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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Quinta Braamcamp – a nossa «Ribeira das Naus»

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Tempo de recomeçar. Um novo ano pela frente. A vida começa a agitar-se. Gosto sempre deste reencontro com as ruas da cidade, após uns tempos de ausência.
Encontrei um amigo que comentou, alguns artigos que publiquei recentemente. Gostei, disse ele – “bons artigos, continua”.
Dei um volta pelo centro da cidade. Sentei-me a tomar café, ali, junto ao Parque Catarina Eufémia.
Fui mergulhar os olhos no Tejo. Ali, naquele espaço da Quinta de Braamcamp, que, considero pode tornar-se a mais bela «Praça» do estuário. O Terreiro do Paço, da Margem Sul.
Olho em volta, e dou comigo a imaginar que, ali, mesmo ao lado, naquela caldeira que faz parte da Quinta de Braamcamp, está a nossa «Ribeira das Naus», dando continuidade de forma integrada à «Praça do Tejo».

Enquanto me delicio a imaginar e sonhar com um arranjo urbanístico e paisagístico que ligue a «Praça do Tejo» à «caldeira», numa continuidade da Avenida da Praia e ligada ao Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Olho para a outra margem e recordo a forma como, ao longo das últimas décadas, a Câmara Municipal de Lisboa, tudo tem feito para ligar a cidade ao Tejo. Aquela zona da Ribeira das Naus é um exemplo. E, nós, hoje, graças a decisões do anterior executivo municipal, aprovadas por unanimidade, estamos a dois passos do futuro, porque aquela caldeira é municipal, não se justificando a sua venda a privados, para, depois, num qualquer ‘caderno de encargos’ definir as formas de fruição pela comunidade.

Achei maravilhoso pensar o enquadramento urbano da caldeira, com o espaço envolvente da Escola Alfredo da Silva e da Igreja da Nª Srª do Rosário. Está ali, sem dúvida, a nossa Ribeira das Naus.
Ao olhar aquele espaço recordei, quando no ano de 2016, no âmbito das Jornadas Parlamentares do Partido Socialista, num tempo que a Câmara Municipal do Barreiro era liderada pela CDU, os dirigentes do Clube Naval Barreirense divulgaram aos deputados socialistas como naquela caldeira podia ser criada uma «Pista de Formação», que abria portas para ali serem realizadas provas ao nível nacional. Era possível realizar naquele espaço a Taça nacional de remo, foi dito.

Esta pista de formação podia evitar a regular deslocação dos atletas do Clube Naval Barreirense, para treinos, para a Freguesia do Torrão, no concelho de Alcácer do Sal
O Clube Naval Barreirense tinha um projecto de construção da pista de formação, com o apoio de um privado, para o qual já existia uma memória descritiva, visando a recuperação do plano de água e, saliente- se, na altura nem se fazia ideia que a Câmara Municipal do Barreiro ia adquirir a Quinta Braamcamp.
Este projecto de criação de uma «Pista de Formação» de actividades náuticas, segundo foi revelado contava com o “apoio verbal” do Clube de Vela do Barreiro, dos Ferroviários e do Fabril.
Este foi um assunto debatido com os deputados socialistas, porque era uma mais valia para o concelho do Barreiro e para a AML.
Recorde-se que as condições de formação actuais “são condicionadas pelas marés” e a criação da Pista de Formação na Caldeira iria criar condições de treino com muitas vantagens, não só para o remo, mas também para a vela, canoagem ou kitsurf.

Olhava aquele espaço e recordava estas Jornadas Socialistas, as propostas do Clube Naval Barreirense, a existência de investidores privados, num tempo que a Caldeira não era propriedade municipal. Hoje está meio caminho andado.
Porque não se reabre este dossier? Porque tem que ser vendida a caldeira? A nossa «Ribeira das Naus», real, linda, com ligação ao Tejo.
Um cidade que conta com a existência de clubes que desenvolvem actividades náuticas, com campeões nacionais, europeus, mundiais e olimpicos. Uma cidade que tem um Agrupamento de Escuteiros Maritimos, tem ali, naquela caldeira o seu verdadeiro potencial de afirmação como cidade de desportos náuticos.
Esta, até, podia ser uma vertente educacional, inovadora e de dimensão metropolitana a dinamizar na, e pela, Escola Alfredo da Silva.
Uma cidade que tem nas suas mãos este enorme potencial, agora opta por vender,e, com a venda irá definir com o privado definir as regras de utilização. É isto que não consigo perceber, numa cidade que tem o desporto no seu coração.
Era isto que pensava, hoje, pela manhã, ao dar a minha primeira volta junto ao Tejo, junto ao nosso Terreiro do Paço e nossa Ribeira das Naus.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

Na próxima próxima legislatura não há ponte Barreiro – Chelas

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Ao escutar as palavras de António Costa, paro a pensar, e, em seguida escuto um imenso silêncio, ninguém se ergue a levantar a voz, a interrogar, a dar um sinal de discordância, e, apenas, lembrar ao Primeiro-ministro que a Terceira Travessia do Tejo não é um problema da margem sul, nem sequer é um problema de Lisboa, é uma necessidade imperiosa para o país se ligar à Europa e para que Portugal seja um todo de norte a sul.
O próprio Rui Rio, que defende um comboio de alta velocidade como prioridade, é incapaz de refutar e dizer ao Primeiro Ministro que o comboio de alta velocidade, se queremos pensar o país como um todo, não se deve limitar a ligar Lisboa- Porto, tem que ser parte integrante de uma estratégia de ligação de Portugal à Europa, e de ligação até do Norte ao sul, por isso, a Terceira Travessia do Tejo, que integra o plano ferroviário nacional é inadiável.

Até, no âmbito de estratégias de combate às alterações climáticas, Portugal precisa renovar e dar dimensão à ferrovia e Área Metropolitana de Lisboa carece de mais ligações entre as duas margens valorizando a vertente ferroviária.

A Terceira Travessia do Tejo é estratégica e estruturante para desenvolver o conceito de cidade de duas margens.
O Barreiro e a margem sul já pagaram facturas suficientes para ser a outra banda e servir Lisboa, ou ser o seu dormitório.
O Barreiro esta cidade história, merece de uma vez por todas ter um tratamento diferente e deixar de ser um guetto na AML.

Só é possível atrair investimento e empresas para o Barreiro e para a margem sul se a rede de acessibilidades for dinamizada e pensada com base no conceito «cidade de duas margens», de contrário, a margem sul vai continuar a ser assim, como sempre foi – o dormitório, o prestador de serviços, o aeroporto- apeadeiro.

É nestas alturas que me ocorre ao pensamento como o Barreiro, precisa de uma uma voz que se erga para defender a sua estratégia de desenvolvimento e o seu enquadramento no território da AML.
É nestas alturas que penso a necessidade de existir uma voz que motive os governos – sejam PS ou PSD – a colocarem o Barreiro na sua agenda politica.

Pronto, não temos Terceira Travessia do Tejo na próxima legislatura, nem, na próxima década, porque não está previsto no Programa Nacional de Investimentos.
Cá vamos estar orgulhosamente... a minha esperança é que em politica, o que hoje é verdade, amanhã é mentira.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

Um recanto da Quinta Braamcamp Está aqui o nosso Terreiro do Paço - a mais bela praça no estuário do Tejo

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Este é um espaço único, que é do municipio, que devia ficar ao serviço da comunidade, um espaço para o requalificar, dar-lhe qualidade e dignidade, ligando o largo da Igreja de Nª Srª do Rosário ao Tejo.

Uma praça com um arranjo urbanistico aberto para aquela caldeira ao lado da Escola Alfredo da Silva, criando, ali, o nosso Terreiro do Paço. Uma praça que abre a cidade ao rio e com uma beleza única.

 

Por vezes, costumo dar umas «passeatas» pelo Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Gosto de sentir o Tejo. Vou por ali, e imagino a balbúrdia que vai na outra margem, de turistas, de rebuliço de trânsito e, ali, gozo aquele silêncio, mirando a paisagem.

Um amigo cruza-se comigo. Trocamos breves palavras. Aponto a outra margem, ali, mesmo na nossa frente, quase tocamos com os olhos o Arco da Rua Augusta.

“Que se vê aqui na nossa frente?” interrogo. Ele olha e comenta – “É o Terreiro do Paço”.

“Já viu que, aqui, neste sitio à nossa frente, pode nascer o nosso Terreiro do Paço”, disse-lhe.

“É verdade. Dava aqui uma bela praça, junto ao Tejo”, refere ele.

“Pois, mas a Câmara quer vender isto”, disse-lhe.

“Não, a Câmara acho que quer vender é a Quinta Braamcamp, que fica além”, comentou.

“Está enganado, aqui, neste sitio, onde pode nascer o nosso Terreiro do Paço, também é território da Quinta Braamcamp”, sublinhei.

“Ah, é verdade, isto tinha um muro que foi derrubado”, salientou ele.

“Sim, é isso mesmo, aqui estava um muro. Aliás, durante alguns anos, quando havia a Festa do Barreiro, o muro era derrubado e depois reconstruído. Desde que a Câmara comprou a Quinta de Braamcamp, o muro caiu e nunca mais voltou a ser reconstruído”, disse-lhe.

E ficámos por ali nesta troca opiniões.

 

Ele partiu e fiquei por ali a olhar o Terreiro do Paço. Olhei e senti, de facto, que aquele sitio da Quinta de Braamcaamp, é mesmo um espaço único naquela varanda para o Tejo.

Interroguei-me: Porque será que a autarquia que adquiriu este espaço, que pode transformar-se numa das mais belas praças para o  estuário do Rio Tejo, e, sem dúvida, ser uma referência em todo os estuário, agora pretende vender?

 

É que este é um espaço único que é do municipio, que devia ficar ao serviço da comunidade, um espaço que, não são necessários milhões para o requalificar e dar-lhe qualidade e dignidade, ligando o largo da Igreja de Nª Srª do Rosário ao Tejo, dando àquela praça um arranjo urbanistico aberto para a caldeira ao lado da Escola Alfredo da Silva.

Sem dúvida,  aqui pode nascer o nosso Terreiro do Paço. Uma praça ampla que se abre ao Tejo, ligando mais a cidade ao rio, num local de beleza única.

 

Este, hoje é um espaço do municipio. Se a quinta for vendida integralmente, no futuro, o municipio terá que acordar com a entidade compradora soluções para aquela praça.

Não se percebe porque sendo esta «Praça», este nosso «Terreiro do Paço», mesmo que vá para a frente essa opção de venda, tenha que integrar o lote total do terreno.

 

Esta Praça é nossa, é de todos. É incompreensível que após terem sido derrubados muros, agora, sejam colocados novos muros, mais não seja o muro de ter um proprietário, abrindo caminho, nunca se sabe, para que ali, possa nascer um projecto imobiliário.

Pode no tal caderno ficar algo definido, mas, para quê ficar algo definido se aquilo, hoje, aqui e agora, é propriedade do muncipio. É nosso.

 

O papel dos gestores da autarquia não são só questões ficanceiras, o municipio não precisa ter que ‘negociar’ a forma de uso com o proprietário futuro, deve, desde já alienar esta parcela da Quinta de Braamcaamp e deixa-la ficar para a comunidade.

 

Fiquei ali a olhar Lisboa. E perdi-me a imaginar aquele recanto da Quinta de Braamcamp, único, de uma beleza ambiental e paisagistica que, repeti para mim mesmo, é inacreditável que se queira vender esta parcela da Braamcamp.

Nada justifica que a cidade perca este sitio, que lhe pertence, que é nosso, de todos – socialistas, comunistas, bloquistas, panistas, sociais democratas, democratas cristãos, de todas as cores politicas e de todos os credos. Com ou sem partido. Com ou sem religião.

Aquele é o nosso Terreiro Paço. Uma praça única.

Convidem um arquitecto paisagista a olhar o espaço. Convidem artistas plásticos.

 

  É bem verdade aquela frase de Giovanni Pico della Mirandola – só se ama aquilo que se conhece.

 

Estava ali sentado a olhar o Terreiro do Paço e imginava como ali, naquele local, pode nascer, uma das mais belas praças do estuário do Tejo. Um Praça onde a arte, pode ser miradouro, e, sem dúvida, este ser um local, que faz a ponte para o Barreiro do século XXI que se  redescobre no Tejo.

Os passeios junto ao Tejo, fazem sentir que há mais vida para além dos números e que, afinal, um dos males da humanidade é sucumbir perante o el dorado.

Divirtam-se. Vão até lá e imaginem sentir que, ali, está - o nosso Terreiro do Paço.

 

 S.P.

Aeroporto do Montijo vai ter impacto nas habitações da Moita e Barreiro Serão afectadas pelo ruído dos aviões cerca de 50 mil pessoas.

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. Zonas mais afectadas pelo ruído serão Urbanização dos Fidalguinhos, Urbanização dos Loios, Lavradio e Baixa da Banheira

Sobre mobilidade para o Barreiro, ou seja lá o que for que se fala ou comenta, na verdade, é só conversa, porque neste que é um documento decisivo para que o aeroporto do Montijo possa avançar, o Barreiro apenas é referido pelos impactos negativos do ruído.
Quanto a emprego, se nem ligações estão previstas em termos de mobilidade, existe, certamente mais potencialidade para empregabilidade no Montijo e Alcochete, ou Palmela e até Moita que no concelho do Barreiro.
 
 

Em tempos idos quando, por vezes, a poluição era de tal forma intensa que motivava protestos da população, várias vezes escutei argumentos oriundos das empresas, principalmente no Lavradio, que não foi a empresa que foi construída ao redor das casas de habitação, foram as casas de habitação que foram construídas ao redor das fábricas. 

Ou seja, justificava-se em termos de planeamento urbano que foi a vila que se aproximou das fábricas e não as fábricas que foram construídas na proximidade da vila. O argumento era uma espécie de forma de “minimizar” ou desculpabilizar os impactos negativos de indústrias poluentes que se recusavam a investir de forma a evitar os elevados níveis de poluição e, até, investir na criação de «barreiras sonoras» que reduzissem os impactos do ruído das fábricas. 

Recordo que para serem atingidos alguns melhoramentos, com investimentos por parte das empresas, a ASDAL – Associação de Defesa do Ambiente do Lavradio e o contributo do Delegado de Saúde Pública foram, na verdade, decisivos, quer para mobilizar a população, quer para que as empresas reconhecessem um interlocutor em situações negativas e um colaborador na procura de soluções positivas. Um exemplo as barreiras sonoras.

Recordo isto porque está neste momento em debate o Estudo de Impacto Ambiental do novo aeroporto do Montijo e, nestes dias até setembro, seria importante esclarecer os municípes do concelho do Barreiro, sobre os impactos desta infraestrutura na vida do concelho, nomeadamente, nas zonas que vão ser afectadas pelo cone de aterragem, desde Coina até ao Lavradio.
É que neste caso, as casas foram construídas longe de uma zona com aeroporto na sua proximidade, por essa razão não sujeitas aos efeitos de um aeroporto, que sabemos vai movimentar milhões de passageiros, e, que, diariamente dezenas de aviões vão sobrevoar a baixa altitude rumo à pista do Montijo.

Um destes dias estive em Lisboa, na zona do Campo Grande ( corresponde no futuro à Urbanização dos Fidalguinhos, Urbanização dos Loios, Lavradio e Baixa da Banheira) e vivi, de perto, o efeito da passagem de dezenas de aviões, a baixa altitude, quase de 10 em 10 minutos, passava uma aeronave, com um ruído ensurdecedor. Ao sentir na pele apercebi-me as razões que motivam milhares de Lisboetas no protesto contra a ampliação do aeroporto de Lisboa.
"É isto que vou viver. É isto que nós vamos viver diariamente", pensei.

Como refere o Estudo de Impacto Ambiental serão 6.555 pessoas que vão sofrer perturbações de sono, na fase de construção, e, cerca de 12.455 pessoas irão sofrer diariamente uma “elevada incomodidade” devido ao ruído dos aviões, quando começar o seu funcionamento que se aponta para 2022.
No global serão afectadas pelo ruído dos aviões cerca de 50 mil pessoas.

A Moita já expressou que está contra a construção do aeroporto no Montijo e defende a solução de Alcochete.
O Barreiro refere-se que está a favor, porque considera que vai ser uma infraestrutura que contribui para o desenvolvimento, quer ao nível de emprego, quer em mobilidade. 
O Estudo de Impacto Ambiental sobre mobilidade em nada são referenciadas melhorias para o Barreiro, apenas, sublinha melhorias de ligações fluviais do Montijo para o Cais Sodré, com aumento de frota da Transtejo, e, a criação de um nova faixa na Ponte Vasco da Gama, destinada a transportes públicos. 

Sobre mobilidade para o Barreiro, ou seja lá o que for que se fala ou comenta, na verdade, é só conversa, porque neste que é um documento decisivo para que o aeroporto do Montijo possa avançar, o Barreiro apenas é referido pelos impactos negativos do ruído.

Quanto a emprego, se nem ligações estão previstas em termos de mobilidade, existe, certamente mais potencialidade para empregabliidade no Montijo e Alcochete, ou Palmela e até Moita que no concelho do Barreiro. Empresas que possam prestar serviço ao aeroporto gerem no tempo e o tempo, as acessibilidades e mobilidade são estruturantes, e, o que se pode concluir é complexo, nem o Parque Empresarial da Baía do Tejo, pode vir a ser uma plataforma logistica, para isso será mais fácil Poceirão.

Mas pronto, nós estamos a favor. Até seria politicamente mais útil como estratégia reivindicativa estar contra, para a partir do não, se o dito aeroporto vier a ser uma realidade, desde já, colocar na mesa exigências, que se considerem essenciais para o desenvolvimento do concelho do Barreiro.
Assim, não pode, nem deve ser desligado do aeroporto do Montijo que sejam tomadas medidas pelo Poder central, que contribuam para retirar o Barreiro do guetto que está há décadas.

O guetto da mobilidade só superável pela construção da ponte Barreiro – Seixal, que contribuiria para valorizar a centralidade da zona logistica de Sete Portais e fazer de Coina uma plataforma logistica, central na Península, até mesmo, permitindo o desenvolvimento urbano do concelho do Barreiro.

Esta e a Terceira Travessia do Tejo só ferroviária, são exigências inseparáveis de uma visão de futuro do concelho do Barreiro e do potenciar o aeroporto do Montijo como estruturante, para o concelho. Sem isto acho que vale pouco mais que aquilo, que, afinal, já definido no Estudo de Impacto Ambiental, é apenas uma zona que vai sofrer negativamente os impactos do ruído.
E, pronto, vamos ficar por aqui os aviões a passar! 

Só com a implementação de medidas de mobilidade o Barreiro sai do guetto e, até, o território da Baía do Tejo pode ser valorizado e ser uma plataforma no contexto aeroportuário.
Com aquilo que está no Estudo de Impacto Ambiental refenrenciado, o Barreiro está fora da «cidade aeroportuária», mas não está fora de ser uma zona onde as habitações vão sentir os efeitos dos aviões e a população vai sofrer.

Gostava de ver, por exemplo, uma exigência dos autarcas que gerem os nossos destinos, caso o aeroporto avance, no sentido de ser criada uma linha de apoio e de crédito amplamente bonificado para todos aqueles que vão sentir os efeitos do ruído e que para mitigar vão ter que fazer investimentos nas suas habitações.
Gostava de estar a escutar reivindicações para os investimentos que vão ter que ser feitos nas escolas, sobre as quais os aviões vão passar intensamente, desde a Escola de Santo António, escola de Casquilhos, Escola Augusto Cabrita, Escola Álvaro Velho e Escola Padre Abilio Mendes. Quem frequentou a cidade universitária em Lisboa, sabe do que estou a falar.

E no Hospital do Barreiro, não vão ser feitos investimentos para mitigar os impactos do ruído dos aviões.
Isto não é um problema para depois, é para ser colocado já, hoje, no âmbito dos pareceres sobre o Estudo de Impacto Ambiental.
Não é amanhã que se mobiliza a comunidade para os efeitos negativos. Mesmo quem diz sim, sabe, ou deve saber, que, aqui e agora, deve saber dizer não, ao que tem que ser dito: Não! 
O nosso Primeiro Ministro, António Costa, deve escutar a nossa voz e não o nosso silêncio. A voz da comunidade, mesmo daqueles que estão de acordo com o aeroporto no Montijo, não devem silenciar os impactos negativos. É o nosso futuro e o que vamos legar aos vindouros.´

Portanto, retomando o inicio do texto, neste caso, não foram as casas que foram construídas ao redor do aeroporto, é o aeroporto que vai, talvez, ser construído junto às casas que já cá estão e vai diminuir a nossa qualidade de vida.
Para já, pelo que se vê, não vamos ter nada em troca, nem mobilidade, nem empregos...ficamos com os ruídos e os resíduos. 
Se não é assim, demonstrem com projectos e factos reais. 
O Barreiro já foi muito castigado. Basta! 

António Sousa Pereira

 

BARRIND projecto «âncora» de desenvolvimento do Barreiro e da região

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Hoje, a BARRIND exposição industrial e comercial, pode transformar-se num outro projecto, renascendo como BARRIND - Barreiro Inovaçao e Desenvolvimento, podendo, na verdade, ser um motor de marketing, de coesão social, de desenvolvimento, de inovação, no fazer cidade e cidadania.
 

Há por aí, uma geração de 40, filhos daqueles que hoje têm 70, que vivem o drama de ter sido filhos de gente que tinha tudo quanto bastasse para viver e dar-lhes perspectivas de vida, numa vila, depois cidade, que de pois deixou de ser uma terra de trabalho, habitação, pão e educação, para se transformar numa terra sem trabalho, de tempos sem pão, com habitação em decadência inscrita em espaços urbanos a carecer de requalificação, mas, oinde não há pão, todos ralham e ninguém ter razão.

Por muito que se fale em potencial, e, até, esses filhos dos ditos homens e mulheres, que hoje contam com 70 anos, enfim, culpem os pais e avós de todas as desgraças que cairam sobre a vila-cidade em decadência, desde os anos 70, fruto da desindustrialização, da quimica e da ferroviária, que destruiu milhares de postos de trabalho e arrastando atrás de si um comércio e serviços de grande qualidade, porque, afinal tudo se resolve mais facilmente com um culpado e gerando estigmas, que procurar soluções.

Era nisto que pensava, ao olhar ali na Avenida da Praia, o ver nascer a ideia de fazer renascer a BARRIND, que acho uma boa ideia, aliás, até acho que esta podia ser uma ideia mobilizadora da cidade e da cidadania, e, não ficar por “operação de gestão de emoções” dando continuidade ao iniciado o ano passado, quando se disse que o objectivo era recuperar o projecto BARRIND, agora, dando continuidade à ideia e como há dinheiro para investir, de novo a autarquia, pode dar o seu contributo para dinamizar a vida económica e cultural da cidade. Porque economia é tudo, e, tem que ser tudo, numa cidade que bateu no fundo da sua auto-estima e precisa mobilizar e mobilizar-se para ser e não para para parecer que é uma referência na região.

No tempo que nasceu a BARRIND – quando eu fiz nascer no meu cérebro esta marca, enquadrando a ideia fomentada por um autarca do PS, Manuel Pina, e acarinhada por um associativista que foi o seu braço direito Emidio Esteves. Afinal uma ideia que retoma da história as iniciativas promovidas na SDUB «Os Franceses», liderança por Manuel Feio; e pelas exposições iniciadas por Augusto Valegas, no âmbito das Festas do Barreiro e no Luso Futebol Clube.
Nesse tempo que nasceu a BARRIND esta foi considerada, pelos promotores da FIL, em Lisboa, como o maior certame desta natureza a sul do Tejo. Depois nasceu a FATACIL, que ainda hoje existe e a MONTIAGRI, assim como esboçou-se um projecto pela ARSET, em Azeitão.

Recordo isto porque, apesar dos sinais da decadência industrial serem visivies, nesse tempo anos 80 e 90, a vila -cidade ainda era uma cidade com esperança e uma economia com empregabilidade.
A BARRIND exposição industrial e comercial era disso um exemplo, sendo a grande montra da actividade económica e de fomento de novas actividade. Algumas empresas tiveram o seu nicho de nascimento e desenvolvimento na BARRIND.

Hoje, a BARRIND exposição industrial e comercial, pode transformar-se num outro projecto, renascendo como BARRIND - Barreiro Inovaçao e Desenvolvimento, podendo, na verdade, ser um motor de marketing, de coesão social, de desenvolvimento, de inovação, no fazer cidade e cidadania.

A BARRIND se nascer, ou renascer, como arma de arremesso, para demonstrar que os outros, que tinham muitas ideias, nunca retomaram a BARRIND, será, logo à partida um “nado morto” porque demonstra que não tem por trás de si ideias criativas.
Os anteriores mandatos não dinamizaram a BARRIND, após a sua última realização, porque os recursos financeiros da autarquia eram insuficientes, por essa razão, de forma inteligente, no mandato de Emidio Xavier, nasceu a ideia de promover a MEI – Mostra Empresarial e Institucional, que foi mantida nos mandatos de Carlos Humberto, mesmo com dificuldades, perante a maior situação adversa que a autarquia viveu desde o 25 de Abril.

A ideia de fazer renascer a BARRIND, sempre defendi, mas o fazer renascer esta ideia e este projecto, será um erro se ficar por uma iniciativa de âmbito municipal. 
Este é um debate que deve ser feito, com coragem e sem estigmas, colocando em torno do debate todos os cenários, se, de facto se pretende que a BARRIND seja um projecto de marca, de referência, de projecão.
A BARRIND nunca foi um projecto acabado, nem nunca se chegou a conclusões objectivas de qual o cenário, o programa de seu desenvolvimento e implementação anual.

Uma discussão nunca acabada, nem nunca concluída, porque, de facto, igualmente nunca se concluiu estrategicamente o que devia ser a BARRIND enquanto projecto dinamizador da actividade económica e de desenvolvimento do concelho do Barreiro e da região.
Por essa razão nunca se clarificou se a sua realização era em torno das Festas do Barreiro, como complementaridade das Festas – como foi – ou se era um evento âncora, como foi, para dar dimensão à celebração do Dia da Cidade.

O debate de ideias e o conflito sobre a essa definição centrava-se em torno de duas reflexões centrais, por um lado, a realização da BARRIND em simultâneo com as Festas, em Agosto, era complicado para o envolvimento do tecido empresarial, por coincidir com as férias, sendo uma data em alguns aspectos negativa para envovler empresários.

Por outro lado, se a realização fosse em torno do Feriado Municipal – 28 de Junho – isso permitira um projecto que podia contar com mais envolvimento dos empresários.

Os debates nunca se consolidaram se a ideia de BARRIND era um exposição de dimensão local ou regional, ou até, se podia transformar-se num evento, na época, único no país, sendo o grande certame nacional do mundo das tecnologias informáticas.
Em suma a discussão dos caminhos a percorrer pela BARRIND, aquele que durante alguns anos, foi o maior certame do género ao sul do Tejo, nunca foi concluída, ficou na memória. É um tempo de estórias e histórias.
Foi na BARRIND que abracei o Eusébio, um dia que o espaço transbordou de humanismo, graças a uma acção de um empresário, que nada teve a ver com a autarquia. O Rui, da firma Alves & Rui, Ldª.

É por tudo isto que considero não basta fazer renascer a marca BARRIND. Não basta trazer a BARRIND para a Avenida da Praia.
A BARRIND ou é um projecto que deve ser pensado e equacionado com estratégia, com visão, para ser uma alavanca e âncora do «potencial», envolvendo outros agentes locais, nomeadamente a Baía do Tejo, ou então não vai passar disto, uma exposição de complementaridade das Festas do Barreiro. Faz-se quando a autarquia tem dinheiro, porque o emocional conta, e, vai existindo.

A BARRIND não é, não deve ser mais um projecto de municipalização, embora, sem dúvida o papel do município como dinamizador é nuclear.
Por essa razão, hoje, quando penso a ideia e o projecto BARRIND olho-o com uma visão de Inovação e Desenvolvimento.
Não penso só BARRIND, penso equacionando com outras ideias que nascem isoladas – é isso que temo.
Penso BARRIND, Multiusos, Start up XXI, Braamcamp...pois, é isso que penso, mas para juntar ideias é preciso debate de ideias e envolver a comunidade no fazer futuro.

Divirtam-se!
António Sousa Pereira

Nome do autor esse de facto é importante e conta para a história

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Após cerca de 20 anos - há quem diga que não são 20 anos, que são menos, uma coisa é certa, sem dúvida que há mais de década e meia, mas, para o caso isso pouco interessa, o que conta para a nossa vida real é que a estátua do Salineiro voltou de novo ao convívio da comunidade lavradiense.
Uns gostam da opção. Outros não gostam São formas de sentir e pensar. É isto que faz a democracia. 
A escultura de Pedro Miranda da Silva, duas vezes vandalizada, acabou por ficar estes anos no armazém da junta de Freguesia.
Houve quem tivesse anunciado que seria feita uma estátua em bronze, servindo esta de modelo. Nunca se concretizou. Nunca saíu do armazém, nem sequer foi recuperada.
A estátua do Salineiro não tem condições de ser colocada na via pública, porque facilmente é destruída. Esta foi, portanto, uma boa opção.
Em boa hora, é de louvar e aplaudir, a quem teve a ideia de trazer a arte para o centro do Mercado Municipal do Lavradio. Fica o registo e o reconhecimento.

Mas, quando da cerimónia de instalação da estátua do Salineiro no espaço central do Mercado do Lavradio, fiquei com um «bichinho» a morder por trás da orelha. E, na verdade, só hoje, foi possível passar por lá e confirmar.
Fiquei triste. E não gostei.

Lê-se na placa a assinalar o evento

“O Salineiro”

Recuperada pela União de Freguesias do Barreiro/Lavradio, pela Presidente em exercício Gabriela Guerreiro.
Lavradio, 27 de Julho de 2019»

Li. Voltei a ler e reler. Para quem por ali passar, no futuro, fica a saber que a estátua foi recuperada pela União de Freguesias do Barreiro e Lavradio, que era presidente da junta de freguesia, Gabriela Guerreiro. 
Não fica a saber o mais importante, que na verdade, ali, devia estar bem claro, quem é o autor da escultura, e, até, já que se fala em quem recuperou que, na prática, a sua intervenção foi essencial para realizar o trabalho de dar vida à escultura vandalizada.
Enfim, coisas da vida... 
Por favor, coloquem na base da escultura o nome do autor, esse,de facto é importante e conta para a história.

Pedro Miranda da Silva nasceu na Baixa da Banheira, concelho da Moita, reside há décadas no Barreiro, é um artista com uma vasta obra, é ele, para que conste, o autor da escultura do Salineiro que esteva à entrada do Lavradio, e, que a partir do último sábado passou a marcar presença no centro do Mercado Municipal do Lavradio.

Outra nota, aquelas cintas á volta da estátua percebo que por ali estivessem no dia da apresentação da sua instalação, agora são um «ruído» na frente de estátua, não fazem parte da escultura e «incomodam« o olhar. Se é para que não seja tocada com as mãos, ou parta evitar que as crianças lhe toquem isso nunca será evitado e, mesmo que isso aconteça, com os anos pode dar-se um toque, ou deixar ficar como as marcas que serão uma referência à passagem de gerações. Não gosto daquelas cintas. 

António Sousa Pereira

 

Se eu tivesse um cão, talvez fosse feliz!

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Ele acorda pela manhã, sente cócegas no umbigo, esse lugar, que ele coça sempre, diariamente, quando bebe uma cerveja, sentindo que ela, a dita, desce pelo ésofago, afinal, acaba por ser o consolo de todas as suas desventuras.

Acorda. Abre a janela, que se abre para a cidade de betão, olha um gato a saltar na distância, livre, e um pássaro que voa rasgando o azul da manhã, livre.

Abre a boca, ainda ensonado. Tenta respirar. Ele não respira pelos pulmões, porque pelos pulmões só respiram os que sonham e acordam a sorrir. Ele respira com os nervos, porque acorda a respirar ética. Abre os olhos. Sente a ética nos sons que ecoam pelo esofago, assim incandescente a fervilhar e transformar-se num arroto matinal, que o faz de novo coçar o umbigo.

 

Sai da janela, percorre o corredor da sua solidão matinal. Os dias repetidos. A sobrevivência. Cansaço. Vive com a ética colada ao pijama. Ele sabe que a ética, para além de sangue e nervos, tem que ser a arma que lhe dá personalidade. Um homem sem ética é como um cão sem dono.  

Entra na casa de banho, senta-se eticamente, sim, porque só quem tem a ética colada ao corpo, sabe como deve sentar-se, eticamente, de forma a evitar os inesperados ruídos matinais, que perturbam a sua intensa criatividade.

 

Mas, ele, afinal. é indiferente ao que possam pensar, tem uma certeza, naquele recanto a sua imaginação é infinita. É ali, que, diariamente, ele sabe que pode sentir-se um gato ou um pássaro. Pode saltar. Pode voar. Sonha, sonhos únicos. Livre, livre, livre...

É aquele o momento, único, na vida quotidiana, que apesar de estar eticamente bem sentado, ele esquece a ética que molda o seu pensar e forja a imagem que tem de si mesmo e quer manter perante o  mundo. Parecer mais que ser, basta!

 

É nesse instante, quando ele, por segundos, ignora e esquece a tal ética profunda que, na verdade, a sua vida real, autêntica, emerge em explosões. Sente-se livre. O seu pensamento confunde-se com a sonoridade dilacerante, que rasga a solidez do seu corpo húmido e flácido.

Ali, de súblito, ele sente explodir e explodir-se, por momentos a palavra ética dilui-se nos sons em sucessivas explosões. Ele sabe, que a velocidade do som é menor que a velocidade da luz. Eticamente a luz é para esquecer, isso é coisa de iluminados.

O que conta é o som. Abre os olhos. Respira.

Ali, sente que o cheiro dos seus sons em ebulição, vão solidificando e geram os seus pensamentos únicos.

A felicidade é isto, pensa, quando atinge o auge da fluidez da sua auto-sonoridade e os sons fundem-se com a criatividade. Uma felicidade única, que o faz sentir  como um ser único. Irrepetível. Poeta. Jornalista. Politico. Comentador. Ele é de tudo um pouco, a unidade na diversidade. Dialéctica pura e cristalina.  

Afinal, só um ser único, criativo como ele, é, na verdade, um ser que pode, naquele recanto, tal como na vida, sentir a sonoridade da ética, e fazer da ética uma arma, um cântico e um poema.

Parafraseando o poeta : “com ética se faz a paz, se faz guerra, com ética tudo se faz e se desfaz, com ética se faz o som, se faz a luz, se faz as trevas, com ética, faz-te à vida, porque com ética tu és capaz!”   

 

Sai da casa de banho, feliz, eticamente feliz. Volta a olhar a rua da cidade de betão, e, ali, da sua janela, olha a distância e pensa : “Se eu tivesse um cão, talvez fosse feliz!”

 

S.P.

 

Nota- Qualquer semelhança desta estória com a realidade é pura coincidência. Não tem mesmo destinatário na vida real. 

Acredito na ética que se escreve com  palavra – Amor!

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Viver é sentir o tempo que vivemos, tocar com os olhos nas paisagens, colorir o tempo de azul, partilhar com os outros as nossas vivências. Porque não estamos sós, não vivemos sós, nem somos apenas nós. Afinal, tudo, mesmo tudo, o que somos é inscrito no tempo que vivemos.

Quando nós sentimos o tempo, nele encontramos o tempo que percorremos, a vida, essa, que nos faz orgulhar do que somos, do que vivemos, é, nisso, apenas nisso que somos nós, lá por dentro, bem por dentro dos neurónios onde, como dizia uma canção, é um jardim, o nosso jardim, onde só entra quem a gente quiser, porque esse lugar, é nosso, o recanto onde nos encontramos, onde o eu é eu, também, onde o eu é tu, e, onde se quisermos o eu é nós. É nesse interior que somos, nesse lugar onde a palavra amor, floresce e renasce, sempre que abrimos os olhos e dizemos: Bom Dia!

 

Olhar a paisagem e sentir o vento soprar nos neurónios, silenciosamente, é sentirmos o tempo que somos, sim que somos, a fluir no coração, mergulhando nas raízes das palavras. Esse sentir os neurónios feitos das palavras que somos é a beleza que faz o ritmo e a vida. É lindo!

É por isso que a vida é mais que essa ética que se escreve e não se sente, nem pensa, nem se pratica, essa ética que é apenas uma palavra para ornamentar a gordura dos pensamentos. Essa ética que se vomita eivada de rancor e de arrogância. Ódio. Intolerância. Sobranceria. Pedantismo. Tenho pena.

Cá por mim, acredito na ética que se escreve com  palavra – Amor!

Sim tenho pena porque essa outra ética, essa que encontro, por vezes, em comentários de circunstância, acreditem, cheira a fénico, é apenas um arroto que se acha intelectual. Prefiro sentir o vento, e, com o olhar a mergulhar nas águas do Tejo.

É uma maravilha viver os instantes. Sorrindo. sempre sorrindo, porque a vida é para sorrir.

Não se enervem. Freud, explica isso!

 

S.P.

 

Estátua do «Salineiro» no Mercado Municipal do Lavradio – uma oportunidade para pensar futuro

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Esta opção pela sua colocação no Mercado Municipal do Lavradio, sem dúvida, para além de enriquecer o espaço, salvaguarda aquela escultura de actos de vandalismo.

Está de parabéns o Pedro Miranda da Silva, por ter recuperado a sua bela obra dedicada ao «Salineiro», e, naturalmente o executivo da freguesia que concretizou esta solução, proporcionando à comunidade fruir diariamente desta escultura.
 

Vivemos um tempo de ‘politicas pobres’ no que diz respeito à promoção de reflexão teórica e estratégica. Essa realidade gera uma tensão permanente entre a forma como a realidade se apresenta de forma objectiva e as interpretações ou visões que se projectam sobre essa mesma realidade, quer na sua análise teórica, quer na consequente implementação de práticas.

O debate teórico é o fruto do pensar a realidade, esse pensar que gera reflexão, sendo a reflexão que faz nascer ideias, e, as ideias que depois nos movem para forjarmos a transformação da realidade. 
É isto que traduz as vivências que nascem nas práticas quotidianas, num permanente equacionar e concretizar a relação entre a teoria e a prática.
As ideias traduzem-se nos comportamentos, nas decisões, nas acções, nas relações, no fazer cidade e cidadania. 
As ideias, o pensar, faz presente e antecipa futuro.
É por isso que ao longo da vida, vamos sentindo que a realidade existe, transforma-se pela acção humana, uma acção que começa no pensar e do pensar vai para o fazer. Só assim se afirma, de contrário, não se afirma, porque fica-se por meros slogans escatológicos. Afirmar só faz sentido quando se inscreve no fazer vida e fazer cidade.

Estes pensamentos ocorreram-me ao passar, pela manhã, no Mercado Municipal do Lavradio e, ali, verificar que, na sua zona central, está colocada a estátua do salineiro do escultor Pedro Miranda da Silva, que será ‘descoberta’ no próximo sábado, no âmbito da programação das Festas do Lavradio.
Uma solução positiva. Uma opção que merece um caloroso aplauso. 
Na verdade, a estátua devido aos materiais que foi produzida era impensável colocá-la de novo no espaço público, mais dia, menos dia, seria de novo destruída por actos ignóbeis de vandalismo, como aqueles que se registaram no passado.
Esta opção pela sua colocação no Mercado Municipal do Lavradio, sem dúvida, para além de enriquecer o espaço, salvaguarda aquela escultura de actos de vandalismo.
Está de parabéns o Pedro Miranda da Silva, por ter recuperado a sua bela obra dedicada ao «Salineiro», e, naturalmente o executivo da freguesia que concretizou esta solução, proporcionando à comunidade fruir diariamente desta escultura.

Mas, ao olhar para o espaço envolvente do Mercado Municipal na minha memória ocorreram-me as conversas e as tomadas de posição assumidas para que este Mercado Municipal fosse construído, porque, na época existia por parte da Câmara Municipal do Barreiro a recusa de avançar com a sua construção, porque os mercados estavam em decadência, alguns a fechar pelo país, e o Lavradio estava “bem servido pela Feira Nova”, dizia-se.
O então presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, foi uma das vozes que mais contestou esta posição da Câmara Municipal do Barreiro. Sublinhe-se que ambos os órgãos autárquicos eram de maioria CDU.

Recordo um discussão, para a qual fui convidado a participar, estando em debate aceitar ou não aceitar a decisão da CMB. Discutiu-se. Discutiu-se. Argumentos diversos inclinavam a decisão para a concordância com a posição da CMB. O Morgado, presidente da Junta de Freguesia, estava indignado, e, decidido mesmo a pedir a demissão.
Lancei o repto de se avançar com a construção do Mercado, tendo por base um programa que na sua arquitectura, projecta-se o presente e o apontasse soluções para o futuro.
Ou seja que a arquitectura permitisse o funcionamento do Mercado, na época pujante e com um vasto leque de consumidores, mas, ao mesmo tempo, sabendo-se que a tendência podia ser caminhar para o declínio destes espaços na vida das cidades, dado o surgimento constante de novas superfícies comercias, seria bom, que a construção fosse pensada para, no futuro, de forma prática e eficaz, ali, poder nascer um espaço de praça pública – Centro Cultural – que fizesse a ponte entre o Lavradio Velho e o Lavradio Novo, que estava em emergência a Urbanização dos Loios.

Foi então aprovado avançar com a construção do Mercado, para cuja construção, em vários orçamentos municipais já tinham sido aprovadas, as verbas de várias derramas destinadas ao Mercado do Lavradio. Assunto que era sistematicamente recordado por Aires de Carvalho, e muito bem, então líder concelhio do PS.
Recordo tudo isto, porque ao passar por ali, notei as muitas bancas que no Mercado não estão ao serviço e, como são reais as dificuldades de manter esta actividade com capacidade de ter dimensão económica numa vila, cujo tecido edificado está cada vez mais devoluto, com um espaço urbano que há décadas carece de ser pensado e requalificado, e, pensei, se, afinal, a colocação da estátua do salineiro não é, infelizmente, o primeiro sinal que, mais tarde, ou mais cedo, é preciso pensar, reflectir e decidir sobre a revitalização ou reutilização daquele espaço municipal.

Talvez, até, já nos dias de hoje, ver como é possível olhar para a sua realidade e ‘mexer’ no seu espaço, proporcionando no seu interior outra utilização, abrindo caminho para outras valências. 
Pensei várias soluções. Diverti-me a pensar.

Recordei as discussões, e, agora, concluo que o projecto como foi elaborado, sem dúvida, sem muitos custos permite reconversão para reutilizações, de diversas actividades e, até, nesta fase, é possível manter as áreas que por ali estão em funcionamento.
Mas, isso, compete aos técnicos de forma interdisciplinar, ou seja, através do diálogo entre diferentes serviços, ver opções e encontrar soluções. Naturalmente, em primeiro lugar, isso, só é possível se os políticos, responsáveis pela gestão da polis, pensarem, reflectirem e agirem, fazendo nascer o futuro, aqui agora, neste presente.

Parabéns pela implantação da Estátua do Salineiro.
Que seja um bom sinal, de revitalização do espaço, e, desejo mesmo que abra as portas para que, desde já, se comece a pensar futuro. 

Isso mesmo uma oportunidade para pensar futuro! Que significa pensar o território do Lavradio desde o Mercado Municipal, passando pela ‘praça’ do antigo Mercado, ruas envolventes, da Egas Moniz à Rua Luis Furtado de Albuquerque, que podem e devem, no seu conjunto, transformar-se numa zona central de uma vila que carece de revitalização com urgência, de forma a evitar que se transforme num guetto, cujos sinais vão surgindo e vão sendo ignorados. 

António Sousa Pereira

 

Sector Ferroviário e Terceira Travessia do Tejo – estranho silêncio no Barreiro

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O sector ferroviário está na agenda politica nacional e europeia. O Barreiro é um concelho, cuja história no século XIX e século XX é indissociável do sector ferroviário. Será que tem lugar no futuro?

Quando de novo a TTT está na agenda politica, e, naturalmente, vai ter impactos sobre o território do Barreiro, colocando-o no mapa de Portugal e da Europa. Que se faz, que se defende sobre esta matéria?

 

Nos últimos dias têm sido várias as noticias relativas sobre o sector ferroviário, nomeadamente, a divulgação de propostas ou projectos que o Ministro Pedro Nuno Santos, pretende dinamizar desde a intenção de convencer recém reformados da EMEF a voltar a colaborar na empresa, passando pela divulgação de avultados investimentos na linha do Oeste, visando a modernização entre Sintra e Torres Vedras, ou, a intenção de concretizar a separação da ferrovia da rodovia, acabando com a IP Infra-Estrutura de Portugal, que nasceu da fusão da Refer com a Estradas de Portugal.

Para além, destas noticias, a esta matéria não será indiferente o anunciado avanço da TTT – Terceira Travessia do Tejo, que, desde sempre faz parte do Plano Ferroviário Nacional, que desde o 25 de Abril, praticamente tem sido esquecido, privilegiando-se o fomento do Plano Rodoviário Nacional.
Hoje mesmo é anunciado, no jornal «Público» que a empresa Medway, está apostada na criação de uma ligação de comboio directa diária entre Portugal e a Alemanha, que possa servir a Autoeuropa.
E, igualmente, da Europa sopram ventos nos últimos tempos anunciando a intenção da aposta no desenvolvimento e renovação da rede ferroviária, no âmbito de politicas de preservação do ambiente e estratégias sobre as alterações climáticas.

O sector ferroviário está, portanto, na agenda politica nacional e europeia.
O Barreiro é um concelho, cuja história no século XIX e século XX é indissociável do sector ferroviário.
Recordo, até, que quando da divulgação do projecto da Terceira Travessia do Tejo, nos governos de José Sócrates, assim como do TGV (que, de há muito devia estar a funcionar, ligando Portugal a Espanha e à Europa), falou-se e foi afirmado que o Barreiro voltaria de novo a ser colocado no mapa da ferrovia.

Duas coisas eram anunciadas, a criação de uma Estação de Comboios, na margem sul, com a dimensão estratégica da Estação Oriente em Lisboa. Essa Estação ficaria localizada onde hoje funcionam as Oficinas dos TCB.
Outra, era a construção das Oficinas de Manutenção do TGV, de nova tecnologia e de grande dimensão para a modernização do sector ferroviário, que ficariam localizadas na zona da Penalva.

E, nos dias de hoje, ao ler as noticias e as propostas do Ministro Pedro Nuno Santos que aplaudo e que, na verdade, só pecam por tardias, fico perplexo com o silêncio que reina no Barreiro.

Quando estão em marcha projectos de grande importância para o país, geradores de milhares de postos de trabalho, com tecnologias de futuro.
Que diz o Barreiro sobre isto? Que estão os politicos desta cidade a tentar fazer para saber se o Barreiro, pode, ou não pode entrar, por exemplo na corrida da EMEF, visando a renovação e valorização das Oficinas do Barreiro e, até concluindo os 300 metros de linha eléctrica que permitam dar de novo vida e emprego àquele espaço ferroviário? 
Ou será que, mais uma vez, tal como o discurso da Quinta de Braamcamp, como o PDM prevê para ali habitação, não interessa fazer ondas, porque o imobiliário é que é a estratégia de desenvolvimento?
Que estranho silêncio. Ninguém comenta. Ninguém fala. Nem que lidera, nem quem está na oposição.


Quando de novo a TTT está na agenda politica e, naturalmente, vai ter impactos sobre o território do Barreiro, colocando-o no mapa de Portugal e da Europa.
Que se faz, que se defende sobre esta matéria? 
O PS nacional, já anunciou e não se define se quer rodoviária, ou ferroviária, ou mista. Localmente, já sabemos, como é normal, só vai tomar posição, quando existir a posição nacional.
O BE nacional, já anunciou que defende apenas que seja com vertente ferroviária. Localmente, também, tem sido essa a opção.
O PCP não se definiu, mas, em tempos idos defendia que a nível local, quer a nível nacional que fosse rodoviária e ferroviária.

A Câmara Municipal do Barreiro, enquanto órgão, em anteriores mandatos tomou posição ferro-rodoviária, até, indo de encontro aos projectos acima referidos – Estação nos TCB, Oficinas do TGV na Penalva.
O actual executivo sobre esta matéria nunca tomou propriamente posição.
Estando o assunto na agenda politica nacional, estranha-se que até ao momento, não exista uma tomada de posição pública sobre estas matérias.
Se há contactos ninguém sabe, se há propostas para o Barreiro, ninguém sabe. A verdade, é que este é um tempo crucial para o futuro do território do Barreiro. 
Os territórios são competitivos entre si, e, para fazer futuro de um território, habitação pode ser importante para o desenvolvimento, quer nova habitação, quer a reabilitação, mas, uma cidade não vive só de habitação. Precisa emprego. 
O sector ferroviário faz parte da história e da nossa memória desde o século XIX, seria muito bom se continuasse e fosse uma dimensão estratégica para o século XXI e XXII, gerando empregos de alta qualidade tecnológica, e, também, aqui, uma Estação Central que seja a porta da ferrovia que liga a Grande Lisboa ao Alentejo – a Évora e a Beja.

Fica aqui e agora, um apelo ao Ministro Pedro Nuno Santos, veja, por favor, se no Plano Nacional de Desenvolvimento Ferroviário há um espaço para pensar Barreiro e integrar o Barreiro no futuro que está em marcha. 
Contamos consigo, Senhor Ministro. Pense Barreiro. Obrigado!

António Sousa Pereira

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