Até sempre Mário! Talvez andes, neste momento, a fazer surf entre as estrelas

O tempo parou naquela manhã fria, neste janeiro de 2025. Desde esse dia, tenho dentro de mim, esta vontade de te escrever uma nota de despedida. Um até amanhã. Um até sempre! Mas, as palavras ficam presas na imagem que está gravado no meu cérebro. Dói.
Recordo-te depois, na tua irreverência, nas bocas que trocávamos, nas brincadeiras, nos apertos de mão, ora na escada, na rua, ou, no Café Nova Geração. Estendia-mos sempre as mãos um para o outro, ou dávamos uma palmada nas costas, naquela cumplicidade de vizinhança, de trocas de olhares, de uma amizade, feita do respeito.
Eras um jovem, quase da idade dos meus filhos. E tinhas, eu sei que tinhas, uma garra pela vida, vivias o tempo todo. Escutava-te, por vezes, no meu terraço, nas tuas comunicações com amigos, pela noite, ou aos fins de semana. Eras um comunicador. Falavas com o teu sorriso. E, com ganas de agarrar o mundo.
“Olá vizinhança. Viva vizinhança”, apertavas a mão a sorrir, sem outra intenção senão aquela que leva os seres humanos a descobrir o lado bom da vida – a amizade, uma amizade que se respeita nass diferenças, nas visões diferentes do mundo, da forma de pensar e sentir o mundo, neste sentir que afinal, esta é a nossa casa comum.
Eras um “puto” porreiro. E não digo isto por teres partido. Eras um “puto” fixe do meu prédio. Tu. Os teus filhos, amantes da natureza e do mar.
E, por sentir esta dor da morte que vi na frente dos meus olhos, tenho adiado a escrita desta mensagem para ti Mário.
Sabes, quando, naquela manhã, ma passada terça-feira, entrei na tua casa, e escutei a tua irmã em desespero, e, olhei para o teu filho de joelhos, a apertar teu peito, a querer arrancar-te do chão, naquele instante, uma lágrima desceu nos meus olhos. Olhei, e, dolorosamente, pensei – ele partiu! E, na verdade, tinhas partido.
Talvez andes, neste momento a fazer surf entre as estrelas, ou a viajar pelo Atlântico. Acredita, um dia, os teus amigos do surf, vão rasgar uma onda gigante, levando a tua prancha, ao lado deles, e a voar contigo até à eternidade.
Oh vizinhança, até sempre!
António Sousa Pereira
