Sete conchas
Percorro o areal. Olho o mar. Sinto a energia que emerge da natureza. Vou tocando nas conchas. Uma a uma, sinto-as no tacto dos meus dedos.
Vou colecionando e sinto a beleza das suas texturas. Por fim, reparo que tenho sete conchas nas mãos. São todas diferentes. Todas juntas são uma peça única.
Divago. Enquanto olho o mar e molho os pés nas ondas. Penso – como gosto do mar!
Meto as conchas no bolso dos calções enquanto mergulho nesta frescura de Outono.
Retomo o caminho do areal. Escuto o tilintar das conchas. Um silêncio estendido nos meus pés. Apenas o rebentar da ondulação percorre meu pensamento. Tranquilidade e paz.
Sento-me. Pego de novo nas conchas. Então, imagino, que cada uma delas é um dia da semana.
Esses momentos todos diferentes. Todos.
Olho cada concha, toco as suas linhas vincadas de luz e cor.
Esta é a segunda feira, pequena, num começo de tempo. Esta terça, a quarta, a quinta, a sexta, sábado e domingo. Noto que todas as conchas, afinal, são conchas diferentes, como diferentes são todos os dias. Mas cada concha é única, como cada dia é único.
A diferença entre cada dia, está nas nossas mãos, ao dar-lhes texturas, conteúdos e sentir por dentro a beleza do tempo que vivemos.
Guardo a conchas. Volto a sentar-me, sentindo o sol e a imensa alegria de viver, este momento, pleno de encontro com a natureza.
Ah, é verdade, hoje é segunda feira.
Será que é, mesmo, dia de descanso?
S.P.

