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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Fazer cidadania e fazer cidade.

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Gosto de viajar por dentro dos dias, mergulhar por dentro das palavras, senti-las, como quem sente o sol a nascer e o luar a espreitar entre a brancura das nuvens. Gosto de sentir a serenidade de um olhar, a tranquilidade do tempo o fluir do silêncio, delicadamente. Sorrindo. 

 

Hoje pela manhã, como faço alguns dias, sentei-me

a mergulhar os meus olhos no Tejo. Ali a tocar as ondas com os nervos, tal, como fazia junto ao Guadiana, de repente, sinto-me a criança que se deliciava a estender os olhos até ao mar, logo pela manhã vivendo a alegria do regresso dos barcos da faina, e, ao fim do dia, a emoção da partida dos barcos para o mar. Um ritual que guardo dentro de mim.

Os rios fazem parte da minha consciência, da minha forma de olhar a paisagem, por essa razão, facilmente mergulho com ternura nas águas e descanso os meus olhos nos seus movimentos.

Navego nas ondas e, nelas, cultivo o gosto pela vida, em tudo o que fui e sou, em tudo o que vivo todos os dias, sempre, retomando o prazer de escrever as páginas brancas que abro diariamente com carinho e paixão pela vida. Gosto de viver, divertidamente, de forma infantil, graciosamente, sorrindo.

 

Há quem não saiba o que é viver, cada dia, assim, no abrigo do coração, porque para isso, é preciso sentir viva a criança que fomos e a criança que está dentro de nós, é, acreditem, isso que nos faz sorrir, sorrir, sorrir...sempre como Abril!

 

É, também, isto, o viver real que não é percebido por aqueles que não sentem o valor e a força das palavras. As palavras que são ideias, ideias que são acções. Construindo.

 

Eles, habituaram-se a usar as palavras como artefactos, peças de uma linguagem feita de jogos e estratégias, pensamentos dissimulados, calculismo, demagogia, vivem num permanente jogo de espelhos, manipulando e tocando o delírio maquiavélico ao ponto de se enganarem a si mesmos. São tão perfeitos, vivem com tanta intensidade as causas, são tanto exemplo de perfeição e promotores de paixões futuras, que se tornam o centro do universo, a luz do mundo. Uma nobreza que se torna pérfida de tanta pureza, principalmente quando optam por desancar naqueles que não servem os seus interesses, ou não servem os seus puros ideias, por vezes, apenas, porque têm opinião diferente.

São uma espécie de pensamento único que não sabe o que é o confronto de ideias, que não convive muito bem com a democracia.

Acusam de intolerância os outros, mas cultivam o ódio, estimulam o xenofobismo.

Acusam os outros, mas essa, afinal, é a forma de se sentirem superiores. Uma superioridade pedante. Arrogante. Telúrica.

 

Vivem felizes nesse jogo de sombras, onde inventam personagens, que são os seus auto-retratos, figuras que se mexem e remexem nesse divertimento táctico, onde se martirizam e fazem catarse, como quem joga a vida num tabuleiro de xadrez. Cheque mate. Manobras.

Lançam os seus ódios e incertezas, para o outro, com os olhos vermelhos, mordem os lábios, com tristeza de verem alegria e sorrisos naqueles que combatem, e têm pena de não ser, por isso, apenas por isso, bociferam. A inveja toca a penumbra da solidão, quando se olham ao espelho. Nasce a neurose. Uma esquizofrenia que afogam em tacticismos.

Acordam de noite, escutando as gargalhadas daqueles que querem destruir e calar.

O suor corre-lhes na amargura da sua pobreza. Tristes.

Depois na vida real, é vê-los a sorrir por trás das ilusões que embrulham em farsas, fake news, invenções. Dão pena. Mas sobrevivem. É o que lhes resta. Lá vão.

 

Eles já estão secos por dentro, e a vida que «vivem» apenas é alimentada por ódios e rancores.

Há quem chame a isto dor de cotovelo, outros dizem que é inveja, pura, a correr no sangue das ambições.

Querem o poder não para transformar, mas para controlar. Tristes caciques do populismo do século XXI. Tesos. Gestores de trocas e baldrocas. Aguadeiros que se sentem donos do mundo.

Dá para rir e sorrir. E ficam a pensar, agoniados, quando alguém clama a liberdade. Sim, ser livre é não precisar de viver de joelhos dobrados para cima, bajulando, e, depois, de mão esticada para baixo, humilhando. É a chamada esperteza saloia.

 

Enfim, quando estou por ali, junto ao Tejo, sinto o silêncio, aquele, que só cada um de nós é capaz de sentir, quando tocamos no fundo dos nervos com os pensamentos. Escrevo poemas. Encontro memórias. Viajo no tempo. É isto a felicidade, sentir a liberdade a fluir no pensamento. É isto ser livre!  

   

No Tejo está tudo que nele quisermos encontrar, são recordações, viagens, histórias, epopeias, tragédias, cânticos. Ali, afinal, está Portugal e o mundo a renascer. O mundo e a humanidade.

 

Estou aqui e, neste fim de tarde, penso como quem escreve um poema escrito na raiz do tempo, esse lugar, onde se escreve a palavra dignidade. Renascer. Fazer cidadania e fazer cidade.

 

António Sousa Pereira

 

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