Morreu Manuel Fernandes, que começou sua adolescência desportiva no Estádio Alfredo da Silva, no Barreiro, com as cores do Grupo Desportivo da CUF, sagrou-se como o eterno Capitão do Sporting Clube de Portugal e honrou as cores de Portugal ao serviço da seleção, legou uma vida exemplar de amor ao futebol e à construção de amizades.
Um dia, no Estádio Alfredo da Silva, num encontro de apresentação da equipa do Grupo Desportivo Fabril, então Manuel Fernandes, na função de treinador do Vitória de Setúbal, no final de um jogo de futebol perguntei-lhe, qual a sensação que sentia ao regressar ao Estádio Alfredo da Silva, ele respondeu: ““Este é um campo que marcou a minha adolescência. Passei aqui seis anos maravilhosos, com gente boa, com gente experiente, com um clube com umas condições extraordinárias. É sempre bom visitar este estádio lindo. Era lindo, ainda está bonito, mas dantes era lindo.”
Senti que ser jogador, podia ser a minha profissão.
Igualmente, tive a honra de moderar, na Escola Profissional da Moita, uma conversa com Manuel Fernandes e Carlos Manuel, uma conversa para dar a conhecer aos alunos exemplos de vida e de paixão pela vida.
Nesse encontro com os alunos, Manuel Fernandes, recordou – “nasci numa aldeia humilde, a minha terra era uma terra isolada para lá chegar ia-se por estradas de areia”.
Salientou que desde muito novo – “senti que tinha vocação para ser jogador de futebol, enquanto os meus amigos de infância gostavam de brincadeiras de cow boys, eu gostava de jogar à bola. Eu jogava dois três jogos por dia. Senti que ser jogador, podia ser a minha profissão. Foi a minha mãe que me incentivou a ser jogador de futebol. Ela adora futebol, ainda hoje é a sócia nº 2, do Sarilhos”. A conversa realizou-se em 28 de Fevereiro de 2014.
Ter muito jeito não chega, temos que lutar
“Acho que quando temos vocação para uma coisa, devemos agarrar essa vocação para termos sucesso” – sublinhou Manuel Fernandes.
Recordou que aos 16 anos, vestiu a primeira camisola, integrando a equipa do Sarilhos Pequenos. Sarilhos Pequenos. Era uma terra com 700 habitantes.
“Eu tinha muito jeito” - sublinhou, acrescentando que – “ter muito jeito não chega, temos que lutar”, porque há muitas dificuldades pelo caminho.
“Fui treinar ao Sporting e ao Benfica e fui escorraçado” – recordou.
Manuel Fernandes, sublinhou que esses episódios não lhe retiraram a vontade de concretizar o seu sonho.
“Eu vou conseguir” – foi a afirmação que colocou a si mesmo, vindo a integrar o plantel do Grupo Desportivo da CUF.
Eu queria chegar ao clube do meu coração, o Sporting
Manuel Fernandes, recordou que, dedicou-se durante seis anos ao Grupo Desportivo da CUF.
“Eu queria chegar ao clube do meu coração, o Sporting. Sempre disse que queria representar o clube que eu mais gostava – o meu Sporting” – salientou.
“Eu sabia que um dia ia vestir aquela camisola. E vesti-a durante doze anos” – recordou.
Recorde-se que Manuel Fernandes foi, até aos dias de hoje, o melhor marcador do Sporting Clube de Portugal e o atleta com mais jogos ao serviço do clube.
Partilhar momento de convívio com Manuel Fernandes
Tive, igualmente a honra de partilhar momentos de convívio com Manuel Fernandes em encontros, no Estádio Alfredo da Silva, quer quando integrei o Conselho Geral do Grupo Desportivo Fabril, quer enquanto exerci o cargo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral. Um homem de conversa afável, de grande simplicidade e respeito pelo outro.
Também, conversamos e partilhamos selfies, naqueles dias de disputa do Taça Cidade do Barreiro, que colocava frente a frente o Barreirense e o Fabril, os eternos rivais. O derby da cidade. Ele vivia com intensidade este encontros com a história.
Como sportinguista sempre admirei o nosso capitão.
Fotografia - Com António Pereira (Luso FC); Manuel Fernandes (Sporting e GD Fabril), José Augusto - «O Magriço» SLB e FCB Barreiro - 24 de Janeiro de 2017
Estamos em junho, este tempo que, no ciclo do tempo, antecede as férias, marca o final do ano lectivo, que, para alguns, assinala a hora de mudança, o adeus a um lugar onde se descobriu a vida, onde os sorrisos entraram pelo olhar, as palavras mergulharam em recortes de cor, e os sons foram cantados em coro, esse lugar, onde aprendemos a viver o sentido da partilha do tempo comum, do sentir comum. Esse lugar onde aprendemos a dizer: “Ele, ou ela, são meus amigos!”.
É a roda da vida. O movimento do tempo. Crescemos. Mudamos.
Vem tudo isto a propósito daquela festa de amor, gratidão e memória, que vivi, com sorrisos e umas gotas de sal a brilhar no olhar, no passado dia 15 de Junho, no Salão da SFAL, naquela festa de encerramento do ano lectivo do Jardim Infantil Xi- Coração.
Não podia faltar à festa da minha Alice, que, com antecedência comentava : “Avô eu vou estar no palco”.
Mas, quero dizer-vos, se gostei de ver a minha neta astronauta a dançar, a viver com ritmo e intensidade aquele momento de som e cor, a energia de todos a viver a música, a saltitar, a rasgar o futuro, esta manhã, de festa foi um tempo inesquecível. Uma viagem pelo tempo, por dentro do tempo que somos.
A São atarefada a dar energia à máquina do tempo. Uma geringonça a fazer lembrar o filme do “Regresso ao futuro”. Ela, verdadeiro cientista, a colocar o mundo em alvoroço. Uma festa dentro da festa.
Lá surgiram do fundo do tempo, vindos dos ovos que germinam futuro, os dinossauros, eles e as mães, numa viagem com o verde de esperança. Um momento de grande calor humano, de amor, de vida.
Depois, viajámos à idade da pedra para conviver com os Flintstones. Cenários criativos. Movimento. Ritmo. Avós, pais e mães, talvez, alguns revivessem os dias que, de olhos presos ao ecrã da televisão, divertiam-se com as peripécias da Idade da Pedra.
E, nesta viagem pelo tempo, chegaram os Vikings, com lutas e abraços. Rodas de ternura.
Um trabalho que, certamente, deu horas e horas de amor, nos bastidores para vivermos aqueles instantes deliciosos.
A viagem continuou com a nau dos descobrimentos, com a vida de marinheiros sonhadores de um país que se escreve com uma língua que se deitou nos oceanos. Um rigor de pesquisa de guarda roupa. Uma nau que estava pronta a navegar pelas tempestades do tempo. Um momento de grande beleza estética.
E rumo ao futuro, nesta viagem por dentro das memórias, da ternura de gerações, do legado que somos, do legado que partilhamos, foi a hora de viajar no espaço. Os astronautas. Ali, por Terra, Marte, Saturno. O espaço que somos. O sol.
E os e as astronautas estavam lindas. Cinco estrelas. Senti o coração a viajar no silêncio do tempo. Lá estava a minha Alice. Entusiasta. Dinâmica. Imponente.
E, nesta festa pelo espaço e pelo tempo, ainda houve tempo para receber a visita de marcianos, ou de viajantes de outro qualquer planeta, que descobriram a vida na terra. Um tempo colorido. Máscaras a lembrar o Carnaval de Veneza. Vida. Muita vida.
Ao longo deste belo espectáculo, marcado de criatividade, amor, ternura e memória, não faltaram os aplausos e a energia da plateia, todos vivendo a festa, com mais festa. Uma festa construída com o calor de quem vive o seu quotidiano a semear partilha nos corações. Educadoras, Auxiliares. A equipa do Xi- Coração.Foi linda a festa pá!
Uma manhã de emoções. De lágrimas de saudade a escrever futuro, naqueles momentos que foram entregues os diplomas aos meninos e meninas que, neste final de ano, vão partir para um novo nível de aprendizagem. Sentia-se a emoção a brilhar nos olhos.
E, para fechar esta manhã, neste tempo de tanta tristeza no quotidiano, de guerras na Ucrânia e em Gaza, de outras guerras anunciadas, sentimos, nascer, uma palavra que ficou inscrita no palco, em letras de ouros, em letras de sal, em letras de amor, em letras abraçam a vida – GRATIDÃO.
Antigos alunos do Xi- Coração, antigos pais e seus filhos antigos alunos, deram vida ao palco, com energia, para cantar, dançar e distribuir flores aos seus antigos educadores, e dar um abraço faterno. Um Xi no coração.
A São e a Paula, líderes deste projecto, um projecto de iniciativa privada, que contribui para formar homens e mulheres, nesta manhã, de junho de Dois Mil e Vinte quatro, receberam um beijo do passado a inscrever-se na saudade do futuro. Foi um momento que, senti com emoção e pensei: se há quem pense que no mundo por vezes falta a palavra AMOR, ela foi semeada e vivida naquela ternura que floriu em lágrimas e abraços. Afinal, é tão belo viver a palavra OBRIGADO!
E, nesta festa no tempo, onde o passado beijou o presente, e , o presente abraçou o futuro, a festa continuou com a força da palavra Liberdade. Essa liberdade que dá força à criatividade. Essa Liberdade que faz viver a palavra Gratidão. Essa Liberdade que é memória e, se escreve com amor ao futuro.
Em coro, todos, todos, pais, filhos, netos, avós, a comunidade Xi- Coração cantou em coro, aquele som vindo do tempo – uma gaivota voava…voava, a reviver Abril, 50 anos depois, ali, escrevendo que, afinal, somos livres, sempre que inscrevemos nas viagens pelo tempo, as palavras – Memória, Amor e Gratidão.
Obrigado Xi- Coração por esta manhã de partilha, de festa e de criatividade.