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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

“O sonho nunca deve estar preso!”

 

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Um destes dias um amigo, conterrâneo, companheiro da Escola Primária, alunos da mesma professora a D. Ana, num reencontro após mais de 60 anos, através das redes sociais, dizia-me, coisa que nem me lembrava, que nos tempos de escola, eu afirmava: Quero ser jornalista. Dizia isso, talvez, por na proximidade da minha rua estar a redacção do «Jornal do Algarve», que eu via chegar, e, por vezes, ajudava a dobrar com uma alegria enorme, ou, então, porque, naquele tempo, de criança me deliciava a guardar e ler com entusiasmo, na sede do Lusitano Futebol Clube, os suplementos editados pelo Diário de Notícias e pelo Século – “A Nau Catrineta”, e, o “Pim, Pam, Pum”.

 
Não recordava aquelas palavras que o João Paulo evocou, mas, recordo que, sempre, desde sempre, gostei de ler, ler, e ler muito, sendo assíduo da Biblioteca da Gulbenkian, quando vinha a carrinha, e, pouco depois, das instalações que funcionavam frente à taberna do Joaquim Gomes, no edifício da Câmara, onde a D. Francisca, me recebia com carinho e orientava para as estantes, das quais podia levar livros para casa. Os sete. Os cinco. As aventuras. Os Contos. Um mundo que me fascinava e onde eu me encontrava com todos os sonhos. Um menino que cedo começou a ter que descobrir as amarguras de crescer. Terminada a Escola Primária, aos 10 anos, já trabalhava.
 
Recordo esta memória do meu amigo, porque, curiosamente, no dia 25 de setembro de 1973, faz hoje 49 anos, foi publicado o meu 1º artigo no jornal «República», tendo como tema os «Jogos Juvenis do Barreiro» - uma noite no campo de jogos do 31 de janeiro.
E, também, no dia 25 de setembro de 2002, faz hoje 20 anos, começou a ser editado o «Rostos on line», numa acção no mundo da comunicação social concretizada entre os pioneiros de jornalismo digital em Portugal.
 
A primeira vez que exerci a actividade de jornalista ao nível profissional foi no jornal «O Setubalense». Depois vivi outras experiências, de correspondente e projectos diversos, desde a fundação de «O Jornal Daterra», já lá vão 45 anos, passando por pela função de Chefe de Redacção e Director do Jornal do Barreiro, uma das mais belas experiências de relações humanas, de amizade e de ligação do jornalismo com a vida.
 
Enfim, de facto o jornalismo, o fazer jornalismo, está na minha vida, não é por mero acaso que, quando fui dirigente cooperativo e na vida associativa dinamizei e coordenei projectos como o jornal «O Cachaporreiro», na SFAL, ou a revista ECOOP, nas cooperativas de consumo.
Outra parte da minha vida foi ligada ao mundo da Informação e Relações Públicas, que exerci na Câmara Municipal do Barreiro, com projectos pioneiros e modernizadores da comunicação.
 
O jornalismo e a comunicação fazem parte no meu modo de estar na vida de forma irreverente, critica, avassaladora, e, como fazedor de jornalismo, mais do que ser jornalista, tenho procurado intervir na vida da comunidade.
 
Uma actividade generosa, linda, cativante, através da qual pude viver e sentir o ser humano nas suas diferentes dimensões, do bem e do mal, do belo e do feio, do mobilizar ao desmotivar, da relações do jornalismo com o poder, dos telefonemas, dos recados, das pressões, sorrisos, pancadinhas nas costas, tanta coisa, tanta coisa que algumas fazem mesmo doer os nervos.
 
Sim, o jornalismo permite conhecer a comunidade, na sua diversidade, nas suas relações interclassistas, na sua dimensão cultural, das artes, das letras, do teatro, da politica, do desporto. Ser fazedor de jornalismo, mesmo nesta dimensão regional exige, atenção, trabalho constante, fazer com prazer e sentir as palavras como sangue da vida. Criam-se amigos. Criam-se adversários. Nunca criei inimigos. Eles, ou elas, se o são, que façam a gestão dessa inimizade, por mim, limito-me a desviar. Gosto de cultivar amizade. Sou mais feliz.
 
O jornalismo fez-me viver momentos únicos, uns de alegrias, outros de tristezas. Páginas únicas. Memórias únicas.
O jornalismo sempre me permitiu viver cada dia como sendo um dia diferente, porque há sempre algo no futuro que espera por nós quotidianamente.
Um fazedor de jornalismo tem que viver com a alegria de sentir que o seu trabalho dá frutos, e que vale a pena, vale sempre a pena. Quer escrevendo memórias. Quer alertando. A criatividade é fazer noticia.
 
Um fazedor de jornalismo é uma voz activa na vida de uma cidade, isso, dá um prazer enorme, quando vivido com dignidade.
Há quem não goste, e, isso, de facto ainda dá um prazer maior, porque faz o sangue pulsar nos sonhos. A palavra dignidade é, sempre foi, mais forte que o banquete do silêncio.
 
Afinal, enquanto a liberdade o permitir os sonhos nunca deixarão de florir.
Viver o jornalismo, ser fazedor de jornalismo, também cansa, também esgota, e, neste dia, que passam 49 anos do meu 1º artigo editado no jornal «República» e 20 anos do começo da edição do Rostos on line, sinto o cansaço nos ossos, as palavras curvam-se nos meus nervos.
 
Sim, estou a ficar cansado, mas não é cansado do fazer jornalismo, isso continua a dar energia e prazer. Fico tão feliz ao viver esta actividade todos dias, que é, acreditem, como ao acordar renascer diariamente.
O que cansa não é o cansaço do fazer, o que cansa é o cansaço do vazio. As estórias que se repetem. Sempre iguais. Ou sempre a mesma coisa, sendo outra coisa qualquer.
 
Digo-vos, é belo sentir todos os dias que, alguém, num recanto da cidade, partilha em breve conversa: “soube desta iniciativa pelo Rostos”, “estou aqui porque li no Rostos”, “obrigado Rostos pela reportagem”. É belo. Isto não tem preço que pague, a liberdade de fazer, por fazer, por amor e paixão. Um serviço civico.
 
É por isso que estou aqui, todos os dias, enquanto a democracia o permitir, vou caminhando, porque, como diz o poeta: o caminho faz-se a caminhar. Estou aqui a sonhar! Sim, estou aqui, com 70 anos vividos, e neles continuo a sonhar!
Sim, estou aqui pelo sonho, apenas pelo direito de sonhar, e, como dizia o Rei D. Carlos – “os poetas e os jornalistas são sonhadores e sonham…o sonho nunca deve estar preso!”
 
António Sousa Pereira
 
Nota – Hoje, dia 25 de Setembro, o Lavradio celebra o seu 37º aniversário de elevação a Vila. Foi uma campanha promovida pelo «Jornal Daterra» que levou a ser apresentada a proposta na Assembleia da República.
Lavradio a terra dos meus filhos, a minha terra adoptiva, que no ano de 1998, me distinguiu com o Galardão «Lavradio Reconhecido».
Parabéns ao Lavradio e a todos os lavradienses.

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