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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Hoje dia 1º de Maio apeteceu-me ter uma visão Não estraguem o potencial!

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Hoje, dia 1º de Maio, ali, sentado na esplanada dos Dadores de Sangue, olhando o Tejo, esse Tejo, onde Antero e Fontana, debateram ideias de futuro e sonharam Portugal, construído como terra de solidariedade e marcado com a existência de comunidades desenvolvidas com qualidade de vida – social e ambiental.

Estou ali sentado, e, de facto, pelas redes sociais chegam até mim os rumores, dessa coisa que por aí prolifera, sobre muros, quedas de muros e muros que se erguem. Coisas efémeras que transforma o debate de ideias e a reflexão sobre a cidade, numa banalidade, como se o futuro de uma cidade se discutisse, com base num combate, entre aqueles que erguem muros e os que derrubam muros.
De tantos muros é feita a cidade, O pior muro é aquele que quebra as asas ao voar da cidadania, não promovendo debates abertos, sem filtros.
Não me venham com a treta que ninguém discutiu a compra, nem que não houve debate sobre a compra.
Mesmo que, em parte, isto seja verdade, justificar os meus erros com os erros dos outros, é não querer mudar a forma de fazer cidade.
Provem sem problemas a razão das opções. E, então, quem não concorda perante argumentos válidos terá que se render.

Hoje, assistimos a uma banalização do debate de ideias. O preto e branco. Os maus os bons. Os muros ideológicos. Dividir para reinar.
Não me admiro nada que, um destes dias, dando continuidade a certos textos produzidos por agenciados, para abrir o caminho, a uma estrutura de “pensamento estratégico”, de um marketing que carece de promover um negócio, o mais certo, é que seja editado um vídeo, para ser amplamente divulgado.
Estava por ali sentado a olhar o Tejo, e pensei, deixar uma sinopse para produção do dito vídeo.

Primeiro umas cenas de construção de um muro, erguido, por activistas do «murismo», todos vestidos com um guarda roupa bem determinado que permita identificar a ideologia.
O muro ergue-se imponente, pela calada da noite, com a frase: Não vendas a Braamcamp!
No segundo momento, por trás desse muro dos «muristas», com um drone, filma-se a Quinta o seu estado actual, com as imagens mais degradantes que possam permitir o repúdio e a indignação. de forma quem vê, em poucos segundos, fica triste e diz: É isto que estes querem, que isto fique assim, que continue ao abandono. E, se necessário, nas entrelinhas, fala-se de um passado longo.
Enfim, de tal forma que fique claro que aquele é o pior dos mundos, o defendido pelos «muristas», o tal mundo que os maus querem manter, que já foi anunciado, aos poucos, com os tais dos muros das lamentações e outras coisas mais, que faz dos ditos muristas uns verdadeiros «mentecaptos».

Depois, dando continuidade ao filme, surgem ao nascer do sol, tem que ser ao nascer do sol, os anti-muristas, que, ali, em pleno dia, não pela calada da noite, vão derrubar o muro, num clima de festa, muita cerveja, bandeiras, e música pop.
O muro cai, em imagens de câmara lenta, tijolo a tijolo, as letras vão sendo destruídas, escuta-se a música de Vangelis, uma gaivota rasga o azul, e, em contra luz, vão surgindo imagens do futuro, tridimensionais, que dão a visão do que vai nascer após o derrube dos muros – os muros reais, os muros ideológicos.
Imagens, com visão, agora já sem roda gigante, agora apenas um tempo novo – um campo de futebol, um palacete transformado em Hotel, 180 fogos, em prédios de três pisos, caldeiras transformadas em pistas de remo, crianças a correr a abraçar os pais, em sorrisos. Um mundo novo, sem muros, num tempo novo.
Um bom vídeo. Fica aqui esta sinopse – uma visão de marketing.

São estes, afinal, os clichés do debate que alimenta as narrativas em torno da Braamcamp .
É, neste patamar e “caldo cultural” que se quer manter a discussão. Os bons e os maus.
Há os que são contra os investimentos. Retrógados. Muristas.
Há os que são a favor dos investimentos. Progressistas. Anti-muristas.

Estou ali, na Avenida da Praia, neste dia 1º de Maio de 2019. Sentado, olho o Tejo. Imagino que ainda não há muitos anos, existia um muro de sebes verdejantes que separava a «Avenida da Praia» do rio, e, também que ali, ao fundo da avenida, existiam muros, que separavam as fábricas da cidade.
O Barreiro era uma cidade murada. Não olhava para o Tejo, porque o Tejo era, apenas a via que ligava as duas margens, para os que trabalhavam na outra margem. Os outros, os milhares que trabalhavam nas fábricas da CUF, ou nas Oficinas ferroviárias, esses, viviam dentro da cidade, porque a cidade era a fábrica a fábrica era a cidade.

Dou comigo a remexer os pensamentos, neste dia 1º de Maio, que é um marco dentro das minhas memórias, dentro, bem dentro do tempo que sou, na comunidade onde cresci e sonhei.

Dou comigo a pensar que esta pseudo-discussão sobre a Braamcamp, será, para sempre o marco que vai determinar o futuro do concelho do Barreiro.
E como também gosto de ter visões, dou comigo a pensar na cidade que imagino e sonho.
Não há na Área Metropolitana de Lisboa, um concelho que tenha o potencial do Barreiro.
Um potencial que só pode ser dinamizado com uma estratégica enquadradora do papel deste território na região, quer na Península de Setúbal, quer na AML.
Isso exige, afinal, que o Poder Local tenha uma ideia para o concelho, que seja capaz de juntar vontades em torno de uma ideia de cidade, que seja capaz de exigir ao Poder central que coloque o Barreiro na sua agenda, quer no que diz respeito a acessibilidades e mobilidades; quer no assumir uma estratégia de desenvolvimento para os territórios da sua área de gestão. Isto estava a ser feito, vinha a ser feito nos últimos dezasseis anos.>

E, voltando a minha visão de cidade e de concelho. Em primeiro lugar afirmo que não defendo o desenvolvimento do concelho com base no actual PDM, que prevê cerca de 200 mil habitantes para um território de 36Km 2. O actual PDM é para rasgar.
Tenham coragem de meter este PDM no caixote do lixo da história. Ele foi o que foi, no tempo que foi, na sua realidade epocal.
Tudo o que se quiser fazer e justificar com o actual PDM é justificar um documento que foi ultrapassado pela história. Seja a construção de um Centro de Saúde no Alto do Seixalinho, seja a construção de 180 fogos na Quinta de Braamcamp.

Imagino o Barreiro como uma cidade que aposta na requalificação do seu tecido urbano. Que dinamiza espaços públicos de convívio. Porque o Barreiro é um concelho de lugares e sítios. Por isso acho um erro os argumentos e as opções tomadas em torno do Bairro Alves Redol. São falácias. São um exemplo de opções, neste caso, pela não pela requalificação urbana.

Uma cidade que em cooperação com a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, estuda, faz projectos de requalificação urbana, de forma a estimular zonas de comércio local, a ocupação das ruas, porque esta é das melhores acções para dinamizar a segurança urbana – dar vida às ruas da cidade, dar vida aos seus espaços de cidadania – o associativismo.
Reconstruir o degradado em vez de estimular novas construções.

Sonho com esta cidade- concelho que se desenvolva com polos de criatividade – dos polos artísticos – teatro, música - aos polos de novas tecnologias, fotografia, cinema, digital.
Uma cidade que se aproxime do rio. Uma cidade que cultive a sua ligação ao seu «Grande Parque Central» que é a Mata da Machada. Apostava numa ciclovia ao longo da IC21, de forma a colocar a Mata da Machada ligada ao polos urbanos do concelho.
Promovendo o desporto do lazer, uma cidade verde, ambientalista, com uma Mata e um Sapal marcados pela biodiversidade – uma riqueza actual e histórica para a região – que podem colocar o Barreiro como referência nacional.
E, neste contexto, como era de grande valia a ponte pedonal, adiada.

Uma cidade que tem espaços museológicos únicos, ao nível ferroviário e industrial, que podem ser espaço de visitação. Onde são necessários investimentos pensados e debatidos com o Poder Central e, atraindo investidores, tendo estudos e sugestões que motivem os potenciais interessados.

Uma cidade que tem que sair do gueto em que está há décadas. Se antes isso não se sentia, até, porque o Barreiro, para muitas terminava na «passagem de nível», porque havia trabalho e comércio no centro da cidade, hoje, é uma das principais causas do seu atraso – a falta de ligação rodoviária ao Seixal, a continuidade da IC21 rumo a Sesimbra, a Terceira Travessia do Tejo – só ferroviária – deixando para outras eras a possibilidade da rodoviária (invertendo o processo vivido com a ponte 25 de Abril).
A ponte ferroviária pode trazer de novo para o Barreiro a sua centralidade na ligação norte-sul, e, desde já apontar, como foi dito, que as oficinas do futuro TGV, se instalassem aqui no concelho.

Dispenso o Terminal de Contentores, se ele, for isso, apenas isso, um depósito de contentores. E, não estou a ver que Setúbal, Sines, ou Leixões, estejam disponíveis a não crescer para dar espaço ao Barreiro.
Ali, naquele território da Baía do Tejo, pode continuar-se a estratégia de promoção do território através da marca « Lisbon South Bay», atraindo empresas, criando espaços de lazer e de criatividade e apostando na criação do «cluster artístico».
Debater com os governos, como quis Emidio Xavier e Carlos Humberto, a instalação de serviços centrais aqui no Barreiro.
Há muito espaço para construir, até, porque não pensar para ali Habitação, como um dia escrevi, nos anos 90, temos ali a nossa zona expo, e, portanto, diga-se, mais uma vez, é preciso para tal rasgar o PDM, que ali prevê zero de construção de habitação.

Na zona norte do Barreiro, em torno do centro da cidade e espaços urbanos consolidados a estratégia tem que ser – requalificação, do espaço público e do edificado, em simultâneo, apostar em programas de valorização da vida local, da cultural local, dar qualidade de vida urbana.
Sim, é verdade, para isto, mais que as preocupações com a construção de um Centro de Saúde, que é da responsabilidade do Poder Central, apostar na melhoria das condições de tratamento dos espaços públicos, recolha de resíduos urbanos, melhorias no abastecimento de água e no saneamento básico, com planos estruturais, porque o dinheiro não chega para tudo, apesar da autarquia, em sequência da troika e da gestão rigorosa, hoje, respirar saúde e permitir tranquilidade, que nunca outros antes tiveram e, recordo, tanto sofreram, para legar tanto que foi feito, que só não vê quem não quer. Eu vi e vivi.

Na zona sul do concelho, se for aceite o que está no PDM, há muito território para se optar por uma estratégia de expansão urbana – podem nascer ali, algumas urbanizações estilo Fidalguinhos , para garantir a entrada de taxas da construção. O Santo Graal do Barreiro.
Um território que está localizado a 30 minutos de Lisboa, por via ferroviária, mas que é necessário avaliar a mobilidade, num plano conjunto com as Câmara de Palmela, Sesimbra e Seixal.
Um território onde, também, pode localizar-se uma plataforma logística-industrial contribuindo de forma indirecta para reactivar a Quinta das Rebelas.

Pronto, hoje, dia 1º de Maio, apeteceu-me ter uma visão, e, como isto de visões é só por no papel, fazer um vídeo, só tenho pena não ter condições de fazer um vídeo, com um drone a voar da Ilha do Rato até Coina.
O concelho do Barreiro é um território que é um mimo, uma pérola, que pelas suas características e potencial, de facto, aqui, podia ser construído um modelo de cidade e cidadania único e de referência na AML.
É isso que não se discute. Porque, ou muito me engano a opção está tomada, pelos vistos o PDM em vigor serve para justificar o que era injustificável.
Um dia destes vou, certamente, ouvir defender a construção de prédios, na zona das Oficinas da CP. O PDM prevê, qual é o problema.

Entre um concelho de qualidade e um concelho dormitório, eu gostava que se optasse por um concelho de qualidade. São opções.

É que, na verdade, enquanto se banaliza as conversas em torno da «guerra dos tronos» - de mortos e vivos – aqui no Barreiro escrita, por agora, com a palavra Braamcamp, o resto do território não se discute, e projectar uma ideia para o concelho e cidade, essa, fica enterrada no lodo do Mexilhoeiro, porque, sem dúvida, o PDM em vigor, serve para justificar tudo…construa-se!

Fico a pensar no potencial que é este concelho e limito-me a deixar uma nota de reflexão, neste 1º de maio de 2019 – Não estraguem o potencial. Avancem com um novo PDM, e, por favor, promovam um debate sobre a estratégia para o concelho.

Viva o 1º de Maio!

António Sousa Pereira

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