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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

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O Barreiro não pode voltar para trás 30 anos!

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Participei, como moderador, no Forum Cultural José Manuel Figueiredo, no «Fórum Saúde Mental nas autarquias, onde foram abordados diversos temas sobre a importância da saúde mental, como factor de desenvolvimento social e económico das sociedades.

Reflectiu-se sobre o envolvimento das comunidades na concepção de estratégias de promoção da saúde mental, e, o papel das autarquias, quer no garantir melhor saúde para os munícipes, quer para os seus trabalhadores.

Uma das ideias salientadas neste fórum é que um dos papeis relevantes das autarquias é dar o seu contributo para criar cidades sustentáveis.

No decorrer das várias intervenções por vezes, dava comigo a pensar na «cidade dos afectos», aquele projecto que assumia o compromisso que tinha como visão de futuro, considerar indissociável o «conceito» de «fazer cidade» e «fazer cidadania», da promoção de uma educação para a saúde.
A saúde como um todo, onde se insere a «saúde mental», que não podem, nem devem ser desligadas do planeamento dos territórios e de uma visão de cidade onde os serviços públicos apostam na qualidade, colocando o cidadão como o centro das suas dinâmicas – cidades saudáveis – cidades sustentáveis.
Pensava em tudo isto e pensava no actual PDM em vigor no concelho do Barreiro que, na verdade, não tem uma estratégia de construção de uma cidade saudável, mas que visa apenas a implementação de uma cidade do betão.
Recordo como foi criticado nos anos 90. Recordo como a projecção de quase 200 mil habitantes para um território de 36 km2, era apontada com uma barbárie.

 

O PDM outrora criticado como barbárie, hoje, pelos vistos, com o argumento que não foi revisto, serve para justificar tudo o que permita construir, com argumentos caricatos e falácias.
É com base no PDM em vigor que se defende a construção de habitação na Quinta Braamcamp – a »veneza do tejo» - e dizem mesmo que o potencial daquele território é a sua paisagem – a vista para Lisboa.

O anterior executivo municipal comprou a Quinta Braamcamp, aquele espaço único no estuário do Tejo, a única cidade que tem o rio beijar, por dentro das suas margens o centro da cidade. Um espaço singular, que pode ser uma zona âncora, diferenciadora na região, que estrategicamente pode ligar-se ao Coina e à Mata da Machada, colocando o concelho do Barreiro numa rota ambientalista. Que pena terem cancelado a construção da ponte pedonal que ligava o Barreiro ao Seixal. Hoje já estava pronta. E, era, até uma alavanca para pressionar o Poder Central no sentido de avançar com a ponde rodoviária, do campo do Galitos até Paio Pires.

A visão sobre a Quinta Braamcamp e o seu futuro, não é uma coisa banal, não é uma guerrilha politico partidária. O que está ali em discussão são duas concepções de cidade e de pensar o território do concelho.
Uma visão é aquela que está inscrita no actual PDM, a cidade do betão, que só olha para o Barreiro como um território para urbanizar, e, que este concelho não tem outro futuro se não ser uma visão de um concelho dormitório, com uma bonita paisagem para Lisboa. Esta é a visão caducada, de um PDM de betão. Apostar nesta visão é voltar para trás mais de 30 anos. Esta é a visão que contou com a oposição do PS, que o PS condenou e, talvez por essa razão, ou esta uma das grandes razões, que motivou a vitória de Emidio Xavier, que derrotou a estratégia de Pedro Canário.

A outra visão de cidade é essa que começou a ser esboçada pela gestão de Emidio Xavier, e foi continuada pelas gestões de Carlos Humberto. Uma nova visão do concelho. Por exemplo, a deslocalização do Terminal Ferro Fluvial para os territórios da Baía do Tejo. O valorizar o Rio Coina, para desportos náuticos. O potenciar os territórios ferroviários e da antiga CUF, abrindo o diálogo com o Poder Central, que fez nascer o conceito de Arco Ribeirinho Sul, que se pensou depois Lisbon South Bay. Uma cidade que apostava na ligação ao rio – o POLIS, as zonas ribeirinhas. Uma revisão do PDM, que se arrastou, mas que começava esboçar uma estratégia de cidade sustentável e cidade saudável.
A compra da Quinta Braamcamp inseria-se nesta estratégia. A venda da Quinta Braamcamp insere-se na outra estratégia, faz-nos voltas atrás mais de 30 anos.
Num tempo que se diz tão alto que o Barreiro não pode voltar atrás, eu, quero aqui afirma, que gostava que voltasse atrás ao projecto da roda gigante, a promessa que a Braamcamp continuava ser património da comunidade barreirense e que não seria objecto de privatização.
E, gostava que não voltasse atrás, mais de 30 anos, ao conceito de cidade de betão inscrito no actual e caduco PDM.
O futuro da Quinta de Braamcamp e a concepção politica em torno dor que ser quer para a Quinta Braamcamp é questão central destas eleições autárquicas.
A opção pela «Veneza do Tejo» é a opção de uma estratégia de planeamento do território que tem por base a expansão urbana, que tem uma concepção de cidade do betão, que não está contra este PDM caduco e, pelos vistos nunca esteve, porque agora o problema não é o PDM, é não ter sido feita a revisão.

A outra visão de cidade é aquela que quer construir uma cidade saudável, uma cidade sustentável, que aposta na requalificação urbana, criando zonas que contribuam para valorizar o comércio local e urbanidade.
Uma visão que quer fazer da Quinta Braamcamp uma referência, com zonas lúdicas, porque não com privados a investir em equipamentos de referência, culturais ou desportivos, com a valorização ambiental com a ligação ao rio, com a Escola Alfredo da Silva a ser potenciadora de uma área educacional ligado ao desporto e a actividades náuticas. Já escutei tantas ideias giras e interessantes do ponto de vista económico e social, que é mesmo voltar para trás 30 anos, querer construir, neste século XXI, aquiIo que no século XX era considerado barbárie.

Ah, é verdade foi nisto que pensei no decorrer do Forum Saúde Mental nas autarquias...e construção de cidades saudáveis.

António Sousa Pereira

 

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