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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Sonhar e fazer vida!

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Eu não nasci para morrer enquanto estou vivo, é por isso, só por isso, que sinto as palavras rasgar o ventre, aí, onde tudo começa a germinar e a pulsar o coração.

 

Eu não nasci para morrer de morte morta, essa, feita de fantasmas que atemorizam, escondida nos nervos, e que fazem o homem morrer, ao transformar-se em silêncio, catavento, mero servo, obediente, criado de serviço, submisso, castrado de Liberdade.

 

Não. Eu sou dessa gente que escreve, que sente, que vê, que ama a vida e vive. Essa gente que não engole as palavras, nem espera enriquecer com os sons, esses que arrefecem as emoções, aquecem os passos, saltitando nas bermas de caminhos por construir, sempre por construir.

 

Não nasci para subir à custa do silêncio, nem quero construir os meus dias enterrando os meus sonhos de homem livre – como dizia um amigo meu que já partiu – quero estar, aqui e agora, com essa forma de estar nos dias, sempre a pensar ao contrário, do outro lado, daquele onde a vida sangra. Ser diferente, porque é nas diferenças que o mundo se transforma e a democracia floresce.

 

Sempre que senti os meus lábios presos de solidão. Abri uma janela para sentir o vento gelar os meus olhos, abrindo os braços e gritar, sim, apenas gritar aquela flor que está no meu coração – Liberdade!


É por isso que, mais que morrer no quotidiano vazio, submisso – ideologicamente perfeito de todas essas perfeições que fazem o poder – eu quero estar, aqui, neste lado, que me permite sonhar e fazer vida!

 

António Sousa Pereira

 

Uma página em branco

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A vida é uma página em branco, onde escrevemos, colorimos, apagamos, voltamos a escrever, acrescentamos novas cores, sorrindo, sempre sorrindo.   

É pelo sorriso que vamos. É pelo sorriso que somos.

É pelo sorriso que superamos, aqueles momentos, onde – o sol deixa de brilhar ou a chuva torrencial desce nos olhos, e, então, só então, sabemos que a vida é um constante renascer.

Guardamos a ternura. Abraçamos a vida. Colhemos a esperança. Sorrimos. Só quando aprendemos a viver com um sorriso a rasgar os nervos, descobrimos que a vida é tudo aquilo que construímos e transportamos no sangue, a correr nas veias, a sulcar em palavras a consciência, vivendo em paixão por tudo o que fomos e somos.

Afinal, nós somos, sempre, com tudo o que fomos.

 

A vida é uma página em branco, que, afinal, começa no branco do branco, esse, que se inscreve na memória – um sorriso. O teu sorriso!

A vida é uma página em branco a nossa responsabilidade é, nela, inscrevermos todas as palavras que nascem nas vivências que enchem o tempo, todo o tempo do qual é feito o nosso coração.

A nossa responsabilidade é colorir todos os recantos, de todos os dias, de todo o tempo que somos, assim, com todas as cores, essas, que fazem brilhar os nervos, e, sobriamente, suavemente, ternamente, fazem a memória saltar por dentro de ondas do mar, viajar por serras verdejantes, beijar as margens de um rio, voar num poema feito de vida e amor.

 

A vida é uma página em branco, onde, a cada momento, colorimos, escrevemos, sonhamos, cantamos, rimos, pensamos e amamos.

A beleza da vida reside, sim, nesse sentimento que nasce em cada dia quando, ao acordar, sentimos que cada dia é, ele mesmo, uma página em branco, onde a vida recomeça – sorrindo, sempre sorrindo!

Um beijo!

 

António Sousa Pereira

 

É amanhã que nasce o novo…

Este dia 1 de Fevereiro está inscrito nas minhas emoções. Muitas emoções. Marca o começo de um tempo novo. Porque todo o tempo velho abre caminho a um tempo novo. É amanhã, é sempre amanhã que nasce o novo.

Foi, na verdade, este, o dia que deixei para trás décadas da minha vida. Aquele tempo que vivi feito de entrega, de servir a comunidade, de viver por causas, de amar o trabalho como verdadeira paixão pela vida e no fazer os dias. Inventando. Construindo. Sonhando. Desilusões. Alegrias. Mágoas. Perder a autoestima. Sorrir. Escutar um abraço escrito com a palavra lealdade. E, por fim, ao cair do pano, receber uma medalha – antes negada – por bons serviços prestados. Tantas estórias. A vida em toda a sua riqueza e na sua plenitude de amor e guerras. Um tempo gravado no sangue das palavras, que nasceram no “sabor da palavra Liberdade”.

O tempo vai tudo esclarecendo…e, afinal, o que resta é o que guardamos e nos faz sentir esse equilíbrio, que só nós sentimos, no que fomos, dissemos e fizemos. Verticalidade.

   

É, também, um dia que nunca esqueço, porque nunca vou esquecer aquele homem com quem partilhei momentos inesquecíveis, na descoberta da luz e dos ritmos da vida e desta terra, que é dele e dos meus filhos. Ele, que nos deixou com um sorriso neste dia em Fevereiro.

Aquele homem que um dia chegou junto de mim com umas fotografias e disse-me: “Tens aqui estas fotografias, quero que escrevas sobre elas um texto”.

No dia seguinte, telefonei-lhe a dizer-lhe que tinha o texto escrito. Ele sentou-se na minha frente a ler, silenciosamente, com as mãos a amparar-lhe o rosto. Quando acabou de ler, levantou-se, dirigiu-se a mim, sem comentários, e, ali, deu-me um beijo, ao mesmo tempo que dizia: “Tinhas que ser tu a escrever este texto…”.  

Um texto que à volta dele tem outras estórias e memórias. Enfim coisas da vida.

Recordo. Recordo sempre, neste dia – “o mestre, os meninos e o gesso”, porque, na verdade são os gestos de homens nobres que nos dão a dimensão da nobreza da vida.

Homens que, afinal, nos fazem descobrir a poesia e a arte, como grande expressão das paisagens, das pessoas e do tempo que vivemos – a natureza e a humanidade.

  

Há dias, como este, que se inscrevem na memória do tempo que vivemos, são dias que tocam o coração, percorrem os nervos, fazem brilhar emoções, projectam futuro, criam sonhos, fazem acreditar que a vida é uma permanente transformação e aprendizagem. Aprendemos com tudo, com as virtudes e com erros. Errei tantas vezes. Continuo a errar, mas com tudo isso que fazemos, crescemos e, acreditem, é no crescer que nos encontramos com o mundo e com a cosmicidade.

 

Estou aqui e sinto todo o tempo por dentro dos sons silenciosos que percorrem o meu cérebro a estalar de emoções vivas.

Paro de escrever e penso – chegaste aqui, agora, arranca…diverte-te, goza os dias, vive o tempo todo com a intensidade de um amor jovem, esse que floresce brilhante nos teus cabelos brancos, feitos de uma vida que viveste sempre de forma apaixonada, em busca de ti e dos outros. Partilhando, sempre partilhando.

Este é o dia – 1 de Fevereiro – aquele que de uma janela voltada para o mar, fizeste uma promessa que tens cumprido plenamente – viver, viver e nunca desistir, porque cada dificuldade permitiu aprender que a vida é bela quando se vive fazendo o que se gosta e nos apaixona. Tudo se supera.

Nunca esqueças é amanhã, sempre amanhã, que nasce o novo, por isso, recebe o novo sempre, sempre com um sorriso!

Sorrir, sorrir, sorrir sempre… isso é que é lindo!

 

S.P.

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O Cachimbo

Um cachimbo é apenas um cachimbo. Uma presença. Uma referência. Uma existência. Um sinal. Ele existe. Silencioso. Ocupa espaço. O seu próprio espaço. Faz parte da vida. Mesmo pequenino, sem mais nenhum significado que não seja, esse, ser ele mesmo – um cachimbo.

Ele, de facto, está ali, mesmo que fechemos os olhos, e, por exemplo, o procuremos ignorar, não querer saber, não lhe dar visibilidade, a verdade, é que ele não deixa de lá estar, e, quer queiramos, quer não, ele existe  – é sempre um cachimbo. Mesmo que reduzido à sua mera insignificância de objecto utilitário. Ele existe. Acende. Apaga. Um ciclo permanente – é vida!

Olhamos o objecto. E podemos apenas pensar, meramente, como filosofia ou como arte, naquela célebre frase – Isto é um cachimbo!

Mas, ao olharmos um cachimbo ele, na verdade, até pode ter um rosto. Ou, porque não, ter muitos rostos. Podem ser poetas. Podem ser políticos. Podem ser escritores. Podem ser cientistas. Podem ser pescadores. Podem ser tudo o que quisermos ou imaginarmos, por experiência própria, de vida e de saber acumulado nos neurónios.

O cachimbo quando existe, tem vida, está ali na paisagem da cidade, na vida da cidade. Nos seus movimentos e pausas. Porque um cachimbo tem sempre um rosto. E ter rosto é lindo!

Nunca ignoremos isso, porque ignorar um rosto é como ignorar o sentido verdadeiro da cidadania.

Em suma, um cachimbo não é apenas um cachimbo, uma mera peça decorativa. Dá paixão. Dá emoção. Tem a dignidade de um ser que lhe dá personalidade.  

O cachimbo é, afinal, como a vida, algo que só faz sentido quando é sentida e vivida com prazer, alegria, vivacidade e, acima de tudo, com um sorriso no rosto.

 

S.P.

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Crescer

Se quisermos sentir como mudámos e crescemos, é, simples, muito simples, basta regressarmos a um lugar onde fomos crianças, e, ali, sentirmos anos depois, como tudo é diferente – enorme, quase nos sentimos, subitamente, gigantes.

É talvez, um pouco assim que sentimos a noção de crescimento e mudança. Voltarmos atrás no tempo. Reencontrarmo-nos com situações , contextos, momentos, revivermos nos nervos, num qualquer lugar, numa qualquer rua, num qualquer espaço, ali, pensarmos com isto era, como tudo se transformou – o espaço, o modo, os hábitos, e, olhando para dentro de nós mesmos, sentimos a diferença. Não tem mal.

É uma forma de sentirmos, como algumas coisas mudaram  e outras são iguais, tão iguais que ficamos com a sensação que, por vezes, o tempo parou. Mas nós mudamos, porque acumulamos experiência, vida, emoções, saber, afinal, sentimos que construímos.

Crescer é esse caminhar, observando, aprendendo e apreendendo. Cada um de nós tem um saber único, uma experiência vivida e sobre essa experiência, mais que a guardar e sentir, o importante é partilhar, porque é na partilha que recomeçamos a construir e a crescer.

 

Crescer é recordar tudo o que transportamos e não ficarmos presos às recordações, mas, sim, isso sim, fazer delas momentos únicos que nos abriram caminhos, descobrimos e aprofundamos a nossa paixão pela vida.

É esse voltar ao lugar de criança e sentirmos, que, com o tempo nos tornámos gigantes, crescemos e alcançámos uma outra dimensão e visão da vida.

Esse gigante, afinal, somos nós com a criança, o adolescente, o adulto, o idoso - todo o tempo vivido –  em cada momento, que nos faz do tamanho da vida, que sentimos e guardamos, como lastro e valor único. É isso que é preciso sentir, é isso que nos faz crescer, quando nos sentimos, tranquilamente, a olhar tudo o que fomos, nas experiências e mudanças, mas íntegros no encontro com a nossa individualidade – é essa que nos dá o sabor da palavra felicidade.

Crescer, com os lugares de criança e todos os lugares que se inscreveram e alcançámos na vida, com a consciência que, mesmo voltando ao mesmo lugar, ali, com o tempo vivido, o que reside é a memória e a memória não é a vida real, a vida real é aquilo que nós vivemos hoje, crescendo e sentindo, com paixão a mudança – porque só pela mudança transformamos e crescemos!

 

S.P.    

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Por dentro dos dias - Barreiro A cidade onde aprendi a sentir a liberdade no coração

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Neste dia que começa o ano 43 da nova era de Portugal, pela manhã fui buscar o jornal, na Vitorius, ali no Pingo Doce. O meu amigo Adelino aproveitou para dar uns toques a propósito da vitória do Benfica. Eu comentei que sofri até quase ao fim à espera de um empate. Mas, não perdia a esperança. Vai ser assim até ao fim.

Depois fui assistir ao içar das bandeiras, na extinta Junta de Freguesia do Lavradio. Sem fanfarra de bombeiros. Sem banda. Enfim, sinais mesmo da sua clara extinção. Isso das bandas e bombeiros é para as gentes da cidade e para as terras que, apesar de tudo, conseguem manter a chama da sua identidade. Vivido este momento da extinta freguesia do Lavradio. Lá fui até aos Paços do Concelho. Entretanto passei pela SFAL, onde, senti, respirava-se o ambiente de Abril naquelas montras sempre decoradas com os símbolos da Revolução da Liberdade.

 

Nos Paços do Concelho registei algumas palavras da intervenção do Presidente da Câmara, principalmente quando sublinhou que - “o Poder Central tem que olhar para o Barreiro”. Registei e pensei que, de facto, há mais de quarenta nos que aquele território das extintas CUF/Quimigal – uma pérola do concelho – anda por ali às bolandas.

Um território que deu emprego, deu cultura, deu identidade., que faz parte do «adn» do Barreiro. Mas que por ali está, sem soluções. Valha-nos, em boa hora, a boa vontade e dedicação de Sardinha Pereira e equipas que seguiram seus passos, que deram um contributo para evitar que aquilo se transformasse num território fantasma.

Depois, já foram «Cidades do Cinema», projectos do Arquitecto Salgado, Masterplan, Arco Ribeirinho Sul,  Plano de Reconversão do Território da Quimiparque, agora, anda por aí, o Terminal de Contentores.

Uma coisa é certa, ali, naquele território, quem decide o seu futuro é o Poder Central. Seja liderado pelo PS, ou pelo PSD, como tem sido ao longo de décadas. Estas duas forças politicas são os grandes responsáveis pelas indefinições de um futuro concreto. Mudam os governos, mudam os planos. E esta pérola do Barreiro, sempre adiada em projectos que anulam projectos, em nada contribui para criar emprego ou gerar dinâmicas de desenvolvimento local.

Por isso tenho dito que o Barreiro pensa excessivamente CUF, vive excessivamente de algo que foi e nunca mais se sabe o que vai ser, talvez, por essa razão percebo as palavras do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, neste dia de Abril de 2016.

 

Depois do içar da bandeira, dei uma volta pela cidade. Fui ver o painel feito pelos alunos do Agrupamento de Escolas do Barreiro no Parque da Cidade. Gostei. Uma memória que fica desta cidade – a cidade da resistência e da Liberdade. A resistência do passado e resiliência do presente. A luta pela Liberdade no passado e força motivadora de diferenciação no futuro. Barreiro uma palavra que é uma marca na região. Que inspirou canções e poemas.

Fiquei a pensar que este painel pode ser um pontapé de saída para nascer ali um espaço de arte – Parque da Cidade da Liberdade. Convidar artistas para criar esculturas. Espalhar no Parque da Cidade a Liberdade em Arte, com as escolas.

O Américo Marinho – grande vulto da arte do Barreiro -  que se inspirou nas tágides, deve estar feliz ao ver a arte nascer no edifício com o seu nome.

Parabéns!

 

Dou comigo ao fim da tarde, a escrever esta crónica e a recordar aquela fotografia que fiz esta manhã, junto ao Tejo, com os cravos a florir nas suas margens.

Imaginei, como seria lindo, todos os anos em Abril, a varanda do Tejo amanhecer com cravos nas suas margens. Tenho a certeza que o Mestre Augusto Cabrita, que dá o nome ao Passeio Ribeirinho – lá longe, sorria!

 

Feliz Ano Novo. Que tudo corra bem neste ano 43, da nova era!

Ah, é verdade, a Liberdade, dizem alguns não tem cores, mas, cá por mim, gosto mais da Liberdade que tenha todas as cores do mundo.

Porque, essa, é, afinal, a verdadeira cor da Liberdade!

 

António Sousa Pereira

“Afinal, é isto a realidade”!

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Estava sentado, sentindo aquela aragem matinal, enquanto lia o jornal, onde, Pacheco Pereira, dissertava sobre a contradição entre o “fim da história” e a “realidade”.

Ao meu lado, um casal de amigos conversava. Pela troca de palavras notei que já não se viam há algum tempo.

No Tejo não se sentia ondulação. Ao longe um avião preparava-se para aterrar no aeroporto de Lisboa.

“Estou desempregado há nove meses”, dizia ele.

“A empresa faliu, tenho direito a receber cerca de 27 mil euros, após 37 anos de trabalho, mas o mais certo é que não vou receber nada”, acrescentava.

“E não encontras trabalho?”, perguntava sua amiga

 “Nada, não consigo nada e isto está difícil, agora estou em Setúbal, tirando um Curso de Formação, pelo Centro de Emprego”, refere.

A criança junto deles brinca. O avião ao longe já aterrou. Vou lendo Pacheco Pereira.

Sinto, por dentro dos nervos, que, de facto, não chegámos ao “fim da história”, mas que estamos perante uma “realidade histórica”, que se repete de geração para geração – ora chamando-se DLD’s – Desempregados de Longa Duração, ou Pré –Reformas…ou Desempregados em “formação”.

Uma gaivota cruza o azul do céu e penso: “Afinal, é isto a realidade”!

 

S.P.

"Oh homem dê cá um abraço".

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Está um lindo dia de sol. O céu azul. O vento sopra e as árvores agitam-se. Pego no meu cachimbo e vivo este momento. 

Lá fora a vida agita-se. O dia a correr atrás das horas. As ideias a fluir na construção do tempo que vivemos.

Viajo pelo facebook. Um hábito diário, por razões profissionais. Lá encontro as frases, os pensamentos. O pulsar da vida, daquela vida que emerge, pontas de iceberg.

Os comentários dos politicos. As palavras cruzadas de «matrizes ideológicas» que são a forma de olhar para os acontecimenos.

Por vezes dou gargalhadas, para mim mesmo. Há coisas que são mesmo para rir, só dá mesmo para rir.

O kira, o meu amigo Kira, hoje, colocou um desses pensamentos que circulam diariamente: «Pedir desculpa não é se humilhar é crescer".

Fiquei a pensar e resolvi escrever esta nota no meu blogue. 

Recordei que houve um amigo meu, daqueles amigos com quem partilhamos tudo - ideias, sentimentos, discórdias, noites de conversa, apoios em dificuldades - que, um dia, nunca soube bem as razões, deixou-me de falar, passava por mim e nem olhava e até parecia que via o diabo.

Desliguei. Não sabia as razões. Isso incomodava-me, mas achei melhor desligar e esquecer. Foram anos, talvez mais de uma década.

Um dia, sem mais nem menos, no Café Bar da SFAL, encontrámo-no a tomar Café, ele voltou-se para mim, sem mais nem menos, e disse-me: "Dá cá um abraço". Voltei-me para ele e dei-lhe um abraço.

Disse-lhe: "Nunca soube porque deixas-te de falar comigo". Demos um abraço. Conversamos. Afinal, nunca falamos das razões que o levaram a rasgar relações comigo. Nem quero saber.

Mantivemos a nossa relação a partir daí para a frente, embora, naturalmente, nunca mais foi a mesma de eu ir a casa dele, ou ele vir a minha casa. Mas para mim, aquele momento foi emocionate e guardei-o na memória.

Acho que ele cresceu. Eu também. Senti-me feliz. Afinal desconhecia as razões e foi melhor assim, continuar a não saber as razões.

Tenho, ainda hoje - certamente como muitos outros - pessoas que quando se cruzam por mim não falam. Nos casos que isso acontece, para mim, em quase todos eles, senão em todos, desconheço as razões.

Eles é que sabem, eles é que criaram a situação. É por isso que acho que o tempo tudo esclarece..

Talvez um dia, volte a viver uma nova situação de alguém dizer: "Oh homem dê cá um abraço".

Porque, afinal - «Pedir desculpa não é se humilhar é crescer». 

Abraço Kira. BOM DIA!

 

António Sousa Pereira

 

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No Mês da Fotografia no Barreiro Vão estar envolvidos 100 fotógrafos

. Exposição de Rita Carmo – Sul e Sueste – integra um conjunto de 10 fotografias captadas no Barreiro

São cerca de 100 fotógrafos que vão estar envolvidos nas actividades do Mês da Fotografia, num total de 37 iniciativas. Estão agendadas 13 exposições, em espaços descentralizados, com destaque para a exposição nos autocarros dos TCB’ – Transportes Colectivos do Barreiro.

O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, no decorrer da sessão de lançamento do «Mês da Fotografia» salientou que a “fotografia é um elemento do património e cultura do Barreiro».

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O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, hoje à tarde, no decorrer da sessão de lançamento do «Mês da Fotografia» salientou que a “fotografia é um elemento do património e cultura do Barreiro».
Segundo afirmou o autarca – “não estavam a dar a atenção necessária”, sendo a fotografia “uma aposta a continuar”.
Carlos Humberto, sublinhou o contributo do “Clube de Fotógrafos do Barreiro” no sentido de ser dada uma “dimensão cada vez maior” à fotografia.

Diversidade cultural vasta e de qualidade

“No concelho do Barreiro temos uma diversidade cultural vasta e de qualidade” – referiu o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, acrescentando que essa realidade não é suficientemente dada a conhecer aos barreirenses.
Carlos Humberto, sublinhou que a “aposta na cultura é um elemento central do desenvolvimento da sociedade e humano”.

Ajudar a qualificar o Barreiro

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro referiu a importância de – “podermos mostrar o Barreiro que é”, porque para muitos “o Barreiro e mal visto”.
“O Mês da Fotografia pode mostrar o que muitos não conhecem e dar uma imagem de um concelho bonito e ajudar a qualificar o Barreiro” – disse.
Referiu o autarca a importância das margens dos Rios Coina e Tejo.

Barreiro é uma terra que se destaca pela fotografia

Lurdes Lopes, Técnica da Câmara Municipal do Barreiro, responsável pela área cultural, salientou que – “o Barreiro é uma terra que se destaca pela fotografia”, recordando o exemplo do Mestre Augusto Cabrita.
Referiu que ao longo dos anos no Barreiro realizaram-se diversos eventos de relevo na área da fotografia, sendo esta uma actividade que pode dar um contributo no enriquecimento da imagem interna e externa do Barreiro.

100 fotógrafos que vão estar envolvidos

Lurdes Lopes, salientou que a realização do Mês da Fotografia pretende ser um espaço de desenvolvimento e partilha, de diálogo e criatividade.
São cerca de 100 fotógrafos que vão estar envolvidos nas actividades do Mês da Fotografia, num total de 37 iniciativas. Estão agendadas 13 exposições, em espaços descentralizados, com destaque para a exposição nos autocarros dos TCB’ – Transportes Colectivos do Barreiro.

O Barreiro sempre me apaixonou

A marcar o dia de abertura do Mês da Fotografia, foi inaugurada a exposição de Rita Carmo – Sul e Sueste – que integra um conjunto de 10 fotografias, captadas no Barreiro, dos muitos artistas portugueses que a fotógrafa registou.
Rita Carmo, recordou que iniciou a sua actividade há 20 anos e fotografou diversas vezes no Barreiro, onde, salientou “existe um património industrial”, por vezes “abandonado” que proporciona uma atmosfera muito característica.
“O Barreiro sempre me apaixonou, porque é uma terra com boas pessoas e amigas da terra onde vivem” – disse.

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Moita - Conversa com… Manuel Fernandes e Carlos Manuel Duas lições de vida que se escrevem com as palavras – Querer, gostar e trabalhar

Uma conversa cuja conclusão pode resumir-se nas palavras – QUERER – somos o que queremos ser; GOSTAR – é preciso gostar do que queremos ser; TRABALHAR – mas para sermos o que gostamos e queremos ser, é preciso muito trabalho, porque, só assim, atingimos os nossos OBJECTIVOS – com essa profunda vontade de ganhar.

A Escola Técnica Profissional da Moita vai promover um ciclo de «Conversas com..», com o objectivo de proporcionar aos seus alunos o encontro com profissionais de diversas áreas que falem das suas actividades e histórias de vida.
Para abrir este ciclo foram convidados dois prestigiados futebolistas Manuel Fernandes e Carlos Manuel.

Foi a minha mãe que me incentivou 

Manuel Fernandes, que inscreveu seu nome na história do Sporting Clube de Portugal e na selecção nacional, recordou – “nasci numa aldeia humilde, a minha terra era uma terra isolada para lá chegar ia-se por estradas de areia”.
Salientou que desde muito novo – “senti que tinha vocação para ser jogador de futebol, enquanto os meus amigos de infância gostavam de brincadeiras de cow boys, ei gostava de jogar à bola. Eu jogava dois três jogos por dia. Senti que ser jogador, podia ser a minha profissão. Foi a minha mãe que me incentivou a ser jogador de futebol . Ela adora futebol, ainda hoje é a sócia nº 2, do Sarilhos”.

Ter muito jeito não chega, temos que lutar

“Acho que quando temos vocação para uma coisa, devemos agarrar essa vocação para termos sucesso” – sublinhou Manuel Fernandes.
Recordou que aos 16 anos, vestiu a primeira camisola, integrando a equipa do Sarilhos Pequenos. 
Sarilhos Pequenos era uma terra com 700 habitantes.
“Eu tinha muito jeito” - sublinhou, acrescentando que – “ter muito jeito não chega, temos que lutar”, porque referiu há muitas dificuldades pelo caminho.
“Fui treinar ao Sporting e ao Benfica e fui escorraçado” – recordou. 
Manuel Fernandes, sublinhou que esses episódios não lhe retiraram a vontade de concretizar o seu sonho.
“Eu vou conseguir” – recordou foi a afirmação que colocou a si mesmo, vindo a integrar o plantel do Grupo Desportivo da CUF.

Eu decidi ser jogador

Carlos Manuel, nome que recordamos do Sport Lisboa e Benfica e da selecção nacional, recordou a importância do “futebol de rua” onde iniciou o seu prazer de jogar sem competição.
“Nós somos o que vamos bebendo do sitio onde estamos”- salientou.
Referiu que o seu primeiro clube foi o Grupo Desportivo da CUF – “era o melhor clube deste país”.
“O meu primeiro contrato assinei tinha 14 anos. Foi o meu pai Alfredo que assinou o papel” – salientou.
Carlos Manuel, evocou as suas memórias do mundo do trabalho, nas Oficinas da CP, no Barreiro. Uma opção de vida – “eu não quis estudar, chumbava de propósito, mas acabei por tirar o Curso Industrial, à noite, na Escola Industrial Alfredo da Silva”.
“O querer e a vontade pelo que queremos é o que faz a nossa vida. O lado interior que é nosso, que é aquilo que nós queremos. Eu decidi ser jogador. E ao querer ser jogador eu queria se o melhor, ninguém podia ser melhor que eu” – sublinhou.

Sabia que um dia ia vestir aquela camisola

Manuel Fernandes, recordou que, dedicou-se durante seis anos ao Grupo Desportivo da CUF.
“Eu queria chegar ao clube do meu coração, o Sporting. Sempre disse que queria representar o clube que eu mais gostava – o meu Sporting” – salientou. 
“Eu sabia que um dia ia vestir aquela camisola. E vesti-a durante doze anos” – recordou.
Recorde-se que Manuel Fernandes foi, até aos dias de hoje, o melhor marcador do Sporting Clube de Portugal e o atleta com mais jogos ao serviço do clube.

Se não gostamos o melhor é parar

Carlos Manuel, sublinhou – “eu nasci benfiquista”.
Recordou a influência que a cultura das Oficinas da CP na sua vida, na sua formação como homem – “eu era um miúdo da Oficina que jogava no Benfica”.
“O Benfica deu-me muita coisa, além do futebol ensinou-me o que era a vida, foram valores e virtudes que aprendi naquele clube” – sublinhou.
“Toda a nossa vida tem a ver com o que nós queremos ser, se não gostamos o melhor é parar. Na vida não basta a qualidade” – salientou Carlos Manuel.
“É preciso sentir o prazer de entrar em campo e ali sentir a liberdade de exteriorizar tudo o que se gosta de fazer, em todos os jogos” – referiu.

Duas lições de vida

Uma conversa que se prolongou, por cerca de duas horas, durante a qual Carlos Manuel e Manuel Fernandes falaram das suas vidas, de estórias e memórias, que como jogadores, quer como treinadores, numa conversa moderada por António Sousa Pereira, director do jornal «Rostos».
Uma conversa cuja conclusão pode resumir-se nas palavras – QUERER – somos o que queremos ser; GOSTAR – é preciso gostar do que queremos ser; TRABALHAR – mas para sermos o que gostamos e queremos ser, é preciso muito trabalho, porque, só assim, atingimos os nosso OBJECTIVOS – com essa profunda vontade de ganhar.
Foi esta a lição de uma agradável conversa, ali, na Escola Técnica Profissional da Moita, com dois homens que inscreveram, por paixão, os seus nomes na vida profissional que abraçaram nas suas vidas.

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