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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Vamos assinalar os 125 anos do município do Barreiro

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Fui hoje comprar os dois livros editados pelo município do Barreiro que foram divulgados no Feriado Municipal, um sobre a passagem dos 500 anos de atribuição de «Carta de Vila», em 1521, à então «Vila Nova do Barreiro».
O outro com o contributo de diversos autores visando proporcionar uma visão criativa-artística sobre o futuro – 1521/2021/ 2521.
 

Quanto ao livro relacionado com a «Carta de Vila», como diz um amigo meu, historiador – “não há duas histórias, só há uma”.
E, por essa razão, continuarei a repetir que as comemorações não são dos 500 anos do município do Barreiro, com o território, tal qual o conhecemos nos dias de hoje, porque o município do Barreiro – este que vai do Lavradio a Coina, do Alto do Seixalinho a Santo André, da Vila Chã a Santo António, da Quinta da Areia à Penalva, da Telha a Casquilhos, da Quinta do Torrão a Palhais, e por aí fora, esse município nasceu no dia 13 de Janeiro de 1898.
Em 1521 nem sequer existia o conceito de município, aplicado às vivências politicas da época ( embora a origem do conceito remonte á cultura romana, segundo me esclareceu um historiador). A «Vila Nova do Barreiro» recebeu a «Carta de Vila», e, nisso concordo, sendo a génese do(s) concelhos do Barreiro, que foram nascendo e morrendo.
Querer assinalar os 500 anos do município do Barreiro, ao assinalar a efeméride de um território que há 500 anos estava reduzido a menos da área da actual cidade, é querer atribuir a este actual municipio uma data de nascimento que não lhe pertence, quando nessa época que nasceu o lugar do «Barreiro» era, segundo os historiadores, um território pobre e sem dimensão económica na região.
O concelho de Coina, com Carta de Foral, nascido em 1516 era mais importante na época que o lugar do Barreiro, que, sublinhe-se, foi valorizado com a atribuição da «Carta de Vila».

Refira-se que naquele tempo, há 500 anos, não existia o conceito «município» que só nasceu com o municipalismo, nos anos da Monarquia Constitucional. Por isso o logotipo da efeméride é um erro histórico. Podem dizer que existia «Câmara» e «vereadores», sim, mas, em rigor histórico, não era município, e, de facto, não se deve confundir «foralismo» , com «municipalismo».
Mas isso é coisa para historiadores, tal como, essa discussão sobre «Foral» e «Carta de Vila», ter ou não ter equiparação a «Foral», no seu enquadramento politico- jurídico institucional no mundo do «foralismo».

Uma das coisas que devia ser objectivo de quem quer celebrar as efemérides da «história local», na minha simples opinião, era, na verdade, aproveitar estas efemérides para por ponto final a muitos mitos que foram sendo inscritos na dita «historiografia local», por exemplo, esclarecer a pouca influência que o lugar «Barreiro» teve na epopeia dos descobrimentos, que é diferente da importância que teve, sem dúvida, o território que actualmente integra o município do Barreiro, e teve um papel de relevo na dita epopeia, território que na época pertencia a Alhos Vedros.

Uma coisa é assinalar os 500 anos da Vila Nova do Barreiro, mesmo concelho, outra coisa é assinalar os 123 anos do municipio do Barreiro, este que somos, em toda a sua dimensão actual nascido no século XIX.
É isso, dentro de dois anos o município do Barreiro vai assinalar os seus 125 anos, uma efeméride a festejar – 2023.
Porque é essa, sim é essa, efeméride que assinala uma identidade territorial, aquilo que somos – concelho e município.
Uma identidade territorial que é mais que o Código Postal 2830, que na verdade é o código postal do território que envolve a área geográfica da «Vila Nova do Barreiro». Essa sim a vila, hoje cidade, celebra- 500 anos.

O municipio do Barreiro celebra 125 anos em 2023. Vamos festejar!

António Sousa Pereira

De Beethoven ao Barreirense – uma cidade de talentos

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Ontem, pela manhã, comecei o dia, por mero acaso a escutar a obra de Beethoven – Missa Solene - e deliciei-me na tranquilidade existente naquela harmonia, ritmo e musicalidade, entre entre os instrumentos e a voz humana. Divinal. Como sou leigo, fui ao mundo do Drº Google, onde tudo está e fiquei a saber que, há precisamente um século, o enorme compositor criou esta sua obra através da qual procurou expressar a sua forma de sentir a relação com Deus e com o mundo.

Aprendi que Beethoven, apesar de religioso manteve ao longo da sua vida um pensamento independente influenciado pela corrente filosófica iluminista e racionalista, colocando como núcleo central do seu modo de estar e ser o amor à Liberdade.
Beethoven era um amante da natureza e foi através dela que expressou o seu encontro com a ideia de Deus. Um panteísta que associava a essa forma de sentir o mundo e o divino aos seus ideias de Liberdade e Fraternidade.
Esta sua obra – Missa Solene – dizia ele que “vinha do coração” e “volta ao coração”. É, sem dúvida, uma obra sublime. Apetece fechar os olhos e sentir os sons entrar nos ossos. Festejar a vida por dentro da sonoridade que, de facto, toca o coração.
.
E foi assim, neste encontro melodioso e espiritual que comecei o meu dia de hoje, 5 de Julho, a data em que nasceu a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado, a partir de uma célula adulta, segundo escutei na antena 2, quando circulava rumo ao Barreiro – da zona 2835 para a zona 2830 - por dentro do território da antiga CUF.
Viajava e recordava que por aquela rua entrava diariamente, na minha motorizada ou a pé, rumo à fábrica de Zinco Metálico, onde exerci funções como operário, nos anos 80. Os lugares e os sitios têm memórias, as nossas e de outros que nos antecederam. Memórias feitas de cheiros, estórias e pessoas, vindas de muitos lados.

Quando regressava da Redação do Jornal Rostos, encontrei umas amigas que comentavam estes tempo que vivemos de incertezas e dúvidas. Este vírus. Uma delas brincava que não era atingida porque respirou os cheiros da CUF. Eu comentei, que, nesse caso eu estou imunizado, porque na fábrica onde trabalhei tinha que andar de máscara por causa dos ácidos na atmosfera, totalmente poluída. Rimos. Vamos rindo, mas ele vai fazendo mossa, e batendo ás portas. Nessa altura sentimos que não é para brincadeiras.

Na rua encontrei o Costa Mano, estava radiante, com a vitória do Futebol Clube Barreirense e a sua subida ao Campeonato de Portugal.
“Não pensava, nos tempo de hoje, ainda sofrer tanto a ver um jogo de futebol. Nem a seleção nacional.”, comentava, com um grande sorriso, onde transbordava a felicidade, de uma esperança, que não finda, uma fé que tudo vence, um valor mais alto ainda, um só nome barreirense.

No jornal anuncia-se que o Metro Ligeiro vai crescer a sua rede até Odivelas e Loures. É isso Lisboa continua pensar-se para Norte. E nós a vê-los passar. Calados. Caladinhos.
Por aqui, há um empresário que comenta, junto a pessoas importantes, que podem fazer coisas importantes, que uma cidade só cresce se tiver emprego, se atrair empresas, e, de facto uma cidade para atrair empresas, tem que ter boas acessibilidades e ganhar escala territorial. Ponte Barreiro Seixal. Melhores transportes fluviais. Silêncio.

Ficamos felizes com slogans, agora é a «Fábrica de Talentos», esta a última novidade estratégica. Uma nova onda. Dá para curtir. A malta gosta muito de curtir. Ora o o potencial. Ora o talento. Filmes. Agora, é o fabricado no barreiro, os novos tempos, a fábrica de talentos. Uma terra onde não há emprego. E onde não há emprego não há pão. E onde não há pão, o talento esvai-se nos dedos. Enfim é vida.

E as redes de promotores nas redes sociais, vão entrar em acção. A mensagem tem que colar, é preciso repetir, muitas vezes, até à exaustão. Como é que não viram isto durante mais de 40 anos e, só agora, os talentos abandonados vão saltar para fazer futuro. Sim, e não é um futuro qualquer, começa agora a ser construído o Barreiro que teremos daqui a 500 anos. Agora digam que não à estratégia.

Comecei o dia a escutar Beethoven, divinal, solene, e, agora que vou descansar sinto o coro entrar nos meus nervos e penso - « Paz na terra aos homens de boa vontade».

António Sousa Pereira

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