O silêncio do actual executivo municipal é, obviamente, um contributo para o retrocesso e o esquecimento deste projecto de ligação rodoviária Barreiro- Seixal. Quem não exige, quem não ergue a voz, não é escutado. Quem não reivindica. É ignorado. Quem não se indigna, como diria Mário Soares. Não exerce a sua cidadania.
Almada desenvolve «Distrito da Inovação»
Foi divulgado o projecto de dinamização do novo Campus da Faculdade de Cîência e Tecnologia no Monte da Caparica, no concelho de Almada, que é considerado um projecto âncora denominado «Distrito de Inovação», um plano urbanistico que pretende criar um polo de conhecimento – uma cidade do conhecimento e tecnologia. Aponta-se para 180 milhões de euros de investimentos a dez anos, mais 80 milhões destinados à recuperação do edificado, são 399 hectares, prevendo-se a criação de 17 mil empregos. Este plano inclui uma componente urbana no centro histórico da Caparica, uma área empresarial. Naturalmente, este projecto não está desligado da proposta em marcha da construção de um túnel – uma travessia do Tejo - que ligue o concelho de Almada ao concelho de Oeiras, que tem vindo a ser reivindicado ( palavra terrível) pelas duas autarquias. É assim, uns projectam, planificam, ambicionam, pensam o território, olhando para o mesmo com uma visão que o coloque na sua dimensão regional e na sua importância na AML. Pensam grande. Sonham grande. Sonham futuro. Nós por cá estamos bem, vamos ter uma startup, sem qualquer estudo prévio que permita concluir da sua viabilidade, dado que, na reunião de Câmara, cito de memória foi dito que, muitos deste projectos criados na Europa, na sua maioria, falharam, foram elefantes brancos. Mas nós cá estamos felizes. Somos Barreirinho. Uma Starup, sim vamos ter uma starup, que, obviamente será inaugurada em vésperas de eleições. Mero acaso. Depois vê-se o modelo, os custos de funcionamento, quems e envolve, como se envolve. depois vê-se.. De referir que esta, na verdade, é uma proposta que resulta de um contributo do PSD nesta gestão autárquica partilhada.
Uma nova ponte sobre o Rio Douro
O rio Douro vai passar a ter mais uma travessia, entre o Campo Alegre e o Arrábida Shoping. Uma ponte exclusiva para o Metro, com espaço para peões e ciclistas. E será financiada, segundo noticia do jornal «Sol» pelos fundos da bazuca, oriundos da União Europeia, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). E, nós, pelo que escutei, em palavras de alto saber, achamos que os fundos do PRR, a dita bazuca, não podem contribuir para que arranque a ponte rodoviária Barreiro – Seixal. Enfim, esperemos que o nosso Primeiro Ministro António Costa nos dê uma ajuda e abra as portas para que este sonho com «mais de 60 anos». E, um dia breve, este «abandono» de uma ligação essencial possa tornar-se uma realidade.
O facto é que sobre esta matéria o Barreiro andou para trás, muito para trás, aquilo que o anterior executivo municipal, liderado por Carlos Humberto, conseguiu, que não foi uma coisa simples, foi um passo de gigante, de ter motivado o Primeiro Ministro António Costa a assumir que a Ligação Barreiro Seixal que são trocos, seria concretizaria nestes próximos anos, de facto, neste mandato, foi para a gaveta. O silêncio do actual executivo municipal é, obviamente, um contributo para o retrocesso e o esquecimento deste projecto. Quem não exige, quem não ergue a voz, não é escutado. Quem não reivindica. Quem não se indigna, como diria Mário Soares. Por mim, nunca deixarei de exercer esse direito...
Este ano serão assinalados no dia 15 de Dezembro os 20 anos do jornal «Rostos».
Uma longa história, de muitas emoções, de muita escrita no coração e com uma energia criadora e apaixonada pela vida. Um percurso feito de três palavras - Liberdade - Ética - Integridade.
Isto dá alegria e permite sorrir, sentir que valeu a pena e que vale a pena fazer este jornalismo pela democracia, pela Liberdade e no respeito pelas diferenças.
Hoje, recebi na redacção um estudante que está a fazer uma tese de Mestrado em Ciências da Comunicação, e, considerou relevante para o seu trabalho, referenciar esta experiência de comunicação digital pioneira na região e no país. É giro.
Ele perguntava-me sobre o futuro do jornal e respondi : " O futuro do jornal «Rostos» será uma realidade, enquanto existir vontade e força para manter viva esta voz de esperança, uma voz que dá rostos à cidade, que mantém viva uma comunicação social que respeita as diferenças, contribui para deixar o mundo um pouco melhor e regista, hoje, parte do que será , um pouco da nossa memória colectiva.
Hoje o jornal Rostos, já é isso, no seu arquivo está um pouco do que resta da nossa memória colectiva dos últimos 20 anos.
É isso, assim foi e assim vai continuar a ser, enquanto existir vontade, emoção, alegria no fazer, em Liberdade, com Liberdade. pela Liberdade.
A liberdade é linda. Enquanto existir vou viver com essa força criadora, foi isso que sonhei antes de Abril acontecer, foi isso que aprendi com a vida, ao sentir e viver o sabor da palavra Liberdade. E, sabem, a Liberdade não tem preço!
Todos que por aqui passaram na redacção do jornal Rostos e, aqui fizeram o seu percurso inicial de jornalistas, acredito que aprenderam uma coisa única, essa, escreve, vive a tua actividade com o que vai no teu coração. É nele que está o fazer jornalismo.
Terei um prazer enorme de festejar os 50 anos do 25 de Abril, aqui, nestas páginas.
Haverá um dia que vou sentir os teus olhos fechados no limiar do silêncio.
Tu. Apagando os dias. Todos. Principalmente aqueles que adiaram palavras que nunca foram feitas acção.
Haverá um dia que vou sentir os teus olhos molhados em ondas de silêncio, falando por dentro dos olhos, olhos nos olhos, sorrindo. Relâmpago. Centelha.
Haverá um dia que vou sentir teu olhar de barco naufragado, tela deitada no areal ao por do sol, som cristalino em ondas de vitral.
Tu. Trovão. Raio. Sol. Mar. Europa a beijar o Mediterrâneo. África a chorar no Mediterrâneo.
Tu. Memória. História. Humanidade. Liberdade. Mediterrâneo eterno poema.
O concelho do Barreiro tem poesia inscrita no seu território. Nas velas sente-se a frescura do vento que "lava nas águas" do Tejo, ali, onde estão escritas tantas histórias, e memórias, essas "que lá estão", e, outras que "lá não estão". O Tejo é um poema. Esse por onde "se vai para o mundo"!
A Mata da Machada, esse pulsar de ternura verdejante, onde escutamos a sinfonia da natureza a beijar os olhos. O sentir. O pensar. Por ali, as aves, abrem as asas rasgando o tempo de África para a Europa, da Europa para África, e, descansam para cantar as estações de Vivaldi. O tempo pára. No ritmo de sons ecoando no espaço, num cântico escutamos o silêncio de um poema a beijar o coração. Ternamente.
A ponta da Passadeira, a Praia da Barra-à Barra, um areal de ouro, que toca as memórias do bosque que ali existiu, no longínquo tempo, que lavrar com um boi, era uma revolução, que produzir fazer sal era uma descoberta. Uma revolução. O ser humano aprendia a viver num lugar. Fazer comunidade.
Os resíduos de um tempo industrial, que as noivas caminhavam vestidas de todas as cores, feitas chaminés de véus brancos a rasgar o céu de trabalho. Sons de buzinas. Corpos que se cruzavam vestidos de azul, cinzento, branco, força dos braços que transformavam e faziam pulsar a Vila, depois cidade.
O concelho do Barreiro tem memórias, poesia inscrita no seu território. Um dia acredito voltarás a ser terra de trabalho, que dá vida, que dá pão.
Acredito não estás condenado a ser transformado numa seara de betão. O Barreiro é um poema que está inscrito no sangue que faz a vida ser ternura, ser amor, ser isto, a terra, o céu e o mar.
A fotografia foi publicada no jornal «O Século», está nos arquivos da Torre do Tombo, como divulga a historiadora Vanessa Almeida.
Foi um registo às portas da Fábrica Sol - CUF - Alcântara, Lisboa, 23 de Julho de 1943.
A foto da capa da revista «Visão - História», durante muitos anos foi identificada com sendo no Barreiro. Um dia nos anos 90, numa visita que fiz à Prisão de Peniche, nas minhas ferias pela Ilha do Baleal, lá estava na exposição a mesma foto, identificada como sendo na Marinha Grande. Na altura, escrevi na minha rubrica - Objectiva - que tinha no Jornal do Barreiro, onde fui Chefe de Redacção e Director, uma nota, interrogando: afinal onde é que se registou este acontecimento. No Barreiro? Na Marinha Grande?
Leal da Silva, com seu espirito de investigador e pericial, descodificou a fotografia e num texto editado, posteriormente, no JB, sublinhou que pelos elementos que analisou na fotografia a mesma, tudo indicava que tinha sido fotografada em Lisboa, junto às fábricas da CUF, em Alcântara.
Agora, na revista «Visão- História» de Fevereiro de 2021, a historiadora Vanessa Almeida, confirma as notas de Leal da Silva e identifica a fotografia, como de facto tendo sido um registo fotográfico, no decorrer de protestos de mulheres de operários, nas greves de 1943, junto às fábricas da CUF, em Lisboa.
A fotografia foi publicada no jornal «O Século», está nos arquivos da Torre do Tombo, como divulga a historiadora Vanessa Almeida. Foi um registo às portas da Fábrica Sol - CUF - Alcântara, Lisboa, 23 de Julho de 1943. Fico feliz, porque afinal, foi a minha nota no JB, nos anos 90, que contribuiu para clarificar a verdade deste ícone histórico. É esta a mania da malta que faz jornalismo,..metem-se em tudo, fazem perguntas...e, depois, sim, depois, é o drama porque as perguntas obrigam sempre a encontrar as respostas. Obrigado Vanessa Almeida.
Hoje, pela manhã, fui dar um passeio pelo Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, e, posteriormente desloquei-me até ao novo espaço, recuperado, ali, junto à Rua Miguel Pais.
Encontrei um amigo que por ali, tal como eu, dava a sua volta e comentei: “Não gosto da obra que aqui está feita”. O meu amigo comentou que – “nenhuma obra terá sempre a concordância de todos”, e, de imediato acrescentou: “está melhor com o que estava”. Eu respondi que – “sim está melhor com o que estava, mas ficou um espaço reservado a carros”. “Já era um parque de estacionamento, agora está melhor”, respondeu.
Recordo esta breve troca de palavras, apenas para acrescentar as razões que me levam a não gostar e a lamentar, que, hoje, neste século XXI, num espaço privilegiado onde a cidade beija o Tejo, se opte, por uma intervenção de requalificação do território, não pensando a ligação da cidade ao rio, mas pensando o carro como prioridade. Ali estão patentes as diferenças que existem entre o «pensar cidade de costas para o rio», e o «pensar cidade com o olhar no rio», ali estão patentes os conceitos do «pensar a cidade para as pessoas» e o «pensar cidade para os carros».
Basta olhar apenas para as diferenças existentes entre as duas abordagens paisagísticas da forma de pensar o espaço ribeirinho, a intervenção feita na Avenida da Praia, pela APL, que abre espaços para permitir que o olhar sinta a beleza do rio, proporciona que qualquer pessoas possa estar sentada a olhar o rio sem ser afectada por «ruídos» na sua frente, e, por exemplo, no passeio, junto ao Tejo, a prioridade é para o passeio pedonal, enquanto a ciclovia, está mais para dentro, junto ao jardim, quem circula em bicicleta não interfere na fruição da paisagem por quem circula a pé, calmamente, sem ter que estar a preocupar-se com os ciclistas, Este é um erro inadmissível num arranjo urbanístico ribeirinho. Não gostei. Sim está melhor do que estava, mas, afinal, podia estar melhor. Mas, percebe-se a ansiedade de «fazer obra», da narrativa «estamos a mudar», o fazer sem precisar de pensar, conduz a estas aberrações. Hipotecou-se o futuro.
Uma zona que devia, até, permitir acesso fácil a barcos a remos, a canoas, de forma a proporcionar a fruição do rio. Uma zona onde, em vez de muralha de pedra, podia optar-se por criar uma zona de ligação ao rio ( como existe em Lisboa, na Ribeira das Naus).
Uma zona que bastava ter reduzido o número de lugares de estacionamento e criar um pequeno parque infantil. Isto era pensar a cidade para as pessoas. Isto era pensar a cidade na sua ligação ao rio.
Pronto, mas, é assim, está melhor do que estava, e na tal narrativa sem pudor, repete-se que foi resolvido mais um caso de 40 anos. Os célebres 40 anos.
Quando até, sabe-se, que durante décadas, o legitimo proprietário que, naquele espaço tinha aprovada a construção de prédios, com o 25 de Abril, e a começar na própria Comissão Administrativa – composta por personalidades das mais diferentes áreas politicas – tomaram a decisão de não concordar com mais prédios naquela zona ribeirinha. Quando se sabe que o legitimo proprietário sempre defendeu esse seu direito de construir os prédios, nem aceitava que fosse mexido no terreno o que dava origem a situação terceiro mundista.
Quando se sabe que na gestão de Carlos Humberto, finalmente o proprietário aceitou que se colocasse uma gravilha no terreno para, ao menos, dignificar o estacionamento.
Quando se sabe que o proprietário em negociações com executivo de Carlos Humberto, já estava a entrar numa fase de negociação para vender o terreno à Câmara, de forma a que se fizesse uma intervenção, permitindo a fruição do espaço, dentro de uma estratégia que vinha sendo implementada de valorização das zonas ribeirinhas, de ligação da cidade ao rio. Opções essas bem vivas nos passadiços e nas negociações com o governo que conduziram ao protocolo sobre a Doca Seca da CP, e, posteriormente, à candidatura para realizar a obra, que foi agora concretizada. Quando se sabe que a aquisição do terreno pela Câmara Municipal do Barreiro, no actual mandato, foi o fruto dessa acção. Portanto, a aquisição do terreno era útil para o enquadrar o espaço numa visão estratégica de ligação da cidade ao rio, e, não reduzir a sua utilidade a mero Parque de Estacionamento. Embora, obviamente, pudesse e devesse contemplar uma parte para essa funcionalidade.
A obra que ali está feita, é um exemplo do tal ditado popular «depressa e bem não há quem». Está feito. Pronto e «está melhor com o que estava», mas, de facto, podia estar mesmo, mesmo muito melhor. É isso, não se perde tempo a pensar...e o resultado é esta intervenção que, fica como um caso de estudo e exemplo, do que é «pensar a cidade para as pessoas», e, «pensar a cidade para os carros». Ou, também, o que é, o não pensar a ligação cidade-rio. Não gosto. É a minha opinião. Foi isso que eu disse ao meu amigo, ele, amavelmente disse-me : “As tuas melhoras!». Obrigado!