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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

A ideologia não é servidão

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Hoje, pela manhã, quando dava o meu passeio junto ao Tejo, dei comigo a pensar que, de facto, ao longo da vida, cada um de nós morre muitas vezes, há ‘mortes’ que aceitamos de forma natural, é a vida, na sua plena realidade – uma mudança na vida profissional, uma paixão que fica pelo caminho, uma crença que se desfaz, um novo olhar para o tempo vivido – e, afinal, de todas as ‘mortes’ retiramos lições de vida, são essas lições que nos fazem crescer, superar etapas, sempre que, por dentro da nossa consciência, sentimos que ‘renascemos’.

Viver, de certa forma, é aprender esse caminho de mortes anunciadas. As mortes que assumimos, porque, essas, são aquelas que abrem caminhos novos, mergulhando nas lágrimas que regaram a nossa esperança a renascer.

Mas, também há aquelas mortes que nos quiseram matar, aquelas mortes inventadas, calculadas, essas, que não fomos nós que desejámos morrer, foram, sim, isso sim, mortes que nos quiseram matar. Quiseram. Porque só é morto quem desiste do combate.
Nós, nessas mortes nunca morremos. Porque só se deixa matar quem perde a alegria de viver, o prazer de construir os dias, a energia de nascer da raiz de tudo o que somos. Essa força, nos move para acção. Ser. Eles não sabem o que é ser.

Renascer vivo, da morte que nos quiseram matar, esse é, sem dúvida, o renascer que forja uma vida nova. Saltando para os dias. Recomeçar de novo. Acreditar de novo. Levanta-te e vai – sorri!
Partimos. Erguendo os olhos. Olhando o sol. Caminhando. Sorrindo. Tocando os lábios em flor. Fazendo de cada dia uma semente. Escrever. Amar. Ser. Deixando para trás o lastro. Largando pelo caminho os resíduos. Respirando a maresia. Sentindo a brisa do norte refrescar os neurónios. Eles não sabem o que é isso. Eles sucumbem no lodo.

Sempre, ao longo da vida, quando senti, ao meu lado, o sopro dessa morte de quem quer matar. Sim, sente-se, suavemente a emergir e a tocar a sombra dos passos. Em conversas ténues. Algumas vezes, até envolvidas em abraços.
Acreditem. Sempre que a senti a tocar os dias. Ergui-me. Bati com a porta. Parti. Forjei um tempo novo, recomeçando. Renascendo.
Na vida, já vi tanto desses senhores, os tais, que se pensam ‘senhores do mundo’, que, por vezes, já os sinto no cheiro dos seus gestos. Eles gostam de matar abraçando. Uma espécie de abraço de urso. Sufocam. Sufocam. Sorrindo, sempre sorrindo.
Eles matam quem desiste, e, muitos desistem, sucumbindo nos seus braços. Os ditos senhores do mundo gostam de servos. Pagam.
Por mim, acreditem, sempre assim foi, o mais que podem fazer é adiar os sonhos. Mas adiar não é desistir.

Olhando para a história da humanidade, podemos concluir que, afinal, o mundo sempre avançou nos confrontos.
O mundo mudou, transformando-se. O novo é sempre um outro velho a nascer. Por isso, em todos os tempos, os ditos senhores do mundo são sempre iguais, mais ou menos iguais. E, isto, nada tem a ver com ideologias. São as pessoas.
As pessoas que mudam com as circunstâncias. É vida.

Infelizmente foi assim, no matar e calar, que o mundo avançou, com muitas estórias de amor e dor, de ódios e paixões. Avançou por dentro de prisões e perseguições.
Avançou dilacerando muitos pensamentos. A semente, a flor e o fruto. A dialéctica.
O mundo novo nasceu sempre em certezas ‘mortas’ no silêncio.
Nunca esqueçam : “Afinal, ela move-se!”.

Pensava em tudo isto, quando caminhava pela manhã, junto ao Tejo, onde centenas de seres humanos, com os pés enterrados na lama. Lutavam. Sobreviviam.
É mesmo isto, na vida real. A vida é para quem luta. Lutar não é um combate. Lutar é a paixão pelo que fazemos e somos. Essa alegria de sermos. Essa alegria de ver os ditos senhores, de hoje e de todos os tempos, que acham que tudo compram, que acham que tudo calam, que acham até, que, ter ideologia é servi-los, num pensamento único.

É por isso, só por isso, que vou por aqui, sempre, cá vou, indo, fazendo, vou caminhando, à beira Tejo, sentido a maresia e sorrindo, sempre sorrindo.
O resto o futuro o dirá. Já vi tanta coisa.

Tomem nota, a ideologia não é servidão. A ideologia é a força que nos move para acção. É essa, a ideologia que nos conforta a consciência, a força que nos mantém, a cada um de nós, vivos, nos seus sonhos. Acreditando.

Quando a ideologia é uma cobertura de chocolate, essa, derrete-se, não mata, apenas, faz morrer todos os dias. Essa ideologia não move, obriga a ir, sofregamente.
Alguns cultivam a ideologia a partir de imagens, de dor e pobreza. Essa sempre será um ideologia que não aquece – nunca o parecer deu energia para a vida – essa ideologia, sufoca, em lágrimas de solidão. Vende imagem. Pode até dar pão. Mas não dá, esta alegria de estar, aqui e agora, de pé, com a ideologia que move, essa, a tocar os nervos e sentindo, interiormente e no fazer, vivendo, sempre vivendo, todos os dias, a certeza, que são essas palavras - democracia e liberdade - o motor da história, o lugar onde somos.

António Sousa Pereira

 

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