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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Entre o pensar a cidade para os carros e o não pensar a ligação cidade-rio

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Hoje, pela manhã, fui dar um passeio pelo Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, e, posteriormente desloquei-me até ao novo espaço, recuperado, ali, junto à Rua Miguel Pais.


Encontrei um amigo que por ali, tal como eu, dava a sua volta e comentei: “Não gosto da obra que aqui está feita”.
O meu amigo comentou que – “nenhuma obra terá sempre a concordância de todos”, e, de imediato acrescentou: “está melhor com o que estava”.
Eu respondi que – “sim está melhor com o que estava, mas ficou um espaço reservado a carros”.
“Já era um parque de estacionamento, agora está melhor”, respondeu.

Recordo esta breve troca de palavras, apenas para acrescentar as razões que me levam a não gostar e a lamentar, que, hoje, neste século XXI, num espaço privilegiado onde a cidade beija o Tejo, se opte, por uma intervenção de requalificação do território, não pensando a ligação da cidade ao rio, mas pensando o carro como prioridade.
Ali estão patentes as diferenças que existem entre o «pensar cidade de costas para o rio», e o «pensar cidade com o olhar no rio», ali estão patentes os conceitos do «pensar a cidade para as pessoas» e o «pensar cidade para os carros».

Basta olhar apenas para as diferenças existentes entre as duas abordagens paisagísticas da forma de pensar o espaço ribeirinho, a intervenção feita na Avenida da Praia, pela APL, que abre espaços para permitir que o olhar sinta a beleza do rio, proporciona que qualquer pessoas possa estar sentada a olhar o rio sem ser afectada por «ruídos» na sua frente, e, por exemplo, no passeio, junto ao Tejo, a prioridade é para o passeio pedonal, enquanto a ciclovia, está mais para dentro, junto ao jardim, quem circula em bicicleta não interfere na fruição da paisagem por quem circula a pé, calmamente, sem ter que estar a preocupar-se com os ciclistas,
Este é um erro inadmissível num arranjo urbanístico ribeirinho. Não gostei.
Sim está melhor do que estava, mas, afinal, podia estar melhor.
Mas, percebe-se a ansiedade de «fazer obra», da narrativa «estamos a mudar», o fazer sem precisar de pensar, conduz a estas aberrações. Hipotecou-se o futuro.

Uma zona que devia, até, permitir acesso fácil a barcos a remos, a canoas, de forma a proporcionar a fruição do rio.
Uma zona onde, em vez de muralha de pedra, podia optar-se por criar uma zona de ligação ao rio ( como existe em Lisboa, na Ribeira das Naus).

Uma zona que bastava ter reduzido o número de lugares de estacionamento e criar um pequeno parque infantil.
Isto era pensar a cidade para as pessoas.
Isto era pensar a cidade na sua ligação ao rio.

Pronto, mas, é assim, está melhor do que estava, e na tal narrativa sem pudor, repete-se que foi resolvido mais um caso de 40 anos. Os célebres 40 anos.

Quando até, sabe-se, que durante décadas, o legitimo proprietário que, naquele espaço tinha aprovada a construção de prédios, com o 25 de Abril, e a começar na própria Comissão Administrativa – composta por personalidades das mais diferentes áreas politicas – tomaram a decisão de não concordar com mais prédios naquela zona ribeirinha.
Quando se sabe que o legitimo proprietário sempre defendeu esse seu direito de construir os prédios, nem aceitava que fosse mexido no terreno o que dava origem a situação terceiro mundista.

Quando se sabe que na gestão de Carlos Humberto, finalmente o proprietário aceitou que se colocasse uma gravilha no terreno para, ao menos, dignificar o estacionamento.

Quando se sabe que o proprietário em negociações com executivo de Carlos Humberto, já estava a entrar numa fase de negociação para vender o terreno à Câmara, de forma a que se fizesse uma intervenção, permitindo a fruição do espaço, dentro de uma estratégia que vinha sendo implementada de valorização das zonas ribeirinhas, de ligação da cidade ao rio.
Opções essas bem vivas nos passadiços e nas negociações com o governo que conduziram ao protocolo sobre a Doca Seca da CP, e, posteriormente, à candidatura para realizar a obra, que foi agora concretizada.
Quando se sabe que a aquisição do terreno pela Câmara Municipal do Barreiro, no actual mandato, foi o fruto dessa acção.
Portanto, a aquisição do terreno era útil para o enquadrar o espaço numa visão estratégica de ligação da cidade ao rio, e, não reduzir a sua utilidade a mero Parque de Estacionamento. Embora, obviamente, pudesse e devesse contemplar uma parte para essa funcionalidade.

A obra que ali está feita, é um exemplo do tal ditado popular «depressa e bem não há quem».
Está feito. Pronto e «está melhor com o que estava», mas, de facto, podia estar mesmo, mesmo muito melhor.
É isso, não se perde tempo a pensar...e o resultado é esta intervenção que, fica como um caso de estudo e exemplo, do que é «pensar a cidade para as pessoas», e, «pensar a cidade para os carros».
Ou, também, o que é, o não pensar a ligação cidade-rio.
Não gosto. É a minha opinião.
Foi isso que eu disse ao meu amigo, ele, amavelmente disse-me : “As tuas melhoras!».
Obrigado!

António Sousa Pereira

 

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