Projecto «urbanistico subaquático» vai nascer na Barra-a-Barra Investimento superior a 80 milhões de euros

O projecto pelo que soubemos, em primeira mão, visa desenvolver uma experiência piloto para testar aspectos diversos dos efeitos das alterações climáticas num novo conceito habitacional e urbanistico, com uma nova visão do binómio habitação com a sua continuidade no espaço envolvente.
A informação sobre este projecto, só agora foi divulgada, e, referem-nos que existe a espectativa que este investimento de largos milhões vá contribuir para colocar o concelho do Barreiro na rota mundial do «urbanismo subaquático».
Este investimento é considerado um projecto âncora, porque vai ser catalisador de experiências inéditas ao nível da economia do mar, e, considera-se mesmo que será a primeira experiência ao nível europeu, nesta forma de pensar os territórios ribeirinhos, razão porque a academia está envolvida nos diversos estudos prévios.
Zona de vida humana no neolitico
A escolha do Bico da Passadeira para desenvolver este projecto piloto, está relacionada com o facto de ser aquela zona, uma das primeiras ao nível da europa onde se desenvolveu, no Período Neolitico, a sedentarização humana. Esta sublinhe-se é uma zona geo-referenciada ao nível europeu, e, sublinhe-se única no estuário do Tejo.
Interesse por projectos urbanisticos nas margens do estuário do Tejo
Nos últimos tempos, tem vindo a registar-se um crescente aumento de interesse pelo desenvolvimento de projectos urbanisticos nas margens do estuário do Tejo.
Sabe-se, por exemplo, que o PDM de Lisboa, define que a cota soleira de um edificio tem de estar 3,80 metros acima do nível do mar e que todas as construções edificadas, nas zonas ribeirinhas, abaixo desta altura deviam ser readaptadas, mas, apesar desta limitações os empresários investidores, consideram que este novos projectos urbanisticos são aliciantes geradores de fundos imobiliários de caracteristicas de risco, mas de grande rentabilidade financeira.
Há quem defenda que projectos a desenvolver nestas áreas deviam ser submetidos a estudos de impacto ambiental, para serem minimizados os impactos das natureza e os riscos para o erário público.
Urbanizações lacustres da modernidade
O conceito «quartos com vista para debaixo de água», «urbanismo subaquático», tem vindo a merecer uma atenção especial por uma nova escola de planeamento do território, porque estas, consideram, sendo inevitável o aumento dos níveis de águas do mar no decorrer do século XXI, devem desde já iniciar-se «projectos piloto», que possam ser casos de estudo e avaliação de novos modelos de desenvolvimento imobiliário nas zonas ribeirinhas.
Um recente estudo no âmbito de inovação turistica considera que estes projectos para além de proporcionarem uma nova tipologia habitacional - «quartos com vista para debaixo de água» - são também modelos de teste de «urbanismo subaquático», com uma visão futurista do espaço envolvente da habitação, privilegiando-se o aprofundamento do binómio «água – habitação», ou a «habitação lacustre futurista».
Aproveitamento da energia hidrica
Há quem considere que no âmbito de matérias relacionadas com a economia do mar, estes projectos urbanisticos subaquáticos podem ser potenciadores de aproveitamento de novos tipos de energia nomeadamente a utilização das correntes do rio, como fontes geradoras de energia renovável.
Uma nova gastronomia ribeirinha
No âmbito do turismo defende-se a implementação de restaurantes subaquáticos, valorizando-se o consumo de peixes, ameijoas, lagostas, lingueirão – promovendo-se a gastronomia ribeirinha, de alto nível «gourmet», com produtos de proximidade e ligados ao ambiente – estilo Show Cooking – estar a ver ao vivo o que se come no prato.
Neste contexto, está a criação de espaços para realização de casamentos subaquáticos.
Da Habitação lacustre à economia lacustre
A Habitação lacustre, o turismo lacustre, a gastronomia lacustre, o aproveitamento de energia lacustre, todo este potencial, pode vir a dar ao concelho do Barreiro uma nova dimensão, colocar a região como uma zona atractiva para o investimento.
Este projecto pode ser uma alavanca para dinamizar os territórios industriais, e, até, um pontencial para estimular a ligação por túnel ao concelho do Montijo.
Sendo uma experiência piloto pode, igualmente, ser um contributo para o desenvolvimento de um campus académico de ciência do Mar.
Isto, sem dúvida, podemos afirmar – É uma boa noticia..!
Será que finalmente começa-se a ver uma luz ao fundo do túnel para o concelho do Barreiro.
O importante é que este não seja mais um projecto que vá para a gaveta e se perca em estudos.
A.J.
