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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Parabéns ao estudantes do concelho do Barreiro!

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Este discurso dos bons politicos e dos maus politicos. Dos bons politicos que não manipulam, e dos maus politicos que manipulam. Isso incomoda.
Incomoda e faz pensar, naquela frase de William Shakespeare – “algo vai mal no reino da Dinamarca”.

 

“O homem nasceu livre, mas em toda a parte está a ferros. Este julga-se senhor dos outros e é mais escravo do que eles”, com estas palavras, Jean-Jacques Rousseau, abre o primeiro capítulo da sua obra «Contrato Social», publicado em 1762.
Um tempo, que abria um novo tempo, de uma longa aprendizagem que, nos dias de hoje, ainda está por concluir, nos seus avanços e recuos, neste fazer humanidade que se faz de «senhores» e «escravos».
“A força fez os primeiros escravos, a cobardia perpetuou-os”, refere Rousseau.
E o debate começou. Cresceu. A palavra Democracia. A tolerância. A Liberdade. A igualdade. A cidadania.
Foram séculos de conflitos. A politica. Os partidos. As guerras. Revoluções Liberais. Revoluções Socialistas. Muitos ismos. E, neste século XXI, continuamos a percorrer esse caminho, o mesmo, traçado por Rousseau. Dessa luta pelo respeito do direito à diferença.

E, nós, neste cantinho à beira mar plantado, com ditaduras, com revoluções, com domínios de estrangeiros a silenciar a nossa voz, lá vamos, tentando construir esse ideal democrático, com neuroses e psicoses, com esquizofrenias. Com papões.

E cá estamos, neste século XXI, nesta democracia nascida em Abril, marcada de conflitos por resolver, traumas, situações onde muitas vezes se confundem interesses particulares, ou interesses de grupos, com interesse público, com o fazer cidade e fazer cidadania.

Uma das grandes conquistas do 25 de Abril foi a liberdade de constituição de partidos politicos, como base e essência da democracia. Os partidos são fundamentais no fazer democracia. Porque, é uma velha tese, um dia sublinhada por Vergilio Ferreira, que “a democracia não é uma ideologia”, a democracia é um confronto de ideologias. No respeito pelas diferenças e tolerância.

Antes do 25 de Abril, quando os estudantes se manifestavam nas ruas, ou nas escolas, o discurso do poder politico, de cultura fascista, prepotente, arrogante, de pensamento único, de silenciamento de opiniões discordantes era que – os estudantes eram manipulados por forças obscuras.
No pós 25 de Abril, em certos momentos, alguns devem recordar a chamada «geração rasca», também, os estudantes em luta pelos seus direitos, eram acusados de ser manipulados por partidos políticos.

Ora, de facto, todos sabemos, em todos os tempos, em todas as épocas, os estudantes, os trabalhadores, as forças civicas, as acções por causas, de forma directa, ou indirecta, foram, são e serão influenciadas por partidos políticos, por confrontos de ideias e opções de cidadania, mais ou menos identificáveis com o tempo, o modo, as circunstâncias. É a vida politica ao rubro.
Mas, quando em vez do diálogo e com os movimentos da história, a serenidade de sentir o pulsar do tempo que vive, se opta, por ignorar, de forma sobranceira. A democracia perde. Na conflitualidade a democracia ganha.

Mas, quando nas redes sociais os servos, directos ou indirectos, se transformam em castradores de opiniões e destruidores do direito à diferença, procurando estigmatizar as acções naturais e próprias de um sistema democrático, ou lançado anátemas, quando colocam uma carga negativa, por exemplo, sobre os movimentos estudantis, com frases como – “a balda as aulas”, e “os manipulados”, essas mesmas que se escutavam antes do 25 de Abril, tratando como imbecis as lideranças de um processo civico, que não devia ser estigmatizado, mas, democraticamente, apenas se exigia que fosse escutado. A primeira qualidade de um politico é ouvir.

Tudo isto, apenas contribui para gerar discursos anti partidos, para de radicalizar o pensamento politico, em torno de jogos e manipulações. Estas, de facto, sempre foram as técnicas de antes do 25 de Abril, e, são as técnicas de sistemas que acabam em totalitarismos.
A democracia começa a construir-se em cada casa, em cada terra, na narrativa de cada um de nós, na forma como valorizamos a tolerância e o respeito pelas diferenças. O ter opinião.
Neste tempo que crescem os populismos e os ódios ideológicos, cujo único objectivo é criar um “inimigo comum”, um “bode expiatório”, e , reduzir tudo ao pensar a preto e branco, neste tempo, quando os democratas se colocam nessa barricada do populismo e do cultivar o anti-democracia, estão, na verdade, a prestar um mau serviço à democracia.

Este discurso dos bons politicos e dos maus politicos. Dos bons politicos que não manipulam, e dos maus politicos que manipulam. Isso incomoda.
Incomoda e faz pensar, naquela frase de William Shakespeare – “algo vai mal no reino da Dinamarca”.
Incomoda. Porque o futuro começa a ser construído sempre no passado. O passado de amanhã está sendo contruído hoje...sente-se no quotidiano.
Foi por isso, apenas por isso, que gostei de ver os jovens sair à rua e gritar, a exigir, afinal, é, assim, que se aprende a construir democracia.
Aqui fica, com um sentimento de generosidade, os meus parabéns ao estudantes do concelho do Barreiro!

António Sousa Pereira

 

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