Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Banalizar o debate de ideias e valorizar a guerrilha urbana da adjectivação.

amar 102.JPG

 

Ontem, o meu amigo Emanuel Góis, num comentário referia que, nos dias de hoje, nas redes, é preciso dar valor aos 10% de coisas boas que por ali vamos encontrando, quanto aos outros 90% o melhor é desligar, e, sobre esses, o melhor é dizer –“ Ide-vos!”.

 

Dou comigo a pensar que muito do que se regista nas redes sociais, não é acaso, nem coincidências, aliás, como dizia o outro, as coincidências são puramente matemáticas.

Cá por mim, acho que tudo começa naquelas conversas, às quatro da manhã à roda de uma cerveja, que, muitas vezes são preparatórias de outras conversas, aquelas, mais “nobres e intelectuais”, onde se reúne a “nata pensadora” – as várias natas pensadoras, que são o supra sumo da produção de estratégias, esses pensadores que vão marcando as nossas vivências quotidianas.

 

Nessas ditas reuniões de pensamento macro, eles chegam cumprimentam-se. Sorriem uns para os outros. Alguns abraçam-se. Cada um já

trás, dentro de si, uma ambição e sonho de projecto de vida: “um dia hei-de ser…”!

 

As reuniões começam, com trocas de piropos, o Sporting e o Benfica, podem até ser o leit motiv, pacificador e a energia que faz o caldo cultural daqueles convénios de alta dimensão intelectual.

Fazem abordagens dos acontecimentos, que marcam a vida comunitária. Vasculham ideias. São dadas algumas informações, oriundas de outras instâncias, regionais ou nacionais. Nesses momentos, eles sentem-se importantes, por saberem que integram as redes dos donos disto tudo. Acham mesmo que, sem eles o  mundo não existia tão perfeito.

 

Os membros do órgão são aqueles que atingiram o patamar da decisão. Seja lá qual for o órgão.

Eles sabem que é ali, no órgão dito, que se abre caminho para outros caminhos. Um dia hão-de subir a outro órgão. Assim como quem diz de órgão em órgão, enche a galinha o papo.

 

Há sempre, em cada órgão, alguém que é senhor, que faz as contagens de cabeças, que tem os seus submissos, aqueles que estão a disponíveis para repetir e defender, na dita reunião, todas as propostas que, naturalmente, foram previamente e muito criteriosamente debatidas ao redor da cerveja.

Outros estão ali de coração aberto. Sonham no silêncio.

A noite prolonga-se. Conversam. Argumentam. Contra argumentam. Tecem cenários. Desbravam fragilidades dos outros, que noutro ponto qualquer, noutro lugar, pelas mesmas razões, também avaliam e fazem outras abordagens. É o sistema a funcionar.

Eles, de forma intelectual e pensante armadilham formas de se picarem uns aos outros. Gerem técnicas pavlovianas. Marketing, este é essencial.

 

E, naturalmente, como sempre assim foi e sempre assim será, lá vem à baila, em diversas reflexões e aprofundamentos teóricos, surge o tema da comunicação, as falhas de comunicação, os recursos de comunicação, os problemas da comunicação. A comunicação tradicional. As novas tecnologias. Enfim a comunicação e a democracia, duas faces da mesma moeda. A imprensa regional essa não vale a pena ligar – “ninguém lê”.

Mas, nesta dimensão de avaliação da comunicação, o essencial é a propagação, difusão, contra-informação, consolidação, percepção, sim a percepção das percepções, isso é determinante.

O essencial é a comunicação para chegar ao poder. Conquistar. Manter. Subir sempre, nunca descer. Ter, a palavra ter, é que conta. Só quem ‘tem’ pode dar e gerir as vidinhas. Comprar. Facilitar.

 

E, é neste caldo, que surge o tema da utilização das redes sociais. O instagram é para malta mais nova. O facebook, sim, esse dá para tudo.

Teoriza-se. Fala-se dos que têm acesso às redes sociais e os que não têm às redes sociais.

Uns pensam nos novos. Outros pensam nos velhos.

A conversa sobe de nível intelectual, surgem, para avaliação as formas de agir, os exemplos do Brasil, dos EUA. A guerrilha. 

 

Usar mais imagem. Videos. Vale mais uma imagem que mil palavras. Não é necessária muita argumentação. Geram-se as lógicas do combate de maus e bons. É tudo mais fácil, não carece explicações, é o imediatismo que conta, o futuro, quem lá chegar que feche a porta.

 

A estratégia para a rede do facebook é aprofundada em torno dos clichés, forjam-se ódios de estimação. O essencial é criar o inimigo comum. Desvaloriza-se o pensar ideias. Valoriza-se o pensar emoções.

A gestão da presença nas redes sociais, cada vez mais, é feita com recurso a “gestão de serviços prestados”. São perfis falsos. São perfis verdadeiros, incumbidos de cumprir missões.

As missões são diversas, desde os que são estimulados apenas para agir como meros provocadores – “Vai lá diz…pica…..” - até aos que assumem uma dimensão mais intelectual, os que fazem “confrontos ideológicos”, demonstrando que existem diferenças, em discussões que acabam sempre uns a fazer-se de vitimas que estão sendo ofendidos, outros numa postura de superioridade moral. Por vezes, demonstram que são amigos, com opiniões diferentes, que estão a travar confronto de ideias, mas, a maior parte das vezes, é a banalidade discursiva, onde a opinião se reduz a clichés, uns são lobos, outros cordeiros, e, por ali, à volta, por vezes existem uns coelhinhos aos saltos, que preferem o jogo do toca e foge, um mundo de facto a degradar-se, e, afinal, tudo começa, nesses convénios que dizem querer fazer mais democracia e mais cidadania, mas estimulam a guerra a ferro e fogo, porque sabem, quem não mata morre.

 

Ah é verdade. Também existem os «Provedores das Redes Sociais». São encartados, ou empossados com várias missões. uns têm a missão de atacar e fugir. outros têm a missão de dar uma dimensão intelectual. Há ainda os que são encartados para avaliar os temas, que podem servir para as turras. No meio de tudo, o importante é manter o ambiente de futilidades, de baixar o nível, quanto mais arruaceiro, mais propicio á brejeirice e boçalidade. Muita criancice, infantilismo e superioridades de trazer por casa.

Em suma, banalizar o debate de ideias e valorizar a guerrilha urbana das adjectivação.

É o século XXI com os resíduos das metodologias do século XX. Agit prop. Marketing. Coisas e loisas…

 

E, por isso cá vamos, até um dia…quando o sistema começar a implodir. Sentem-se os sinais. Cuidem-se…

 

António Sousa Pereira

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

COMUNICAÇÃO SOCIAL

AUTARQUIAS

ESCOLAS

EMPRESAS

BLOGUES DO BARREIRO

ASSOCIAÇÔES E CLUBES

BLOGUES DA MOITA

SAPO LOCAL

PELO DISTRITO

CULTURA

POLITICA

TWITTER

FACEBOOK ROSTOS