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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Praia Fluvial do Rosário – Moita Onde o Tejo beija a natureza.

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Praia Fluvial do Rosário, no concelho da Moita, nas margens do Rio Tejo, deitada no seu leito com os olhos a espraiarem-se pelo «Mar da Palha». Um espaço agradável. Calmo. Tranquilo.

Uma Biblioteca proporciona um espaço de leitura e jornais. A funcionária convida a entrar. Sorrimos.
Nas margens, decorrer as aulas de canoagem um projecto que integra o programa “NaturalMoita” que a Câmara Municipal da Moita tem vindo a dinamizar para incentivar a prática desportiva ao ar livre e o encontro com a natureza.
 

Foi hoje, dia 24 de agosto, uma tarde de Verão. Agosto de 2021.
No parque verdejante famílias convivem, um tempo para petiscar. No ar o cheiro a peixe assado./>
Idosos e jovens. Um ambiente sereno e familiar. O prazer de fruir o sol e o Tejo.
Uma praia com acessibilidade para pessoas com dificuldades de mobilidade.
Um café- bar com qualidade cosmopolita. Um restaurante onde comi uma agradável caldeirada à fragateiro. Estava uma delicia. Uma funcionária simpática – a Sofia – que tinha as marcas do seu destino gravada na pele. Um belo sorriso. Um almoço que encerrei com um delicioso beijo de chocolate. São dias.

Sim, estou a falar-vos da Praia Fluvial do Rosário. Com chuveiro. Com Nadador salvador. Espaços limpos. O areal a beijar o verde da natureza, que abraço docemente o sapal.

Ao fundo na paisagem – o Lavradio, o Barreiro, a base Área do Montijo, que querem transformar em aeroporto e vai destruir este oásis de de silêncio e de natureza pura e bela. Ainda há quem fique indignado, porque acha que o «progresso» vale mais que o prazer de manter a natureza límpida e bela, na proximidade de espaços urbanos.

Antes de sair, visitei a capela de Nª Srª do Rosário. Uma senhora que lá estava dizia – tem estado fechada devido à pandemia, no domingo já vamos ter missa, estamos a preparar. Simpática.
Perguntei-lhe: Aqui há tradição de fazer procissão no rio?
”Não, nunca se fez procissão no rio. Quando há procissão, há, isso sim, no cais a bênção dos barcos”, comentou.
Nª Srª do Rosário, que também é a Padroeira do Barreiro, disse-lhe.
Ela comentou a história que ouviu contar dos seus pais e de seus avós, que a Nª Srª do Rosário do Barreiro, era para vir para Rosário e ficou lá devido a uma tempestade no Tejo.
Sim, conta-se que no século XVIII, da Igreja de S. Roque, em Lisboa, saía um cortejo pelo Tejo, transportando o cirio para o Rosário, no ano de 1736, um dia de tempestade, foram obrigados a rumar ao Barreiro para fugir do mau tempo. E por essa razão, foi construída a Igreja de Nª Srª do Rosário.

Olhamos o Barreiro lá longe. As chaminés da fábrica. Umas centenas de pessoas deliciavam-se nas margens do Tejo, ali, na Praia Fluvial do Rosário – onde o Tejo beija a natureza.
Gostei. Um local para visitar e fruir.

António Sousa Pereira

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