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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

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O Dia B e as percepções

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Só quem não viveu o Dia B, por dentro, pode considerar que a percepção que existe na comunidade sobre este evento é que a autarquia, com esta motivação de cidadania, pretendia, que os cidadãos realizassem obra que era sua competência. Essa era, sempre foi, de forma directa ou indirecta, a percepção de algumas forças da oposição e, até, a narrativa que era veiculada nas redes sociais, por protagonistas políticos, com intencionalidade de desvalorizar a iniciativa e gerar em torno dela estigmas.

 

Não via mal nenhum e, até, achava coerente que a actual maioria municipal optasse, em coerência com a percepção que sempre teve e valorizou de não dar continuidade ao Projecto do Dia B. Era normal e natural.

 

Porque o DIA B tem um modelo próprio, tem uma visão de politica de participação do fazer cidade, do apaixonar cada um de nós pela nossa rua, por motivar cada um de nós a sentir que a nossa casa continua na nossa rua, na nossa colectividade, no nosso bairro.

 

Não se trata de substituir o papel dos serviços municipais, trata-se de promover uma pedagogia, que começa na escola, motivando os alunos para sentirem e serem protagonistas do embelezamento do espaço que lhes pertence e, ali, pela sua dedicação, sentirem que a escola fica mais bonita para o futuro.

Uma iniciativa que envolvia alunos, professores, auxiliares, pais e avós. Só vendo. Eu vi. Muito humanismo ao vivo, sem percepções.

 

Acredito que muitas daquelas crianças, daqui a uns anos, ao passarem nas suas escolas, vão olhar e vão recordar aquelas pinturas que embelezam o espaço, os pilaretes de todas as cores, como uma acção criativa na qual estiveram envolvidos, que viveram com alegrai, que começou na sala de aula e tornou-se realidade. Aprendizagens.

 

Eu recordo, que um dia escrevi, só por ver aquele clima de festa ali, na Cidade Sol e no Bairro da Quinta da Mina, de crianças, mães, pais e avós a embelezar e limpar o espaço público, só por isso, valeu a pena o DIA B.

 

Ver na rua milhares de escuteiros, dando o seu contributo numa acção voluntária, numa prática de solidariedade e de serviço público, pintando bancos de jardins ou os muros da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.

 

É isto o DIA B, isto e muito mais, aqueles fuzileiros a preparar terrenos, os bombeiros, ou os trabalhadores da Câmara Municipal do Barreiro, de forma voluntária, neste dia a preparar os almoços, num clima festivo onde se forjam amizades.

 

Amar o Barreiro. Sentir o Barreiro. Viver o Barreiro.

Era isto o DIA B, um  projecto inovador, em construção e, acredito que, sobre ele, era necessário avaliar, até, retirar-lhe alguma carga de híper valorização, mas dar-lhe, sem dúvida a devida importância numa politica de motivação, numa pedagogia de co-operação, no construir cdadania de mãos dadas, sentir que é possível fazer cidade para além, muito para além das percepções estimuladas nas redes sociais, unindo vontades e diferenças. O DIA B não era um ismo ideológico, quanto muito era um barreirismo - de quem faz e ama viver Barreiro.

 

Era isto o DIA B. Um projecto de uma proposta de ligação inovadora dos políticos aos cidadãos, às escolas ao movimento associativo, às empresas.

  

Repito, não vejo mal nenhum que o novo executivo municipal, na sua nova orientação politica, optasse por considerar que esta não é a sua estratégia, nem o seu modelo de fazer cidade.

Compreendo. Até que isto é ser coerente, com o que dizia na oposição.

E, agora ao acabar como modelo de DIA B que existiu ao longo de vários anos, reconhece que assume essa atitude porque, afinal, receia essa percepção, que anteriormente na oposição tinha e valorizava, e, agora, não querem ser acusados pelas pessoas que absorveram essa perceção que – são como os outros – fazem o Dia B, para suprir algumas obrigações que a Câmara Municipal tenha de fazer, nomeadamente algumas intervenções no espaço público.

Admite, portanto, com este ponto final no modelo, que é esta a leitura que tinha e continua a ter do DIA B.

Então acabe-se com o DIAB.

 

Embrulhar o DIA B, numa nova metodologia de acção de solidariedade social, é, uma atitude que só pode ser compreendida como uma provocação, não ao anterior executivo municipal, mas aos cidadãos que se envolveram no DIA B, que o fizeram por paixão e amor ao Barreiro e, na verdade, não o fizeram para suprir carências ou deficiências dos serviços municipais.

Viver o DIA B, foi isso agarrar uma ideia, um projecto, um fazer cidade.

 

 

Acabem com o Dia B. Não mantenham o Dia B, com outra filosofia.

Relançar o Dia B, agora como movimento de solidariedade, é gerar confrontos sociais, é gerar divisões artificias na vida da comunidade – até aqui eram os muristas, os passadistas, os retrógrados,  do outro lado os antimuristas, os futuristas os progressistas.

Pronto, agora estimula-se mais uma nova guerrilha – os solidários contra os não solidários.

 

 

Percebia e estava de completamente de acordo, com essa opção politica de acbar com o DIA. Podia discordar, mas percebia e respeitava a coerência e, digo, até admirava a coragem politica e ‘sentido de estado’, de ser tomada a decisão de ruptura politica – acabar com o DIA B.

Era uma opção politica que se respeita e entende, afinal, sempre assim foi, nos tempos de mudanças.

 

Mas não é nada disso, não se acaba como o Dia B, reinventa-se.

O problema não é a reinvenção do DIAB, o problema é que tudo isto é uma constante, esta intencionalidade permanente de criar pseudo factos politios, de colocar cidadãos contra cidadãos, por coisas meramente – estas sim ideológicas que coloca interesses políticos, acima dos interesses da cidade e do fazer cidade.

 

Não acabar como o DIA B e reinventá-lo, parece ser mais uma acção, das muitas que vão acontecendo, inseridas numa estratégia politica que tem por base as ideias força - desconstruir, demolir e dramatizar.

 

É essa estratégia que faz, aqui e agora que vivamos num permanente clima de confronto, de guerrilha urbana, gerando tensões desnecessárias na vivência do fazer cidade e cidadania.

 

É, portanto, uma metodologia de acção e, na verdade, está entendido que vai ser assim sempre, até às próximas eleições autárquicas. Todos os dias são dias de campanha eleitoral, dias marcados por uma gestão que opta pela sua afirmação na comunidade, explorando percepções, criando conflitualidades, atraindo a principal força da oposição para esse combate, um combate ausente de ideias, que assenta em visões, percepções e auscultações.

 

O importante e necessário é manter uma tensão negativista - de um lado estão os futuristas, os que querem o desenvolvimento; do outro os passadistas, afinal, os que os culpados do estado a que isto chegou – a tal decadência que tem um culpado.

 

Afinal, essa estratégia permite a vitimização, porque a tensão gera confronto e, tudo isso, é um caldo cultural para a dramatização.

Este clima proporciona os conflitos laterias, Desvia de discussões abrangentes.

 

O DIA B da solidariedade, vai transformar-se, infelizmente, no DIA B da conflitualidade, onde, infelizmente, já se mistura tudo, caridade, trazendo para a liça, outras dimensões do debate de ideias. É mau, muito mau.

 

 

Já percebi, que todas as tácticas circunstanciais se inserem na estratégia, que tem por base essas três ideias força – desconstruir, demolir e dramatizar.

 

Mas, enfim, é vida e de politica quem tem percepção são os políticos...e, de facto, cada vez mais se percebe que para vencer eleições, não contam ideias, nem estratégias, o que contam são as percepções, são elas que conduzem às visões e ambições!

 

António Sousa Pereira  

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