de um rio que corre, vindo da nascente mais pura, essa fonte onde tudo começa, sempre, esse rio feito de amor.
És um rio, que se faz no tempo, primeiro é riacho, e, depois, em ti, desde criança, jovem, mulher, mãe, és um rio que se faz ribeiro, rasgando socalcos, abrindo brechas, construindo caves, fazendo sapais, lagoas e rasgando as margens até ao oceano. Vivendo a vida, sim porque a vida só é bela, quando se vive a viver.
És um rio, de loucura intemporal, a gritar na noite, de branco a sorrir, um rio feito ribeiro, e, afinal, sendo ribeiro, esse ribeiro que és tu, e, sim, só porque és tu, é teu, esse rio, feito ribeiro, é, pois, o rio mais belo. Um rio, que é um riso. Um rio que é um sorriso.

 

És um rio, e não há rio mais belo, que um rio, esse, que é um ribeiro a nascer dentro do teu querer e ser, aí, no coração, feito de todo o tempo que foste, rasgando os temporais, sorrindo nas bonanças e navegando sempre entre as ondas – a sorrir, sempre a sorrir.
O rio que és, o rio que fomos. O rio que somos. Um rio. Um mar. A vida.
Afinal, a vida é bela!

 

 

António Sousa Pereira
9 de Outubro de 2018

Nunca é tarde para viver a própria vida.

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Um dia é um tempo imenso para nos encontramos e reencontramos. Chega um tempo que a alegria da vida reside no sentir os dias por dentro, assim, entregues aos pensamentos que se transformam em acção. Viver.

Cada vez mais, sinto um enorme cansaço de tocar os dias com os nervos, à flor da pele, isso, de facto, é para aqueles que vão mudar e transformar o mundo.

 

Eu prefiro acordar, enquanto acordar, e, serenamente, seguir por dentro dos dias, com as emoções que fazem nascer o quotidiano e pensar o tempo que vivo. Vivendo.

Encontro a mãe da Rute. Cumprimentamo-nos. Ela diz que espera mais um neto. A Rute diz que quer ter uma equipa de futebol. É bom, o Barreiro e o país precisa de gente nova, gente que abre as portas do futuro.

Passa por mim um vizinho, com seu cão pela trela.

“Lá tem que ser”, comenta. “É vida”, respondo. Ao mesmo tempo penso naquele poema de Álvaro de Campos, que, na Tabacaria, recorda os cães, que também existem. É vida.

 

O Reis, lá vai, de caixa de bolo nas mãos e com um ar sorridente. “Então, quem faz anos hoje?”, pergunto.

“Sou eu”, respondeu. “Quantos?”, interroguei. “São 82”, sublinha. “Uma idade linda”, comento. Ele sorri e diz – “São 28”.

O Reis acompanhou-me nas lides do associativismo, integrou direcções e dedicou, como muitos, um pouco de si para fazer um mundo melhor. Afinal, quando vamos percorrendo os dias, e olhamos para o tempo vivido, o que enche o nosso coração é sentirmos que vivemos fazendo, construindo e legando futuro. Isso é que conta.

 

Fui comprar o jornal. Sento-me na esplanada. Leio as últimas do meu país. “Avenças fictícias alimentavam ‘saco azul’ do PSD. PJ acredita que dinheiro servia para pagar quotas e despesas de campanhas”.

E por essa Europa, “Itália sobe a parada e deixa Merkel em posição ainda mais difícil”.

“Marcelo e Trump discutiram plano para Portugal atingir meta de despesa da NATO”, rotinas da diplomacia.

Como diria o outro, que foi condenado – “Apesar de tudo ela gira”. É isso o mundo gira. Os juros na Europa parece que, em breve, poderão começar a subir, também é noticia de hoje, assim, na verdade, o presente começa a dar a entender  o que nos espera nos dias de amanhã. Que interessa isso, o que é preciso é festa. A malta quer é divertir-se.

É sempre o presente que anuncia o futuro. É sempre o presente que faz o futuro.  

 

Continuo sentado na esplanada. Leio o jornal, calmamente e medito sobre a aquela frase de Fernando Pessoa – “No fundo, o homem religioso é um hedonista”. Recordo Cabós Gonçalves, ontem homenageado no «Barreiro Reconhecido». Ele que se afirmava um hedonista e que dizia tinha estado no lado de lá, num túnel, entre a vida e a morte e regressou para retomar os dias na vida.

Esta é uma certeza que todos temos. Um dia partimos. A nossa eternidade será a memória daquilo que fomos.

 

Alguém conversa numa mesa ao lado, sobre a vida, os dias recentemente vividos no Hospital. Foi complicado. “Estou melhor”, dizia.

Esta conversa fez-me lembrar duas viagens de barco que fiz um destes dias. Ali, sentados a navegar no Tejo, escutamos conversas, principalmente daquelas pessoas que gritam quando conversam através do telemóvel. “Ele não quer saber nada do filho”. “A minha amiga vai ser minha fiadora, ela trabalha no estado, é garantido”. “Vou agora ao Hospital, ver a minha mãe está muito mal”. “Oh amor, estou a chegar, espera por mim no sitio do costume”. Olho, assim com curiosidade, para perceber  quem é o apaixonado. Penso deve ter os seus 80 anos. Sorriu.

Afinal, nunca é tarde para amar.

Sim, como nunca é tarde para viver a própria vida.

 

António Sousa Pereira

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