Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Humildade…perdes sempre!

202286798_10221974680054698_9018344068572678197_n.

“Humildade…perdes sempre!”, foi uma frase que registei na minha agenda, no dia de hoje, há 30 anos atrás. Estávamos no ano de 1992. A SIC tinha arrancado recentemente. E dentro de mim senti, nos neurónios, que este era um dia que marcava uma nova fase da minha vida.

 

“A tranquilidade está no viver com o coração a pulsar, de forma sublime, a beijar suavemente os neurónios”, foi a frase que escrevi esta manhã, quando bebia o meu café matinal no Café Bar da SFAL. Era esta a sensação que percorria a minha mente ao olhar aquele espaço. Tranquilidade. A consciência a beijar o coração.
 
No ano de 1992, exerci pela primeira vez a função de Presidente de Direcção da SFAL, aquela que é a mais antiga colectividade do concelho do Barreiro e da actual União de Freguesias do Barreiro e Lavradio. Passaram 30 anos.
 
Foram dias felizes, foram dias de paixão no viver e fazer cidadania. Foram dias que fui obrigado a crescer, aprendi tanto, tanto sobre a vida em comunidade e sobre comportamentos humanos. Uma experiência que me enriqueceu, que guardo, por nela ter vivenciado e sonhado, a frase da minha vida: “procura deixar o mundo um pouco melhor que o encontraste”, que herdei da minha passagem pelo mundo do escutismo.
 
E, ao olhar aquele espaço, no meu coração senti de forma sublime a dedicação de uma equipa que nunca vergou e que se manteve coesa perante as dificuldades e os desafios.
 
O homem sonha e a obra nasce, escrevia Pessoa, foi isso que nos motivou, com amor e entrega, num tempo que já era difícil, pois, nele emergia no quotidiano da comunidade as transformações que iriam marcar o futuro do concelho do Barreiro. O fecho das fábricas. O crescimento de DLD.s – Desempregados de Longa Duração. As alterações no mercado de proximidade. O envelhecimento da população.
 
E, a acrescentar a tudo isto uma nova realidade iria alterar as relações de vizinhança e de proximidade.
A SIC tinha arrancado recentemente, a 6 de Outubro. Em Fevereiro seguinte nascia a TVI. De repente as pessoas optaram por meter-se em casa e consumir televisão.
 
Um tempo novo, com a internet prestes a marcar a vida quotidiana, com os blogs a ocupar o lugar das esquinas.
Foi há 30 anos. Nesse tempo, também a minha vida profissional alterou-se profundamente.
 
Faz hoje, 16 de outubro, precisamente 30 anos, estávamos no ano de 1992, findou a minha função de responsável no GIRP – Gabinete de Informação e Relações Públicas, na Câmara Municipal do Barreiro.
“Humildade…perdes sempre!”, foi uma frase que registei na minha agenda, neste dia. Tenho hábito, há mais de 50 anos, de registar algumas notas na minha agenda, e quando, por vezes as releio, sinto a tal tranquilidade nos neurónios, que faz uma consciência sublime. Uma memória que enriquece a ternura dos meus cabelos brancos.
 
Estar de pé, com dignidade, viver com a Liberdade a pulsar no coração. A consciência tranquila. O resto é o resto.
Dentro de mim senti, nos neurónios, que este era um dia que marcava uma nova fase da minha vida. Um tempo de viagem por um deserto interminável. Dilacerante.
 
Houve tempo que sonhei que cada um de nós tem o dever de dar um contributo para fazer um mundo melhor. E continuo a acreditar, mas, digo-vos há muito que deixei de acreditar no Pai Natal.
Tenho este defeito que, passados estes anos continua a ser uma marca da minha forma de estar na vida, “gosto de pensar”.
 
Alguém me dizia que o meu defeito era “pensar muito”. E, por essa razão, confundiam o meu direito de pensar e ter opinião própria sobre a vida e sobre a polis, como falta de “humildade”, ou “irreverência”.
“Humildade…perdes sempre!”, e, sinto por dentro de factos vividos, como é difícil esta batalha pela democracia e pela Liberdade.
O poder e a ambição pelo poder é inexplicável. Tanta cenografia.
 
Por vezes, apetece-me dizer-lhes : “pronto venceram, vou deixar de pensar”. Eles ficavam felizes. E, silenciosamente, eu hibernava, optava por essa forma de estar silenciosamente. Sem ter opinião. Sem fazer comentários. Fechava a porta e o pensamento único manipulava os dias, com fragmentos de pragamtismo.
 
Pois, mas como dizia o poeta – “eu penso” e no dia que eu calar o meu pensamento, nesse dia sim, vou perder, até lá, vou continuar irreverente, com a falta de humildade que me dá para escrever, como fiz hoje, pela manhã - “A tranquilidade está no viver com o coração a pulsar, de forma sublime, a beijar suavemente os neurónios”. Serenamente.
 
António Sousa Pereira
 
 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

COMUNICAÇÃO SOCIAL

AUTARQUIAS

ESCOLAS

EMPRESAS

BLOGUES DO BARREIRO

ASSOCIAÇÔES E CLUBES

BLOGUES DA MOITA

SAPO LOCAL

PELO DISTRITO

CULTURA

POLITICA

TWITTER

FACEBOOK ROSTOS

Em destaque no SAPO Blogs
pub