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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Há dias assim…

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Há dias, sentidos, que as lágrimas rasgam os nervos e tornam-se pensamentos. Mergulhamos nas caves dos neurónios, lá no fundo, onde, tudo o que vivemos está guardado. Recordamos sorrisos. Recordamos palavras. Recordamos encontros, misturados em cânticos, ali, nos milhares de gritos e risos de crianças.

 

Há dias que a vida emerge em cascata, por dentro dos olhos e tudo é tão limpo, como as gotas que caem do céu, brilhantes de luz e ternura.

Há dias que sentimos o carinho tocar o coração, pulsando, num ritmo intenso, tão intenso que as palavras são impotentes para tornar real, o real que nos cai, inesperadamente, num abraço feito canção.

 

Há dias, marcados pela palavra saudade, essa, que nos transporta às profundidades do tempo vivido.

Então, sentimos, como esta nossa presença terrena, torna-se eternidade, quando alguém parte, ou quando recordamos alguém que partiu, e, só então, tomamos consciência da nossa (in)finitude.

 

Há dias que as lágrimas tocam a memória e a memória fica, subitamente, inundada de amor, de recordações, de sorrisos, de tudo o que é belo e nos move, dando energia para superarmos as intempéries e acreditarmos na vida.

 

Há dias que a vida se mistura com a morte, e, suavemente, a morte se confunde com os sorrisos das crianças. Tristemente. Amarguradamente.

Há dias que, pela sua tristeza, as lágrimas de cristal que tocam os nervos, fazem-nos pensar e sentir, porque, afinal, chorar é também pensar com os olhos.

Há dias que o coração se enche de suor e o sangue é a escrita da saudade. Do partir. Do sentir.

Afinal, por muito que vivamos, por muito que a vida nos negue o viver, o que vale, o que sempre vale, é sentirmos que vivemos, até ao último instante, por dentro de todo o tempo, a alegria de construir a nossa paixão, todos os dias. Sonhando. Fazendo.

Porque, de repente, amanhã, depois, num dia qualquer, todos, subitamente, partimos. Fomos.

Por isso, só por isso, as lágrimas que inundam os nervos e o coração, em dias, naqueles dias, como o de hoje, são lágrimas que nos motivam a seguir os exemplos de vida, aquelas vidas, que nos legaram uma forma de estar e ser – viver apaixonadamente o que gostamos, o que somos, o que queremos, na certeza que esse viver é, sempre, uma partilha de aprendizagens, de descobertas, procurando desvendar o sentido da vida e, nele, a construção dos dias. Amando.

 

Há dias, sim há dias, que fechamos os olhos e apenas recordamos – um sorriso, ou, uma lágrima a florescer saudade, cravando-se nos sentimentos, por dentro dos nervos.

Há dias assim…

 

S.P.

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