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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Aeroporto do Montijo vai ter impacto nas habitações da Moita e Barreiro Serão afectadas pelo ruído dos aviões cerca de 50 mil pessoas.

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. Zonas mais afectadas pelo ruído serão Urbanização dos Fidalguinhos, Urbanização dos Loios, Lavradio e Baixa da Banheira

Sobre mobilidade para o Barreiro, ou seja lá o que for que se fala ou comenta, na verdade, é só conversa, porque neste que é um documento decisivo para que o aeroporto do Montijo possa avançar, o Barreiro apenas é referido pelos impactos negativos do ruído.
Quanto a emprego, se nem ligações estão previstas em termos de mobilidade, existe, certamente mais potencialidade para empregabilidade no Montijo e Alcochete, ou Palmela e até Moita que no concelho do Barreiro.
 
 

Em tempos idos quando, por vezes, a poluição era de tal forma intensa que motivava protestos da população, várias vezes escutei argumentos oriundos das empresas, principalmente no Lavradio, que não foi a empresa que foi construída ao redor das casas de habitação, foram as casas de habitação que foram construídas ao redor das fábricas. 

Ou seja, justificava-se em termos de planeamento urbano que foi a vila que se aproximou das fábricas e não as fábricas que foram construídas na proximidade da vila. O argumento era uma espécie de forma de “minimizar” ou desculpabilizar os impactos negativos de indústrias poluentes que se recusavam a investir de forma a evitar os elevados níveis de poluição e, até, investir na criação de «barreiras sonoras» que reduzissem os impactos do ruído das fábricas. 

Recordo que para serem atingidos alguns melhoramentos, com investimentos por parte das empresas, a ASDAL – Associação de Defesa do Ambiente do Lavradio e o contributo do Delegado de Saúde Pública foram, na verdade, decisivos, quer para mobilizar a população, quer para que as empresas reconhecessem um interlocutor em situações negativas e um colaborador na procura de soluções positivas. Um exemplo as barreiras sonoras.

Recordo isto porque está neste momento em debate o Estudo de Impacto Ambiental do novo aeroporto do Montijo e, nestes dias até setembro, seria importante esclarecer os municípes do concelho do Barreiro, sobre os impactos desta infraestrutura na vida do concelho, nomeadamente, nas zonas que vão ser afectadas pelo cone de aterragem, desde Coina até ao Lavradio.
É que neste caso, as casas foram construídas longe de uma zona com aeroporto na sua proximidade, por essa razão não sujeitas aos efeitos de um aeroporto, que sabemos vai movimentar milhões de passageiros, e, que, diariamente dezenas de aviões vão sobrevoar a baixa altitude rumo à pista do Montijo.

Um destes dias estive em Lisboa, na zona do Campo Grande ( corresponde no futuro à Urbanização dos Fidalguinhos, Urbanização dos Loios, Lavradio e Baixa da Banheira) e vivi, de perto, o efeito da passagem de dezenas de aviões, a baixa altitude, quase de 10 em 10 minutos, passava uma aeronave, com um ruído ensurdecedor. Ao sentir na pele apercebi-me as razões que motivam milhares de Lisboetas no protesto contra a ampliação do aeroporto de Lisboa.
"É isto que vou viver. É isto que nós vamos viver diariamente", pensei.

Como refere o Estudo de Impacto Ambiental serão 6.555 pessoas que vão sofrer perturbações de sono, na fase de construção, e, cerca de 12.455 pessoas irão sofrer diariamente uma “elevada incomodidade” devido ao ruído dos aviões, quando começar o seu funcionamento que se aponta para 2022.
No global serão afectadas pelo ruído dos aviões cerca de 50 mil pessoas.

A Moita já expressou que está contra a construção do aeroporto no Montijo e defende a solução de Alcochete.
O Barreiro refere-se que está a favor, porque considera que vai ser uma infraestrutura que contribui para o desenvolvimento, quer ao nível de emprego, quer em mobilidade. 
O Estudo de Impacto Ambiental sobre mobilidade em nada são referenciadas melhorias para o Barreiro, apenas, sublinha melhorias de ligações fluviais do Montijo para o Cais Sodré, com aumento de frota da Transtejo, e, a criação de um nova faixa na Ponte Vasco da Gama, destinada a transportes públicos. 

Sobre mobilidade para o Barreiro, ou seja lá o que for que se fala ou comenta, na verdade, é só conversa, porque neste que é um documento decisivo para que o aeroporto do Montijo possa avançar, o Barreiro apenas é referido pelos impactos negativos do ruído.

Quanto a emprego, se nem ligações estão previstas em termos de mobilidade, existe, certamente mais potencialidade para empregabliidade no Montijo e Alcochete, ou Palmela e até Moita que no concelho do Barreiro. Empresas que possam prestar serviço ao aeroporto gerem no tempo e o tempo, as acessibilidades e mobilidade são estruturantes, e, o que se pode concluir é complexo, nem o Parque Empresarial da Baía do Tejo, pode vir a ser uma plataforma logistica, para isso será mais fácil Poceirão.

Mas pronto, nós estamos a favor. Até seria politicamente mais útil como estratégia reivindicativa estar contra, para a partir do não, se o dito aeroporto vier a ser uma realidade, desde já, colocar na mesa exigências, que se considerem essenciais para o desenvolvimento do concelho do Barreiro.
Assim, não pode, nem deve ser desligado do aeroporto do Montijo que sejam tomadas medidas pelo Poder central, que contribuam para retirar o Barreiro do guetto que está há décadas.

O guetto da mobilidade só superável pela construção da ponte Barreiro – Seixal, que contribuiria para valorizar a centralidade da zona logistica de Sete Portais e fazer de Coina uma plataforma logistica, central na Península, até mesmo, permitindo o desenvolvimento urbano do concelho do Barreiro.

Esta e a Terceira Travessia do Tejo só ferroviária, são exigências inseparáveis de uma visão de futuro do concelho do Barreiro e do potenciar o aeroporto do Montijo como estruturante, para o concelho. Sem isto acho que vale pouco mais que aquilo, que, afinal, já definido no Estudo de Impacto Ambiental, é apenas uma zona que vai sofrer negativamente os impactos do ruído.
E, pronto, vamos ficar por aqui os aviões a passar! 

Só com a implementação de medidas de mobilidade o Barreiro sai do guetto e, até, o território da Baía do Tejo pode ser valorizado e ser uma plataforma no contexto aeroportuário.
Com aquilo que está no Estudo de Impacto Ambiental refenrenciado, o Barreiro está fora da «cidade aeroportuária», mas não está fora de ser uma zona onde as habitações vão sentir os efeitos dos aviões e a população vai sofrer.

Gostava de ver, por exemplo, uma exigência dos autarcas que gerem os nossos destinos, caso o aeroporto avance, no sentido de ser criada uma linha de apoio e de crédito amplamente bonificado para todos aqueles que vão sentir os efeitos do ruído e que para mitigar vão ter que fazer investimentos nas suas habitações.
Gostava de estar a escutar reivindicações para os investimentos que vão ter que ser feitos nas escolas, sobre as quais os aviões vão passar intensamente, desde a Escola de Santo António, escola de Casquilhos, Escola Augusto Cabrita, Escola Álvaro Velho e Escola Padre Abilio Mendes. Quem frequentou a cidade universitária em Lisboa, sabe do que estou a falar.

E no Hospital do Barreiro, não vão ser feitos investimentos para mitigar os impactos do ruído dos aviões.
Isto não é um problema para depois, é para ser colocado já, hoje, no âmbito dos pareceres sobre o Estudo de Impacto Ambiental.
Não é amanhã que se mobiliza a comunidade para os efeitos negativos. Mesmo quem diz sim, sabe, ou deve saber, que, aqui e agora, deve saber dizer não, ao que tem que ser dito: Não! 
O nosso Primeiro Ministro, António Costa, deve escutar a nossa voz e não o nosso silêncio. A voz da comunidade, mesmo daqueles que estão de acordo com o aeroporto no Montijo, não devem silenciar os impactos negativos. É o nosso futuro e o que vamos legar aos vindouros.´

Portanto, retomando o inicio do texto, neste caso, não foram as casas que foram construídas ao redor do aeroporto, é o aeroporto que vai, talvez, ser construído junto às casas que já cá estão e vai diminuir a nossa qualidade de vida.
Para já, pelo que se vê, não vamos ter nada em troca, nem mobilidade, nem empregos...ficamos com os ruídos e os resíduos. 
Se não é assim, demonstrem com projectos e factos reais. 
O Barreiro já foi muito castigado. Basta! 

António Sousa Pereira

 

BARRIND projecto «âncora» de desenvolvimento do Barreiro e da região

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Hoje, a BARRIND exposição industrial e comercial, pode transformar-se num outro projecto, renascendo como BARRIND - Barreiro Inovaçao e Desenvolvimento, podendo, na verdade, ser um motor de marketing, de coesão social, de desenvolvimento, de inovação, no fazer cidade e cidadania.
 

Há por aí, uma geração de 40, filhos daqueles que hoje têm 70, que vivem o drama de ter sido filhos de gente que tinha tudo quanto bastasse para viver e dar-lhes perspectivas de vida, numa vila, depois cidade, que de pois deixou de ser uma terra de trabalho, habitação, pão e educação, para se transformar numa terra sem trabalho, de tempos sem pão, com habitação em decadência inscrita em espaços urbanos a carecer de requalificação, mas, oinde não há pão, todos ralham e ninguém ter razão.

Por muito que se fale em potencial, e, até, esses filhos dos ditos homens e mulheres, que hoje contam com 70 anos, enfim, culpem os pais e avós de todas as desgraças que cairam sobre a vila-cidade em decadência, desde os anos 70, fruto da desindustrialização, da quimica e da ferroviária, que destruiu milhares de postos de trabalho e arrastando atrás de si um comércio e serviços de grande qualidade, porque, afinal tudo se resolve mais facilmente com um culpado e gerando estigmas, que procurar soluções.

Era nisto que pensava, ao olhar ali na Avenida da Praia, o ver nascer a ideia de fazer renascer a BARRIND, que acho uma boa ideia, aliás, até acho que esta podia ser uma ideia mobilizadora da cidade e da cidadania, e, não ficar por “operação de gestão de emoções” dando continuidade ao iniciado o ano passado, quando se disse que o objectivo era recuperar o projecto BARRIND, agora, dando continuidade à ideia e como há dinheiro para investir, de novo a autarquia, pode dar o seu contributo para dinamizar a vida económica e cultural da cidade. Porque economia é tudo, e, tem que ser tudo, numa cidade que bateu no fundo da sua auto-estima e precisa mobilizar e mobilizar-se para ser e não para para parecer que é uma referência na região.

No tempo que nasceu a BARRIND – quando eu fiz nascer no meu cérebro esta marca, enquadrando a ideia fomentada por um autarca do PS, Manuel Pina, e acarinhada por um associativista que foi o seu braço direito Emidio Esteves. Afinal uma ideia que retoma da história as iniciativas promovidas na SDUB «Os Franceses», liderança por Manuel Feio; e pelas exposições iniciadas por Augusto Valegas, no âmbito das Festas do Barreiro e no Luso Futebol Clube.
Nesse tempo que nasceu a BARRIND esta foi considerada, pelos promotores da FIL, em Lisboa, como o maior certame desta natureza a sul do Tejo. Depois nasceu a FATACIL, que ainda hoje existe e a MONTIAGRI, assim como esboçou-se um projecto pela ARSET, em Azeitão.

Recordo isto porque, apesar dos sinais da decadência industrial serem visivies, nesse tempo anos 80 e 90, a vila -cidade ainda era uma cidade com esperança e uma economia com empregabilidade.
A BARRIND exposição industrial e comercial era disso um exemplo, sendo a grande montra da actividade económica e de fomento de novas actividade. Algumas empresas tiveram o seu nicho de nascimento e desenvolvimento na BARRIND.

Hoje, a BARRIND exposição industrial e comercial, pode transformar-se num outro projecto, renascendo como BARRIND - Barreiro Inovaçao e Desenvolvimento, podendo, na verdade, ser um motor de marketing, de coesão social, de desenvolvimento, de inovação, no fazer cidade e cidadania.

A BARRIND se nascer, ou renascer, como arma de arremesso, para demonstrar que os outros, que tinham muitas ideias, nunca retomaram a BARRIND, será, logo à partida um “nado morto” porque demonstra que não tem por trás de si ideias criativas.
Os anteriores mandatos não dinamizaram a BARRIND, após a sua última realização, porque os recursos financeiros da autarquia eram insuficientes, por essa razão, de forma inteligente, no mandato de Emidio Xavier, nasceu a ideia de promover a MEI – Mostra Empresarial e Institucional, que foi mantida nos mandatos de Carlos Humberto, mesmo com dificuldades, perante a maior situação adversa que a autarquia viveu desde o 25 de Abril.

A ideia de fazer renascer a BARRIND, sempre defendi, mas o fazer renascer esta ideia e este projecto, será um erro se ficar por uma iniciativa de âmbito municipal. 
Este é um debate que deve ser feito, com coragem e sem estigmas, colocando em torno do debate todos os cenários, se, de facto se pretende que a BARRIND seja um projecto de marca, de referência, de projecão.
A BARRIND nunca foi um projecto acabado, nem nunca se chegou a conclusões objectivas de qual o cenário, o programa de seu desenvolvimento e implementação anual.

Uma discussão nunca acabada, nem nunca concluída, porque, de facto, igualmente nunca se concluiu estrategicamente o que devia ser a BARRIND enquanto projecto dinamizador da actividade económica e de desenvolvimento do concelho do Barreiro e da região.
Por essa razão nunca se clarificou se a sua realização era em torno das Festas do Barreiro, como complementaridade das Festas – como foi – ou se era um evento âncora, como foi, para dar dimensão à celebração do Dia da Cidade.

O debate de ideias e o conflito sobre a essa definição centrava-se em torno de duas reflexões centrais, por um lado, a realização da BARRIND em simultâneo com as Festas, em Agosto, era complicado para o envolvimento do tecido empresarial, por coincidir com as férias, sendo uma data em alguns aspectos negativa para envovler empresários.

Por outro lado, se a realização fosse em torno do Feriado Municipal – 28 de Junho – isso permitira um projecto que podia contar com mais envolvimento dos empresários.

Os debates nunca se consolidaram se a ideia de BARRIND era um exposição de dimensão local ou regional, ou até, se podia transformar-se num evento, na época, único no país, sendo o grande certame nacional do mundo das tecnologias informáticas.
Em suma a discussão dos caminhos a percorrer pela BARRIND, aquele que durante alguns anos, foi o maior certame do género ao sul do Tejo, nunca foi concluída, ficou na memória. É um tempo de estórias e histórias.
Foi na BARRIND que abracei o Eusébio, um dia que o espaço transbordou de humanismo, graças a uma acção de um empresário, que nada teve a ver com a autarquia. O Rui, da firma Alves & Rui, Ldª.

É por tudo isto que considero não basta fazer renascer a marca BARRIND. Não basta trazer a BARRIND para a Avenida da Praia.
A BARRIND ou é um projecto que deve ser pensado e equacionado com estratégia, com visão, para ser uma alavanca e âncora do «potencial», envolvendo outros agentes locais, nomeadamente a Baía do Tejo, ou então não vai passar disto, uma exposição de complementaridade das Festas do Barreiro. Faz-se quando a autarquia tem dinheiro, porque o emocional conta, e, vai existindo.

A BARRIND não é, não deve ser mais um projecto de municipalização, embora, sem dúvida o papel do município como dinamizador é nuclear.
Por essa razão, hoje, quando penso a ideia e o projecto BARRIND olho-o com uma visão de Inovação e Desenvolvimento.
Não penso só BARRIND, penso equacionando com outras ideias que nascem isoladas – é isso que temo.
Penso BARRIND, Multiusos, Start up XXI, Braamcamp...pois, é isso que penso, mas para juntar ideias é preciso debate de ideias e envolver a comunidade no fazer futuro.

Divirtam-se!
António Sousa Pereira

Nome do autor esse de facto é importante e conta para a história

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Após cerca de 20 anos - há quem diga que não são 20 anos, que são menos, uma coisa é certa, sem dúvida que há mais de década e meia, mas, para o caso isso pouco interessa, o que conta para a nossa vida real é que a estátua do Salineiro voltou de novo ao convívio da comunidade lavradiense.
Uns gostam da opção. Outros não gostam São formas de sentir e pensar. É isto que faz a democracia. 
A escultura de Pedro Miranda da Silva, duas vezes vandalizada, acabou por ficar estes anos no armazém da junta de Freguesia.
Houve quem tivesse anunciado que seria feita uma estátua em bronze, servindo esta de modelo. Nunca se concretizou. Nunca saíu do armazém, nem sequer foi recuperada.
A estátua do Salineiro não tem condições de ser colocada na via pública, porque facilmente é destruída. Esta foi, portanto, uma boa opção.
Em boa hora, é de louvar e aplaudir, a quem teve a ideia de trazer a arte para o centro do Mercado Municipal do Lavradio. Fica o registo e o reconhecimento.

Mas, quando da cerimónia de instalação da estátua do Salineiro no espaço central do Mercado do Lavradio, fiquei com um «bichinho» a morder por trás da orelha. E, na verdade, só hoje, foi possível passar por lá e confirmar.
Fiquei triste. E não gostei.

Lê-se na placa a assinalar o evento

“O Salineiro”

Recuperada pela União de Freguesias do Barreiro/Lavradio, pela Presidente em exercício Gabriela Guerreiro.
Lavradio, 27 de Julho de 2019»

Li. Voltei a ler e reler. Para quem por ali passar, no futuro, fica a saber que a estátua foi recuperada pela União de Freguesias do Barreiro e Lavradio, que era presidente da junta de freguesia, Gabriela Guerreiro. 
Não fica a saber o mais importante, que na verdade, ali, devia estar bem claro, quem é o autor da escultura, e, até, já que se fala em quem recuperou que, na prática, a sua intervenção foi essencial para realizar o trabalho de dar vida à escultura vandalizada.
Enfim, coisas da vida... 
Por favor, coloquem na base da escultura o nome do autor, esse,de facto é importante e conta para a história.

Pedro Miranda da Silva nasceu na Baixa da Banheira, concelho da Moita, reside há décadas no Barreiro, é um artista com uma vasta obra, é ele, para que conste, o autor da escultura do Salineiro que esteva à entrada do Lavradio, e, que a partir do último sábado passou a marcar presença no centro do Mercado Municipal do Lavradio.

Outra nota, aquelas cintas á volta da estátua percebo que por ali estivessem no dia da apresentação da sua instalação, agora são um «ruído» na frente de estátua, não fazem parte da escultura e «incomodam« o olhar. Se é para que não seja tocada com as mãos, ou parta evitar que as crianças lhe toquem isso nunca será evitado e, mesmo que isso aconteça, com os anos pode dar-se um toque, ou deixar ficar como as marcas que serão uma referência à passagem de gerações. Não gosto daquelas cintas. 

António Sousa Pereira

 

Se eu tivesse um cão, talvez fosse feliz!

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Ele acorda pela manhã, sente cócegas no umbigo, esse lugar, que ele coça sempre, diariamente, quando bebe uma cerveja, sentindo que ela, a dita, desce pelo ésofago, afinal, acaba por ser o consolo de todas as suas desventuras.

Acorda. Abre a janela, que se abre para a cidade de betão, olha um gato a saltar na distância, livre, e um pássaro que voa rasgando o azul da manhã, livre.

Abre a boca, ainda ensonado. Tenta respirar. Ele não respira pelos pulmões, porque pelos pulmões só respiram os que sonham e acordam a sorrir. Ele respira com os nervos, porque acorda a respirar ética. Abre os olhos. Sente a ética nos sons que ecoam pelo esofago, assim incandescente a fervilhar e transformar-se num arroto matinal, que o faz de novo coçar o umbigo.

 

Sai da janela, percorre o corredor da sua solidão matinal. Os dias repetidos. A sobrevivência. Cansaço. Vive com a ética colada ao pijama. Ele sabe que a ética, para além de sangue e nervos, tem que ser a arma que lhe dá personalidade. Um homem sem ética é como um cão sem dono.  

Entra na casa de banho, senta-se eticamente, sim, porque só quem tem a ética colada ao corpo, sabe como deve sentar-se, eticamente, de forma a evitar os inesperados ruídos matinais, que perturbam a sua intensa criatividade.

 

Mas, ele, afinal. é indiferente ao que possam pensar, tem uma certeza, naquele recanto a sua imaginação é infinita. É ali, que, diariamente, ele sabe que pode sentir-se um gato ou um pássaro. Pode saltar. Pode voar. Sonha, sonhos únicos. Livre, livre, livre...

É aquele o momento, único, na vida quotidiana, que apesar de estar eticamente bem sentado, ele esquece a ética que molda o seu pensar e forja a imagem que tem de si mesmo e quer manter perante o  mundo. Parecer mais que ser, basta!

 

É nesse instante, quando ele, por segundos, ignora e esquece a tal ética profunda que, na verdade, a sua vida real, autêntica, emerge em explosões. Sente-se livre. O seu pensamento confunde-se com a sonoridade dilacerante, que rasga a solidez do seu corpo húmido e flácido.

Ali, de súblito, ele sente explodir e explodir-se, por momentos a palavra ética dilui-se nos sons em sucessivas explosões. Ele sabe, que a velocidade do som é menor que a velocidade da luz. Eticamente a luz é para esquecer, isso é coisa de iluminados.

O que conta é o som. Abre os olhos. Respira.

Ali, sente que o cheiro dos seus sons em ebulição, vão solidificando e geram os seus pensamentos únicos.

A felicidade é isto, pensa, quando atinge o auge da fluidez da sua auto-sonoridade e os sons fundem-se com a criatividade. Uma felicidade única, que o faz sentir  como um ser único. Irrepetível. Poeta. Jornalista. Politico. Comentador. Ele é de tudo um pouco, a unidade na diversidade. Dialéctica pura e cristalina.  

Afinal, só um ser único, criativo como ele, é, na verdade, um ser que pode, naquele recanto, tal como na vida, sentir a sonoridade da ética, e fazer da ética uma arma, um cântico e um poema.

Parafraseando o poeta : “com ética se faz a paz, se faz guerra, com ética tudo se faz e se desfaz, com ética se faz o som, se faz a luz, se faz as trevas, com ética, faz-te à vida, porque com ética tu és capaz!”   

 

Sai da casa de banho, feliz, eticamente feliz. Volta a olhar a rua da cidade de betão, e, ali, da sua janela, olha a distância e pensa : “Se eu tivesse um cão, talvez fosse feliz!”

 

S.P.

 

Nota- Qualquer semelhança desta estória com a realidade é pura coincidência. Não tem mesmo destinatário na vida real. 

Estátua do «Salineiro» no Mercado Municipal do Lavradio – uma oportunidade para pensar futuro

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Esta opção pela sua colocação no Mercado Municipal do Lavradio, sem dúvida, para além de enriquecer o espaço, salvaguarda aquela escultura de actos de vandalismo.

Está de parabéns o Pedro Miranda da Silva, por ter recuperado a sua bela obra dedicada ao «Salineiro», e, naturalmente o executivo da freguesia que concretizou esta solução, proporcionando à comunidade fruir diariamente desta escultura.
 

Vivemos um tempo de ‘politicas pobres’ no que diz respeito à promoção de reflexão teórica e estratégica. Essa realidade gera uma tensão permanente entre a forma como a realidade se apresenta de forma objectiva e as interpretações ou visões que se projectam sobre essa mesma realidade, quer na sua análise teórica, quer na consequente implementação de práticas.

O debate teórico é o fruto do pensar a realidade, esse pensar que gera reflexão, sendo a reflexão que faz nascer ideias, e, as ideias que depois nos movem para forjarmos a transformação da realidade. 
É isto que traduz as vivências que nascem nas práticas quotidianas, num permanente equacionar e concretizar a relação entre a teoria e a prática.
As ideias traduzem-se nos comportamentos, nas decisões, nas acções, nas relações, no fazer cidade e cidadania. 
As ideias, o pensar, faz presente e antecipa futuro.
É por isso que ao longo da vida, vamos sentindo que a realidade existe, transforma-se pela acção humana, uma acção que começa no pensar e do pensar vai para o fazer. Só assim se afirma, de contrário, não se afirma, porque fica-se por meros slogans escatológicos. Afirmar só faz sentido quando se inscreve no fazer vida e fazer cidade.

Estes pensamentos ocorreram-me ao passar, pela manhã, no Mercado Municipal do Lavradio e, ali, verificar que, na sua zona central, está colocada a estátua do salineiro do escultor Pedro Miranda da Silva, que será ‘descoberta’ no próximo sábado, no âmbito da programação das Festas do Lavradio.
Uma solução positiva. Uma opção que merece um caloroso aplauso. 
Na verdade, a estátua devido aos materiais que foi produzida era impensável colocá-la de novo no espaço público, mais dia, menos dia, seria de novo destruída por actos ignóbeis de vandalismo, como aqueles que se registaram no passado.
Esta opção pela sua colocação no Mercado Municipal do Lavradio, sem dúvida, para além de enriquecer o espaço, salvaguarda aquela escultura de actos de vandalismo.
Está de parabéns o Pedro Miranda da Silva, por ter recuperado a sua bela obra dedicada ao «Salineiro», e, naturalmente o executivo da freguesia que concretizou esta solução, proporcionando à comunidade fruir diariamente desta escultura.

Mas, ao olhar para o espaço envolvente do Mercado Municipal na minha memória ocorreram-me as conversas e as tomadas de posição assumidas para que este Mercado Municipal fosse construído, porque, na época existia por parte da Câmara Municipal do Barreiro a recusa de avançar com a sua construção, porque os mercados estavam em decadência, alguns a fechar pelo país, e o Lavradio estava “bem servido pela Feira Nova”, dizia-se.
O então presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, foi uma das vozes que mais contestou esta posição da Câmara Municipal do Barreiro. Sublinhe-se que ambos os órgãos autárquicos eram de maioria CDU.

Recordo um discussão, para a qual fui convidado a participar, estando em debate aceitar ou não aceitar a decisão da CMB. Discutiu-se. Discutiu-se. Argumentos diversos inclinavam a decisão para a concordância com a posição da CMB. O Morgado, presidente da Junta de Freguesia, estava indignado, e, decidido mesmo a pedir a demissão.
Lancei o repto de se avançar com a construção do Mercado, tendo por base um programa que na sua arquitectura, projecta-se o presente e o apontasse soluções para o futuro.
Ou seja que a arquitectura permitisse o funcionamento do Mercado, na época pujante e com um vasto leque de consumidores, mas, ao mesmo tempo, sabendo-se que a tendência podia ser caminhar para o declínio destes espaços na vida das cidades, dado o surgimento constante de novas superfícies comercias, seria bom, que a construção fosse pensada para, no futuro, de forma prática e eficaz, ali, poder nascer um espaço de praça pública – Centro Cultural – que fizesse a ponte entre o Lavradio Velho e o Lavradio Novo, que estava em emergência a Urbanização dos Loios.

Foi então aprovado avançar com a construção do Mercado, para cuja construção, em vários orçamentos municipais já tinham sido aprovadas, as verbas de várias derramas destinadas ao Mercado do Lavradio. Assunto que era sistematicamente recordado por Aires de Carvalho, e muito bem, então líder concelhio do PS.
Recordo tudo isto, porque ao passar por ali, notei as muitas bancas que no Mercado não estão ao serviço e, como são reais as dificuldades de manter esta actividade com capacidade de ter dimensão económica numa vila, cujo tecido edificado está cada vez mais devoluto, com um espaço urbano que há décadas carece de ser pensado e requalificado, e, pensei, se, afinal, a colocação da estátua do salineiro não é, infelizmente, o primeiro sinal que, mais tarde, ou mais cedo, é preciso pensar, reflectir e decidir sobre a revitalização ou reutilização daquele espaço municipal.

Talvez, até, já nos dias de hoje, ver como é possível olhar para a sua realidade e ‘mexer’ no seu espaço, proporcionando no seu interior outra utilização, abrindo caminho para outras valências. 
Pensei várias soluções. Diverti-me a pensar.

Recordei as discussões, e, agora, concluo que o projecto como foi elaborado, sem dúvida, sem muitos custos permite reconversão para reutilizações, de diversas actividades e, até, nesta fase, é possível manter as áreas que por ali estão em funcionamento.
Mas, isso, compete aos técnicos de forma interdisciplinar, ou seja, através do diálogo entre diferentes serviços, ver opções e encontrar soluções. Naturalmente, em primeiro lugar, isso, só é possível se os políticos, responsáveis pela gestão da polis, pensarem, reflectirem e agirem, fazendo nascer o futuro, aqui agora, neste presente.

Parabéns pela implantação da Estátua do Salineiro.
Que seja um bom sinal, de revitalização do espaço, e, desejo mesmo que abra as portas para que, desde já, se comece a pensar futuro. 

Isso mesmo uma oportunidade para pensar futuro! Que significa pensar o território do Lavradio desde o Mercado Municipal, passando pela ‘praça’ do antigo Mercado, ruas envolventes, da Egas Moniz à Rua Luis Furtado de Albuquerque, que podem e devem, no seu conjunto, transformar-se numa zona central de uma vila que carece de revitalização com urgência, de forma a evitar que se transforme num guetto, cujos sinais vão surgindo e vão sendo ignorados. 

António Sousa Pereira

 

Sector Ferroviário e Terceira Travessia do Tejo – estranho silêncio no Barreiro

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O sector ferroviário está na agenda politica nacional e europeia. O Barreiro é um concelho, cuja história no século XIX e século XX é indissociável do sector ferroviário. Será que tem lugar no futuro?

Quando de novo a TTT está na agenda politica, e, naturalmente, vai ter impactos sobre o território do Barreiro, colocando-o no mapa de Portugal e da Europa. Que se faz, que se defende sobre esta matéria?

 

Nos últimos dias têm sido várias as noticias relativas sobre o sector ferroviário, nomeadamente, a divulgação de propostas ou projectos que o Ministro Pedro Nuno Santos, pretende dinamizar desde a intenção de convencer recém reformados da EMEF a voltar a colaborar na empresa, passando pela divulgação de avultados investimentos na linha do Oeste, visando a modernização entre Sintra e Torres Vedras, ou, a intenção de concretizar a separação da ferrovia da rodovia, acabando com a IP Infra-Estrutura de Portugal, que nasceu da fusão da Refer com a Estradas de Portugal.

Para além, destas noticias, a esta matéria não será indiferente o anunciado avanço da TTT – Terceira Travessia do Tejo, que, desde sempre faz parte do Plano Ferroviário Nacional, que desde o 25 de Abril, praticamente tem sido esquecido, privilegiando-se o fomento do Plano Rodoviário Nacional.
Hoje mesmo é anunciado, no jornal «Público» que a empresa Medway, está apostada na criação de uma ligação de comboio directa diária entre Portugal e a Alemanha, que possa servir a Autoeuropa.
E, igualmente, da Europa sopram ventos nos últimos tempos anunciando a intenção da aposta no desenvolvimento e renovação da rede ferroviária, no âmbito de politicas de preservação do ambiente e estratégias sobre as alterações climáticas.

O sector ferroviário está, portanto, na agenda politica nacional e europeia.
O Barreiro é um concelho, cuja história no século XIX e século XX é indissociável do sector ferroviário.
Recordo, até, que quando da divulgação do projecto da Terceira Travessia do Tejo, nos governos de José Sócrates, assim como do TGV (que, de há muito devia estar a funcionar, ligando Portugal a Espanha e à Europa), falou-se e foi afirmado que o Barreiro voltaria de novo a ser colocado no mapa da ferrovia.

Duas coisas eram anunciadas, a criação de uma Estação de Comboios, na margem sul, com a dimensão estratégica da Estação Oriente em Lisboa. Essa Estação ficaria localizada onde hoje funcionam as Oficinas dos TCB.
Outra, era a construção das Oficinas de Manutenção do TGV, de nova tecnologia e de grande dimensão para a modernização do sector ferroviário, que ficariam localizadas na zona da Penalva.

E, nos dias de hoje, ao ler as noticias e as propostas do Ministro Pedro Nuno Santos que aplaudo e que, na verdade, só pecam por tardias, fico perplexo com o silêncio que reina no Barreiro.

Quando estão em marcha projectos de grande importância para o país, geradores de milhares de postos de trabalho, com tecnologias de futuro.
Que diz o Barreiro sobre isto? Que estão os politicos desta cidade a tentar fazer para saber se o Barreiro, pode, ou não pode entrar, por exemplo na corrida da EMEF, visando a renovação e valorização das Oficinas do Barreiro e, até concluindo os 300 metros de linha eléctrica que permitam dar de novo vida e emprego àquele espaço ferroviário? 
Ou será que, mais uma vez, tal como o discurso da Quinta de Braamcamp, como o PDM prevê para ali habitação, não interessa fazer ondas, porque o imobiliário é que é a estratégia de desenvolvimento?
Que estranho silêncio. Ninguém comenta. Ninguém fala. Nem que lidera, nem quem está na oposição.


Quando de novo a TTT está na agenda politica e, naturalmente, vai ter impactos sobre o território do Barreiro, colocando-o no mapa de Portugal e da Europa.
Que se faz, que se defende sobre esta matéria? 
O PS nacional, já anunciou e não se define se quer rodoviária, ou ferroviária, ou mista. Localmente, já sabemos, como é normal, só vai tomar posição, quando existir a posição nacional.
O BE nacional, já anunciou que defende apenas que seja com vertente ferroviária. Localmente, também, tem sido essa a opção.
O PCP não se definiu, mas, em tempos idos defendia que a nível local, quer a nível nacional que fosse rodoviária e ferroviária.

A Câmara Municipal do Barreiro, enquanto órgão, em anteriores mandatos tomou posição ferro-rodoviária, até, indo de encontro aos projectos acima referidos – Estação nos TCB, Oficinas do TGV na Penalva.
O actual executivo sobre esta matéria nunca tomou propriamente posição.
Estando o assunto na agenda politica nacional, estranha-se que até ao momento, não exista uma tomada de posição pública sobre estas matérias.
Se há contactos ninguém sabe, se há propostas para o Barreiro, ninguém sabe. A verdade, é que este é um tempo crucial para o futuro do território do Barreiro. 
Os territórios são competitivos entre si, e, para fazer futuro de um território, habitação pode ser importante para o desenvolvimento, quer nova habitação, quer a reabilitação, mas, uma cidade não vive só de habitação. Precisa emprego. 
O sector ferroviário faz parte da história e da nossa memória desde o século XIX, seria muito bom se continuasse e fosse uma dimensão estratégica para o século XXI e XXII, gerando empregos de alta qualidade tecnológica, e, também, aqui, uma Estação Central que seja a porta da ferrovia que liga a Grande Lisboa ao Alentejo – a Évora e a Beja.

Fica aqui e agora, um apelo ao Ministro Pedro Nuno Santos, veja, por favor, se no Plano Nacional de Desenvolvimento Ferroviário há um espaço para pensar Barreiro e integrar o Barreiro no futuro que está em marcha. 
Contamos consigo, Senhor Ministro. Pense Barreiro. Obrigado!

António Sousa Pereira

Uma intervenção histórica de 3.28 – três minutos e vinte e oito segundos. . O novo paradigma das ligações fluviais

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Ontem realizou-se uma reunião extraordinária da Câmara Municipal do Barreiro, solicitada pelo PSD, de forma que a autarquia assuma uma posição e estabeleça pontes com a tutela para que acabe o caos nos transportes fluviais.


Esta reunião permitiu saber que a Câmara Municipal do Barreiro aprovou em 2017, por unanimidade, solicitar uma reunião ao Ministro do Ambiente, com o objectivo de abordar os problemas dos transportes fluviais, mas, até ao dia de ontem, ou a reunião não foi solicitada, ou o Ministro não quis reunir com a autarquia. Uma situação muito grave.

Esta situação demonstra a inoperacionalidade da autarquia no seu papel de pressionar o governo na resolução de problemas que afectam a população, ou, então, que o governo não reconhece a autarquia legitimidade para questionar matérias de transportes fluviais.

Tomámos conhecimento, igualmente, que em recente reunião da SOFLUSA, com a autarquia até ao final do ano poderá ser construído um novo pontão e um nova cabine de embarque, mas, entretanto, foi referido, há problemas de manutenção dos pontões existentes, por dificuldades de verbas.

Mas, para lá de todas as trocas de opiniões politicas que marcaram a reunião, quero registar, a intervenção de – 3.28 – três minutos de 28 segundos, do Presidente do Municipio, que coloca como caminho prioritário para a resolução do problema dos transportes fluviais, a entrada da Câmara do Barreiro para a gestão da SOFLUSA, ou o desenvolvimento de uma operação intermunicipal fluvial.

A intervenção do Presidente do Municipio que aponta este caminho – gestão intermunicipal ou entrada da CMB na gestão, como solução para resolver este problema dos transportes fluviais, é, certamente, uma proposta que o autarca vai apresentar na próxima reunião de Câmara, na qual serão discutidos documentos da CDU e do PSD.

Fica esta expectativa, em aberto, perante tão efusiva e corajosa intervenção do edil, que afirma a sua vontade de dar o peito às balas, assumindo este caminho como solução para resolver um problema que afecta diariamente os barreirenses.

Portanto, fica claro, perante as palavras corajosas do edil, que mais que aprovar moções, a hora é de colocar ao Poder Central uma opção concreta de um novo modelo de gestão dos transportes fluviais – a CMB na gestão, um modelo intermunicipal.
Fica claro, que, só assim irão acabar as cativações e acabar os problemas de contratação de pessoal.
Esta solução de futuro, apontada pelo edil barreirense, certamente será colocada na reunião que a autarquia vai solicitar ao Primeiro- Ministro e à Comissão Parlamentar da Assembleia da República.

Se este como defende o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, é o caminho para dar dignidade a vida diária dos 30 mil utentes que usam os transportes fluviais, então, que avance, certamente, o edil barreirense tem estudos, inquéritos realizados, que podem ajudar a fazer este caminho. O importante é fazer caminho, ser parte da solução e não ser parte do problema.

Isto não pode, como disse o Presidente da autarquia barreirense, continuar no caos, porque há cativações e não se contrata pessoal.
Pelas palavras do edil, fica claro que o governo está a prejudicar os barreirenses, principalmente o Ministro das Finanças, e, isto só acaba com um novo modelo de gestão.

É, sem dúvida de enaltecer a coragem do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, que coloca a defesa dos interesses do Barreiro, acima do seu partido que está no governo. Mais que levantar o braço e aprovar moções o edil levanta a voz e aponta soluções. – “Esta é a nossa terra queremos resolver o problema”.
Uma gestão fluvial intermunicipal, ou a CMB na gestão da SOFLUSA, uma proposta, de quem diz querer assumir responsabilidades na gestão das ligações fluviais.

O vereador Rui Lopo, da CDU, referiu que este tema não é novo, e, tem sido abordado nos órgãos da AML- Área Metropolitana de Lisboa onde se debatem politicas de mobilidade, mas, acrescentou que a autarquia barreirense, nos últimos tempos tem-se pautado pela ausência nesses fóruns da AML.
Ora, uma proposta de gestão intermunicipal dos transportes fluviais tem que ser debatida ao nível da AML, para ter escala e dimensão politica para o diálogo e apreciação do tema com o Poder Central. Fica o registo.

Um discurso de três minutos e vinte oito segundos, que, pela sua importância e dimensão futurista, pode ter reduzido a cinzas a CDU e o PSD, que pelos vistos só querem aprovar moções e levantar o braço, ficando tudo na mesma e não resolvendo os problemas.
Na próxima reunião de Câmara este assunto vai estar de novo na agenda. Ficamos atentos.
Todos os barreirenses que trabalham, estudam, ou se deslocam para Lisboa, desejam, o mínimo, que este serviço fluvial seja o que sempre tem sido, mesmo com todas as situações frutos de greves ou outras, era um serviço que tinha credibilidade de horários e de carreiras.
Que volte a ser um serviço com a mesma qualidade que nos habituou, se, para isso, é preciso colocar a CMB na gestão fluvial, ou dinamizar uma gestão intermunicipal que avance. Nós barreirenses queremos uma solução, se considera a sua proposta o caminho, mobilize a cidade.
Estamos consigo Senhor Presidente, é preciso uma solução que acabe com as cativações e a não contratação de pessoal.
Entretanto, como uma solução desta natureza, só poderá surgir, certamente, na próxima legislatura, é importante que se aprovem moções, se discuta e mobilize, para que haja pressão e se encontrem soluções provisórias, mais não seja, que o Ministro das Finanças veja como nos está a prejudicar a todos nós com as cativações.
Gostei imenso, deste discurso de 3.28 – três minutos e vinte e oito segundos. Uma intervenção histórica.

António Sousa Pereira

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https://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=1003436&mostra=2&seccao=inferencias&titulo=Inferencias-Barreiro-Uma-interven

Criar a Reserva Natural Local da Braamcamp, Mexilhoeiro e Alburrica Uma porta aberta ao pensar local e agir global . Um corredor verde do Tejo ao Coina

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Um dos processos da vida do concelho do Barreiro que acompanhei, com algum envolvimento foi o processo de classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina como Área Protegida Local.

Falar de uma área protegida num concelho tinha uma marca de «poluição industrial» no seu adn, era algo que, para muitos era impensável.

 O facto é que a Mata da Machada e o Sapal do Rio Coina entrou na agenda politica local, fruto de um trabalho sistematizado, com muitos debates e confrontos de ideias.

Este processo deu um contributo muito importante para gerar uma nova imagem do concelho do Barreiro e introduzir um dimensão ambientalista na política local e nas concepções do pensar e fazer cidade.

 

Falo destas coisas, não por ser ambientalista, ou por possuir qualquer formação especifica sobre estas matérias. Falo porque acompanhei debates, entrevistei diversos técnicos, e, acabei por adquirir conceitos que me proporcionam uma visão e um olhar sobre o território, deste concelho onde vivo há mais de 45 anos.

 

A Reserva Natural Local do Sapal do Rio Coina e Mata Nacional da Machada – Barreiro, não nasceu do acaso, para chegar à aprovação por unanimidade, foi necessário desenvolver um percurso, até, diga-se que foi para além do Plano Director Municipal, este que está em vigor.

Tudo começou em conversas, abordagens, pequenos grupos de discussão, que olhavam, pensavam e sentiam aquele território, aquele património natural “abandonado”, ou em risco de ser absorvido por outras visões, das formas de gerir o espaço e do fazer cidade.

Este foi um momento que contribuiu para dinamizar o primeiro pilar estratégico para a dinamização de um projecto de desenvolvimento de uma politica que contribuísse para a criação de um concelho verde, equilibrado entre o seu espaço urbano e ligação ao rio e à natureza.

 

Recordo, como foi importante a apresentação do «Plano Estratégico da Mata da Machada», um processo liderado por Nuno Banza, então vereador com esta área na sua responsabilidade politica.

Do Plano estratégico passou-se para uma abordagem do conceito de « ÁREAS PROTEGIDAS LOCAIS», recordo que, por vezes, comentava-se Alburrica, como uma das zonas do concelho que devia ser, igualmente, objecto de classificação, criando-se uma outra “reserva natural local”.

A Quinta Braancamp não existia para a comunidade, era um muro, uma propriedade privada.  

 

Por estes tempos, igualmente, desenvolve-se o projecto POLIS. A cidade liga-se ao rio. Mais tarde são concretizadas algumas intervenções na zona de Alburrica. A APL intervém nas muralhas da Avenida da Praia.

O pograma REPARA liga a cidade ao rio, os passadiços são uma marca que se inscreve no território ribeirinho. Uma nova forma de pensar e sentir a cidade e a sua ligação ao rio.

 

A construção da ETAR contribui para libertar o Tejo e o Coina dos esgotos domésticos. Agora, está em curso e em fase de conclusão o processo de ligação da rede de saneamento da zona industrial da Baía do Tejo, ao sistema da Simarsul.

 

Os sítios  ribeirinhos, as zonas naturais são reconhecidos como áreas de interesse municipal, porque são monumentos únicos, pérolas da natureza e a natureza é de todos.

O pensamento estruturante, do fazer e pensar cidade de futuro, leva o município à compra da Quinta Braamcamp, dando continuidade a esse pensamento estratégico de ligar a cidade ao rio e preservar os seus espaço naturais.

 

É nesta dimensão que penso que deve ser pensado o futuro da Quinta de Braamcamp – uma das áreas integrada numa Reserva Natural Local – que vai da Braamcamp, passa pelo Mexilhoeiro e estende-se a Alburrica.

E, obviamente, neste pensar local da importância da Quinta Braamcamp como parte de um todo de reserva natural local, que inclui Mexilhoeiro e Alburrica, tendo a  visão politica de quem sente a importância da preservação das zonas ribeirinhas  e a sua ligação às politicas ambientais relacionadas com as alterações climáticas), este território não pode ser indissociável, de um pensar global – o território do concelho – no seu corredor verde que passa pelo Coina, Polis, Copacabana, seca do bacalhau, Palhais e que se liga ao sapal do rio coina e Mata da Machada.

E, sabendo que o Barreiro não é uma ilha, esta mancha territorial, que ficará localizada entre duas Reservas Naturais Locais – Mata da Machada e sapal do Rio Coina / Alburrica- Mexilhoeiro – Braamcamp e Tejo, obviamente, tem que ser pensada numa outra escala regional ligada ao Seixal e sua zona ribeirinha ( com um via pedonal e ciclável.

 

Isto tudo para dizer que seria importante lançar um debate público sobre a criação da RESERVA Natural de Alburrica, Mexilhoeiro e Braamcamp, onde o pensar local Quinta Braamcamp, fosse o leit motiv para pensar global – corredor verde de um concelho que não deseja ficar submetido à cultura do betão.

 

António Sousa Pereira

Todo o associativismo é presente

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Hoje, visitei no «Espaço Memória», a exposição com o tema – «Associativismo no Barreiro – os lugares, os factos e as pessoas», num primeiro olhar, acho que, globalmente, esta exposição é um contributo subsidiário para abrir o debate sobre o território e o associativismo.

Dialogar sobre a sua estrutura, sobre o seu conteúdo pode, portanto, tornar-se o «leit motiv», para uma reflexão sobre o Barreiro e o associativismo.

Portanto, com base nesta nota de abertura, posso salientar que gostei da exposição como um «projecto», que permite abrir caminhos, dar uma visão, e, colocar o «associativismo» na agenda do “fazer a polis”.

 

Considero esta exposição uma oportunidade, quer no plano sociológico, quer no plano politico, para que a cidade pense a sua cidadania.

Por estas razões, considero esta exposição uma iniciativa positiva, se, de facto, em torno dela formos capazes de gerar um amplo debate de ideias, tornando-a um elemento dinâmico e gerador de pensamento, de e sobre associativismo.

 

No mundo de hoje, onde se pugna pelo «fait divers», pela valorização da imagem, pelo consumo rápido, manter uma exposição visitável, até ao final do ano, é, sem dúvida, um evento importante que pode e deve contribuir para valorizar o debate de ideias e promover a reflexão sobre a vida do concelho e o papel do associativismo no «fazer cidade» e no «fazer cidadania».

Esta exposição sobre associativismo, é, sem dúvida, ela mesma, portadora de um conteúdo que abre perspectivas de reflexão e coloca abordagens diferenciadas sobre o pensar e fazer associativismo.

 

Aqui ficam algumas primeiras notas de reflexão que emergiram no decorrer da visita – as minhas percepções.

A primeira percepção, foi em torno do facto de serem destacadas no núcleo central da exposição, um conjunto de associações classificadas de «presente», e, talvez, consideradas como uma nova dimensão do fazer associativismo.

Só este assunto dá pano para mangas, até porque, há novas associações que ali não estão referenciadas. dou exemplos –  EstbarrTuna, ou Miorita, ou «Escola Conde Ferreira – enquanto espaço interassciativo, ou a Cooperativa Mula, ou mesmo, algumas associações um pouco mais velhas mas são exemplo de «um novo fazer associativismo», como é  o caso da Clinica Frater, ou a Camerata do Barreiro, até mesmo a Arte Viva, e , porque não a «nova» Cooperativa Cultural Popular Barreirense.

 

A segunda percepção, foi em torno da cronologia histórica, com a valorização de alguns factos e o esquecimento de outros, como, por exemplo evocar vitória do FC Barreirense ao Benfica, e, esquecer a vitória europeia da CUF ao Milão.

Ou, ainda, não serem referenciados, momentos históricos de presença de atletas do Barreiro nos Jogos Olimpicos, desde a Halterofilia do Luso, ou vela do Clube de Vela, e, remo da CUF.

Mesmo, de nomes destacados ao nível internacional no Xadrez, ou prémios de âmbito nacional no Teatro, caso do TEB – 22 de Novembro. E, mais, e mais…

 

A terceira percepção, o excesso de «eus da vida associativa, com uma híper valorização dos agraciados com a distinção do «Barreiro Reconhecido», na área do associativismo.

Por vezes, em conversas com o anterior presidente da Câmara, Carlos Humberto, costumava tecer criticas sobre o excesso do «nós» na vida cultural e associativa, esquecendo-se, por vezes, o papel do individuo na história. O autarca replicava, sempre, que o «nós» é «um eu, mais outro eu…».  

Neste caso, nesta exposição o excesso de «eus» sobrepõe-se à ausência de «nós». Não existe uma breve nota sobre a história de algumas associações de referência, por exemplo as centenárias. As associações todas, ou quase todas, ficam reduzidas a galhardetes e a um ponto no mapa, as únicas com dados históricos, são as integradas no dito espaço que foca o «Presente».

E, já agora, salientar que, há mais, muito mais «eus» na vida associativa que esse que, em tal, ou tal momento, foram «reconhecidos» pela sua acção.

 

A quarta percepção, ali, de facto, parece que há um associativismo vivo, com actividade e dinâmica, esse é o dito como o associativismo do «presente» ou o «novo», e, há o outro associativismo, esse, talvez, considerado o do «passado», que fica registado com um galhardete e um ponto de referenciação no território.

Como considero que todo o associativismo é presente, porque todo o associativismo faz o presente do concelho, aquela distinção entre o «novo associativismo» e o «velho associativismo», fez-me algum incómodo, até porque, algum desse dito novo, existe, fazendo do velho «barriga de aluguer».

 

A quinta percepção, senti falta da valorização das práticas associativas, porque essas é que dão dimensão ao fazer associativismo.

Sei que há muitas práticas, mas dar uma visão de casos exemplares – a cidade do xadrez; a capital do basquetebol; os desportos náuticos; o futebol, O teatro, a música – do jazz ao clássico, dos corais ao experimental.

Exemplos que permitiam perceber como pelo fazer associativismo há mais vida no concelho, muito mais, que aquela que se projecta pelas redes sociais.

 

Outras notas registei após a visita à exposição, porque, na verdade, uma exposição é um livro aberto de ideias e pensamentos.

Uma exposição é uma interpretação histórica, sociológica, politica, filosófica, e, nela está contida, directa, ou indirectamente, uma visão da cidade e do fazer cidadania.

É, de facto, por isso que considero positiva esta exposição, porque pode dar um contributo essencial, para promover o debate de ideias sobre a importância estratégica do associativismo no fazer futuro – o velho e o novo associativismo. Pois.

 

A exposição vai estar patente ao público no «Espaço Memória», e pode ser visitada até ao próximo dia 31 de dezembro de 2019.

Considero que esta exposição pode ser um elemento central de debate – pensar associativismo/ pensar Barreiro.

Afinal o futuro constrói-se sempre a partir da desconstrução do passado.

Nos dias de hoje, é, cada vez mais, importante que o associativismo se afirme, todo ele, como «pontos de encontro» - de criatividade, de fazer democracia, de solidariedade, de Liberdade e de humanismo.

Será que este é o tempo de construir e desconstruir, de opor o velho ao novo?        

 

António Sousa Pereira

A Quinta de Braamcamp não é um território abandonado . O proprietário é a CMB

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É necessário começar por referir que, se existe o tema Braamcamp, hoje, na agenda politica local, deve-se à coragem de tomar decisões, mesmo com criticas – eu fui dos que critiquei, por considerar que o Barreiro tinha outras prioridades, nomeadamente a resolução dos problemas da sua rede de abastecimento de águas, do seu sistema de saneamento, até, o estado da rede viária.

Falei sobre isto com Carlos Humberto, anterior presidente da Câmara, que, objectivamente, defendeu que a ligação da cidade ao rio era um potencial de grande importância para o desenvolvimento. Aceitei as opções. Percebi. Era, afinal, dar continuidade ao trabalho que vinha a ser realizado, no âmbito do programa REPARA, com a construção dos passadiços e, até a compra de parcelas de terrenos e património em Alburrica, agora, com esta decisão da compra da Quinta da Braamcamp, alargando essa visão para outro espaço do território, numa linha de continuidade e valorização da zona ribeirinha.

Sei que estava tudo em aberto, mas, feita a compra, concretizado um negócio que levou alguns anos, era necessário reflectir, dialogar com a população, abrir o dossier, avaliar caminhos e opções.
As eleições autárquicas foram ganhas por outra força politica, que defendia visões para o território – a roda gigante está na memória. Enfim, o importante era criar uma visão.

Depois, conquistado o poder, torna-se pública a opção de venda, e, até ao dia de hoje, não conheci argumentos plausíveis sobre as razões dessa opção. Nunca entendi a ligação ao conceito de cidade que se projecta. Existe uma ideia central adquirida e, portanto, sobre essa opção, pelos vistos, não há nada a fazer, antes pelo contrário, o que se faz é gerar correntes de opinião, de forma a tornar irreversível esta opção e colocá-la na opinião pública como uma espécie de “galinha dos ovos de oiro”, que vai criar emprego e vai atrair uns milhares de turistas. Portanto, quem não estiver de acordo, é porque não tem visão de futuro.
Criam-se contextos que não correspondem à realidade para induzir opiniões. O que considero mais grave é apontar-se a ideia de um espaço ao abandono. Iludindo a realidade.

Na última reunião da Câmara Municipal do Barreiro, os vereadores da CDU e o vereador do PSD, questionaram sobre um estudo de opinião promovido pela autarquia, nomeadamente que gostavam de conhecer as perguntas feitas através do dito inquérito. Foi referido que oportunamente o dito e os resultados seriam divulgados.

E, na verdade, no dia seguinte, já circulavam nas redes sociais algumas perguntas e os resultados das percentagens às respostas, veiculadas pelo Partido Socialista.
Isto é de bradar aos céus. É apenas, e só, uma falta de respeito por quem foi eleito, com os votos dos barreirenses, que representam – a CDU- 11.448 eleitores; o PSD – 3.912 eleitores. O PS que venceu com a maioria relativa obteve o apoio de 12.913 eleitores.
O desrespeito institucional não é pelos vereadores da CDU e PSD, é pelos eleitores, é pelos cidadãos que elegeram aqueles autarcas.

Afinal, cada vez mais de se confunde guerrilhas politicas partidárias com o funcionamento do órgão municipal.
Fiquei perplexo. Mas, de facto, cada vez, fico mais apreensivo e nada me espanta. Acho que, nos dias de hoje, tudo é permitido, desde que sirva para estimular o conflito partidário – tácticas e politiquices.

A politica local está a atingir o nível da vulgaridade, do diz que diz-se, das provocações sem respeito, as ofensas veladas, num casino politico onde, afinal, a roleta do fazer politica, gira em torno do apanágio da palavra democracia – de bons e maus democratas. Sim, e depois há, também. o culpado de tudo - o mensageiro.

Li com atenção, aquelas perguntas divulgadas e os resultados. Até pensei, sem outra informação complementar, se estas perguntas me tivessem sido feitas, certamente, era capaz de responder sim, porque, de facto, considero que aquele território é uma mais valia para o concelho. Eu, certamente, estaria nos 90% que concorda que a requalificação é uma mais valia para o Barreiro e para a zona ribeirinha. É natural.
Igualmente, considero essencial a requalificação urbana da zona ribeirinha. Obviamente.

O que me indignou naquelas perguntas foi aquela nota, relativa à recuperação de uma vasta zona do território de 21 hectares - HOJE ABANDONADOS. O que está abandonado não é de ninguém. Está degradado, e todos sabemos as razões.
Um dia em tempos idos, num debate filosófico, com um amigo, eu dizia-lhe, que as perguntas trazem, sempre, dentro de si as respostas.
E, neste caso, isso é óbvio, se os territórios estão HOJE ABANDONADOS, só alguém sem nexo, e sem visão, pode estar contra a requalificação e venda – 5% habitação e 95% para zonas desportivas e espaços verdes.

O problema de fundo, a questão politica central, sem qualquer dimensão de avaliação partidária, apenas no pensar politicamente a polis, a verdade é que aqueles territórios HOJE NÃO ESTÃO ABANDONADOS. HOJE SÃO PROPRIEDADE DO MUNICIPIO DO BARREIRO.
Aliás, sabemos que deixaram de estar abandonados quando foi assinado o Contrato Promessa de Compra, em 8 de Fevereiro de 2016. A assinatura da escritura foi em 19 de Dezembro de 2016. Desde estas datas pela acção politica liderada por Carlos Humberto, deixaram de estar abandonados.
Desde estas datas é que foi possível começar a pensar uma estratégia. Desde essas datas que não estão ao abandono.

E, já agora, que se saiba foi feita uma candidatura para uma primeira intervenção de limpeza do espaço e recuperação do território de forma a permitir a sua fruição. Essa candidatura não avançou. Dizem porque impedimentos atrasos do Tribunal de Contas e porque a correção da candidatura era negativa em termos de custos. Não se deixou cair, foram as exigências do Tribunal de Contas que levaram à queda. Mas, diz-se, até, que se tivesse caído a candidatura e avançado uma nova, então, seria mais benéfico.
Então, se assim era, porque não caiu mesmo e avançou uma nova? Porque, talvez, já estava decidido o que está decidido. Sim, não é vender, é alienar.

Nunca esquecer, e isso deve ser dito à população, aos inquiridos, que aquele território já não está ao abandono e, de facto, o seu estado actual de degradação, deve-se, em primeiro lugar à a falência da empresa, depois ao declínio do imobiliário.
Recordo que, mesmo que em tempos idos, se pretendeu avançar com construção do que era possível urbanizar. Isso, recordo, foi defendido na gestão de Emídio Xavier. Não avançou porque o mercado imobiliário já estava em ruptura.
Não avançou isso, nem tanta coisa – a TTT, o Masterplan, a Cidade do Cinema, o POLIS, e tanta coisa ficou pendurada.

Hoje, repito, a Quinta de Braamcamp não está ao abandono, está degradada, o que é muito diferente, mas, tem um proprietário – Câmara Municipal do Barreiro. Que não sabe o que fazer do que recebeu do anterior executivo. E a única opção que vê, e aponta como caminho é a venda. Ponto final.

Repetir, para que conste e faça fé, aqueles territórios estiveram, em sequência da falência dos seus proprietários e processos de insolvência, sem soluções, sem opções, até, mesmo, sem qualquer viabilidade de construção. O mercado imobiliário viveu nos últimos anos das crises mais dramáticas. Não sabem que existiu a troika?

Degradaram-se. Incêndios. Roubos. Sim, era uma propriedade privada ao abandono e a degradar-se. O municipio agiu para lhe dar qualidade e dar qualidade de vida à zona ribeirinha.

Aqueles territórios são hoje parte integrante de uma visão de aproximar a cidade do rio, como foi feito em Alburrica. – onde também foi necessário comprar parcelas privadas, para se chegar ao que hoje chegou e fruir com qualidade a zona ribeirinha.
Sobre Alburrica, Braamcamp, Mexilhoeiro, Clube Naval, não devia ser colocado o carro à frente dos bois, nem induzir respostas, nem fugir de uma amplo debate público, em torno da revisão do PDM, ou na construção de um Plano de Pormenor.
“A precipitação tudo destrói, porque é cega”, disse Tito Livio. Esta é a frase de hoje no jornal «Público». Fica o registo.
O problema é que o executivo municipal na sua maioria PS- PSD, apontam a venda como a melhor solução. E, para al´me da venda, até ao momento, não se percebe o conceito estratégico.

A CDU está contra, e, não diz quais as suas opções concretas. Fala, e, todos sabemos, hoje, pelas campanhas de rotular as suas posições politicas tudo o que vem da CDU, são considerados comportamentos de aziados. A CDU está estigmatizada, mas tem posições justas, que são aquelas que enquanto força politica tomou a decisão de comprar a Quinta de Braamcamp.
Se alguém tem autoridade moral para levantar a voz sobre esta matéria é a CDU. Mas, as correntes de opinião geradas e induzidas nas redes sociais, levam muitos a considerar que age porque tem azia, ou não tem visão, ou é retrograda.
E, na prática, hoje, quem defende posição verosimilhantes à CDU, fica na mesma rota de classificação mental.
O nível da discussão, conduz a estes contextos.

Faz lembrar aqueles tempos quando quem criticava a autarquia, era logo rotulado de reaccionário. Hoje quem critique recebe logo o rótulo de comunista.
Procura-se colar toda a gente ao PCP. Já gora, por acaso, ontem, estive a falar com um socialista, que me disse discordar das opções do executivo municipal. E sei que há mais. Se calhar, fazem parte dos tais 200 que, generosamente, são referenciados, como os críticos existentes. E se fossem 200, não merecem ser ouvidos?

O PSD exige uma definição estratégica, a ligação do território ao centro da cidade, e, tem opções, até naturais pela solução de venda apontada, porque vai de encontro à sua visão ideológica dos mercados.
Mas, de facto, está nas mãos do PSD, que as decisões que venham a ser tomadas sobre esta matéria, tenham por base com alguma visão estratégica. É o voto charneira.

A esquerda da geringonça aqui no Barreiro não funciona, aqui, a esquerda é incapaz de dialogar, e vive uma luta fratricida.
O PSD, cada vez mais, está a sentir que este conflito permite-lhe construir o seu futuro. Não me admira nada, que nas próximas eleições, pela primeira vez suba fortemente e, se calhar, entre na luta pela presidência. Já nada me admira no Barreiro. Se calhar até merece.

Voltando ao inquérito, o que registo da leitura das perguntas divulgadas, é que, qualquer uma delas contêm dentro de si os sinais que induzem a resposta, directa ou indirectamente.
A Quinta do Braamcamp não pode ser mais apenas uma “obra” para dar nas vistas, não pode ser uma matéria de uma decisão casuística. Não pode ser um mero negócio que prevê 5% de habitação.

A polémica a preto e branco sobre o vender ou não vender. É uma falsa polémica.
Não há qualquer inconveniente que se pense a venda de alguma parte. Eu não tenho. Porque não, se isso viabilizar outros projectos.
O problema não é polémica vender versus não vender, isso é para desviar o sentido do debate principal. O problema é de saber porque existe a opção de vender tudo. Isso origina que o municipio não vai ter qualquer decisão futura sobre aquela parcela do território, só terá com o acordo com o proprietário. E os acordos blindados ´desblindam-se´ em Tribunal, basta um qualquer acontecimento que coloque em causa o acordado. O proprietário tem direitos inalianáveis.

A polémica dos bons e maus, dos que estão contra e os que estão a favor. Os que querem o bem e os que querem o mal. É outra falsa questão.
Uma cidade não se constrói para socialistas, nem para sociais democratas, nem para comunistas, nem para bloquistas. A cidade é de todos, é construída para todos. O que for feito de bom beneficia todos, o que for feito de mal prejudica todos.

Interrogo-me. Porquê um campo de futebol? Só para diversão. Destinado à competição? Quantos lugares? Que estacionamento vai ser necessário? Que acessos vão ser construídos?

Um amigo, um destes dias, perguntava-me: ´Estás com o grupo Não vendas a Braamcamp´?.
Respondi não estou com grupo nenhum. Estou na defesa do melhor para o Barreiro.
Quero perceber. Quero entender. E, na verdade, há muita coisa confusa neste processo. Inquéritos. Falta de debate. Ilusões. Falsas polémicas. Excesso de politiquice. Falta uma liderança que motive o diálogo entre opções.
O que tenho assistido é uma constante barragem de propaganda, de marketing, de conversas a preto e branco, sem debate de ideias, nem de futuro.

A Quinta da Braamcamp está na agenda politica autárquica porque o executivo anterior tomou a decisão histórica de comprar aquele território.
Carlos Humberto teve um papel de referência, com base num pensar cidade e fazer cidade. Pensamento que hoje não vejo ser equacionado.

O actual executivo recebeu uma herança…e agora, por vezes parece querer deitar fora o menino conjuntamente com a água do banho. O menino lá dentro – é um menino chamado potencial - ambiental, económico e cultural.
O mais certo é o actual executivo ficar na história como aquele o que tomou a decisão histórica de vender a Quinta de Braamcamp. Vendeu está vendido.

Afinal, esta decisão, já o disse, é uma decisão que vai ser, sem dúvida, a porta que abre o caminho para a linha condutora e ideias-força para elaboração da estratégia de revisão do PDM. Não está aqui em causa a Quinta de Braamcamp, está aqui em causa a estratégia para o desenvolvimento. O resultado final é que vai anunciar o futuro.

Um concelho de expansão urbana, ou um concelho que se quer requalificado e revotalizado, que recupera estrategicamente os milhares de fogos que estão por construir e os outros que estão fechados. Um concelho centralizado na «vila», ou um concelho de sitios e lugares.
O futuro deste território de 36Km 2 vai começar naquilo que forem as decisões do processo Braamcamp!

Afinal, o Barreiro na sua história teve três patrões – o da CP/ferroviários, o da CUF e, o da expansão urbana - a Construção Civil.

Hoje, infelizmente, está reduzido ao patrão estado…mas, pelos vistos, a opção que está de novo na agenda dos políticos locais é apostar no regresso do patrão construção civil.
É isso, já se vêem gruas no Barreiro!
E, certamente, em breve existirão gruas na Braamcamp.
É o futuro anunciado. Construa-se!

António Sousa Pereira

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