Do sonho da Estação Oriente» da Margem Sul ao Mercadona

A renovação total da frota dos TCB é a principal referência da acção autárquica nesta última década, para implementar um desenvolvimento equilibrado e sustentável.
Um investimento com a marca Carlos Humberto, como, aliás, foi reconhecido pelo Primeiro- Ministro António Costa, quando da entrega simbólica dos primeiros autocarros.
Um dos temas que considero de grande relevância, ao longo de décadas, na vida do concelho do Barreiro, é a importância estratégica no desenvolvimento do seu território, que foi concretizada pela dinâmica dos seus transportes municipalizados, e, igualmente, o contributo dos TCB para que possa existir uma visão polinucleada do concelho.
Maior e melhor investimento estratégico
E, por esta mesma, razão considero que o maior e melhor, talvez o único, investimento estratégico realizado, no concelho, na última década foi a renovação total da frota, fruto de uma parceria entre a autarquia, liderada na época por Carlos Humberto, CDU, e, o governo liderado por António Costa, PS.
Este é um grande exemplo de trabalho politico realizado no concelho, por uma liderança que promovia a sua acção politica para desenvolver mudanças estratégicas, com visão de futuro, dessa forma construindo um legado para os vindouros, e, não no mero “navegar à vista” ou, ao “sabor dos interesses do imediato”, vivendo e gerindo as circunstâncias.
Considero mesmo que a renovação total da frota dos TCB é a principal referência da acção autárquica nesta última década. Um investimento iniciado pela CDU, e, naturalmente, continuado pelo PS, como, aliás, foi reconhecido pelo Primeiro- Ministro António Costa, quando da entrega simbólica dos primeiros autocarros.
Uma dimensão regional para os TCB
Outro aspecto, interessante que quero sublinhar é a acção travada, ao longo de anos, pelas gestões da CDU, no sentido de alargar a área de intervenção dos TCB aos concelhos limítrofes, nomeadamente Moita, pois começaram a operar nas as freguesias da Baixa da Banheira, Vale da Amoreira e Alhos Vedros. Foi uma batalha de anos, até se alcançar as mudanças legislativas que permitiram avançar com esta dimensão de realização do serviço intermunicipal.
Recordo, a propósito do inicio deste alargamento da área dos TCB, as dificuldades que existiam, devido ao envelhecimento da frota, mas, isso, na verdade, não colocava de lado para os TCB a enorme vontade de enfrentar este desafio, porque inerente a esta nova área de acção territorial, várias vezes escutei, das gestões CDU, que existia a intencionalidade de estudar, reflectir sobre uma nova estratégia, visando alargar a capacidade dos TCB, dando-lhe uma dimensão regional. Matéria que, registo, desapareceu da agenda.
Autocarros dos TCB: verdes ou amarelos?
Tudo isto ocorreu-me ao pensamento quando, um destes dias escutei nas redes sociais, uma conversa, que nem liguei muito, mas acho que era sobre a cor dos autocarros dos TCB, dando-se ênfase ao facto de, com todas as mudanças registadas nos transportes na Área Metropolitana de Lisboa, onde, sabemos os transportes públicos passaram ter, como marca, a cor amarela, sublinhava-se o facto de os autocarros dos TCB manterem a sua cor verde, como se isso fosse uma coisa de grande importância para o futuro dos TCB.
Os TCB, por mim, podem ter a cor verde, amarela, ou a cor que se entender desde que a sua dimensão e capacidade de prestar um serviço de qualidade continue, como serviço público e, também, que esse serviço público pudesse crescer e alargar a outros concelhos, transformando-se numa marca de referência, intermunicipal ou regional, criadora de empregabilidade e de prestigio para o concelho, porque é uma herança, exemplar de uma serviço público ao serviço do desenvolvimento sustentável.
Pouco me interessa esse bairrismo da cor verde dos autocarros, oxalá os TCB pudessem vir a transformar-se, com outra cor, no grande serviço de transportes públicos do Arco Ribeirinho Sul, que agora está na agenda do planeamento do território.
Mas, na verdade, para isso os TCB precisavam garantir espaço operacional, de forma a ter condições de alargar as suas instalações oficinais e de parqueamento.
Ora para isto era preciso visão e estratégia, ter uma ideia do papel dos TCB, no concelho e na região. Talvez o João Pintassilgo tenha tido esse sonho. Acredito, que teve. Mas, venceu o Largo das Obras.
Enfim, esta, parece-me ser mais uma oportunidade perdida, porque, afinal. o município decidiu entregar, aos Supermercados Mercadona, os terrenos que podiam permitir a futura expansão dos TCB. Opções. É, isso, o Barreiro novo a nascer.
Sim, os TCB podem continuar de cor verde, porque, pelos vistos o sonho de dar-lhe uma outra dimensão, estão hipotecados.
Da Estação Oriente ao Mercadona
Aliás, ainda ligado a estas coisas que me ocorrem ao pensamento registo o facto de, em tempos idos, quando da discussão da TTT – Terceira Travessia do Tejo, comentar-se a possibilidade de nascer no espaço envolvente aos TCB a Estação Oriente da Margem Sul.
Enfim, hoje, o que concluo, ao viajar pelo pensamento, é que, o sonho da Estação Oriente na Margem Sul está a diluir-se na Loja Mercadona.
Divirtam-se!
António Sousa Pereira
