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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Fabriquismo: expressão da crise existencial

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Desde que surgiu o slogan «Fabricado no Barreiro – produzimos orgulho local», nunca fui muito apreciador do dito, porque me transmitia um sentimento nostálgico, depressivo, saudosista, e, simultaneamente triste porque era vazio de um sentido, qualquer coisa que apontasse uma ideia positiva no fazer cidade.

Se não estou em erro este slogan surgiu ligado à promoção de uma eventual  plataforma que seria criada, ou estava a ser criada, com a finalidade de dinamizar o tecido empresarial local. Neste contexto e vivendo-se um  tempo pós desindustrialização, até, não liguei aos meus sentimentos, porque, na verdade, admiti poder tratar-se de um pensamento – slogan - que podia trazer atrás de si alguma ideia estruturante para dinamizar, dar energia e força ao tecido empresarial local, que, sem dúvida, de alguma forma já, há algum tempo, vivia com grande resiliência e enfrentava uma situação depressiva, tal como todo o concelho, quer devido ao processo de desindustrialização, quer devido às crises financeira e imobiliária, assim como aos tempos de troika, e, ainda, os tempos de pandemia COVID 19.

 

Por tudo isto olhei e pensei o slogan com algum desconforto, mas, enfim, dei o benefício da dúvida por pensar que seria parte de uma estratégia de coaching, para estimular o tecido empresarial. Coisa que, depois, na prática, nunca senti nascer qualquer dinâmica especifica.

 

Mas, o dito slogan, na realidade começou, pouco a pouco, a fazer parte da estratégia de comunicação autárquica. É como tudo, primeiro estranha-se, e, como diria o poeta, depois entranha-se. Engole-se.

Mais tarde, com a abertura da Start up Barreiro, notei que o dito slogan aparecia associado à divulgação de eventos que eram promovidos naquele equipamento municipal, o qual é dito como apostado na promoção do desenvolvimento empresarial e económico. Foi, talvez, com esse objectivo que Bruno Vitorino, lançou a ideia, embora, acredito tinha outras ambições, dado que sempre defendeu a criação de uma Agência de Desenvolvimento Local.

Em suma, o slogan «Fabricado no Barreiro – produzimos orgulho local”, acaba por transformar-se como um lema que pretende transmitir um pensamento politico de desenvolvimento local, e, através do qual o executivo municipal, pretende dar a sua visão do pensar futuro.

Assim, pouco a pouco, ao longo do tempo, a comunicação autárquica, foi enxertando este slogan nos seus documentos e procurou introduzi-lo na vida local, afirmando-o como uma ideia-força do pensamento estratégico do executivo maioritário, e, naturalmente, só dele, dado que nunca escutei a discussão, abordagem ou aprovação do  dito slogan, numa reunião da autarquia, nem sequer foi aprovado como lema do município, pelo executivo municipal. Que eu saiba, não houve nem aprovação, nem reprovação em reunião de Câmara. Foi sempre um não tema. Um não assunto.

Este era o slogan que exprimia o pensar cidade e o fazer cidadania, da gestão maioritária. Que decidiu, está decidido.

 

 

Na verdade, desde que o dito slogan foi criado senti nele um profundo vazio, até, sublinho, senti nele a expressão de um certo “narcisismo local”.

Por várias vezes, estive vai não vai, para escrever e expressar a minha interpretação sobre este slogan, reflectir sobre a minha interpretação do seu conteúdo, que me parecia querer vender gato por lebre, não passando de um mero slogan aculturado, que era expressão de uma ideia de desconstrução do passado, e, que pretendia ser a expressão de um tempo de transição, marcando a diferença, entre uma cidade que tinha uma identidade de cultura de fábrica, e, o nascer de um tempo novo, marcado pela perda de identidade e carente de puxar pelo “orgulho local”. Dar uma nova dimensão à cidade valorizando as emocionais mudanças e criando uma gestão de sentimentos e promoção de emoções, fruto de uma cidade à procura de si mesma, e, perante todas esta nova realidade o município colocava-se como força central do fazer cidade. Um erro estratégico, porque a cidade é de todos e não do município.

Não escrevimada, afinal, achei que se o município adoptava este slogan devia ter alguma visão estratégica e pensamento politico que ao longo do tempo seria, naturalemte, desenvolvido e certamente afirmado.

Para afirmar orgulho de qualquer coisa é preciso mais que a palavra orgulho, é preciso que existam valores e objectivos.

Nunca expressei a minha insatisfação com o vazio que sentia existir neste slogan. Silenciei. Muitas vezes, na vida, é melhor calar. Mas calar, tem um tempo quando, a vida, por factos e coisas, faz emergir a realidade que se esconde por trás de um slogan. Um vazio. E uma dimensão politica e ética, meramente circunstancial e sem visão de futuro.

 

Foi por isso que comecei por estranhar o facto de nas Festas do Barreiro, em honra de Nª Srª do Rosário, as Festas da Cidade, que tem uma Comissão de Festas, ser esse o slogan adoptado como lema do material promotor das festas, independentemente de o principal financiador das Festas ser a Câmara Municipal do Barreiro, as Festas são um evento de dimensão histórica e cultural na vida do concelho.

Na realidade, considerei que o município estava a utilizar um evento com raízes profundas na vida da comunidade para promover uma campanha de marketing municipal. Fez-me lembrar os tempos que a Festa do Barreiro, foi realizada com o lema – Festas da Paz  e da República, promovidas pela Comissão Administrativa, após o 25 de Abril.

Mas pronto, o poder absoluto tem estas coisas, por vezes, leva a pensar que se é dono disto tudo.

 

Não gostei desta ligação, mas, ainda pensei que era uma situação que emergia, no contexto da Mostra Empresarial, pomposamente denominada BARRIND, mas que BARRIND nada tem, porque aquela mostra, é, isso e apenas isso, uma Mostra empresarial, direi mais, este ano era uma Mostra institucional e imobiliária.

 

Enfim, mais uma vez não liguei até ao dia que surgiu aquele vídeo, da comunicação autárquica- que mistura as Festas com Câmara e BARRIND, não se percebendo onde acaba uma coisa e começa a outra, esse célebre vídeo produzido, com “orgulho local” e “fabricado no Barreiro”, foi feito para convidar todos a vestir, no último dia da festa, a T-shirt com o lema –«Fabricado no Barreiro : produzimos orgulho local», e, afirmando que esta frase e esta T-shirt era o lema oficial da festa.

 “Junte-se a nós neste movimento”, afirmava-se, propondo assim, o lançamento de uma acção que seria promotora da criação de um movimento fabriquista de “orgulho local”.

Isto tocou os meus nervos. Pensei, tenho que escrever sobre este assunto. Ponto final.

 

E, quando andava nesta reflexão, um amigo meu, militante e activista do PS, mandou-me uma mensagem a perguntar, se eu não ia vestir a camisola no último dia da festa, acrescentando, na sua nota que estava a provocar-me e a brincar.

De imediato, dei-lhe a minha resposta, que considerava este “movimento” em torno da T-shirt «Fabricado no Barreiro – produzimos orgulho local» como um exemplo ridículo do fazer politica e uma forma de municipalização da cidade  e da cidadania. Nunca o PCP, tão acusado de repressivo, atingiu estes patamares.

 

Disse-lhe ainda que, o “produzimos orgulho local” é um exemplo real dos tempos que vivemos do pós desindustrialização, porque nele está inscrito  um vazio de identidade, uma vazio de ideia de cidade, sendo a demonstração plena da carência de afirmação do concelho. Este é um slogan que espelha um sentimento de perda de identidade, que inscreve dentro de si um ressentimento de quem pretende reescrever o passado.

O lançar de uma semente apontado para a criação de um movimento do fabriquismo, é, disse-lhe a negação de uma cultura que integra a história do concelho, uma cultura de vizinhança e solidária, que tem valores republicanos, democráticos, socialistas, anarquistas e de liberdade.

 

Entretanto, uma amiga minha, nas redes sociais, escrevia: “amanhã vou vestir a camisola, porque eu fui fabricada no Barreiro”. Estas palavras foram mais uma situação que me fez pensar sobre esta cultura emergente do fabriquismo que “produz orgulho local”.

Um movimento que nasce com uma dimensão social de narcisismo comunitário. Assim, pensei que esta era mais uma razão que me impedia de vestir a dita camisola, porque não nasci no Barreiro, não fui aqui fabricado.

E, com alguma emoção, ao escrever estas palavras, sinto pulsar na minha mente, aquela frase de Emidio Xavier, quando afirmou que o melhor do Barreiro são os barreirenses, todos, todos, todos, aqueles que aqui nasceram e aqueles que aqui construíram as suas vidas e de suas famílias.

É que orgulho local, isso, é coisa que não se produz, não é matéria fabricada, as emoções fabricadas são as que visam estimular os instintos, promover o consumismo. As emoções fabricadas não tem nada a ver, mesmo nada, nem nada que com tal se compare, como aquela expressão libertadora que se dizia, com sobriedade cultural, e, até, com altivez no coração, naqueles tempos antes do 25 de Abril, quando se afirmava: “Sou do Barreiro. Vivo no Barreiro”.

Naquele tempo, isso significava ser um ser humano livre, ter honra, dignidade, amar uma terra que sendo sua, ou onde nela se viva, era uma referência viva de resistência, de luta pela Liberdade e Democracia. Isto orgulha qualquer barreirense aqui nascido, ou que aqui tenha aprendido a amar a Liberdade. Uma terra de homens e mulheres que lutavam pelo futuro e sentiram na pele as perseguições. E hoje, são tão esquecidos e ignorados. Homens e mulheres que lutaram contra o pensamento único e sabiam que não é só de pão vive o homem, por isso, havia, na vila operária, mais vida para além da fábrica.

 

O actual movimento do fabriquismo, que produz orgulho local, é a expressão de um vazio de identidade, de ausência de ideias que envolvam a comunidade, é o fruto de um pensamento politico que se olha ao espelho e pensa ser o centro da vida. Orgulhosamente.

 

O movimento do fabriquismo é mais uma, das muitas situações que nos últimos anos têm sido geradas por forma a manter um permanente caldo, em banho de maria, do pensar a cidade como um lugar onde há bons maus. O dividir para reinar. Os bons serão os que vestirem a camisola. Os maus serão os que não a vestem, esses serão os aziados.

 

O slogan « Fabricado no Barreiro – produzimos orgulho local», contrariamente ao que podem pensar, não foi promovido e assumido como uma ideia promotora de uma identidade, de uma cultura, de uma ideia de cidade ou de valorização da cidadania. É coaching. É gestão de emoções.

O slogan foi criado para servir como espelho, onde todos temos que nos sentir reflectidos.

Por isso, apenas por isso, com a vontade de criação do dito movimento do fabriquismo, do vamos vestir a camisola do “fabricado no Barreiro”, hoje, sinto que o slogan está morto.

A ambição de criar um movimento de dar expressão a uma ideia vazia, querendo ir mais além que a insignificância do slogan e do seu conteúdo, deu-lhe uma estocada de morte.

 

A partir de agora, de facto, é esta a realidade.

Este slogan não une, divide.

Este slogan, na estimula, desmotiva.

Este slogan não faz unidade social, promove o confronto.

Este slogan não transporta amor, veicula ódio.

Este slogan, não promove identidade, estimula ressentimentos.

Este slogan transformou-se numa espécie de expressão de um movimento politico sem dimensão histórica e sem marca no futuro.

Este slogan está morto, porque municipalizou a cidade e quer municipalizar a cidadania. Enterrem-no, ou reduzam-no à sua insignificância.

 

Quando pensava em tudo isto, ocorreu-me que este slogan, afinal, tem dentro de si uma problema psico-social, que se cruza com a história do concelho do Barreiro, a velha questão filosófica do papel do “eu” e o papel do “nós” na acção cultural e sócio-politica.

O Barreiro, durante muitos anos viveu um problema no seu quotidiano, porque, colocava por regra o  “nós” como sendo ele a expressão do “eu”, e, simultaneamente dizia que o “nós”, era a soma de muitos “eus”. Era a cultura da fábrica. O colectivismo.

Este slogan “Fabricado no Barreiro – produzimos orgulho local”, inverte essa situação e perspectiva, porque, agora, quer que o “eu” se dilua no nós.

Este slogan, infelizmente, transforma o  “eu” num “nós”. Se antigamente o nós era a soma de eus. Hoje pretende-se que eu tenha um sentir colectivo. O «eu» tem que ser vivido num «nós». Este fabriquismo quer, na prática, que cada «eu» seja um “nós” – o tal orgulho local. Nietzsche, explica isso.

 

Pensando nisto, disse, para mim mesmo: nunca irei vestir aquela camisola, com aquele slogan, narcisista, depressivo, saudosista e promotor de um pensamento único. Sou um homem livre, que quer viver a democracia como confronto de diferenças e não como um pensamento único.

Já sei que estou lixado. Vou ser rotulado como aziado e ressabiado, e, obviamente, de alguém que está ao serviço dos comunistas. Uma força que dizem está morta, mas, afinal, parece que existe em cada critico.

 

Uma coisa é certa, após a promoção do «movimento do fabriquismo», tenho dúvidas que, alguma vez, no futuro esta camisola, ou este slogan, seja um elemento de coesão local, ou de valorização da identidade local, quanto muito será a expressão de um qualquer subtil populismo.

 

A verdade é que o fabriquismo não promove a esperança, nem promove a fraternidade.

O fabriquismo abre brechas no tecido social da cidade, gera conflitos de personalidades, desconstrói a história, e,  por fim, não gera pensamento alternativo no fazer cidade e cidadania.

O fabriquismo é uma espécie de exigência moral, de promoção de um orgulhismo, clubista e patético, que não tem valores, nem princípios, é a-ideológico, e, apenas quer contribuir para estimular o populismo.

Vestir a camisola é uma espécie de um regresso ao 1984 de Orwel, somos todos iguais, com a mesma camisola, mas há uns mais iguais que outros.

 

“Fabricado no Barreiro: produzimos orgulho local”, já está morto como slogan unificador do pensar e fazer cidade e cidadania. Está municipalizado na sua própria ambição. A serpente que come o seu próprio ovo.

Afinal, na vida, há mais vida para além do município. O fabriquismo é um orgulho balofo e municipalista.

Ah, é verdade, eu disse ao meu amigo socialista, em resposta ao seu convite, de vestir a camisola, que um dos problemas do PCP, no Barreiro, foi não escutar a cidade, e, por vezes, pelo facto de ter a maioria absoluta, ter na sua gestão uma doença que o levava a pensar que era dono disto tudo.

O “Fabricado no Barreiro- produzimos orgulho local”, está eivado dessa doença, por isso, é um slogan oco, neurótico. Está morto. A sua morte é uma morte que foi anunciada em festa, na festa. Pode continuar, mas será só para a festa de alguns.

   

No futuro, por muito que pretendam dar a volta, com esta tentativa de criação de um “movimento fabriquismo”, no encerramento das festas do Barreiro, geraram as condições para criar o cadáver do “orgulho local”, e, daqui para a frente vamos assistir aos confrontos que vão conduzir à morte deste slogan narcisista.

Este slogan, está, desde já, transformado numa pedra de arremesso, de permanente agressão politica, é um lema que vai colocar sempre de um lado os bons e do outro lado os maus.

E, digo-vos, de facto, já começa a cansar, fazer da politica uma guerrilha permanente, em busca do inimigo comum, ou de um bode expiatório, em vez de ser o debate de ideias e de projectos, não uma permanente diversão de slogans e clichés.

Ainda há quem se admire das pessoas estarem fartas de políticos e de politiquices de meia tijela, que é aquilo que cria as razões que desmotivam e levam as pessoas a não ligar à vida politica.

 

“Fabricado no Barreiro – produzimos orgulho local”, será no futuro o slogan limitado a algum PS, ao executivo municipal maioritário, será a camisola que vai ser vestida por alguns funcionários públicos, e, por outros, que, levados na onda do marketing politico, por amor ao barreirismo, vão sentir a felicidade de sentir que integram um movimento ligado ao poder dominante.

Este, acredito, vai ser um tema que poderá motivar uma ampla reflexão sobre a partidarização do Poder Local, sobre a municipalização da cidade.

Vai ser tudo o que quiserem mas não será um slogan para promover um marketing territorial, nem valorizar a cidadania, porque já tem dentro dele a marca da conflitualidade partidária.  

Entender a diferença entre autarquia, partido, e separar as águas, é essencial, para  fazer futuro.

Este slogan não veio para unir, este slogan veio apenas para dividir e transformou-se num instrumento municipalizador da cidadania e de partidarização do município.

O fabriquismo é, sem dúvida, a expressão de uma crise existencial e da  perda de memória cultural.

Terá sido acaso? Ou, na verdade, é mais do mesmo?

Cá por mim, este slogan morreu, e, desde já, o fabriquismo transformou-se numa nuvem de orgulho passageira, que se dilui no seu próprio vazio de pensamento, e, o futuro confirmará que ele é apenas um fruto das vivências de festas e consumismo. Populismo e eleitoralismo.

 

António Sousa Pereira

A entrada do Barreiro e as memórias do Lavradio

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Na última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, no período de intervenção do público, solicitei a palavra, na minha qualidade de munícipe residente no Lavradio, para lançar um repto ao executivo municipal.

Estando a decorrer obras na «Avenida das Nacionalizações» que vão contribuir para dar uma nova imagem àquela zona de entrada da vila do Lavradio e do concelho do Barreiro, sugeri que fossem introduzidas alterações toponímicas.
Assim, que no troço entre a Rotunda da Escola Álvaro Velho e a nova Rotunda da entrada do Lavradio, voltasse a ser atribuído o nome original daquela artéria – Avenida dos Descobrimentos.
Que no troço entre a Rotunda da entrada do Lavradio e a Rotunda da entrada da Baía do Tejo, fosse atribuído o nome de «João Roberto Pereira – O Suta», dado que essa zona fica localizada, no local onde existiam as salinas que eram propriedade do Suta.
Recordei que João Roberto Pereira foi um antigo Lavradiense, benfeitor que muito deu à vila, ao ponto de ser atribuído o seu nome à rua que hoje é denominada «Rua Luis Furtado de Albuquerque», tendo o mesmo sido retirado quando ele caiu na pobreza e morreu na miséria.
Sublinhei que esta proposta ia ao encontro de uma sugestão, lançada nas redes sociais por João Saraiva.
Por outro lado, o troço entre a Rotunda da entrada da Baía do Tejo, até ao Juventude do Lavradio, poderia manter-se «Avenida das Nacionalizações».

Nesta intervenção, sugeri igualmente que as duas novas Praças – Rotundas, em pontos de entrada do Lavradio, podiam chamar-se, a primeira da entrada do Lavradio – Praceta das Salinas (acrescento agora, ou se quiserem «Praceta do Salineiro», onde poderia ser colocada a estátua do escultor, Pedro Miranda. Aliás, como já foi sugerido pelo ex-presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, Adolfo Lopo.

A outra Rotunda, junto à entrada da Baía do Tejo, poderia chamar-se «Praceta do Bastardinho».
Era justas referências à história e memória da vila do Lavradio.

E, já agora, não referi na reunião, mas acrescento neste desejo de dar contributos para a vida local, que a Rotunda junto à Álvaro Velho fosse designada a «Praceta da Liberdade», ali onde está o monumento ao 25 de Abril, de um grande artista do Barreiro, de nome internacional – José Cândido.
Um monumento cujo espaço envolvente merece uma atenção especial, um estudo que corrija os vários erros que foram sendo concretizados, com boa vontade, para lhe dar um novo estilo e não respeitando a sua memória descritiva.
Um monumento de grande expressividade artística, patente no seu modelo conceptual.
E, nestas coisas da arte haverá sempre os que gostam e os que não gostam. Quando da inauguração fiquei um pouco perplexo, mas depois da explicação conceptual, adorei o monumento.
Sou, talvez, dos poucos defensores desta obra de arte, até, porque, tornou-se hábito e chique classificá-lo de «mamarracho», principalmente, nos períodos que antecedem eleições, tanto mais que o estado de abandono e degradação que apresenta é um valor acrescentado para o criticismo.
Quando do Campeonato Europeu em Portugal colocaram lá uma bandeira. O pau que resta ainda lá está, para além das ervas e lixo no seu interior.
Fica a sugestão de nestas obras de recuperação daquela artéria, façam uma pequena limpeza e recuperem a sua memória descritiva, colocando a funcionar a zona de espelho de água.

S.P.

«In Memoriam Manuel Cabanas» do Barreiro para Lisboa Kira expõe na Fundação Mário Soares

alt="«In Memoriam Manuel Cabanas» do Barreiro para Lisboa
Kira expõe na Fundação Mário Soares" align="right" border="2" hspace="10" vspace="5" />Numa iniciativa do «Grémio do Castelo», no dia 1 de Junho será inaugurada, na Fundação Mário Soares, em Lisboa, com a presença do antigo Presidente da República Mário Soares, a exposição «In Memoriam Manuel Cabanas», do artista plástico barreirense Kira.

MESTRE MANUEL CABANAS

Conheci o Mestre Manuel Cabanas no Café Tico-Tico, Barreiro. Chamou-me a atenção de imediato o seu entusiasmo pela xilogravura que praticava todos os dias em pleno, no dito café.
Nas primeiras impressões fiquei de imediato convencido que estava perante um grande artista e muito mais.
Nas nossas conversas era um homem aberto, sabedor, coerente, bondoso e que gostava de me contar histórias da sua vida de cidadão, da sua actividade política, do seu humanismo perante a vida. A sua frontalidade e a sua coerência levaram-no várias vezes à prisão pelos bufos da PIDE. Nunca ninguém o vergou. As suas ideias vinham ainda com mais força e, perante os jovens que o cercavam na sua mesa de trabalho ( no café) dava conta da sua estadia, dos interrogatórios dos esbirros e, de dedo em riste abria-nos os olhos discursando, sem medo, indicando-nos que o fascismo um dia iria acabar, que havíamos de conhecer a liberdade que nos conduz à democracia.
De braços ao alto e janela aberta para quem olhasse visse o busto da República, lembro-me de, um 5 de Outubro em que a guarda republicana fez carga à sua porta (como era costume em várias ocasiões) ter gritado para a cavalaria: - Que é lá isso? Eu sou um democrata. Fora daqui. A guarda recuou mas no outro dia já não apareceu no Tico-Tico. Levaram-no para o Aljube. Era a vez do Mestre Augusto Cabrita colocar na montra da sua casa de fotografias um grande retrato do Mestre Cabanas. E aí ficava até que o soltassem.
O Barreiro deve muito a Manuel Cabanas e ao que hoje é esta cidade. Salve Mestre e obrigado.

Kira

ASSEMBLEIA MUNICIPAL DO BARREIRO Reunião Extraordinária dia 26 de janeiro

alt="ASSEMBLEIA MUNICIPAL DO BARREIRO
Reunião Extraordinária dia 26 de janeiro " align="right" border="2" hspace="10" vspace="5" />A Assembleia Municipal do Barreiro realiza uma Reunião Extraordinária no dia 26 de janeiro, pelas 21h00, no Auditório da Biblioteca Municipal, para apreciação e tomada de posição sobre a Reforma da Administração Local.

 

A Assembleia Municipal do Barreiro realiza uma Reunião Extraordinária no dia 26 de janeiro, pelas 21h00, no Auditório da Biblioteca Municipal, com a seguinte agenda:

1. Período de intervenção do Público ao abrigo do artigo 41º do Regimento da Assembleia Municipal;

2. Período da Ordem do Dia;

2.1 Apreciação e tomada de posição sobre a Reforma da Administração Local.

«Move-te – na Água e na Terra» no Barreiro contabilizou centena e meia de participantes

alt="«Move-te – na Água e na Terra» no Barreiro
contabilizou centena e meia de participantes" align="right" border="2" hspace="10" vspace="5" />“Move-te – na Água e na Terra”, que se realizou no passado dia 13 de Novembro, contabilizou centena e meia de animados participantes.

 

O período da manhã, preenchido com fitness, realizado na Escola Básica 2+3 Quinta Nova da Telha, reuniu 100 participantes. Da parte da tarde - hidroginástica -, a Piscina Municipal do Barreiro acolheu 53 pessoas. O dia foi dominado por muita animação, energia e alegria.

A iniciativa foi promovida pela Câmara Municipal do Barreiro e contou com o apoio de: Gimnofit, Academia do Korpo, IGM, Lda e Central Park Café.

Escola de Futebol do Grupo Desportivo Fabril do Barreiro PROMOVE FABRIL CUP 2011

alt="Escola de Futebol do Grupo Desportivo Fabril do Barreiro
PROMOVE FABRIL CUP 2011" align="right" border="2" hspace="10" vspace="5" />A Escola de Futebol do Grupo Desportivo Fabril do Barreiro vai realizar, pelo terceiro ano consecutivo ,um torneio de futebol de 7, nas suas instalações, nos dias 1 e 2 de Outubro.


Este evento conta com a participação de mais de sete centenas de jovens desportistas dos 8 aos 10 anos de idade

O clube sublinha que esta será uma grande concentração de jovens que gostam de Futebol e que através da disputa e participação na Fabril Cup 2011 se pretende que partilhem e promovam valores fundamentais da prática desportiva infanto-juvenil: o fair-play, a amizade, a solidariedade, a tolerância, a alegria, a diversão, o empenho e a persistência.

Esta terceira edição de um evento que Escola de Futebol do Grupo Desportivo Fabril do Barreiro pretende continue a repetir-se regularmente no futuro e que se constitua como um marco e uma referência nos torneios jovens de futebol de 7, no arranque de cada nova época, tem tudo para ser de novo um sucesso.
Queremos, hoje e no futuro, continuar a fazer, juntamente consigo, deste evento o melhor arranque para uma época de sucessos, alegrias e amizade.

O Grupo Desportivo Fabril (Ex-Grupo Desportivo da CUF e Quimigal) é uma referência no desporto do concelho, do distrito e do País

Outubro é Mês da Música no Barreiro

alt="Outubro é Mês da Música no Barreiro
Por todo o Concelho e para públicos diferenciados" align="right" border="2" hspace="10" vspace="5" />A 1 de Outubro celebra-se o Dia Mundial da Música. A Câmara Municipal do Barreiro assinala a efeméride durante todo o mês. Um pouco por todo o Concelho e para públicos diferenciados, encontram-se programados concertos, matinés dançantes, sessões de “horas do conto”, workshops, exposições e cinema.

 

A 1 de Outubro celebra-se o Dia Mundial da Música. A Câmara Municipal do Barreiro (CMB) assinala a efeméride durante todo o mês. Um pouco por todo o Concelho e para públicos diferenciados, encontram-se programados concertos, matinés dançantes, sessões de “horas do conto”, workshops, exposições e cinema.

Todos os pormenores sobre o Mês da Música 2011 – nomeadamente programação – são actualizados na Internet, no Sítio Oficial da CMB, em www.cm-barreiro.pt

 Neste
Mês haverá jazz, música experimental, fado, canto coral, bandas filarmónicas e orquestra ligeira, entre outros. Serão oferecidos concertos pedagógicos, os mais jovens serão desafiados a mostrar os seus projectos musicais e, em simultâneo, com o Mês Sénior haverá uma matiné dançante.

Programa actualizado na página: http://www.cm-barreiro.pt/pt/conteudos/noticias+e+eventos/noticias/destaques/MES+DA+MUSICA+2011

8ª Mostra de Doçaria Tradicional no Barreiro Inscrições Abertas até 16 de Setembro

alt="8ª Mostra de Doçaria Tradicional no Barreiro
Inscrições Abertas até 16 de Setembro" align="right" border="2" hspace="10" vspace="5" />Até 16 de Setembro, estão abertas as inscrições para a 8ª Mostra de Doçaria Tradicional. A iniciativa tem lugar no próximo dia 24 de Setembro, entre as 17h00 e as 19h00, na tenda instalada no Parque da Cidade e é promovida pela Câmara Municipal do Barreiro.

 

A Autarquia convida a população a participar neste Concurso que visa promover e divulgar a Doçaria Tradicional do Concelho.

Segundo o regulamento, cada concorrente poderá participar, no máximo, com dois doces, entre as seguintes categorias:

- Doces de Colher – doce de taça única confeccionado em quantidade suficiente para cinco pessoas;
- Bolos – Confeccionados com o peso mínimo de 500 gramas, ou em quantidade para dez unidades;
- Fritos – confeccionados na quantidade mínima de dez unidades.

Os concorrentes devem apresentar os doces já confeccionados para serem avaliados pelo júri. Para os que pretendam vender os seus doces, será disponibilizada uma mesa para exposição e comercialização dos mesmos, ficando apenas responsáveis por trazer uma toalha de cor branca.

As inscrições devem ser feitas no posto de Turismo da CMB, através do e-mail turismo.mail@cm-barreiro.pt, dos telefones 21 099 08 37 e 21 206 82 12, ou, ainda, por fax, para o nº 21 206 81 07.

Carreira 7 - Não existe uma vertente religiosa nas Festas do Barreiro?

alt="Carreira 7
Não existe uma vertente religiosa nas Festas do Barreiro?" align="right" border="2" hspace="10" vspace="5" />Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, foi convidado para participar no jogo da “martelada”.

Aqui um registo da sua participação…na martelada!

 

No dia de apresentação das Festas do Barreiro, em conferência de imprensa, realizada nas instalações do Moto Clube do Barreiro, registámos o facto de estar ausente um representante da Paróquia de Nª Srª do Rosário.
Era uma presença tradicional, de alguma forma simbólica, que estabelecia a «ponte» entre a autarquia e a Comunidade Católica, sendo esta uma forma de manter viva uma realidade social do Barreiro que remonta a 1736.
Um leitor do jornal Rostos, nos comentários à reportagem que editámos coloca a pergunta: “Este ano não existe uma vertente religiosa nas Festas? Alguém sabe explicar a ausência do Padre na apresentação das Festas?”
Nós não temos resposta. Mas, aqui fica a pergunta…
O facto é que desde a eleição de Carlos Humberto como presidente da Câmara Municipal do Barreiro a paróquia esteve sempre presente nas conferências de imprensa.
É estranho, lá isso é…

Outra coisa que estranhámos, foi o facto de Regina Janeiro, nesta fase de ausência da Vereadora Sofia Martins, ter deixado de ser responsável pelas Festas, e, também, algumas áreas que lhe estavam atribuidas.
Serão ajustamentos ou mudanças definitivas?

Após a conferência de imprensa, os dirigentes do Moto Clube do Barreiro convidaram o presidente da Câmara Municipal do Barreiro a participar no jogo da martelada. O autarca participou de forma entusiasmada.
No jogo, também entrou a dar “marteladas” a responsável da DIC da CMB, Rogélia Costa, e, também a Vereadora Mónica Duarte, deu o seu contributo.
O vencedor foi Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, pois, ele, conseguiu em primeiro lugar espetar o prego até ao fundo.
E, diga-se, venceu dando, sempre, martelada uma a uma, ao contrário de outros que deram “duas e três marteladas seguidas”, rompendo as regras do jogo.


O Luis Zuzarte, ex-director do jornal «Voz do Barreiro», no decorrer da conferência de imprensa questionou sobre uma citação inserida no folheto dedicado a Malangatana.
“Esta frase é minha” – dizia, pois, na sua opinião foi retirada de uma entrevista que ele fez a Malanganta, editada no VB.
Bom, diga-se, a frase é de Malangatana, e, de facto, não é de Luis Zuzarte, mas, se foi retirada dessa entrevista, na verdade, a fonte devia estar identificada.
“A Minha relação com o Barreiro é uma relação de amizade” – sublinhou Malangatana numa entrevista ao Rostos.
Podem utilizar esta citação e não é preciso citar a fonte.
Mas, o Zuzarte é assim...o seu a seu dono!

Encontrei, hoje, por mero acaso, o Soares ex-proprietário da Farmácia Soares, que estava localizada junto à Câmara Municipal do Barreiro. Não o via há muitos anos. Eu identifiquei-o. Ele reconheceu-me mas não me identificou de imediato.
Depois de recordar, demos um grande abraço. Um abraço que marca aquilo que liga os homens que vivem a vida de forma partilhada, e, mesmo anos depois, num reencontro, sente-se que algo nos liga e o tempo não separa.
Aqui fica um abraço ao Soares...e recordações.

Entrei, hoje, pela manhã, na papelaria onde habitualmente compro o jornal.
Era interessante a conversa. Falava-se de outros tempos. Quando era colocado o saco à porta para o padeiro deixar o pão, quando passava de casa em casa. Era assim no Lavradio.
Outros tempos, marcados por outras relações. As portas ficavam abertas e a vizinhança era uma relação de famílias.
Depois, na SFAL, onde vou habitualmente tomar a minha bica matinal, ao balcão também se falava de vizinhança e de relações entre vizinhos, de memórias.
Na conversa, comentei uma frase da Cândida, que, um destes dias, dizia : “Sabe, nós muitas vezes somos aquilo que os nossos vizinhos fazem de nós”.
Pronto, por aqui me fico…com este pensamento do dia.

S.P.

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