Ontem, naquele encontro habitual da Tertúlia de «Os Leças», no final do almoço, fui surpreendido com um bolo para assinalar o 21º aniversário do jornal «Rostos». Foi uma agradável surpresa.
A Tertúlia de “Os Leças” é um ponto de encontro, todas as segundas feiras, que conta com a participação de quem quiser aparecer, ali, é sempre bem vindo “quem vier por bem” e, o lema, podia escrever-se “trás outro amigo também”.
Enquanto vamos almoçando as conversas são como as cerejas, fala-se de tudo, desde a Guerra da Ucrânia, passando pela vida política nacional ou local. Recordam-se estórias dos tempos idos, quer de antes, quer de depois do 25 de Abril. Rimos. Galhofamos. Provocações nunca faltam. Fala-se de tanta coisa, que, por vezes, a conversa aquece, mas, uma coisa é certa, a linha central daquele ponto de encontro é o respeito pelas diferenças.
São pessoas de diferentes opções políticas ou ideológicas. Uns conhecem-se há algumas décadas. Outros mais recentemente. Alguns conheceram-se por ali, uns chegam, outros partem. Não há obrigatoriedade de cumprir presença. Vai quem quer e quando quer, mas, todas as segundas feiras, lá está sempre a funcionar aquela Tertúlia. Um esmerado serviço de cozinha. Um esmerado serviço de apoio. Voluntários, que se juntam ao líder Alfredo Gonçalves, que, hoje, como ontem, continua a fazer do associativismo a forma mais bela de dar vida aos seus dias.
Ah, é verdade, só existe uma obrigação a cumprir, afinal, a ideia da Tertúlia partiu dele, por essa razão todos se levantam quando entra na sala, no verdadeiro respeito pelo Presidente Honorário da Tertúlia – Mário Durval.
Neste tempo que vivemos, cada vez mais marcado pela ausência de diálogos, que as redes sociais afastam-nos do salutar convívio de conversar a olhar – olhos nos olhos – a Tertúlia de «Os Leças» é um exemplo vivo da importância do comunicar e, pessoas com pensamentos diferentes, percursos de vida diferentes, por vezes, até, com conflitos ou divergências no passado, são capazes de sentar-se na mesma mesa, conversar, discutir, confrontar até memórias do passado, mas, o respeito e a tolerância, fica como marca desta realidade, que se vive num contexto associativo.
Talvez por isso, tem vindo a cimentar-se a ideia de por ali na Tertúlia cada um trazer um tema, que seja motivo de debate e, quem sabe, até o ponto de partido para abordagens mais profundas, sendo um contributo para fazer democracia e participação na vida do concelho.
Afinal, a principal ambição dos participantes nesta Tertúlia é sentirem e viverem o direito de partilhar ideias, conversar, dar sentido real à palavra democracia. Porque a democracia é o confronto de ideias.
É, talvez, por isso, gosto de marcar presença e estar por ali, na conversa, a degustar os sabores, e sentir a beleza da liberdade “está a passar por ali”.
Mas, a razão de hoje escrever esta nota tem a ver com o facto de ontem, na Tertúlia, ter sido surpreendido com um bolo de aniversário e um momento de fraternidade cantando-se os parabéns ao Jornal «Rostos».
As velas foram apagadas por Jorge Fagundes, o veterano da Tertúlia e Colunista do Jornal Rostos. Estavam ainda presentes outros dois colunistas do jornal Carlos Alberto Correia e Mário Durval.
Foi um gesto que quero aqui, publicamente agradecer, porque uma das coisas mais belas da vida que nos dá energia e força é sentirmos à nossa volta um pouco de gratidão. Obrigado.
Jorge Duarte, um dos habituais membros da Tertúlia, no meio daquela euforia das velas e dos parabéns, voltou-se para mim e agradeceu o trabalho de décadas que pessoalmente, tenho dedicado ao jornalismo no concelho do Barreiro, sublinhou que admirava-se como é que eu aguentei e resisto tanto tempo.
Oh Jorge, foi por paixão, por amor, por fazer o que gosto, e, por sentir que presto um serviço cívico, e, também, acima de tudo, porque há leitores que sentem a importância deste projecto, e o seu papel na valorização da cidadania e no fazer cidade.
Obrigado, Jorge, pelas tua palavras, sabes, senti o que disseste e guardei num cantinho do meu silêncio interior.
A vida é simples. São coisas simples, principalmente aquelas que enchem o dia de fraternidade que, emergem como sinais e dão força para manter uma forma de estar e viver a comunidade.
Obrigado pessoal da Tertúlia de «Os Leças». Afinal, o «Rostos» atingiu 21 anos também com o vosso contributo e solidariedade.
Todos nós, no tempo que vivemos, conhecemos pessoas que se inscrevem nas nossas memórias. São, afinal, essas memórias que enchem os nervos de cor e musicalidade.
A vida mais bela, a vida bela que toca os nervos, que fica erguida no tempo, para além, muito para além dos escombros, é sempre feita das alegrias e lágrimas que aquecem o coração.
A beleza da vida é descobrirmos, diariamente, para lá dos recantos das rotinas, a frescura de um olhar, um poema que se escreve nos olhos, ou num sorriso, sussurrando palavras que acordam o futuro, como se o futuro existisse vivo, em todas as memórias por nascer.
Uma amiga que nunca esqueço que me ensinou a amar a Liberdade, que me ajudou a descobrir a palavra Paz, que escuto sempre o seu sorriso no voo de uma gaivota, ali, quando me sento a pensar na Catedral do Tejo, no dia de hoje, se fosse viva, festejava os seus 87 anos.
Recordo-a sempre.
Ainda em Agosto, fui beijar a ternura da sua ausência ali, no Torrão, em Alcácer do Sal, a sua terra natal, onde ela descansa a olhar a eternidade, na planície que se estende até ao Sado, onde – “ao fundo o laranjal continuará verde” – como ela escreveu num poema que me dedicou no ano de 1991, e, só este ano, descobri que estava publicado no seu livro de poemas – “A palavra Iluminada”.
Falo de Maria Rosa Colaço. A mulher que antes do 25 de Abril, escreveu o livro-poema: «A Criança e a Vida», que semeou palavras em histórias de amor para crianças. Esse livro, que era senha de Liberdade. Que era voz de ternura. Que era dor de saudade. Quer era força de fraternidade. Que era a voz que se faz amor, por amar, por amor.
Esse livrinho que ofereci à minha Lurdes, para lhe beijar o coração com palavras de criança. O livrinho que passava de mãos em mãos, com palavras a inventar o sol azul, e, pássaros a beijar o amor pela madrugada, e, com os dias a fervilhar no sangue o encanto da palavra Liberdade.
Falo da minha irmã, como ela sempre me tratou - Maria Rosa Colaço - que um dia no Lavradio, me estimulou para escrever poesia, e, que disse-me com energia que publicasse um livro de poemas, porque, afirmava, tu tens os “poemas à tona da pele”, e, as tuas mãos semeiam poemas por dentro de todas as palavras. Nunca escrevi o livro de poemas que lhe prometi que, um dia iria escrever, mas, talvez, um destes dias venha a cumprir, porque, afinal, escrever um poema é sempre dar um sentido à vida. E a beleza da vida é ser poema.
Para que serve um poema? Interrogo-me muitas vezes.
Talvez sirva para recordar uma janela na noite escura. Ou inscrever um beijo na eternidade. Ou tocar na cascata de sentimentos escondidos na ternura do luar. Ou guardar a distância da penumbra que se esconde por trás de um olhar de magia. Ou sentir a criança a gritar na hora de nascer no sol colorido de placenta brilhante. Ou, apenas, para fazer renascer as flores, os cravos vermelhos, que colocámos a teus pés, no dia que fomos dizer-te adeus, eu e a Manuela Fonseca, e, ali, dizer um poema onde Abril estava por cumprir, esse Abril que tu sempre guardas-te nos teus nervos vindo das ondas do Indico, até às ondas das searas do teu Alentejo, ou, ainda, aos dias de Almada que vias as crianças na escola a escrever PAZ em todas as línguas do mundo.
As crianças que te diziam que eras a Maria sem laço, porque eras Colaço e não tinhas laço.
Ou, talvez, o teu espanta pardais a dizer-te adeus em Toronto, que recordavas a sorrir, em asas de Anjo, cantadas pelo Francisco Ceia.
Recordo-te hoje, ao fim do teu dia, a data que está inscrita nesta memória que faz parte das memórias que enchem os meus nervos de cor, musicalidade e essa saudade que se escreve amor ao futuro.
Um dos meus hábitos, é, com alguma regularidade, ir dar um passeio junto ao Rio Tejo, dou uma volta pelo Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Sento-me a beber um café na esplanada do Grupo de Dadores de Sangue do Barreiro, ou para ler o jornal, ou um livro, enquanto deito os meus olhos nas águas da «Catedral do Tejo».
Uma destas manhãs, por mero acaso, encontrei o meu amigo Carlos Humberto, uma das pessoas que conheço desde os tempos de antes do 25 de Abril, com quem partilhei, em tempos idos, o mesmo ideal politico, que exerceu o cargo de Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, e, que nas últimas eleições foi candidato à presidência pela CDU, sofrendo uma aparatosa derrota.
Sempre mantive com o Carlos Humberto uma cordial amizade, tenho por ele um grande respeito e consideração, pelo seu humanismo, pela sua forma de estar na vida, como homem de diálogo e construtor de pontes. Um homem que vive a politica com valores. Essa uma das razões porque o defendia e repudiava as campanhas difamatórias e de destruição de carácter, que lhe foram movidas, injustas e vergonhosas, porque, na verdade, quando em politica vale tudo, a politica deixa de ser uma causa nobre e digna, para ser apenas, e só, uma guerrilha de luta pelo poder, para manter o poder e um jogo de ambições.
Aliás, digo, tenho dito e repito, que Carlos Humberto e Emidio Xavier, são os dois presidentes de Câmara que ocupam o primeiro lugar no ranking, bem distantes, quer na forma, quer no conteúdo – no ser e estar - no exercício da presidência da Câmara Municipal, desde que foi instituído o órgão «presidência».
No último Feriado Municipal, todos os ex-Presidentes de Câmara e todos os ex- Presidentes da Assembleia Municipal do Barreiro foram distinguidos com o «Medalhão Cidade do Barreiro», entre eles, naturalmente Carlos Humberto.
Na altura não escrevi nada sobre o assunto, mas, enquanto estava a beber o café, e, numa amena conversa com Carlos Humberto, comentei que por um lado achava que devia ter recusado receber a distinção, depois de tudo o que foi acusado e vilipendiado pela gestão socialista, que, inicialmente começou por acusar todos os presidentes de Câmara, por durante 40 anos terem paralisado o Barreiro e terem sido incapazes de aproveitar o potencial. Mas, depois, como verificaram que nos 40 anos estava incluído o ex-presidente Emidio Xavier, PS, passaram para os últimos 12 anos, obviamente os relativos aos anos de liderança de Carlos Humberto. Por isso disse-lhe: “Devias ter recusado essa distinção”, e, acrescentei – “mas, percebo que fosses receber, porque depois passavas, mais uma vez a ser o mau da fita, e lá vinha mais uma campanha”.
Aproveitei para dar a minha opinião, sobre estas distinções que, considero, mais não visam que promover o «culto do presidencialismo» e o «culto da personalidade», centrando o Poder Local na figura do presidente. O marketing dos tempos actuais. Talvez por essa razão, naquela conversa, senti-me importante, sim, porque estar sentado na mesa de um café com um ex-presidente de Câmara, é estar sentado com um presidente, e um presidente é sempre uma pessoa importante, afinal, a verdade é que, tal, como nos fuzileiros, «presidente de Câmara uma vez, presidente de Câmara toda a vida”.
Aliás, há quem diga, que o presidente deve ser visto como «símbolo» e «bastião» daquilo que é mais importante em democracia. Não é a cidadania, não é a participação dos cidadãos, não é sequer aquilo que alguns definem como a «casa da democracia», por exemplo a Assembleia Municipal, ou o executivo municipal, ou o direito a eleger e ser eleito. São os presidentes os bastiões. E, ali, junto ao Tejo, eu tinha a honra de estar sentado a beber café com um «bastião» e isso, se por um lado me fazia sentir pequenino, perante um bastião, por outro lado, ao mesmo tempo sentia-me orgulhoso, e pensava : “Estou sentado ao lado de um presidente, porque ser presidente uma vez é ser presidente para sempre”.
E, neste deambular por pensamentos, dou comigo a reflectir que, de facto, Carlos Humberto, para além do muito trabalho que inscreveu no terreno nos seus mandatos de presidente, deixou um legado que foi a base da «politica de cuco», que marcou o exercício do mandato anterior da gestão socialista e, até mesmo já se sente no actual mandato, por exemplo, uma delas, e, talvez a principal que nunca ninguém antes teve, foi a casa «arrumada», fruto da gestão «Deficit zero».
Depois, bom depois, desde a nova frota dos TCB, passando pelo protocolo da Doca Seca da CP, ou pela negociação dos terrenos do Gaio, ou pela resolução da situação da Quinta das Canas, ou pelas candidaturas das AUGIS, enfim, fiquemos por aqui, mas até podia referir coisas que estão a vir a lume no actual mandato, como é o caso do recente investimento anunciado de milhões e criação de centenas de empregos, pela Sogenave.
Carlos Humberto é mesmo um grande senhor. Não partilho, por razões óbvias, o seu ideal politico, fruto da história e da vida, mas comungo o seu amor ao Barreiro e a forma como sempre esteve de coluna vertical perante o Poder Central, fosse PSD ou PS. Louvo a sua coragem de ter ido receber a distinção, e, aceitar, estar ali, de pé, ele, e todos os ex-presidentes, formados, como se fosse uma equipa de futebol a receber uma distinção, sem direito a usar a palavra. Todos em silêncio a escutar o discurso do futuro condecorado, claro, porque a partir de agora, todos os presidentes serão condecorados, será uma indelicadeza se tal não for feito. É a condecoração por inerência. E se cada presidente é um símbolo e bastião, cada presidente merecia ter um reconhecimento pessoal, único, não é assim, tudo ao molho em fé em Deus.
Ah, é verdade, já agora, o meu obrigado à minha amiga Vera Jardim que teve a amabilidade e a simpatia de trazer uma cadeira para Helder Madeira se sentar, pois, sentia-se estava em dificuldades, ser obrigado a estar ali, de pé, a ouvir a narrativa do futuro condecorado. Helder Madeira, devido à idade, subiu ao palco com dificuldade e, só isso, humanamente merecia respeito e um cuidado protocolar especial, acima de tudo a dignidade devida e indispensável ao ancião e CIDADÃO HONORÁRIO DO BARREIRO. Aliás, merecia receber a distinção sozinho ( aliás todos mereciam) e, Helder Madeira, merecia, ter tido o direito de usar a palavra, como grande, enorme e bastião da democracia e da pureza do Poder Local. Se soubessem o que era gerir a autarquia naqueles tempos, com tanto amor e voluntariado.
Ah, é verdade, e, já agora, embora não tendo sido eleito, Helder Fráguas, que exerceu a Presidência da Câmara, após o 25 de Abril, na Presidência da Comissão Administrativa, também merecia, a título póstumo, ter sido distinguido com o « Medalhão de Honra da Cidade», uma distinção que também significaria um abraço a uma equipa plural, democrática que lançou as raízes que abriu o caminho para as eleições democráticas e para o Poder Local.
Olha, Carlos Humberto, isto foi parte do que falei contigo, aquilo que estive para escrever no Feriado Municipal, fica hoje, aqui, com a minha compreensão porque foste receber a distinção. Tu que, afinal, não fizeste nada e deixas-te o Barreiro atrasar-se no tempo, afinal, foste distinguido. Enfim, é vida, és eleito, logo tens direito. Abraço.
E ainda, já agora, aproveito para dar um abraço ao meu amigo Emidio Xavier, e agradecer as suas palavras simpáticas, na minha página de Facebook, a propósito dos meus 70 anos. Presidente, um dia destes vamos beber um café…e falar em coisas lindas da vida. Abraço.
Hoje à tarde a convite de Armando Seixas Ferreira, no Auditório Manuel Cabanas, na Biblioteca Municipal do Barreiro, apresentei o seu livro «1821 – O Regresso do Rei»
. A viagem de D. João VI e a chegada da Corte a Portugal.
Aqui fica o texto integral da minha reflexão após a leitura do livro de Armando Seixas Ferreira, que foi a minha intervenção na sessão de apresentação:
Apresentação do livro «1821 – O Regresso do Rei»
. A viagem de D. João VI e a chegada da Corte a Portugal
de Armando Seixas Ferreira
Boa Tarde,
Quero começar por agradecer o amável convite do meu amigo Armando, para estar com ele, e com todos os que aqui marcam presença, neste dia de apresentação do seu livro - «1821 – O Regresso do Rei».
Conheço o Armando dos dias do Jornal do Barreiro, tempos que neste concelho a imprensa regional contribuía para o pulsar da cidade, num concelho onde a vida era dinâmica, activa e com trabalho, de gente que vivia e aqui trabalhava, de gente que aqui habitava e diariamente marcava um ritmo intenso entre as duas margens.
O Armando tinha o jornalismo no sangue, escrevia com o coração, com sentimento, quer no JB, quer como Correspondente do jornal «Público». Depois seguiu-se a televisão. Habituou-nos a entrar em nossa casa, e, nós a dizermos para os nossos filhos: Olha o Armando! Ele é de cá, do Barreiro.
Mantivemos sempre uma relação de amizade e de respeito mútuo, partilhei com ele momentos que ele viveu com ternura. Recordo o dia que ele me disse ter sido o vencedor do Prémio Paridade Mulheres Homens na Comunicação Social, com a reportagem «Mulheres à Prova de Bala», emitida pela RTP 1.
Ou, o dia que, feliz, me comunicava que tinha sido ele a realizar a primeira reportagem feita por telemóvel na televisão portuguesa.
Tudo isto para dizer que foi, uma agradável surpresa ter recebido este desafio de, na sua terra, com a sua gente, com os seus amigos, ter a honra de apresentar este seu livro, uma obra que, desde já, fica inscrita na historiografia de Portugal, e, também, faz parte da história do jornalismo português.
Ao ler o livro do Armando, à medida que avançava nas suas páginas, veio à minha memória uma discussão académica que, por diversas vezes mantive com o saudoso José Caro Proença.
Ele defendia que o primeiro jornalista português tinha sido Álvaro Velho, do Barreiro, que escreveu o «Roteiro da Viagem de Vasco da Gama à Índia». E, dessa tese ninguém o demovia.
Eu dizia-lhe que o jornalismo só começou a existir com as publicações de carácter periódico e com a sua ampla divulgação, e, portanto, o «Roteiro do Gama, escrito por Álvaro Velho, não se enquadra nesse modelo.
Ele refutava. Estávamos por ali, em passeio, por Alburrica a conversar. Teimosos. Divertidos. Dialogando.
Nessas conversas disse-lhe que, pelo ponto de vista dele, eu considerava que o primeiro jornalista português tinha sido Fernão Lopes, que publicou as Crónicas, onde registou as memórias da Revolução de 1383- 1385.
E, lá continuávamos a nossa discussão. José Caro Proença defendendo que Álvaro Velho, foi o primeiro jornalista, porque foi um repórter que relatou a viagem dia-a-dia. Um jornalista em reportagem.
Eu refutava, dizendo que o primeiro jornalista tinha sido Fernão Lopes, que foi cronista, um jornalista que mergulhou na história, que viajou pelas memórias de um país – da Nobreza, do Clero, do Povo. Um jornalista também é um cronista. E, este, Fernão Lopes, fala-nos dos ventres aos sol e das multidões que movem e fazem nascer a história. Um repórter da história.
Ora, esta obra - «1821 – O Regresso do Rei», tem essa marca, tem essa impressão digital, o adn do jornalista, do cronista, do jornalismo de investigação, dos factos que forjam o jornalismo.
Fernão Lopes não tendo vivido os acontecimentos, investigou, relatou, transmitiu os sentimentos de uma epopeia histórica, da revolução medieval portuguesa, com rigor e objectividade. Foi um repórter da história.
Esta obra – «1821 – O Regresso do Rei», é uma obra escrita com paixão e ternura. Uma obra que tem um herói – D. João VI. E, ao seu lado, “uma rainha má”, D. Carlota Joaquina.
Esta obra tem a força e a energia para ser a base de um documentário histórico para a televisão, ou para a produção de uma série épica, ao belo estilo das séries da Netflix – caso da série Simon Bolivar – ou, mesmo, para um filme épico, sobre o nascimento de uma nação chamada Brasil, ou, como um país da Ibéria derrotou o grande imperador Napoleão.
Este é um livro escrito com rigor, com um estilo jornalístico, com uma linguagem fluente, que conta a história de um povo, de um país à beira mar plantado, que, numa época de emergência e conflito de duas grandes potências mundiais pelo domínio dos mares – Franceses e Ingleses – nesse tempo, este povo, liderado por D. João VI, de forma estratégica, com operacionalidade diplomática, soube recuar para o Brasil, mantendo a soberania, e, 14 anos depois regressa, vitorioso, para fazer renascer Portugal, ao mesmo tempo que deixou na América, as sementes e a organização administrativa de um território onde um novo país soberano estava prestes a nascer – o Brasil.
Esta obra de Armando Seixas Ferreira é oportuna. Surge num tempo oportuno. Vai ter sucesso em Portugal e no Brasil, pelo seu realismo e pela sua historicidade.
Uma obra que faz sentir no coração a barbárie da escravatura.
Uma obra que faz sentir nos nervos a angústia de uma batalha naval. O horror dos ataques dos corsários.
Uma obra que faz sentir a bravura e a heroicidade das viagens marítimas, no enfrentar o mar, ora calmo, ora cavado, o frio, o calor, a fome, as doenças. A disciplina, a organização, os castigos, a gratidão.
Uma obra que é preciso estar atento aos pormenores, sentir, por exemplo o papel da imprensa no fazer acção politica, num confronto de ideias, no fazer cidadania, nos conflitos nas cortes, no nascer dos partidos ou papel subtil das sociedades secretas.
Uma obra onde sentimos como as guerras palacianas, os jogos de poder, os interesses individuais se sobrepões ao sentir e viver de uma comunidade.
Sim, é verdade, não pensem que vão ler um romance, ou uma obra de ficção. Vão ler páginas da história reais, escritas com beleza. Uma sucessão de quadros. Quadros vivos de um país real, de uma época real. O ser humano na sua hipocrisia e na sua beleza. O ser humano em combate com a natureza. As estratégias diplomáticas.
Esta obra é uma narrativa jornalística, uma aventura, uma epopeia, escrita com amor, escrita para honrar o lugar que na história pertence a D. João VI. O homem que derrotou Napoleão.
O rei que, afinal, abriu o caminho para consolidar a realidade histórica de Portugal, que deixou para trás o absolutismo do rei, aceitou as Cortes e a Constituição, assim como valores que marcaram o nosso país até à instauração da República, e, deixou as sementes que forjaram as vivências de Portugal nestes últimos 200 anos.
Num certo momento da sua escrita, o jornalista-escritor, Armando, refere as noticias que correm por Lisboa, quando da chegada do Rei a Portugal, salientando como, através da noticias é importante conhecer “o espirito da tropa, nobreza e povo”, que podia influenciar a autoridade real.
Li, e reli, e fiquei a matutar neste tropa – nobreza- povo”, porque, afinal, estar era a nova realidade que nascia e substituía o anterior conceito, do Antigo Regime, que tinha por base o pensar «clero- nobreza-povo».
Uma mera reflexão. Porque, na verdade -a tropa – a nobreza (os políticos) e o povo – vão ser uma presença permanente durante dois séculos – na Monarquia Constitucional, na República, no Estado Novo e na República de Abril.
As Cortes. As tropas, Os partidos, Os Franceses. Os ingleses. Os espanhóis. Os absolutistas. Os Liberais. Os cofres vazios. As riquezas do Brasil.
Estas ideias, estes factos, vão nascendo na leitura, nessa vontade de perceber mais e melhor, de descobrir a nossa história, através deste entrar com entusiasmo na beleza da memória e sentir através dela esse valor humano de uma comunidade e de um país – o ter memória e poder reviver o orgulho das vivências inscritas nessa memória.
O livro - «1821 – O Regresso do Rei» lê-se com serenidade, é preciso ler com serenidade, para sentirmos que vamos caminhando nas palavras, sentirmos o regresso ao passado, com vivacidade, com fervor humano, é essa a leitura que o Armando nos lega com o seu trabalho épico.
Sentimos que na história somos um todo, uma frota, composta de muitas naus, a rasgar as ondas do oceano, somos um país, e, naquele tempo, como em todos os tempos, há sempre um líder que escreve o seu nome na história, porque os seus actos são decisivos para fazer a história do país e de um povo.
É esta a justiça que o jornalista e escritor barreirense, Armando Seixas Ferreira, faz a D. João VI.
É por isso que, neste ano de dois mil e vinte e um, a obra «1821- O Regresso do Rei», inscreve-se, por si mesmas, como uma página da história do nosso país e do outro, nascido nas nossas sementes – o Brasil, que vai comemorar em 2022, os seus 200 anos.
Ah, é verdade, afinal, posso concluir que um jornalista também é um cronista, um cronista da história.
O jornalismo para além de fazer no presente a história do futuro, também pode mergulhar no passado e através da estratégia do jornalismo de investigação fazer da memória actualidade – o presente que se faz sempre futuro!
Armando Seixas Ferreira, um repórter da história.
Obrigado Armando por este teu belo trabalho, que me deu um enorme prazer ler, e que, a ti, de certeza, deu-te um grande gozo escrever, e, muitas, mesmo muitas horas de investigação e pesquisa.
Sim, é esse o gozo de fazer jornalismo, legar páginas que serão, no futuro, um pouco do que vai ficar da espuma dos dias, e, um pouco do que vai restar da nossa memória colectiva.
Eu, que não sou monárquico, quando acabei de ler o livro, apeteceu-me gritar : Viva El Rei D. João VI.
Viver alegre não é viver feliz. A alegria não é uma energia que nasce de dentro lá do fundo, das entranhas, é um estado de espírito, é uma sensação, um instante. A felicidade são sucessão de instantes, de momentos, de alegrias que se espalham no tempo e que se entranham no pensar e ser. A alegria são momentos, contextos, nos quais o nosso sorriso é uma explosão temporal. Uma festa que se esvai no tempo e dela apenas fica a memória, da festa que foi, do tempo vivido. Uma despedida. A felicidade nunca se despede de nós, faz parte de nós, é o nosso olhar, o nosso estar no mundo, o nosso estar e ser na vida. A alegria é o sentimento da etapa vencida, de uma vitória conquistada. É um estar, um chegar, um ponto de encontro com o tempo que vivemos. É um vencer. Uma superação. A felicidade é o que permanece, o que fica, é a harmonia, o equilíbrio, é a realização do ser no estar, não é uma conquista é a nossa criatividade, é a nossa realização, é o que nos faz amar, é o que faz viver o amor. A felicidade atinge-se no fazer, um fazer que é sucessão de instantes, uma continuidade de emoções, é acumulação de momentos de alegria, de desejos realizados. A felicidade somos nós e os outros, somos nós na obra, no projecto, no ser. Não é o sucesso, é sentirmos que ninguém nos substitui como ser livres e criadores. Únicos. Na vida, podemos ter muitos momentos de alegria, um registo, uma efeméride, mas, sentimos a felicidade a fugir, foge-nos entre os dedos, foge-nos nas ondas do vento, no fluir dos nossos sentimentos, ou parte, e nós sentimos partir, como indo navegar suavemente sobre as ondas do mar. A alegria é temporal, é aqui e agora. A alegria pode sentir-se naquele instante de um beijo ao luar, porque, afinal. a alegria sente-se no saciar desejos. No saborear uma cerveja, no comer um pastel de nata, ou beber um café, Ah, é verdade, sente-se voar no fumo de um cigarro ou de um cachimbo. Que saudades. Sente-se no comprar um livro, ver um filme, ver uma peça de teatro ou ir a um concerto. A alegria é esse instante, são esses instantes, cada qual por si, de emoções diferentes, em momentos diferentes. A felicidade é sentir todos esses momentos de alegria, uma cadeia que faz parte da nossa interioridade, afirmando-se como totalidade do que somos, do que fazemos – o ser e o estar. É por isso que ser feliz é sermos nós, nós e os outros que queremos e desejamos que façam parte de nós, porque fazem parte do tempo que somos. Só descobrimos o que é a felicidade quando realizamos o que somos, vivemos fazendo o que gostamos, agindo a partir de dentro, lá dentro, de nós mesmos. Somos. A alegria é sempre um recomeço, uma busca, é sentir o nascer, é o gozo do instante, é a vida a esvaziar-se na busca de si mesma, um abraço que afaga, um sorriso escondido, é a fraternidade ou o partilhar, é viver o vivendo. A felicidade é sentir a alegria do amor, da liberdade, do afecto, num encontro com o belo, o sublime, a arte, a poesia, o ser criança, vivendo sempre a caminhar e a interrogar. Quem sou? Para onde vou? Por isso, é que, só vivendo a vida com alegria construímos os muitos momentos que nos fazem ir sendo felizes, descobrindo a felicidade, esse ser e estar, permanente e não ocasional que reside no sentirmos e vivermos a nossa emancipação cultural, esse cultural que faz de nós um ser na comunidade. Ser feliz é acordar, todos os dias com a alegria nos olhos e sorrindo, dizer- Bom Dia! Um grito. Esse grito que toca o coração – só nós sentimos o pulsar do coração – e nesse pulsar os momentos de alegria. É a ternura do coração que faz a felicidade, uma força invencível. Essa ternura não se compra, não se vende, conquista-se com alegrias, com sofrimentos, com lágrimas, com sorrisos. A felicidade vive-se, de forma simples e serena, na alegria de um sorriso intemporal. Enorme.
A amizade não se explica, a única coisa que sabemos é que ela existe, ou não existe, tudo o resto são relacionamentos, de maior ou menor proximidade. A amizade não se interroga, sente-se, partilha-se, vive-se. Ponto final. A amizade que se interroga é uma amizade que vive com dúvidas, essa, não é uma amizade, é um emplastro, um faz de conta, uma gestão temporal de emoções, de interesses. É, talvez, um relacionamento que se aguenta por mera conveniência ou circunstância. Um aguenta. Um lá tem que ser. Um inconveniente. Uma amizade vive-se. Viver uma amizade é viver um encontro, é preencher a nossa vida de outras vidas, é a partilha da nossa vida em reencontros, que nos enriquecem. Que nos ajudam a encontrar um sentido para os dias que somos. Sempre. É viver o tempo que vivemos, com outros ou outras, inequivocamente. Numa amizade não há equívocos. A amizade é absoluta, no dar e receber. É intemporal.
Um amizade temporal não é uma amizade. Uma amizade temporal é algo que se vive num espaço cénico, com marcações, deixas de diálogos, vivências de expressões dramáticas. São jogos dentro do tempo, marcados de acasos e necessidades. Texturas. Encenações. A amizade temporal existe quando a vida é um palco, uma mera representação. Teatro. É aquele tempo que se vive e deita fora. Rir. Chorar. Cantar. Usar. É uma amizade que se desfaz-se na sua temporalidade, ao dobrar da esquina. Serviu para fazer um caminho. Subir. Descer. Atingir objectivos. Ilusões. A amizade temporal não é uma amizade é uma circunstância. É por isso que muitas destas ditas amizades acabam transformando-se em inimizades. A inimizade é a continuação da representação, dando continuidade ao trágico, dramático, irónico, à comédia, agora, com a ausência do outro ou outra, numa dimensão psicológica. O teatro dentro da cabeça. É uma necessidade mental para justificar o vazio cénico.
A amizade não é uma representação. A amizade que nasce de um olhar que se cruza com outro olhar, que nasce num aperto de mão que toca o pensamento, que nasce num beijo que se inscreve no coração, essa amizade, cimentada de vivências comuns, forjada de diálogos, do comunicar, do falar, esse falar que se escuta, por dentro da alegria e por dentro da dor, essa amizade, que se forja no suor e no sangue, sem quaisquer outros interesses senão esse, sublime, de viver o tempo por dentro do tempo, apaixonadamente, conquistando o tempo comum num viver e ser solidário. Essa amizade é, de facto, sem dúvida, a amizade que se inscreve na nossa vida, que é, que são, parte integrante da nossa vida. São pessoas que nos conhecem e pessoas que nós conhecemos. Pessoas com as quais nos despimos, por dentro, na nossa interioridade. É por isso que, como diz a canção – há gente que fica na história da gente, e, outra que nem nome lembramos ouvir... As amizades nascidas no tempo, por dentro do tempo, não são ideológicas, nem economicistas, ou outra coisa qualquer, são aquelas amizades construídas com pessoas bonitas, pessoas que entram no nosso coração, no nosso jardim, que tocam os nossos neurónios. Únicas. São as pessoas que partilham o nosso tempo com serenidade, com a suavidade das gotas de chuva num dia de verão, com a ternura da ondulação do mar numa tarde calma, ao por-do-sol, com um cântico que toca os nervos, com poemas que são uma oração ou um hino à humanidade. São as pessoas que no viver comum, nos ajudaram a tocar a beleza da vida, com um brilho a tocar nos olhos e uma harpa a tocar nos lábios. Inesquecíveis. São estas as amizades com quem aprendemos a viver o direito à diferença. São as amizades que, já, há muitos anos atrás escrevi – a minha liberdade não termina em ti, em ti recomeça a minha liberdade. Esta é amizade que se escreve com nomes, reais, pessoas lindas, cada uma única e insubstituível, pessoas às quais dizemos sempre – Gosto de ti, porra!
A politica não é um jogo. A politica é a energia que faz cidade. As ideias politicas são o sangue da democracia. O problema é jogo - o jogo das vitórias, porque as vitórias é que fazem história, o ganhar ou perder o poder. Esse é, afinal, o jogo das decisões e opções. E quando o poder se coloca no centro do fazer politica, a politica que não devia ser um jogo, ela é um jogo...a guerra dos tronos!
Pela manhã, regularmente a primeira coisa que costumo fazer é deslocar-me para comprar o jornal diário. Sou leitor do jornal «Público» desde a sua primeira edição, faz parte das minhas vivências diárias. Senti a partida de alguns cronistas, que me deliciavam matinalmente. Um deles recordo com saudade Eduardo Prado Coelho. As minhas primeiras conversas matinais começam com o diálogo que estabeleço com as páginas impressas. Gosto de sentir nas mãos as páginas e folhear. Vou lendo. Interrogando. Pensando. É uma conversa interior que permite, calmamente, sem preocupações. Estar ali, ler. Viver.
Hoje, a manchete alertava para o aumento de familias a pedir ajuda, perante o incumprimento no pagamento de prestações. Referia-se que entre Janeiro e Setembro cresceram o número de pedidos de apoio e cresceu a “infidilidade financeira”, que é dito ‘são cada vez mais frequentes’. O aumento de rendas altas, nos centros das cidades, levam familias a não pagar o crédito ao consumo. Mas, acrescenta-se que o fenómeno já se estende às periferias, é frequente as familias começarem a falhar o pagamento de empréstimos, sendo de destacar os atrasos dos empréstimos relacionados com prestações da habitação. Empréstimos sobre empréstimos, para manter a vida, ou a aparência de vida.E, por fim, surgem as penhoras de ordenados e de outros bens. Leio. Penso. Pois, foi assim que tudo começou, naqueles tempos antes da entrada da troika. O crescendo de situações desta natureza, definida depois nas teses – ‘os portugueses vivem acima das suas posses’, são o sinal de um futuro anunciado.
Vou caminhando. Na escola do ensino básico, escuto os gritos das crianças brincando, saltitando, felizes, alheias aos movimentos da vida e da história. Sim, aprendi isso vivendo, a história está a fazer-se todos os dias. Olho a parede da escola e reparo que as pinturas feitas pelos pais, tenho a ideia que foi numa das jornadas do Dia B, desapareceram, a nova pintura tapou os trabalho que, pelo que soube na altura, foi feito com carinho e uma grande paixão pelos pais. Enfim, reparou-se o telhado e retirou-se o amianto. Colocou-se o alpendre na entrada. Muito bom. Pintou-se a escola. Aquelas pinturas, pelos vistos, estavam ali a mais. Incomodavam ? Eu gostava, gostava acima de tudo por terem nascido do amor e voluntariado de pais, de querem dar cor e alegria ao espaço do recreio. Estava giro. Era naif e criativo. Mas, enfim, é talvez, a tal ‘modernidade’ que desconstrói o passado e faz nascer um futuro inócuo, sem a presença dos sentimentos que nascem no coração. Quando ali passava olhava aqueles desenhos infantis e sentia as suas cores misturadas nas crianças a saltitar. Agora sinto o silêncio das imagens apagadas. Faz-me lembrar aquela pintura que foi pintada num Dia Mundial da Criança, na Piscina Municipal do Barreiro e, um dia, igualmente, por um critério de ‘modernidade caviar’, em vez de recuperar, decidiram apagar, destruindo a memória e uma das primeiras obras de arte urbana existente no Barreiro, que, por acaso, o seu autor foi Rogério Ribeiro, um dos grandes nomes da Arte Portuguesa contemporânea.
Pela rua de mão dada lá vão, o pai e a mãe da Elsa. Sorriem, Cumprimenta-mos. Um abraço e um beijo. Tudo bem. Trocas breves de palavras. Afinal são momento destes que nos fazem sentir o território onde vivemos, como parte da nossa consciência, donde viemos, o que somos. É isto que somos. Sim, é isto que somos, humanos de sorriso no rosto. Gente com história e memória, gente que fez esta terra chegar aqui, com filhos e netos e muita esperança. Vale a pena encontrar rostos que nos fazem sorrir e sentir que somos.
Uma das coisas que, por razões da actividade de jornalismo local que mantenho, diariamente vou tomando contacto com as redes sociais. Por vezes é interessante, outras vezes é arrepiante. Na verdade, se há espaço onde a desconstrução social e da sociabilidade é uma marca da vida quotidiana é por ali, especialmente, no facebook, onde proliferam perfis falsos, anónimos, ou semi-anónimos, cuja ‘virtude’ é difamar e caluniar. Há mesmo quem pense que estas redes sociais vieram para retirar espaço ao jornalismo, por isso existem agências que são pagas para manter páginas, vocacionadas para o ‘terrorismo urbano’. São a voz das estratégia dos donos. Eles não vivem, sobrevivem. Não os costumo ler, nem lhes passo cartão. Mas sei que existem, pelo que, por vezes, os meus amigos vão comentando. Os amigos não percebem e dão-lhes troco. O que eles querem é que falem deles, falem bem, ou falem mal, falem deles, só assim se sentem vivos. Eles são faciopatas!
Há uma grande diferença entre as redes sociais anónimas e o jornalismo local. O jornalismo tem rostos, está sujeito ao cumprimento de regras deontológicas, é um dos pilares da democracia. Até já, divirtam-se!