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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

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Barreiro - que o melhor se concretize nos próximos 500 anos.

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Já estou a imaginar, daqui a 500 anos, numa qualquer Assembleia de «representantes», quando foram celebrados os Mil anos do Barreiro, aprovarem uma saudação, reconhecendo com gratidão, o legado recebido dos «representantes», que no século XXI, que tiveram a visão de projectar «o melhor», esse melhor, que se foi concretizando ao longo de 500 anos.

 

Na Sessão da Assembleia Municipal do Barreiro, realizada no dia 25 de fevereiro, foi aprovada, por unanimidade, uma Saudação referente ao «500º Aniversário do Município do Barreiro».
Sem dúvida, é importante que um órgão como a Assembleia Municipal sublinhe a importância desta efeméride os 500 anos da atribuição de «Carta de Vila», equivalente a Foral, à «Vila Nova do Barreiro».
Só que, de facto, o municipio do Barreiro, na sua actual configuração territorial nasceu em 1898.
Este ano passam, na verdade, 500 anos da Vila do Barreiro.

Ainda recentemente, no ano 2016, foram assinalados os 500 anos do Foral de Coina, e, não do municipio de Coina, que nessa época era autónomo, antes, portanto, de existir Barreiro, e. hoje, integra o território do concelho do Barreiro.
Mas enfim, os deputados municipais acham, por unanimidade que são 500 anos do municipio do Barreiro.

Mas, isto tem mais significado quando no órgão de governança local com mais representatividade democrática nesta sua saudação aprova um texto, que ao lermos o seu teor o dito surpreende, pelo que está escrito, afinal, o que está escrito, passa a ser parte da nossa história comum.
O texto passa a ser lido, a ser interpretado, e, neste caso, todas as palavras valem pelo seu significado e sentido histórico, seja intencional ou ocasional.
O que foi escrito e aprovado, naturalmente, é merecedor de análise hermenêutica.

Assim, através do texto desta saudação ficamos a saber que nestes 500 anos o Barreiro – não sabemos se a Vila, se o concelho, porque são coisas diferentes, viveu um tempo que “foi História viva”. E, aqui, surge a primeira interrogação : Se o Barreiro foi, uma vila ou concelho, com uma história viva nestes 500 anos, isto é contraditório com as narrativas que se escutam a toda a hora, que nos últimos 40 anos viveu um período de estagnação e tudo está por esse território num estado de abandono.
Será que os últimos 40 anos não fazem parte dos 500 anos?

Mas, logo a seguir, no mesmo texto, ao falar-se que o Barreiro «foi história viva», sublinha-se que o Barreiro – “Foi Descobrimentos. Foi rural e urbano. Foi Indústria e Caminhos-de Ferro. Foi luta operária e resistência antifascista. Foi Desporto e Associativismo. Foi Cultura e Educação. Foi Cidadania e Participação.”
Essa repetição de «foi, isto», «foi aquilo», «foi aqueloutro». É porque foi e já não é...

Ou seja o Barreiro ( numa zona do seu actual concelho que na época pertencia a Alhos Vedros), foi descobrimentos. Já não é.
O Barreiro foi rural e foi urbano. Bom. Isso ainda é uma realidade actual. É urbano e é rural, por enquanto.
O Barreiro foi indústria e caminhos de Ferro. Foi indústria e ainda tem alguma indústria. Foi Caminho de Ferro e ainda lhe resta a linha Barreiro – Praias Sado. Pronto aceitemos que foi...já não é, nem de facto, nada se faz para que possa voltar a ser, ao nível industria, mesmo com novas tecnologias, ao nível ferroviário, com a defesa imperiosa da Terceira Travessia do Tejo ( estruturante na rede ferroviária nacional, e fundamental para qualquer projecto de aeroporto na margem sul, seja no Montijo, seja em Alcochete, e, igualmente, para dar ligação a Espanha e à Europa).
Mas é assim, fiquemos nesse aceitar foi, que demonstra a desistência do querer continuar a ser...

E foi luta operária e resistência antifascista. Foi..
E foi desporto e associativismo. Certo, é isso que está escrito, foi...
E foi Cultura e Educação. Foi, é isso que está dito, foi...
E foi Cidadania e participação. E lá está escrito, com todas as letras..foi!
Portanto o Barreiro celebra os 500 anos de «Carta de Vila», que quer festejar como sendo 500 anos do municipio, não pelo que é, apenas pelo que foi...
Foi, foi, foi, ficamos assim.
Mas é isso, é para isso que o Barreiro está a caminhar para o foi...fomos!

E, no texto aprovado é deliberado – “saudar todos os Barreirenses e o Município do Barreiro, na pessoa dos seus representantes aqui presentes”.
Não sabemos se os representantes do municipio «aqui presentes» são os eleitos na Assembleia Municipal, ou se os eleitos da Assembleia Municipal estão a saudar os “representantes aqui presentes”, referindo-se ao executivo municipal.
Se forem os eleitos da CMB, então os representantes dos barreirenses são os eleitos do PS, CDU e PSD.
Se forem os eleitos da AMB, os representantes dos barreirenses são aqueles partidos, mais o BE e PAN. E, obviamente os representantes das freguesias, que acrescenta o MCI.

Portanto, ou aprovaram uma saudação a saudar-se a si próprios, ou se esta é uma saudação dirigida ao executivo municipal, os deputados municipais delegam na Câmara a representatividade dos barreirenses, auto excluem-se dessa representatividade, e, naquele órgão assume-se, afinal, quem representa os barreirenses é a CMB.
Mas, se o texto, pretende considerar como representantes dos barreirenses os eleitos da CMB e da AMB, porque razão, não são, igualmente, representantes dos barreirenses os eleitos nas Assembleias de Freguesias.

É estranha esta saudação aos representantes num contexto que, afinal, a saudação devia ser aos barreirenses, aqui nascidos, ou que desta fizeram a sua terra. Ao povo.
Enfim, os deputados municipais querem que fique claro que, afinal, quem representa os barreirenses são os seus representantes. Tomem nota.

E, por fim, neste brilhante texto histórico, sim histórico, porque assinala os 500 anos de uma parte da nossa história comum, os deputados municipais, salientam – “queremos honrar o Barreiro e os Barreirenses e contribuir para que o melhor se concretize nos próximos 500 anos”.
Nada mais nada menos, hoje, os nossos deputados municipais querem já lançar as sementes e dar um contributo para que o melhor se concretize nos próximos 500 anos. Está a nascer hoje, o que vai ser o Barreiro daqui a 500 anos – “o melhor” - que se concretizará nos próximos 500 anos. Ainda há quem diga que não há estratégia. Isto sim é ter estratégia. Uma visão a 500 anos.

Já estou a imaginar, daqui a 500 anos, numa qualquer Assembleia de «representantes», quando forem celebrados os Mil anos do Barreiro, aprovarem uma saudação, reconhecendo com gratidão, o legado recebido dos «representantes», que no século XXI, tiveram a visão de projectar «o melhor», esse melhor, que se foi concretizando ao longo de 500 anos.

E, por fim, como, dizem os deputados municipais, no texto da saudação, aprovada por unanimidade, que «Ser do Barreiro é um orgulho há mais de 500 anos», é importante sublinhar que, esse orgulho de 500 anos, não pode ser sentido por quem nasceu ou vive no Lavradio, pois aquela Vila, até foi concelho, ou, mesmo dos que nasceram ou vivem em Coina, que até tiveram foral antes do Barreiro.
Esses territórios não faziam parte da «Vila Nova do Barreiro» há 500 anos atrás, nem Palhais, Santo André, Santo António da Charneca, esses territórios pertenciam a Alhos Vedros. O orgulho de 500 anos é só para quem nasceu, quem adoptou, quem é. da vila do Barreiro – Camarros.
E, isso, é justo, porque ser da vila do Barreiro, é ter história, e ter história é ter memória. Uma memória feita de muitas histórias, de gente vinda de muitos lados.

Aqui, ficam estas notas- reflexões sobre uma saudação que assinala 500 anos da atribuição de «Carta de Vila» ao Barreiro.
Parabéns à Vila do Barreiro.

António Sousa Pereira

SAUDAÇÃO

Divulgamos o texto integral da Saudação aprovada, por unanimidade, na reunuião de 25 de Fevereiro da Assembleia Municipal do Barreiro:

Na Sessão Ordinária da Assembleia Municipal do Barreiro, de 25 de fevereiro, foi aprovada, por unanimidade, a Saudação referente ao 500º Aniversário do Município do Barreiro (deliberação nº 6/2021).

«A quantos esta nossa carta virem, fazemos saber que, esguardando nós como o lugar do Barreiro […]um dos mais principais assim em povo, como noutras coisas […] Nós de nosso próprio moto, certa ciência e poder absoluto, fazemos o dito lugar do Barreiro, Vila, e queremos que daqui em diante se chame Vila Nova do Barreiro […] e havemos por bem que possam, daqui em diante, fazer seus oficiais e jurisdições deles na maneira que o fazem as outras semelhantes vilas de nosso Reino.» Rei D. Manuel I in Carta de Privilégio (adaptado)

Celebrou-se no passado dia 16 de janeiro os 500 anos da carta de privilégio através da qual D. Manuel I, em 16 de janeiro de 1521, concedeu ao Barreiro o estatuto de vila. Esta assinatura veio no seguimento do desenvolvimento do território no contexto económico e social de então, em que se foi afirmando pela sua centralidade e potencialidades, um desafio que se colocava ao Barreiro de há 500 anos, e um desafio que se coloca também hoje.

Nestes 500 anos o Barreiro foi História viva. Foi Descobrimentos. Foi rural e urbano. Foi Indústria e Caminhos-de Ferro. Foi luta operária e resistência antifascista. Foi Desporto e Associativismo. Foi Cultura e Educação. Foi Cidadania e Participação Cívica. Ser do Barreiro é um traço de identidade que nos marca a todos, os Barreirenses de berço ou de afeto, os Barreirenses que foram, os que são e os que virão, que se sobrepõe à normal e salutar diversidade política e ideológica, porque somos do Barreiro e, numa multiplicidade de caminhos, queremos honrar o Barreiro e os Barreirenses e contribuir para que que o melhor se concretize nos próximos 500 anos.

Ser do Barreiro é um orgulho há mais de 500 anos. Comemorar os 500 anos do Barreiro é, para além do complexo momento que atravessamos, e talvez por ele, um imperativo que não podemos deixar de honrar.

Assim, a Assembleia Municipal do Barreiro delibera:
1) Saudar todos os Barreirenses e o Município do Barreiro, na pessoa dos seus representantes aqui presentes.
2) Que esta moção seja enviada à Comunicação Social.

Aprovada por unanimidade.
Barreiro, 25 de fevereiro de 2021

 

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