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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Inspiração

A inspiração pode estar no presente, emergir do passado ou, até, ser nascente de futuro.

A inspiração pode surgir no dobrar de uma esquina, no olhar a perder-se no voo de uma gaivota, no colorido de uma flor, no rasgar do vento por uma bandeira, numa palavra perdida num texto de uma página de um qualquer jornal, num sorriso de uma pessoa idosa ou nos gritos de uma criança, num aperto de mão, num beijo, nas ondas do mar, no silêncio de uma serra, no brilho da luz solar, na brancura do luar, num murmúrio do vento, nos sons dos pássaros ao fim da tarde na nossa rua, num afecto que toca os nossos dedos, numa lágrima de partida, no ritmo do nosso corpo apaixonado, afinal, a inspiração é simples, muito simples, ela nasce na vida, é, essa semente que brota por dentro dos passos percorridos, dos passos que percorremos ou que desejamos percorrer – vivendo os dias!

 

Quando me sento ao computador para escrever, não sei o que é isso de sentir inspiração, nem penso que é isso de sentir inspiração. Para mim, é apenas um tempo de paragem. Parar. Olhar o tempo, todo o tempo e sorrir.

Escrevo pensando por dentro das palavras. Talvez seja isto a inspiração, sentir e viver as palavras, não como ausência, nem sequer como invenção, é, isso, apenas isso, um ponto de encontro dos sons-palavras com as emoções-palavras, uma autenticidade de ser, onde as palavras espelham a vida, o tempo, o espaço. O infinito.

A inspiração é esse ponto de encontro, sem dobragens, sem colagens, sem náusea, esse lugar, onde a simplicidade e a ternura, fundem o ser com uma energia imensa que transforma os nervos em palavras.

A inspiração é a nossa criatividade a pulsar no coração, em cores, em sons, em cânticos em ecos de vida.

Fechamos os olhos. Abrimos o pensamento. Mergulhamos nesse túnel, onde, só nós nos encontramos, em todos os recantos da memória, em todas as experiências que emergem no tempo que vivemos, e, de súbito, encontramos uma semente – regamos, regamos, regamos e nasce a florir a inspiração.

De súbito o silêncio torna-se real – num poema, numa tela, numa canção, num sabor, numa escultura, numa viagem, numa investigação, numa conversa - porque, se pensarmos bem, lá por dentro desse túnel da vida, inscrito nos nervos da nossa interioridade, sentimos que a inspiração não é mais, nada mais, que a energia que nos move e conduz à descoberta da inspiração…que nunca sabemos o que é, afinal, ela, apenas é qualquer coisa que é, quando é aquilo que nós somos – únicos!   

 

S.P.

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