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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

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Aeroporto do Montijo vai ter impacto nas habitações da Moita e Barreiro Serão afectadas pelo ruído dos aviões cerca de 50 mil pessoas.

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. Zonas mais afectadas pelo ruído serão Urbanização dos Fidalguinhos, Urbanização dos Loios, Lavradio e Baixa da Banheira

Sobre mobilidade para o Barreiro, ou seja lá o que for que se fala ou comenta, na verdade, é só conversa, porque neste que é um documento decisivo para que o aeroporto do Montijo possa avançar, o Barreiro apenas é referido pelos impactos negativos do ruído.
Quanto a emprego, se nem ligações estão previstas em termos de mobilidade, existe, certamente mais potencialidade para empregabilidade no Montijo e Alcochete, ou Palmela e até Moita que no concelho do Barreiro.
 
 

Em tempos idos quando, por vezes, a poluição era de tal forma intensa que motivava protestos da população, várias vezes escutei argumentos oriundos das empresas, principalmente no Lavradio, que não foi a empresa que foi construída ao redor das casas de habitação, foram as casas de habitação que foram construídas ao redor das fábricas. 

Ou seja, justificava-se em termos de planeamento urbano que foi a vila que se aproximou das fábricas e não as fábricas que foram construídas na proximidade da vila. O argumento era uma espécie de forma de “minimizar” ou desculpabilizar os impactos negativos de indústrias poluentes que se recusavam a investir de forma a evitar os elevados níveis de poluição e, até, investir na criação de «barreiras sonoras» que reduzissem os impactos do ruído das fábricas. 

Recordo que para serem atingidos alguns melhoramentos, com investimentos por parte das empresas, a ASDAL – Associação de Defesa do Ambiente do Lavradio e o contributo do Delegado de Saúde Pública foram, na verdade, decisivos, quer para mobilizar a população, quer para que as empresas reconhecessem um interlocutor em situações negativas e um colaborador na procura de soluções positivas. Um exemplo as barreiras sonoras.

Recordo isto porque está neste momento em debate o Estudo de Impacto Ambiental do novo aeroporto do Montijo e, nestes dias até setembro, seria importante esclarecer os municípes do concelho do Barreiro, sobre os impactos desta infraestrutura na vida do concelho, nomeadamente, nas zonas que vão ser afectadas pelo cone de aterragem, desde Coina até ao Lavradio.
É que neste caso, as casas foram construídas longe de uma zona com aeroporto na sua proximidade, por essa razão não sujeitas aos efeitos de um aeroporto, que sabemos vai movimentar milhões de passageiros, e, que, diariamente dezenas de aviões vão sobrevoar a baixa altitude rumo à pista do Montijo.

Um destes dias estive em Lisboa, na zona do Campo Grande ( corresponde no futuro à Urbanização dos Fidalguinhos, Urbanização dos Loios, Lavradio e Baixa da Banheira) e vivi, de perto, o efeito da passagem de dezenas de aviões, a baixa altitude, quase de 10 em 10 minutos, passava uma aeronave, com um ruído ensurdecedor. Ao sentir na pele apercebi-me as razões que motivam milhares de Lisboetas no protesto contra a ampliação do aeroporto de Lisboa.
"É isto que vou viver. É isto que nós vamos viver diariamente", pensei.

Como refere o Estudo de Impacto Ambiental serão 6.555 pessoas que vão sofrer perturbações de sono, na fase de construção, e, cerca de 12.455 pessoas irão sofrer diariamente uma “elevada incomodidade” devido ao ruído dos aviões, quando começar o seu funcionamento que se aponta para 2022.
No global serão afectadas pelo ruído dos aviões cerca de 50 mil pessoas.

A Moita já expressou que está contra a construção do aeroporto no Montijo e defende a solução de Alcochete.
O Barreiro refere-se que está a favor, porque considera que vai ser uma infraestrutura que contribui para o desenvolvimento, quer ao nível de emprego, quer em mobilidade. 
O Estudo de Impacto Ambiental sobre mobilidade em nada são referenciadas melhorias para o Barreiro, apenas, sublinha melhorias de ligações fluviais do Montijo para o Cais Sodré, com aumento de frota da Transtejo, e, a criação de um nova faixa na Ponte Vasco da Gama, destinada a transportes públicos. 

Sobre mobilidade para o Barreiro, ou seja lá o que for que se fala ou comenta, na verdade, é só conversa, porque neste que é um documento decisivo para que o aeroporto do Montijo possa avançar, o Barreiro apenas é referido pelos impactos negativos do ruído.

Quanto a emprego, se nem ligações estão previstas em termos de mobilidade, existe, certamente mais potencialidade para empregabliidade no Montijo e Alcochete, ou Palmela e até Moita que no concelho do Barreiro. Empresas que possam prestar serviço ao aeroporto gerem no tempo e o tempo, as acessibilidades e mobilidade são estruturantes, e, o que se pode concluir é complexo, nem o Parque Empresarial da Baía do Tejo, pode vir a ser uma plataforma logistica, para isso será mais fácil Poceirão.

Mas pronto, nós estamos a favor. Até seria politicamente mais útil como estratégia reivindicativa estar contra, para a partir do não, se o dito aeroporto vier a ser uma realidade, desde já, colocar na mesa exigências, que se considerem essenciais para o desenvolvimento do concelho do Barreiro.
Assim, não pode, nem deve ser desligado do aeroporto do Montijo que sejam tomadas medidas pelo Poder central, que contribuam para retirar o Barreiro do guetto que está há décadas.

O guetto da mobilidade só superável pela construção da ponte Barreiro – Seixal, que contribuiria para valorizar a centralidade da zona logistica de Sete Portais e fazer de Coina uma plataforma logistica, central na Península, até mesmo, permitindo o desenvolvimento urbano do concelho do Barreiro.

Esta e a Terceira Travessia do Tejo só ferroviária, são exigências inseparáveis de uma visão de futuro do concelho do Barreiro e do potenciar o aeroporto do Montijo como estruturante, para o concelho. Sem isto acho que vale pouco mais que aquilo, que, afinal, já definido no Estudo de Impacto Ambiental, é apenas uma zona que vai sofrer negativamente os impactos do ruído.
E, pronto, vamos ficar por aqui os aviões a passar! 

Só com a implementação de medidas de mobilidade o Barreiro sai do guetto e, até, o território da Baía do Tejo pode ser valorizado e ser uma plataforma no contexto aeroportuário.
Com aquilo que está no Estudo de Impacto Ambiental refenrenciado, o Barreiro está fora da «cidade aeroportuária», mas não está fora de ser uma zona onde as habitações vão sentir os efeitos dos aviões e a população vai sofrer.

Gostava de ver, por exemplo, uma exigência dos autarcas que gerem os nossos destinos, caso o aeroporto avance, no sentido de ser criada uma linha de apoio e de crédito amplamente bonificado para todos aqueles que vão sentir os efeitos do ruído e que para mitigar vão ter que fazer investimentos nas suas habitações.
Gostava de estar a escutar reivindicações para os investimentos que vão ter que ser feitos nas escolas, sobre as quais os aviões vão passar intensamente, desde a Escola de Santo António, escola de Casquilhos, Escola Augusto Cabrita, Escola Álvaro Velho e Escola Padre Abilio Mendes. Quem frequentou a cidade universitária em Lisboa, sabe do que estou a falar.

E no Hospital do Barreiro, não vão ser feitos investimentos para mitigar os impactos do ruído dos aviões.
Isto não é um problema para depois, é para ser colocado já, hoje, no âmbito dos pareceres sobre o Estudo de Impacto Ambiental.
Não é amanhã que se mobiliza a comunidade para os efeitos negativos. Mesmo quem diz sim, sabe, ou deve saber, que, aqui e agora, deve saber dizer não, ao que tem que ser dito: Não! 
O nosso Primeiro Ministro, António Costa, deve escutar a nossa voz e não o nosso silêncio. A voz da comunidade, mesmo daqueles que estão de acordo com o aeroporto no Montijo, não devem silenciar os impactos negativos. É o nosso futuro e o que vamos legar aos vindouros.´

Portanto, retomando o inicio do texto, neste caso, não foram as casas que foram construídas ao redor do aeroporto, é o aeroporto que vai, talvez, ser construído junto às casas que já cá estão e vai diminuir a nossa qualidade de vida.
Para já, pelo que se vê, não vamos ter nada em troca, nem mobilidade, nem empregos...ficamos com os ruídos e os resíduos. 
Se não é assim, demonstrem com projectos e factos reais. 
O Barreiro já foi muito castigado. Basta! 

António Sousa Pereira

 

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