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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Do «culto do presidencialismo» e do «culto da personalidade»

 

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Um dos meus hábitos, é, com alguma regularidade, ir dar um passeio junto ao Rio Tejo, dou uma volta pelo Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Sento-me a beber um café na esplanada do Grupo de Dadores de Sangue do Barreiro, ou para ler o jornal, ou um livro, enquanto deito os meus olhos nas águas da «Catedral do Tejo».
 

Uma destas manhãs, por mero acaso, encontrei o meu amigo Carlos Humberto, uma das pessoas que conheço desde os tempos de antes do 25 de Abril, com quem partilhei, em tempos idos, o mesmo ideal politico, que exerceu o cargo de Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, e, que nas últimas eleições foi candidato à presidência pela CDU, sofrendo uma aparatosa derrota.

Sempre mantive com o Carlos Humberto uma cordial amizade, tenho por ele um grande respeito e consideração, pelo seu humanismo, pela sua forma de estar na vida, como homem de diálogo e construtor de pontes. Um homem que vive a politica com valores.
Essa uma das razões porque o defendia e repudiava as campanhas difamatórias e de destruição de carácter, que lhe foram movidas, injustas e vergonhosas, porque, na verdade, quando em politica vale tudo, a politica deixa de ser uma causa nobre e digna, para ser apenas, e só, uma guerrilha de luta pelo poder, para manter o poder e um jogo de ambições.

Aliás, digo, tenho dito e repito, que Carlos Humberto e Emidio Xavier, são os dois presidentes de Câmara que ocupam o primeiro lugar no ranking, bem distantes, quer na forma, quer no conteúdo – no ser e estar - no exercício da presidência da Câmara Municipal, desde que foi instituído o órgão «presidência».

No último Feriado Municipal, todos os ex-Presidentes de Câmara e todos os ex- Presidentes da Assembleia Municipal do Barreiro foram distinguidos com o «Medalhão Cidade do Barreiro», entre eles, naturalmente Carlos Humberto.

Na altura não escrevi nada sobre o assunto, mas, enquanto estava a beber o café, e, numa amena conversa com Carlos Humberto, comentei que por um lado achava que devia ter recusado receber a distinção, depois de tudo o que foi acusado e vilipendiado pela gestão socialista, que, inicialmente começou por acusar todos os presidentes de Câmara, por durante 40 anos terem paralisado o Barreiro e terem sido incapazes de aproveitar o potencial. Mas, depois, como verificaram que nos 40 anos estava incluído o ex-presidente Emidio Xavier, PS, passaram para os últimos 12 anos, obviamente os relativos aos anos de liderança de Carlos Humberto.
Por isso disse-lhe: “Devias ter recusado essa distinção”, e, acrescentei – “mas, percebo que fosses receber, porque depois passavas, mais uma vez a ser o mau da fita, e lá vinha mais uma campanha”.

Aproveitei para dar a minha opinião, sobre estas distinções que, considero, mais não visam que promover o «culto do presidencialismo» e o «culto da personalidade», centrando o Poder Local na figura do presidente. O marketing dos tempos actuais.
Talvez por essa razão, naquela conversa, senti-me importante, sim, porque estar sentado na mesa de um café com um ex-presidente de Câmara, é estar sentado com um presidente, e um presidente é sempre uma pessoa importante, afinal, a verdade é que, tal, como nos fuzileiros, «presidente de Câmara uma vez, presidente de Câmara toda a vida”.

Aliás, há quem diga, que o presidente deve ser visto como «símbolo» e «bastião» daquilo que é mais importante em democracia. Não é a cidadania, não é a participação dos cidadãos, não é sequer aquilo que alguns definem como a «casa da democracia», por exemplo a Assembleia Municipal, ou o executivo municipal, ou o direito a eleger e ser eleito. São os presidentes os bastiões.
E, ali, junto ao Tejo, eu tinha a honra de estar sentado a beber café com um «bastião» e isso, se por um lado me fazia sentir pequenino, perante um bastião, por outro lado, ao mesmo tempo sentia-me orgulhoso, e pensava : “Estou sentado ao lado de um presidente, porque ser presidente uma vez é ser presidente para sempre”.

E, neste deambular por pensamentos, dou comigo a reflectir que, de facto, Carlos Humberto, para além do muito trabalho que inscreveu no terreno nos seus mandatos de presidente, deixou um legado que foi a base da «politica de cuco», que marcou o exercício do mandato anterior da gestão socialista e, até mesmo já se sente no actual mandato, por exemplo, uma delas, e, talvez a principal que nunca ninguém antes teve, foi a casa «arrumada», fruto da gestão «Deficit zero».

Depois, bom depois, desde a nova frota dos TCB, passando pelo protocolo da Doca Seca da CP, ou pela negociação dos terrenos do Gaio, ou pela resolução da situação da Quinta das Canas, ou pelas candidaturas das AUGIS, enfim, fiquemos por aqui, mas até podia referir coisas que estão a vir a lume no actual mandato, como é o caso do recente investimento anunciado de milhões e criação de centenas de empregos, pela Sogenave.

Carlos Humberto é mesmo um grande senhor. Não partilho, por razões óbvias, o seu ideal politico, fruto da história e da vida, mas comungo o seu amor ao Barreiro e a forma como sempre esteve de coluna vertical perante o Poder Central, fosse PSD ou PS.
Louvo a sua coragem de ter ido receber a distinção, e, aceitar, estar ali, de pé, ele, e todos os ex-presidentes, formados, como se fosse uma equipa de futebol a receber uma distinção, sem direito a usar a palavra. Todos em silêncio a escutar o discurso do futuro condecorado, claro, porque a partir de agora, todos os presidentes serão condecorados, será uma indelicadeza se tal não for feito. É a condecoração por inerência.
E se cada presidente é um símbolo e bastião, cada presidente merecia ter um reconhecimento pessoal, único, não é assim, tudo ao molho em fé em Deus.

 

Ah, é verdade, já agora, o meu obrigado à minha amiga Vera Jardim que teve a amabilidade e a simpatia de trazer uma cadeira para Helder Madeira se sentar, pois, sentia-se estava em dificuldades, ser obrigado a estar ali, de pé, a ouvir a narrativa do futuro condecorado.
Helder Madeira, devido à idade, subiu ao palco com dificuldade e, só isso, humanamente merecia respeito e um cuidado protocolar especial, acima de tudo a dignidade devida e indispensável ao ancião e CIDADÃO HONORÁRIO DO BARREIRO.
Aliás, merecia receber a distinção sozinho ( aliás todos mereciam) e, Helder Madeira, merecia, ter tido o direito de usar a palavra, como grande, enorme e bastião da democracia e da pureza do Poder Local. Se soubessem o que era gerir a autarquia naqueles tempos, com tanto amor e voluntariado.

Ah, é verdade, e, já agora, embora não tendo sido eleito, Helder Fráguas, que exerceu a Presidência da Câmara, após o 25 de Abril, na Presidência da Comissão Administrativa, também merecia, a título póstumo, ter sido distinguido com o « Medalhão de Honra da Cidade», uma distinção que também significaria um abraço a uma equipa plural, democrática que lançou as raízes que abriu o caminho para as eleições democráticas e para o Poder Local.

 

Olha, Carlos Humberto, isto foi parte do que falei contigo, aquilo que estive para escrever no Feriado Municipal, fica hoje, aqui, com a minha compreensão porque foste receber a distinção. Tu que, afinal, não fizeste nada e deixas-te o Barreiro atrasar-se no tempo, afinal, foste distinguido. Enfim, é vida, és eleito, logo tens direito. Abraço.

E ainda, já agora, aproveito para dar um abraço ao meu amigo Emidio Xavier, e agradecer as suas palavras simpáticas, na minha página de Facebook, a propósito dos meus 70 anos. Presidente, um dia destes vamos beber um café…e falar em coisas lindas da vida. Abraço.

António Sousa Pereira

 

Um beijo para ti, Lara !

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Os dias nunca são iguais, mesmo que percorramos os mesmos lugares, mesmo que encontremos as mesmas pessoas, mesmo que os ruídos distantes de um comboio que circula diariamente, em horários repetidos, ecoem na distância como marca do tempo. Tudo se transforma. Tudo é diferente.

 
A vida move-se quando sentimos o tempo mover-se nos olhos e no pensamento. O tempo nunca é igual. O tempo é uma infinita caminhada de diferenças, de novidades, essa, afinal, é a grande beleza da vida. Descobrir e redescobrir em cada instante, o tempo a fazer-se no tempo e a perder-se no tempo.
Sorrimos, sempre que as rotinas, pelo inesperado, transformam os acontecimentos em novidades.
Sorrimos sempre que os acasos dão colorido ao dia, dão vida ao instante que se inscreve na memória, essa centelha, única, em que o presente se faz futuro.
 
Hoje, pela manhã, o acaso trouxe até mim no sorriso colorido do sol, um encontro casual com uma vizinha que se cruzou comigo na rua. Fez-se memória e sorrisos.
“Conhece a Lara? A Lara que trabalhava na Câmara”, perguntou-me.
“Sim, recordo. Ela teve um acidente, caiu na escada e ficou muito mal”, respondi.
“Eu vou lá a casa dela prestar-lhe apoio domiciliário. Um destes dias disse-lhe que morava no Lavradio. E ela comentou que conhecia uma pessoa no Lavradio, de quem era amiga – o Sousa Pereira. Pediu-me para lhe dar um beijo. Diz que gosta muito de si”, referiu a minha vizinha.
 
A Lara era uma jovem que trabalhava na Câmara Municipal do Barreiro, na área cultural, a quem passei o testemunho de Coordenação do Sector do Movimento Associativo, quando me foi atribuída a missão de escrever as Monografias do Movimento Associativo.
 
A Lara era muito activa, dinâmica, vivia as actividades recreativas e culturais com muita intensidade e uma grande garra. Estava sempre na linha da frente. O sangue da sua juventude pulsava no coração. Enchia os lugares com a sua presença.
 
Um dia sofreu um acidente. Caiu na escada. Esteve muito mal. Uma jovem mãe que ficou paralisada, e, viveu momentos difíceis, em coma, entre a vida e a morte.
“Ela já fala, já está melhor, já conversa, já tem consciência de tudo”, comentou a minha vizinha.
“Dê-lhe lá um beijo meu, diga-lhe que também gosto muito dela”, disse.
Fiquei feliz por saber que a Lara está a recuperar, lentamente e a querer, com todo o seu querer, agarrar o tempo.
 
A Lara era uma jovem linda, com os olhos que rasgam os nervos. Quando chegava sentia-se a sua presença, no falar, no estar, no seu rosto erguido ao sol. Confiante. Esbelta.
É, certamente essa energia, esse seu querer, que move a sua vontade, toca o seu coração e grita aos nervos: Desistir nunca!
 
Lara, a mulher vermelha, no sangue e na consciência, forjada na luta pelo futuro, que sonha…que não desistiu de sonhar
“Ela vai sempre votar. Liga para o 112 e vai sempre votar”, salientou a minha vizinha.
 
A Lara é um exemplo de vida, de luta, de resiliência, de vontade que nasce no ser e no desejo de abraçar a vida, de amar a vida.
A Lara é um exemplo, real, para pensarmos como, de um momento para o outro, de forma inesperada, e brusca tudo se desfaz na frente dos nossos passos.
 
É assim, perante confrontos e desafios do tempo, de repente caímos e o futuro já não é aquilo que sonhamos.
Os acasos. As incertezas. O tempo que quebra as rotinas, as rotinas que mudam o sentido do tempo que somos. Uma juventude paralisada no silêncio da noite.
“Dê um grande beijo à Lara, e diga-lhe que eu também gosto dela”, disse para a minha vizinha.
“Ela por estes dias está no Hospital do Outão. Mas hei-de dar o seu beijo”, respondeu a minha vizinha.
 
É assim o quotidiano, nas ruas da cidade, o acaso, faz-nos recuar no tempo e pensar o tempo, por dentro do tempo, por dentro dos dias.
Um beijo para ti, Lara!
 
António Sousa Pereira

É tão lindo, viver fazendo o que se gosta. É tão lindo!

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Um dia na minha adolescência vi um filme, “Perdido por Cem…”, do qual guardei uma frase – “Eu tinha acabado de fazer vinte anos e não deixarei que ninguém diga que é a mais bela idade da nossa vida”. Era a minha idade. E era tão linda essa minha idade, feita de sonhos e projectos, de poemas e palavras por escrever. Tinha acabado de descobrir um mundo chamado Barreiro. Resistência. Liberdade. Guerra Colonial, lá longe.
 
Recordo essa frase, nos dias de hoje, quando estou a festejar os meus 70 anos. E, apetece-me parafrasear, essa frase vinda da memória, dizendo : “Eu acabei de fazer setenta anos e, para mim, vou dizer, esta é a mais bela idade da minha vida”.
A vida somos nós e as circunstâncias, mas, nós não somos alheios às circunstâncias. Nós escolhemos dentro das circunstâncias. Fazemos acontecer no contexto que somos. Optamos.
 
O belo da vida é sentirmos que, dentro de todas as circunstâncias, fomos sempre iguais a nós próprios. Firmes na consciência, vivos nas escolhas, decididos no caminho a percorrer, assumindo os erros e aceitando os desafios. Nós e as circunstâncias. Os medos. As iras. Os ciúmes. As invejas. As alegrias. As tristezas. O sol. O luar. O sorrir. O afirmar. O beijar. O amar.
 
A vida é uma permanente aprendizagem. O mais belo é nela sentir a beleza da palavra Dignidade. É talvez por isso, que, nestes setenta anos acumulados de viver-fazendo, de viver-construindo, de viver-vivendo, de viver acima do sobreviver, rasgando as margens do silêncio, olhando, olhos nos olhos, sinto que – “esta é a mais bela idade da minha vida”. Aprendi vivendo, coisas que só eu sei, como as senti no âmago dos nervos, no pensamento dentro dos ossos.
 
A minha filhota Marta deu-me uma prenda deliciosa, com três fotografias dos meus olhos, a mirar o tempo através de um espelho retrovisor, três instantes diferentes que ela registou e identificou com três momentos - Pai : vês, sentes e pensas.
 
E, ali, olhando o tempo pelo retrovisor, revejo-me a ver sempre, a observar sempre, a não estar indiferente no tempo, a beijar com os olhos, a viver com os olhos, a captar o mundo para dentro de mim, transformando a vida em palavras, nos Quotidianos, em Setúbal; na Análise Subjectiva, no Algarve; nos Pés de Veludo, no Barreiro, sempre por dentro dos dias. Ver e escrever. Nos poemas que nascem num beijo que se diz : “A vida é bela!”
 
E, naturalmente, quem escreve, escreve o que sente, e, nós, todos nós, só sentimos aquilo que vemos e vivemos com o coração, em todo o tempo, em todos os actos apaixonados pela vida, vivendo a partilhar, assim o fiz, na vida associativa, na vida cooperativa, na fábrica, na Câmara, no fazer jornalismo, na vida, em toda a vida, porque para mim viver é sentir o que se faz, viver é partilhar o tempo com quem caminha ao nosso lado, com quem está neste tempo que somos, nos sonhos, nos projectos, no fazer comunidade, sentindo com o pulsar do coração, a força e a beleza da vida, no sentir e no viver o sabor da palavra Liberdade.
 
E, obviamente, quem vê e sente, realiza o que vê e sente no pensar porque são os pensamentos vividos, que se transformam em memórias, sempre que os pensamentos se transformam em acção, com ternura, com sementes, no rendilhado dos dias que brota na palavra amizade, construindo futuro, o ver e o sentir, florindo em palavras pensadas e vividas, não como meras ilusões, miragens, mas como coisa real que toca os neurónios, e, se faz arte, se faz poema, se faz humanidade, essas ideias que se transformam, de forma bela e sublime, em matéria que faz nascer a vida real. Uma vida que é um poema. A minha vida é um poema, tão lindo!
 
É, talvez por tudo isto que um destes dias comentava que tenho para com o Barreiro uma divida de gratidão, esta terra que me recebeu e ao longo do tempo me tem proporcionado, viver e ter vivido, fazendo o que gosto – quer ao nível da comunicação, quer ao nível do fazer cidadania activa. Amando a vida. Vivendo sempre a sonhar, com uma única ambição, beijar os dias, abraçar o tempo e sentir o pulsar da cidade nos nervos.
 
Foi assim, na aventura de «O jornal Daterra», foi assim na vida de Informação e Relações Públicas na Câmara Municipal do Barreiro, foi assim no «Jornal do Barreiro», foi assim no jornal da SFAL «O Cachaporreiro»; foi assim na Revista «ECOOP»; foi assim e é assim no jornal «Rostos». Este projecto como alguém um destes dias me dizia, não é uma estrutura empresarial, mas é um «empreendedorismo familiar», que construiu um legado enorme de «empreendedorismo social e cultural» ao serviço da comunidade, que ergueu um imenso arquivo de memórias, um legado ao serviço do bem comum, que humaniza e contribui para a coesão social.
Um projecto do qual tenho imenso orgulho, uma marca de referência, feita com o coração, sem preocupações com carreiras, sem sonhos de riqueza, sem ambições de poder, apenas pensando em servir de forma livre e independente a comunidade.
É tão lindo, viver fazendo o que se gosta. É tão lindo!
 
Por essa razão, nestes dias de hoje, que celebrei os meus setenta anos, quando recordo tantas situações que vivi, tantos desafios que enfrentei, tantos caderninhos com a(nota)mentos, tantas ideias realizadas, tantas criticas injustas, tanto pedantismo, tantas alegrias, tanto abraço fraterno, tudo isso como coisa real, vivida, a pulsar o sangue e a sentir nos nervos à flor da pele – ainda acontece nos dias de hoje – ergo os olhos, vejo a gaivota que voa livre, e, caminho, cá vou, continuando sem nunca baixar os braços, mas, sempre, como refere a minha filhota Marta, vivendo a pensar o mundo, com esse lema - VER, SENTIR E PENSAR.
 
Ocorreu-me escrever este texto, quando um jovem que conheci com 8 ou 9 anos, agora com uns 30 e tais, que nem o reconheci, esperou por mim numa esquina, para me agradecer um texto de uma reportagem de música pelo mundo, e, hoje pela manhã, ao conversar com um amigo ele falava em velhice, os problemas da velhice, as dores da velhice, as limitações da velhice, dos dramas da velhice e como é duro envelhecer.
 
É por isso, que, pensei, enquanto tiver energia e vontade de caminhar, hoje, festejando os 70 anos de vida, e, com a minha acção – ver, sentir, pensar - ir prestando a minha gratidão ao Barreiro, por ter proporcionado viver mais de 50 anos, fazendo o que gosto, e, aqui e agora, continuando neste projecto de «empreendedorismo familiar» cívico, social e cultural, que se escreve com a palavra - ROSTOS.
 
Vou continuar a prestar este serviço público – irreverente, sonhador e livre. Obrigado, Barreiro.
É verdade minha amiga, tens razão: não é para todos!
 
António Sousa Pereira

Nota – Este é o meu obrigado a todos os amigos que estiveram comigo, solidários, a festejar os meus 70 anos! É lindo!
 
 
 
 
 

Cila, até sempre!

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Quero escrever uma nota para te dizer Adeus, e penso que dizer adeus, é triste. Rebusco palavras no vazio das sílabas. Digo - Até sempre! Porque dizer até sempre, é acreditar que, o tempo que nós somos, esse tempo frágil, afinal faz-se sempre eternidade.

 
Nós somos o tempo que se expande no universo, até ao infinito. A vida é isto uma viagem no tempo.
O belo são as cores que ficam a pulsar nos nervos. Os sorrisos. Os gritos. As alegrias. Os momentos partilhados. O arroz doce. O café. Os olhares que se cruzavam em interrogações. O «Muchu», como eu lhe chamo, o teu gato lindo, branco da cor do algodão, a saltar para a minha varanda, a correr pela cozinha, em busca das delícias do sol. O mesmo que sol que tu gostavas de fruir, em tardes de ternura em busca de ti mesma, silenciosamente.
 
A vida dá voltas e que voltas a vida dá, conheci-te no começo dos anos 70, em convívios e conversas, ali, numa garagem no Bairro dos Actores. Um grupo que se juntava para ouvir música e conversar. Eu um estranho. Tu filha da terra e com raízes em familias. Eu era um “emplastro”, acabado de chegar que, fruto de encontros e conversas na SFAL, aquelas tertúlias à noite no portão, fui-me integrando na vila.
 
Depois, fomos cruzando a vida, aqui ou acolá, na tua loja, ou na Quimigal. E, um dia, por mero acaso, desde os anos 90, acabámos vizinhos, a viver lado a lado, tu no esquerdo, eu no direito, e, assim, ao longo do tempo partilhamos dias de cumplicidades, uma relação de vizinhança sóbria, de proximidade, no respeito mútuo e forjada na simplicidade dos dias.
 
Há vizinhos e vizinhos. Tu eras uma vizinha especial. Aquela com quem eu brincava e provocava. Intencionalmente, só para te ver reagir. Irritavas-te e, naturalmente, eu provocava. Por fim já não ligavas, e, eras tu que picavas. Tu sabias que era tudo mera brincadeira. Uma vizinha de portas abertas. Uma amizade sem querer nada em troca, se não aquela energia que dizia, quando era preciso: Estou aqui.
Tu fazias parte do Terrace House Loios. Tu e a Lurdes, eram duas irmãs – próximas e distantes.
 
E, hoje, que tu partiste, tenho a certeza que ela, tua companheira de tantos instantes e confidências, naquela carapaça de fortaleza, está muda e silenciosa, mas, por dentro, deve estar a sangrar lágrimas, feitas de sal e amargura.
 
Queria escrever uma nota para ti, para te dizer, como senti o teu combate, como registei a forma como guardavas para ti as angústias. E, hoje, chegou ao fim esse teu combate. Senti a tua partida. Senti no silêncio. Senti numa gota que molhou os meus pensamentos.
 
Uma cidade é feita de relações de vizinhança, mais próximas ou mais distantes, uma cidade é feita de afectos, de gente que se cruza, que se beija, que se abraça. Sabes, é essa cidade que eu gosto de viver, essa cidade de gente que gosta de conversar, de se encontrar no café e partilhar o tempo, cruzando olhares e palavras. Tu tinhas a tua Tertúlia, ali, no “Nova Geração”. Quantas vezes entrei a provocar, contigo, com Ana Sancho e com todas, com gestos para viver momentos, a rir e brincar.
 
Partiste. Um destes dias, ali, vamos beber um copo por ti, para te saudar e sentir no tempo que passa, que estás ali, que és o tempo, neste tempo que todos nós somos, que vamos sendo, até um dia, imprevisível que marcará o nosso caminho até ao infinito onde, certamente, nos vamos encontrar…sorrindo!
Até sempre vizinha! Bejocas.
 
António Sousa Pereira

Senhor Ministro Pedro Nuno Santos: Obrigado!

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Uns dizem que o Ministro Pedro Nuno Santos, assumiu o papel de Egas Moniz que pediu desculpas ao Rei de Leão, outros exigem que peça a demissão, ou que seja demitido. Um país em alvoroço.

Ora Egas Moniz pediu perdão ao Rei de Leão, pelo erro de D. Afonso Henriques que falhou no compromisso de submissão e vassalagem ao Rei de Leão, e, ao reflectir sobre essa lenda épica, fico com dúvidas, muitas dúvidas, sobre quem é o Rei de Leão nesta história, ficando dividido entre o Presidente da República e Luís Montenegro, líder do PSD, ou, até, em último recurso, se é o Primeiro-Ministro.

Mas, pondo de lado estas guerras de “alecrim e manjerico”, nesta terra de “barões assinalados”, onde a politica se faz de tacticismos, lobismos e outros ismos, escrevo esta nota apenas com uma intenção, esta, pura e simples de, aqui e agora, publicamente, dizer Obrigado ao Senhor Ministro Pedro Nuno Santos.
Sim, obrigado, que significa gratidão, pelo facto de o seu dito “erro” vir dizer-nos que, afinal, a realidade é que nesta história do novo aeroporto de Lisboa – “o rei vai nu”.
De todas as “narrativas”, “percepções” que esta “bolha” trouxe para opinião pública, para mim, pondo de lado, essas análises de “escolhas infelizes”, de “erros”, de “falhas graves”, “maturidades”, “impulsividades”, enfim, do dito “erro grave”, expresso a minha opinião de “gente do povo”, que vive na margem sul, para dizer que considero tudo isso são meros “fait divers”.

Digo-vos, até admiro as expressões sobre a dita “humildade”, “dignidade” e “muita coragem” quando referem a atitude assumida pelo Ministro Pedro Nuno Santos, essa coragem de admitir o “erro” e “ultrapassar este momento e reconstruirmos a nossa confiança”, mas, não retirando uma vírgula de tudo o que disse e defendeu sobre a solução para o novo aeroporto de Lisboa. O que aconteceu foi apenas um erro. Ponto final.

 

E, até acho que essa posição, é de alguém que coloca acima de outros interesses, mesmo esses propagados, de luta pelo poder, e, confrontos de futuro adiados de lideranças anunciadas, sim, na verdade, coloca o interesse nacional, a necessidade de manter o silêncio e aguardar serenamente que se tomem decisões, que dizem adiadas há 60 anos, e, pelo que, mais uma vez, esta dita “crise” demonstra que são a busca de “consensos” entre partidos que se colocam acima da necessidade de decidir o que há muito está decidido, e, todos sabem que é uma decisão inadiável, avançar com a construção de um novo aeroporto de Lisboa. Essa será a grande obra nacional do século XXI, uma obra decisiva para dar a Lisboa uma dimensão metropolitana e colocar Lisboa nas rotas mundiais de cidades aeroportuárias.

Esta dita “crise” veio dizer a todos claramente que a solução do modelo Lisboa + BA6, é uma solução provisória, e não vai resolver a situação. Todos estão conscientes dessa realidade, para além dos riscos e dos problemas ambientais que causa sobre uma das mais nelas riquezas ambientais da AML – o Tejo.
O dito “Despacho” divulgado e revogado, veio por a nu essa realidade e, admitindo a BA6 como uma situação provisória e abrindo caminho para a solução de construção de um aeroporto de futuro, no campo de Tiro de Alcochete.
Gostei de ouvir as palavras do Presidente da Câmara Municipal de Alcochete, eleito pelo PS, a defender esta solução. E esta foi uma curiosidade que emergiu desta crise, afinal, não são só os comunistas que defendem a opção Alcochete. Há mais, muito mais. Percebo a posição de Nuno Canta, sempre a percebi.

É por tudo isto que considero que a questão central desta dita crise, não é o “erro grave”, nem “escolhas infelizes”, é continuar-se a adiar uma decisão estratégica essencial ao futuro do país, meramente por tacticismos e outros ismos.
Por essa razão, como cidadão da margem sul, que considera urgente e necessário que Lisboa deixe de pensar “o seu próprio umbigo” e, de facto, seja capaz de pensar que, para ser cidade de dimensão europeia, tem que se “pensar” e “fazer” nas “duas margens”, naturalmente, deixando de olhar para o lado de cá como quem olha para a “outra banda”.
Lisboa, no seu futuro tem que incluir a construção da cidade aeroportuária na margem sul, com tudo o que isso implica de acessibilidades e enriquecimento da AML.

Por essa razão, aqui fica o meu OBRIGADO, ao Ministro Pedro Nuno Santos que, afinal, pelo seu erro colocou de novo sobre a mesa a discussão do futuro, que homens como Fonseca Ferreira defendeu, e, também a estratégia que está inscrita há décadas no PROT.
Esse é o caminho que há muitos anos apontam como solução, dando a Lisboa uma dimensão de grande capital metroplitana. Uma mega cidade que se pensa como influenciadora de um território que vai de Sines a Óbidos.
Mas os ditos “interesses de Lisboa”, pequeninos de Lisboa provinciana, aquela Lisboa do aeroporto de trazer por casa, de interesses de circunstância, não valorizam o pensar futuro e por essa razão…adiam e baralham!
Repito, como gente de povo desta margem sul, ao conhecer o conteúdo do despacho – revogado – aqui fica : Obrigado, Senhor Ministro Pedro Nuno Santos!

António Sousa Pereira

«NÓS POR TODOS…» - uma história partilhada de afectos

 

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No âmbito das comemorações do 40º Aniversário da Associação NÓS, e, no Dia da Cidade do Barreiro – Feriado Municipal – foi projectado numa Sala dos Cinema Castello Lopes, no Forum Barreiro, a longa metragem –“NÓS POR TODOS…”, uma filme que é uma projecção da vida real do concelho do Barreiro, pois, na verdade, proporciona uma viagem por uma história de 40 anos, vivida na vida real, de voluntariado, de serviço público, de entrega à comunidade e com base em valores de inclusão e solidariedade.

 

Estão de parabéns a Associação NÓS, os Cinemas Castello Lopes e o Forum Barreiro por proporcionarem a quem se disponibilizou assistir à longa-metragem intitulada ‘NÓS POR TODOS’, porque proporcionaram uma lição de vida, uma viagem pela memória, uma viagem por dentro de gestos de amor, ternura, dedicação, voluntariado ao serviço da comunidade. Foi uma bela forma de viver a vida real do concelho no Dia da Cidade.

Esta é uma longa metragem que incidindo sobre a história de uma instituição a NÒS, podia ser contada sobre a história de muitas instituições do concelho do Barreiro e do país, a história de um povo que sempre soube unir vontades, arregaçar as mangas e cohntra ventos e marés erguer sonhos, desenvolver projectos associativos, com base em valores que se escrevem com a palavra fraternidade.
Esta longa metragem «NÒS POR TODOS…” dá a dimensão da importância e do papel do terceiro sector de economia social como uma vertente de referência no desenvolvimento da vida das comunidades, desde a resolução de problemas das famílias, passando pela criação de infraestruturas de respostas, na criação de emprego e na coesão social.

A equipa que produziu esta longa metragem está de parabéns, uma acção inovadora ao nível da comunicação, que não tem outro interesse se não esse, que é essencial, sensibilizar e, talvez, até, quem sabe, com a sua projecção em diversos locais, promover um amplo debate que contribua para envolver a comunidade e instituições na busca de caminhos que unam muitas entidades de afectos e construindo na vida real a «Cidade de Afectos».

«NÓS POR TODOS», é uma longa-metragem que tem por base testemunhos de sócios-fundadores, de pais, de trabalhadores e de voluntários da Associação NÓS. Uma história feita de muitas histórias. Uma história que emociona.
Afinal, é a história real de uma instituição com 40 anos de vida, de lutas, lágrimas, momentos de desespero, se alegrias, de sonhos que se tornaram reais, sonhos erguidos com paixão, amor para dar respostas sociais, para resolver situações, para criar dignidade, para abrir portas à esperança.
Uma história que de um pequeno grupo hoje presta serviço a 4.500 pessoas na comunidade, por essa razão, aqui, prestamos uma justa homenagem e atribuímos à NÓS este abraço que se escreve o nosso ROSTO da SEMANA.

António Sousa Pereira

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