Mata da Machada – é ou não é estratégica para o Barreiro ?
Hoje, ao acordar, olhei o sol escondido entre as nuvens, uma luz prateada a brilhar. Gaivotas em terra, sempre foi dito – sinal de vendaval. Para mim, gaivotas em terra é sinal que estamos próximos de rio ou de mar.
Fui até à Avenida J.J. Fernandes, pela manhã, está sempre movimentada, na Tabacaria, então, o movimento estava animado. É dia de euromilhões. Todos tentam a sorte. No meio disto ocorreu-me ao pensamento que o meu pai, viveu uma vida inteira, alimentando semana a semana o sonho que um dia havia de ganhar o totoloto. Nunca viu o seu sonho realizado. Mas, uma coisa tenho a certeza, todas as semanas, ano após anos, ele alimentou e nunca desistiu do seu sonho. E acreditou nesse sonho, sempre, até ao limite.
Passei pela caixa do multibanco. Um ritual. Há um pequena fila. Acho engraçado que junto à caixa do multibanco são quase sempre os mesmos comentários. Não levante todo. Não há muito para levantar. Eles levam tudo.
“É vida, é assim temos que viver um dia de cada vez!”, comenta-se.
Encontrei o meu amigo Torrão, um companheiro de lutas das Direcções da Cooperativa e da SFAL. Homem de luta e de trabalho. Recordo quando o via com os carrinhos de mão do armazém para a Loja (após o seu dia de trabalho na Equimetal), para abastecer as prateleiras. Ou, a sua dedicação a acompanhar os atletas do trampolim. Uma vida dedicada a fazer futuro.
Após a compra do jornal fui até à esplanada do Café Gerações. Sentei-me a fumar. Não me apetecia fazer mais nada, apenas, e só, estar ali, fumando, lendo o jornal e o livro que trouxe comigo. Viver e aproveitar os instantes.
Chegou o Gama, meu companheiro de vida militar no Estado Maior do Exército. “Então, militar de Abril”, diz ele. Sorriu. Sei porque ele diz isso, muitas vezes recorda aquele dia do Plenário com o Gneral Carlos Fabião. “Foste lixado!”, refere. Recorda a minha intervenção, ali em pleno PREC, aqueles dias de sonho e luta.
De tarde, fui assistir à apresentação do jogo pedagógico «Aventura na Reserva Natural», onde se falou da importância da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina para promoção de uma nova imagem do Barreiro.
Enquanto estou ali e observo o Tejo, recordo conversas recentes. Alguém que me dizia que a Mata da Machada – “não é estratégica para o Barreiro, porque Matas há em todo o lado. Isso não é um elemento diferenciador”.
Depois ocorre-me, aquela intervenção, no debate sobre o Arco Ribeirinho Sul, alguém que falou sobre Turismo no concelho do Barreiro e dava relevo à Mata da Machada, como algo importante, mas que só poderá ser um produto turístico quando se afirmar como uma “oferta” – na sua biodiversidade e referência histórica.
Aliás, em comentário, ao defensor da ideia que a Mata da Machada não tinha importância estratégica, contestei e argumentei que podem existir muitas Matas, mas na Península de Setúbal e até na AML, não há nenhuma Mata com um Sapal como o Rio Coina, nem com as referências históricas ligadas aos descobrimentos, como tem aquele espaço – património ambiental e histórico.
Pois, mas, essa é verdade, não é, ainda não é, oferta turística, para que tenha atractividade, nem sequer é, ainda, oferta de lazer para os próprios barreirenses, devidamente estruturada. Será um dia, será um dia…e será estratégica na valorização e concretização do conceito de «concelho-cidade».
Por aqui me fico.
António Sousa Pereira

