Espero por ti no futuro,
sentado junto ao rio, ali,
aguardando pelos teus passos,
de regresso à luta pela Liberdade,
quando deixares para trás,
todas as flores que colheste,
todas as flores que pisastes,
todas as flores que queimastes,
e, então, só existirá uma gaivota,
que resiste e voa, voa, voa...
Espero por ti no futuro,
porque no futuro só há futuro,
esse, que faz mover a história.
Espero por ti no futuro,
quando um dia descobrires,
que mais que a luta pelo ter,
no teu coração sentires,
essa energia que é ser!
Espero por ti no futuro,
sentado à beira rio,
serenamente,
tranquilamente,
beijando a flor que nasce em Liberdade,
essa que eternamente resiste!
Sim, essa, nunca conseguirás esmagar,
e mesmo, que sorrindo a pises,
sempre, sempre, ela florescerá!
António Sousa Pereira
27 de março de 2021
Ai que prazer, sentir o tempo, todo o tempo,
tocar os nervos na sua dócil filigrana,
viajar no espaço no seu timbre de violino,
sentir a cadência das horas deslizar nas sombras,
escutar o seu trinando em movimentos no vento.
Ai que prazer, sentir deslizar o tempo,
ternamente nos recantos dos dedos,
suavemente a esvoaçar na seara de cabelos brancos,
deitar-me nas suas frágeis sombras silenciosas.
Ai que prazer, parar no tempo, dentro do tempo,
sentir a força do tempo, intemporalidade,
sentir o sabor do tempo, eternidade,
pulsar, naquela oscilação pendular...
Ai que prazer, gozar o tempo, todo o tempo,
serenidade, tranquilidade, maturidade.
Ah, é verdade, a Alice ontem descobriu
a ternura da própria sombra, apontou o dedo.
De certeza, naquele instante, ela cresceu,
e, lá longe, no imenso universo, Cronos, sorriu!
António Sousa Pereira
26 de março de 2021