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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

BARREIRO - Centro de Vacinação COVID 19 em Coina: eficácia na prestação do serviço

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O Serviço de Vacinação contra a COVID 19 está a funcionar nas instalações do Centro de Saúde de Coina, tendo sido instalada no exterior uma tenda do Serviço Municipal de Protecção Civil, onde é feita a recepção e a triagem dos utentes, quer os que ali se deslocam para fruir do sistema “porta aberta”, quer os utentes agendados pelo SNS.
 

O SNS informou-me que era o meu dia para ser vacinado. Lá fui á hora agendada. Recebido na triagem e preenchendo o respectivo impresso, aguardei, e que posso referir é que decorreu tudo com rapidez, eficácia e eficiência.
Além da vacina COVID 19, também fui vacinado com a dose da Gripe, que comentei : “Adoro essa vacina”. A enfermeira riu-se. “Nunca tinha escutado ninguém a dizer que adorava esta vacina”.
De facto, há dois ou três anos, quando comecei a ser vacinado com a dose da Gripe, antes dos dias da pandemia do COVID, na verdade, fiquei maravilhado, pois, a partir daí, nos sucessivos invernos, nunca mais tive as tradicionais constipações. Uma maravilha. Adoro a vacina da gripe.

Mas esta nota, que decidi escrever, nada tema ver com a prestação deste serviço naquelas instalações que deviam estar ao serviço da população de Coina e arredores, e, estão sendo utilizadas pelo ACES para prestação do Serviço de vacinação COVID 19.

Hoje estava a chuviscar, a temperatura não era muito aprazível, por acaso não estava vento, nem sol, e, enquanto estava por ali sentado interroguei-me que razões teriam motivado a encerrar a utilização do espaço com mais condições, existente no parque Empresarial da Baía do Tejo.
E pensei que as pessoas idosas não merecem estar, ali, numa tenda, ao frio ou com calor, enquanto aguardam a vacinação, nem é justo para os técnicos do SNS trabalhar naquelas condições.

Uma autarquia que, pelo que ouvi dizer, envergonhou o governo colocado no seu orçamento a verba necessária para resolver o problema da construção do Centro de Saúde no Alto do Seixalinho, situação essa que levou o Poder Central, pelo que ouvi dizer, a inserir a verba no Orçamento de 2023, no âmbito do PRR. E desta forma decidindo fazer, sem recorrer a reivindicações, envergonhou o Governo e este decidiu avançar com o Centro de Saúde.
Ora sendo assim, a autarquia devia envergonhar o Governo de novo, disponibilizando uma verba para alugar um espaço em condições para que o processo de vacinação decorresse num espaço com condições dignas.
É preciso envergonhar o Governo, que se envergonhe, pois se o Governo quando é envergonhado dá respostas, pode ser a solução para resolver muitas carências. Reivindicar, não! Envergonhar, sim!

Aquele Centro de Saúde em Coina deve ser colocado ao serviço da população e o Centro de Vacinação COVID 19, merece mais dignidade. Os barreirenses merecem.
Foi isto que pensei enquanto estive por ali sentado…

António Sousa Pereira

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Humildade…perdes sempre!

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“Humildade…perdes sempre!”, foi uma frase que registei na minha agenda, no dia de hoje, há 30 anos atrás. Estávamos no ano de 1992. A SIC tinha arrancado recentemente. E dentro de mim senti, nos neurónios, que este era um dia que marcava uma nova fase da minha vida.

 

“A tranquilidade está no viver com o coração a pulsar, de forma sublime, a beijar suavemente os neurónios”, foi a frase que escrevi esta manhã, quando bebia o meu café matinal no Café Bar da SFAL. Era esta a sensação que percorria a minha mente ao olhar aquele espaço. Tranquilidade. A consciência a beijar o coração.
 
No ano de 1992, exerci pela primeira vez a função de Presidente de Direcção da SFAL, aquela que é a mais antiga colectividade do concelho do Barreiro e da actual União de Freguesias do Barreiro e Lavradio. Passaram 30 anos.
 
Foram dias felizes, foram dias de paixão no viver e fazer cidadania. Foram dias que fui obrigado a crescer, aprendi tanto, tanto sobre a vida em comunidade e sobre comportamentos humanos. Uma experiência que me enriqueceu, que guardo, por nela ter vivenciado e sonhado, a frase da minha vida: “procura deixar o mundo um pouco melhor que o encontraste”, que herdei da minha passagem pelo mundo do escutismo.
 
E, ao olhar aquele espaço, no meu coração senti de forma sublime a dedicação de uma equipa que nunca vergou e que se manteve coesa perante as dificuldades e os desafios.
 
O homem sonha e a obra nasce, escrevia Pessoa, foi isso que nos motivou, com amor e entrega, num tempo que já era difícil, pois, nele emergia no quotidiano da comunidade as transformações que iriam marcar o futuro do concelho do Barreiro. O fecho das fábricas. O crescimento de DLD.s – Desempregados de Longa Duração. As alterações no mercado de proximidade. O envelhecimento da população.
 
E, a acrescentar a tudo isto uma nova realidade iria alterar as relações de vizinhança e de proximidade.
A SIC tinha arrancado recentemente, a 6 de Outubro. Em Fevereiro seguinte nascia a TVI. De repente as pessoas optaram por meter-se em casa e consumir televisão.
 
Um tempo novo, com a internet prestes a marcar a vida quotidiana, com os blogs a ocupar o lugar das esquinas.
Foi há 30 anos. Nesse tempo, também a minha vida profissional alterou-se profundamente.
 
Faz hoje, 16 de outubro, precisamente 30 anos, estávamos no ano de 1992, findou a minha função de responsável no GIRP – Gabinete de Informação e Relações Públicas, na Câmara Municipal do Barreiro.
“Humildade…perdes sempre!”, foi uma frase que registei na minha agenda, neste dia. Tenho hábito, há mais de 50 anos, de registar algumas notas na minha agenda, e quando, por vezes as releio, sinto a tal tranquilidade nos neurónios, que faz uma consciência sublime. Uma memória que enriquece a ternura dos meus cabelos brancos.
 
Estar de pé, com dignidade, viver com a Liberdade a pulsar no coração. A consciência tranquila. O resto é o resto.
Dentro de mim senti, nos neurónios, que este era um dia que marcava uma nova fase da minha vida. Um tempo de viagem por um deserto interminável. Dilacerante.
 
Houve tempo que sonhei que cada um de nós tem o dever de dar um contributo para fazer um mundo melhor. E continuo a acreditar, mas, digo-vos há muito que deixei de acreditar no Pai Natal.
Tenho este defeito que, passados estes anos continua a ser uma marca da minha forma de estar na vida, “gosto de pensar”.
 
Alguém me dizia que o meu defeito era “pensar muito”. E, por essa razão, confundiam o meu direito de pensar e ter opinião própria sobre a vida e sobre a polis, como falta de “humildade”, ou “irreverência”.
“Humildade…perdes sempre!”, e, sinto por dentro de factos vividos, como é difícil esta batalha pela democracia e pela Liberdade.
O poder e a ambição pelo poder é inexplicável. Tanta cenografia.
 
Por vezes, apetece-me dizer-lhes : “pronto venceram, vou deixar de pensar”. Eles ficavam felizes. E, silenciosamente, eu hibernava, optava por essa forma de estar silenciosamente. Sem ter opinião. Sem fazer comentários. Fechava a porta e o pensamento único manipulava os dias, com fragmentos de pragamtismo.
 
Pois, mas como dizia o poeta – “eu penso” e no dia que eu calar o meu pensamento, nesse dia sim, vou perder, até lá, vou continuar irreverente, com a falta de humildade que me dá para escrever, como fiz hoje, pela manhã - “A tranquilidade está no viver com o coração a pulsar, de forma sublime, a beijar suavemente os neurónios”. Serenamente.
 
António Sousa Pereira
 
 

 

 

O sorriso de ternura da minha rua

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Quando pela manhã passava junto à varanda, muitas vezes, la estava ela, numa rotina diária, e, com um sorriso de ternura nos olhos dizia com palavras suaves : Bom Dia! Era um Bom Dia muito especial, que eu sentia vindo do fundo de um tempo vivido.
Era um Bom Dia que vinha voando, como um pássaro, puro, tão puro que sentia-se o seu perfume no brilho dos olhos. Não vou esquecer o seu rosto, com o seu sorriso, vincado de ternura.
 
Outras vezes, cruzávamo-nos no caminho, atravessando a rua de casa para o «Barco», onde ia buscar um cafezinho, saltitando nos seus pés de experiência vivida. Tão catita e tão bela. Beijavamo-nos. Acariciava-lhe o rosto. Sempre a sorrir, nunca lhe faltou um sorriso. Emocionava o seu encanto.
 
Hoje, à 1h23, o seu neto, David Mano, enviou-me uma mensagem: Sousa Pereira, a minha avó acabou de falecer. Uma tristeza enorme invadiu meu coração. Respondi-lhe: Dá-lhe um beijo!
Da minha varanda, vi a ambulância do INEM, os Bombeiros, a Policia, ainda vim até à porta, e, olhei as luzes iluminando a janela na noite fria.
 
Naquele instante senti que, também, perdia um pouco de mim, porque, na verdade, sempre que sentimos partir uma pessoa que faz parte do nosso quotidiano, é, um pouco da nossa vida que parte, neste percurso por onde todos caminhamos. Mas não partiu fica aqui, num sorriso, que escuto num grito de uma gaivota a rasgar o céu azul dos Loios.
 
Recordei que, ainda ontem, pela manhã, olhei a varanda e pensei naquele sorriso ausente, já há algum tempo, e notava aquele vazio, que eu preenchia com um poema que estava escrito na roupa a esvoaçar ao vento.
Adeus vóvó Vanda. Obrigado pelo seu carinho, pelo seu fraterno sorriso que me aquecia o coração. Até sempre! Havemos de nos encontrar para eu acariciar de novo o seu rosto e sentir o seu sorriso beijar o meu coração.
 
António Sousa Pereira
 
Vanda Piedade Pires Pereira, era natural de Abrantes, viveu muito da sua vida no Barreiro. Nasceu a 17 de janeiro de 1931. Faleceu hoje, dia 7 de Outubro – Dia de Nª Srª do Rosário – contava 91 anos.
O seu corpo será velado a partir das 16h30, na Casa Mortuária da Igreja do Lavradio. O funeral, realiza-se amanhã, dia 8 de Outubro, pelas 10h30, para o Cemitério de Vila Chã.

No Barreiro, a República nasceu antes de nascer

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A implantação da República no concelho do Barreiro foi proclamada no dia 4 de Outubro, essa uma marca na memória de uma vila, hoje cidade, que sempre viveu a acção politica com intensidade, com paixão e com pensamento politico.

Longe vai o tempo que, por vezes, se assinalava o Dia da República com o hastear solene das bandeiras nos Paços do Concelho.


Longe vai o tempo que até a Festa do Barreiro, nos dias após o 25 de Abril, chegou a festejar-se como a “Festa da Paz e da República”, celebrada em torno do 5 de Outubro e do Feriado Municipal, nesse tempo assinalado no dia 7 de Outubro – Dia da Padroeira, Nª Srª do Rosário.
Longe vai o tempo que o Partido Socialista do Barreiro, assinalava esta efeméride, com a marca simbólica de luta politica e de afirmação de uma memória democrática e republicana.

Longe vai o tempo, quando antes do 25 de Abril, a celebração do Dia 5 de Outubro, era uma jornada que enchia o Teatro Cine Barreirense, para se escutar o grito naquela voz de timbre único, do Mestre Manuel Cabanas a afirmar: Viva A República. Viva a Liberdade!

O Barreiro é uma terra que tem a cultura republicana inscrita em sucessivas gerações, uma marca do seu adn, a cultura democrática, o amor à Liberdade, a força da solidariedade, que se espelhava na sua vida associativa e cultural.

A comemoração do 5 de Outubro no Barreiro, na verdade, tinha um significado especial, porque, aqui, a República nasceu antes de nascer.
Nos dias de hoje, a celebração da República é isso, apenas isso, um Feriado Municipal.
O PS que é poder já não comemora a República porque essa, era, talvez, uma mera necessidade politica de unir vontades nos tempos de oposição.

E, afinal, nestes tempos que crescem as dúvidas em relação à politica e aos políticos, neste tempo que aumenta a descrença pela democracia, neste tempo, cada vez mais, sem ideias, nem ideais, porque o pragmatismo é a “ideologia” dominante, o PS, sendo poder e por ser um partido cuja história é indissociável do ideal republicano, devia estar na primeira linha e o Poder Local que lidera com maioria absoluta, não devia ignorar esta efeméride, numa terrra onde a República nasceu antes de nascer.
Deve celebrar-se o 5 de Outubro porque o Barreiro tem memória e esquecer é matar a memória – é o não existir.

António Sousa Pereira

Foto: Espaço Memória

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