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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Está no terreno projecto «Comunicação Digital de Proximidade» Um homem sonha e a obra nasce...

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A execução do projeto “Comunicação Digital de Proximidade”, aprovado no âmbito do Orçamento Participativo Portugal 2017, que resultou da minha candidatura, agora, vai permitir a promoção da literacia mediática através de formação e apoio na produção de conteúdos digitais e será dinamizado nas bibliotecas municipais e através de estúdio móvel multimédia para formação, nomeadamente junto de escolas e movimento associativo.

Em Setembro de 2017, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, foram divulgados os 38 projectos aprovados no âmbito do primeiro Orçamento Participativo Portugal.

Entre os projectos aprovados, estava aquele que foi resultado da candidatura de António Sousa Pereira - COMUNICAÇÃO DIGITAL DE PROXIMIDADE, que foi contemplado com o valor de 90 mil euros.
Um projecto que apresentei no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no «Encontro Participativo», aberto para todos que quiseram apresentar ideias.

O Orçamento Participativo Portugal abrangeu a totalidade do território português, integrando grupos de propostas de âmbito territorial diferenciado.
Foram selecionados 600 projectos ao nível nacional, nas diferentes regiões.
Na região de Lisboa e Vale do Tejo foram aprovadas 7 projectos, entre eles o dedicado à COMUNICAÇÃO DIGITAL DE PROXIMIDADE, que, na altura da entrega dos diplomas aos projectos aprovados, foi merecedor de um elogio por parte da Ministra da Modernização Administrativa, por ser único nesta área.

O PROJECTO - «COMUNICAÇÃO DIGITAL DE PROXIMIDADE» visava a criação de um veículo, devidamente equipado com computadores e tablets, para percorrer a região - colectividades e bairros, disponibilizando a utilização dos recursos e ensinando a importância da comunicação digital. Ensinar, MOTIVAR, DAR A CONHECER A COMUNICAÇÃO SOCIAL E LIVROS. Uma nova biblioteca itinerante , não de livros, mas de formação digital a Internet de proximidade. Tinha um período de concretização: 18 meses e um orçamento 90 000,00 €.

Por um lado estava entusiasmado, com o projecto, por outro lado sentia que ia ter um imenso trabalho para viver os meus dias, numa acção que seria mitigada de muito voluntariado e amor na sua concretização e ligação às comunidades.
Não vou falar das reuniões. Nem das variações do que surgiram para o projecto. Nunca desisti. Enfim, depois de voltas e voltas, para que o projecto se concretizasse, um dia após mais uma reunião, contactei a AMRS – Associação de Municipio da Região de Setúabl. Sofia Martins aceitou o desafio. O importante era, fosse de que forma fosse, que o projecto fosse implementado na região de Setúbal. Ainda bem que a AMRS aceitou o repto.

Cedo percebi que a minha ideia inicial, não seria concretizada. Cedo percebi que nunca seria o protagonista do projecto. Mas, cedo percebi que fosse com quem fosse, até ao limite, os 90 mil euros tinha que vir para a margem sul. E vieram. O resto é vida.

Foi o reconhecimento do longo percurso de trabalho em rede das Bibliotecas da Região de Setúbal, que levou a DGLAB a aceitar a minha proposta e eleger a AMRS, e a sua Rede Intermunicipal de Bibliotecas da Região de Setúbal, como parceiro ideal para a implementação deste projecto.

O projeto Comunicação Digital de Proximidade permitirá dar ênfase às questões da literacia mediática, cada vez mais evidenciadas pelo papel insubstituível que a comunicação tem nos dias de hoje.

Na última reunião da Câmara Municipal do Barreiro foi aprovado o protocolo com a AMRS para avançar que o terreno avance. O mesmo foi feito numa recente reunião da Câmara Municipal da Moita. O mesmo vai acontecer nas diversas Câmaras da região de Setúbal

A execução do projeto “Comunicação Digital de Proximidade”, aprovado no âmbito do Orçamento Participativo Portugal 2017, que resultou da minha candidatura, agora, vai permitir a promoção da literacia mediática através de formação e apoio na produção de conteúdos digitais e será dinamizado nas bibliotecas municipais e através de estúdio móvel multimédia para formação, nomeadamente junto de escolas e movimento associativo.

Hoje, neste ano 2021, em plena pandemia, ao tomar conhecimento que este meu sonho está sendo concretizado, quero reconhecer o empenho da AMRS por ter aceite o meu desafio.
Não foi o que sonhei, mas é um sonho lindo, este de ver nascer algo que começou num desejo enorme de contribuir para alargar a vivência da democracia e abrir caminhos para desenvolver conhecimentos digitais, aproximando o mundo digital dos cidadãos.

Valeu a pena acreditar, não desistir. Estou feliz. Estou mesmo muito feliz por ver nascer este projecto nas Bibliotecas Municipais.

Este processo para mim é uma experiência de vida que confirma aquela frase de Walker Elliot: «Perseverança não é uma corrida longa, são muitas corridas curtas, uma após outra”.

Esta uma vitória para a região de Setúbal, tantas vezes estigmatizada. Se a minha região ganhou eu ganhei.

António Sousa Pereira

Os meus livros de cow boys

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Eu não tinha dinheiro para comprar livros de cow boys, mas adorava ler livros de cow boys, do Mandrake, do Super Homem, do Zorro,  do Ti’Patinhas, do  Mickey e de todas as muitas personagens que invadiram a minha infância.

  

As minhas leituras começaram primeiro na carrinha da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, que chegava à Praça Marquês Pombal, depois na Biblioteca Municipal ( na esquina em frente da Taberna do Joaquim Gomes) – onde a D. Francisca, era uma simpatia – espaços que me proporcionaram acesso a livros, pelos quais, desde que aprendi a ler fui um apaixonado.

 

Mas, os livros de cow boys, lá comprava um de vez em quando, não havia muitas hipóteses.

Tinha a minha colecção bem estimada que lia e voltava a reler, pela noite dentro, à luz do candeeiro de petróleo, enquanto não chegou a electricidade.

 

Um dia pensei que podia ler mais livros de cow boys, através da troca e empréstimos.

Então, montei um «circuito» pelas ruas da vila, visitando a casa de diversos amigos.

Levava uma mala da escola com os livros que tinha, aos quais juntava os das trocas dos meus amigos.

Chegava a casa de um, ele escolhia os que não tinha lido e por cada livro que ficava emprestava outro, eu fazia os respectivos registos de trocas.

Colocava de lado os que eu não tinha lido, para depois ler.

Seguia para a casa de outro, repetiam-se a escolha e trocas.

Eram alguns dez que estavam no circuito, todos eles daqueles que tinham posses para comprar e compravam livros todas as semanas.

Isto acontecia, normalmente às sextas feiras e sábados, para eu ter livros para ler no domingo e no decorrer da semana seguinte.

Os meus amigos, que tinham dinheiro para comprar livros, ficavam com outros livros para ler que não tinham comprado, eu que não tinha dinheiro para comprar livros, tinha acesso a livros que nunca iria ler ou mesmo reler.

 

Enfim, só tinha que, semanalmente, dar a volta, casa a casa, por diversas ruas da vila, no meu circuito devidamente organizado de trocas e empréstimos de livros de cow boys.

Empréstimos e devoluções devidamente organizados.

Tinha trabalho de andar de rua, em rua, com a mala cheia de livros, mas, como resultado lia todos, muitas vezes com a plena actualidade, de uma semana para a outra, e, também, os meus amigos beneficiavam de um serviço gratuito de trocas.

Foi assim, entre os meus 9 a 12 anos, que li muitos, mas mesmo muitos, livros de cow boys.

 

Recordei, hoje, estes momentos, numa viagem pelas memórias da minha infância.

 

António Sousa Pereira

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