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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

A ideologia não é servidão

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Hoje, pela manhã, quando dava o meu passeio junto ao Tejo, dei comigo a pensar que, de facto, ao longo da vida, cada um de nós morre muitas vezes, há ‘mortes’ que aceitamos de forma natural, é a vida, na sua plena realidade – uma mudança na vida profissional, uma paixão que fica pelo caminho, uma crença que se desfaz, um novo olhar para o tempo vivido – e, afinal, de todas as ‘mortes’ retiramos lições de vida, são essas lições que nos fazem crescer, superar etapas, sempre que, por dentro da nossa consciência, sentimos que ‘renascemos’.

Viver, de certa forma, é aprender esse caminho de mortes anunciadas. As mortes que assumimos, porque, essas, são aquelas que abrem caminhos novos, mergulhando nas lágrimas que regaram a nossa esperança a renascer.

Mas, também há aquelas mortes que nos quiseram matar, aquelas mortes inventadas, calculadas, essas, que não fomos nós que desejámos morrer, foram, sim, isso sim, mortes que nos quiseram matar. Quiseram. Porque só é morto quem desiste do combate.
Nós, nessas mortes nunca morremos. Porque só se deixa matar quem perde a alegria de viver, o prazer de construir os dias, a energia de nascer da raiz de tudo o que somos. Essa força, nos move para acção. Ser. Eles não sabem o que é ser.

Renascer vivo, da morte que nos quiseram matar, esse é, sem dúvida, o renascer que forja uma vida nova. Saltando para os dias. Recomeçar de novo. Acreditar de novo. Levanta-te e vai – sorri!
Partimos. Erguendo os olhos. Olhando o sol. Caminhando. Sorrindo. Tocando os lábios em flor. Fazendo de cada dia uma semente. Escrever. Amar. Ser. Deixando para trás o lastro. Largando pelo caminho os resíduos. Respirando a maresia. Sentindo a brisa do norte refrescar os neurónios. Eles não sabem o que é isso. Eles sucumbem no lodo.

Sempre, ao longo da vida, quando senti, ao meu lado, o sopro dessa morte de quem quer matar. Sim, sente-se, suavemente a emergir e a tocar a sombra dos passos. Em conversas ténues. Algumas vezes, até envolvidas em abraços.
Acreditem. Sempre que a senti a tocar os dias. Ergui-me. Bati com a porta. Parti. Forjei um tempo novo, recomeçando. Renascendo.
Na vida, já vi tanto desses senhores, os tais, que se pensam ‘senhores do mundo’, que, por vezes, já os sinto no cheiro dos seus gestos. Eles gostam de matar abraçando. Uma espécie de abraço de urso. Sufocam. Sufocam. Sorrindo, sempre sorrindo.
Eles matam quem desiste, e, muitos desistem, sucumbindo nos seus braços. Os ditos senhores do mundo gostam de servos. Pagam.
Por mim, acreditem, sempre assim foi, o mais que podem fazer é adiar os sonhos. Mas adiar não é desistir.

Olhando para a história da humanidade, podemos concluir que, afinal, o mundo sempre avançou nos confrontos.
O mundo mudou, transformando-se. O novo é sempre um outro velho a nascer. Por isso, em todos os tempos, os ditos senhores do mundo são sempre iguais, mais ou menos iguais. E, isto, nada tem a ver com ideologias. São as pessoas.
As pessoas que mudam com as circunstâncias. É vida.

Infelizmente foi assim, no matar e calar, que o mundo avançou, com muitas estórias de amor e dor, de ódios e paixões. Avançou por dentro de prisões e perseguições.
Avançou dilacerando muitos pensamentos. A semente, a flor e o fruto. A dialéctica.
O mundo novo nasceu sempre em certezas ‘mortas’ no silêncio.
Nunca esqueçam : “Afinal, ela move-se!”.

Pensava em tudo isto, quando caminhava pela manhã, junto ao Tejo, onde centenas de seres humanos, com os pés enterrados na lama. Lutavam. Sobreviviam.
É mesmo isto, na vida real. A vida é para quem luta. Lutar não é um combate. Lutar é a paixão pelo que fazemos e somos. Essa alegria de sermos. Essa alegria de ver os ditos senhores, de hoje e de todos os tempos, que acham que tudo compram, que acham que tudo calam, que acham até, que, ter ideologia é servi-los, num pensamento único.

É por isso, só por isso, que vou por aqui, sempre, cá vou, indo, fazendo, vou caminhando, à beira Tejo, sentido a maresia e sorrindo, sempre sorrindo.
O resto o futuro o dirá. Já vi tanta coisa.

Tomem nota, a ideologia não é servidão. A ideologia é a força que nos move para acção. É essa, a ideologia que nos conforta a consciência, a força que nos mantém, a cada um de nós, vivos, nos seus sonhos. Acreditando.

Quando a ideologia é uma cobertura de chocolate, essa, derrete-se, não mata, apenas, faz morrer todos os dias. Essa ideologia não move, obriga a ir, sofregamente.
Alguns cultivam a ideologia a partir de imagens, de dor e pobreza. Essa sempre será um ideologia que não aquece – nunca o parecer deu energia para a vida – essa ideologia, sufoca, em lágrimas de solidão. Vende imagem. Pode até dar pão. Mas não dá, esta alegria de estar, aqui e agora, de pé, com a ideologia que move, essa, a tocar os nervos e sentindo, interiormente e no fazer, vivendo, sempre vivendo, todos os dias, a certeza, que são essas palavras - democracia e liberdade - o motor da história, o lugar onde somos.

António Sousa Pereira

 

Projecto da Quinta Braamcamp valoriza estratégia de expansão urbana Vamos criar um concelho que vive do imobiliário e dependente de Lisboa

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Há quem, por piada, em algumas conversas, comece por dizer: “Não vamos falar da Braamcamp”. Uma ideia que vai sendo repetida, aqui e ali, visando minorizar o tema, considerar que é um assunto menor, ou, então, dada a banalização do assunto nas redes sociais, com estes epítetos, pretende-se ridicularizar os entusiastas, ou, então, desviar-se de abordar o assunto e empurrar o tema com a barriga, afastando a necessidade imperiosa de ter e assumir posição. Desvalorizando a importância da sua discussão e do tema, no contexto do pensar e fazer Barreiro, quando se reduz o tema a uma guerrilha entre os que querem o desenvolvimento e os que querem o marasmo.

PS e PCP não são os donos disto tudo

Outro facto, sobre a Quinta de Braamcamp é ter sido, por razões de tácticas e estratégicas, essas, que se espelham em muitos discursos que tem criado o pensamento que este assunto, não passa de um conflito entre o PS e o PCP, colocando em confronto duas visões politicas partidárias – PS e PCP – divergentes na visão para este território.
Portanto, desta forma, este é um tema colocado no âmbito do confronto partidário.
Mas, na verdade, não deve ser avaliado nessa perspectiva, este é um tema da polis, de todos nós - uma razão para viver cidadania.
Limitando-o a um confronto partidário afasta muitas pessoas de se envolver, porque não gostam de entrar em querelas, das quais, muitas vezes já estão fartas e cansadas. Jogos que adiam a cidade.
Na realidade, quando o assunto é abordado nessa dimensão politica, muitas vezes, é dado como adquirido, até usado por outras forças politicas, que o tema é pertença do PS ou do PCP. Até parece que todos aceitam de forma imperativa que esses dois partidos têm o papel determinante no apontar os rumos da cidade. Os outros calam-se. Ou colocam-se à espreita. Limitando-se a observar a guerra. Enfim, esperam colher os frutos, os despojos da dita guerrilha PS – PCP, ou sobre o assunto desenvolver novos cenários teórico-visonários.
A verdade,é que este confronto partidário, infelizmente, tem contribuído para estigmatizar o debate sobre a Quinta de Braamcamp, transformando-o de forma reducionista e absurda, a uma guerra de alecrim e manjerona, gerando ódios, clubites, dividindo a cidade em bons e maus. Há politicos que gostam de viver assim, pois, na verdade, é assim que eles são, ou acham que são politicos

Este tema não é um assunto do PS, nem é um assunto do PCP, mesmo sendo real que entre estes dois partidos existem opiniões divergentes. A vida da cidade não é a preto e branco.
O PS e PCP não são os donos disto tudo.
Queiram ou não queiram, esta duas principais forças politicas do concelho do Barreiro, nem uma, nem outra, são os donos disto tudo, nem a Quinta Braamcamp deve fazer parte de guerrilhas partidárias.
Portanto, é necessário retirar com urgência, mesmo com muita urgência e nobreza politica, retirar este assunto desse patamar de conflito partidário.
A Quinta Braamcamp é um tema politico. É um tema central da vida da polis, e, de importância estratégica para pensar o futuro do concelho do Barreiro.

Sobre o assunto é preciso colocar no prato da balança a diversidade de olhares e pensmentos. Equacionar. Enquadrar.
Não basta pensar milhões. Nem só de milhões vive o homem. O homem é ele e a natureza, e, esta, não há milhões que pague, acreditem.
A diversidade de olhares e recolha de opiniões é essencial. O assunto deve ser debatido, apreciado, e, deixar de ser um confronto politico partidário.
Por vezes, há contornos que demonstram que a tendência é para engajar o assunto em torno visões meramente eleitoralistas, de curto médio ou longo prazo. Ganhando hoje os eleitores de amanhã. Coisas de calculismo.
Não hipotequem o nosso futuro.Este assunto exige diálogo. Muito diálogo. Exige serenidade democrática.

Uma coisa é certa, colocar a discussão da Quinta Braamcamp neste patamar partidário – PS- PCP, por onde tem sido manipulado, nas redes sociais e nos discursos de ocasião, claramente pensados para marketing politico, é, afinal, manter de pé uma guerrilha e não um debate de ideias.
Diz-se que se quer discutir e que se envolveu na discussão milhares de pessoas, e, o que parece é que não se quer discutir, quer-se divulgar uma proposta, dada como adquirida. Ponto final.
Este é o nosso caderno. Estamos a apresentar a nossa proposta. Ponto final. Já basta, dessa narrativa que que tudo o que mexe, para além de certas visões é comunista ou anti-socialista. Por vezes, há situações que parece que vivo o ‘eterno retorno’.

Aquele espaço não está ao abandono há 40 anos

Fico triste, quando para defender a proposta que se considera que é aquela que defende os interesses do Barreiro, e, para a defender, usam-se premissas que não são verdadeiras. Isto gera dúvidas.
Não é verdade que aquele espaço tenha estado ao abandono há 40 anos. Aquele espaço todos sabemos foi propriedade privada até há dois ou três anos atrás, quando a autarquia decidiu comprar, por unanimidade, para o colocar ao serviço da comunidade.
Estimular através de narrativas de abandono, ódios que foram os tenebrosos que destruiram o Barreiro, que estão contra o progresso do Barreiro, e, a causa do abandono, demonstra falta de ética. A verdade é que foram eles os tais «tenebrosos» que foram os verdadeiros protagonista da compra da Quinta de Braamcamp e abrir um caminho para o futuro.
Enfim, este é um discurso que visa fomentar um bode expiatório, que aponta culpados, que cria os muros ideológicos - só de um lado, porque do outro lado é só transparência, até estão acima da ideologia. Só pensam nos milhões que vão entrar no Barreiro.

Mas, por trás de tudo isto, o que se esconde, muitas vezes é que a realidade económica e sociológica do concelho do Barreiro sofre, ainda hoje, com os efeitos da desindustrialização – a perda de população do Barreiro; o não aproveitamento do potencial; a perda de emprego; o envelhecimento do concelho, a insegurança, e, ao longo destes anos – com excepção no mandato de Carlos Humberto e Emidio Xavier – tem existido uma total inoperância do Poder Local para dialogar com o Poder central e colocar o Barreiro na agenda do Poder central, porque, esse, tem sobre a sua responsabilidade directa mais de 2/3 do território do Barreiro – da Baía do Tejo, aos territórios ferroviários e Mata da Machada.

O Barreiro continua à procura de si próprio. Não há um projecto de cidade. Não há uma ideia que nos permita ter uma visão do concelho. Vive-se de imagem. Há lugares que estão a degradar-se, no plano urbanístico e no plano sociológico, e, pronto, assobia-se para o lado.

A vida numa cidade construída num clima de tensão activo e agressivo, como tem sido, este vivido, em torno da Quinta de Braamcamp, só interessa a quem faz politiquice e não a quem faz politica.
É a luta pelo poder. É uma «luta de galos pelo poder». A guerrilha urbana incentiva o silêncio de cidadãos que até gostavam de dar opinião. Esses, São abafados pela guerrilha.
É por isso que há forças politicas partidárias que também se remetem ao silêncio, vão gerindo o silêncio para não serem conotadas com uns, ou com outros – pois por um lado estão os que querem o bem do Barreiro – PS - , e, do outro, estão os que querem o mal do Barreiro – PCP/CDU.
E, por fim, no meio de tudo isto até, ignora-se e esconde-se, a grande verdade de tudo isto - se após anos de abandono, hoje, a Quinta Braamcamp é um tema da vida local, e, para que tal tenha acontecido, fiquem a saber que há um patrono real, esse, escreve-se com esta letras – PCP/ CDU, que retirou a Quinta do abandono e trouxe-a para o dominio público.

Na verdade, muito do que por aqui está escrito, são reflexões, que fui guardando, que tinha intenção de escrever, mas, quis aguardar pelo debate público, que estava anunciado, esse que ia ser promovido pela Câmara Municipal do Barreiro, órgão eleito pelos barreirenses, que, após as eleições, independentemente da força politica vencedora, passa a ser representativo de todos os barreirenses, mesmo daqueles que neles não votaram.
Esperava que, aquele fosse um debate promovido pela Câmara Municipal do Barreiro. Não foi.
Foi um debate promovido pelo «executivo socialista» da Câmara Municipal do Barreiro, que apresentou a sua proposta, essa, do «executivo socialista» da CMB.
Pensava que era um debate para recolher opiniões e debater o projecto. Não. Foi uma sessão para dizer é isto que queremos, é isto que o «executivo socialista» vai apresentar ao órgão Câmara.

Recordo, que assisti, durante os anos de gestão CDU a debates sobre os mais variados temas promovidos pelas Câmara, mas, digo-vos, não recordo situações de debates promovidos pela Câmara Municipal do Barreiro como sendo do «executivo CDU». Foi coisa que nunca ouvi, ou vi, enfim, são metodologias, é a partidarizaçâo do órgão municipal.

Na «Sessão de Esclarecimento» promovida pelo «executivo PS» da Câmara Municipal do Barreiro, que deu a conhecer a proposta que, pelo que foi dito, vai ser apresentada posteriormente ao executivo municipal, ali, após escutar atentamente as palavras do «executivo PS» sobre a Quinta de Braamcamp, posso dizer que fiquei esclarecido, como cidadão, e, conhecedor dos argumentos que fundamentam e serão utilizados para «apresentação do pacote» que vai definir as bases do concurso público, o tal, que irá desencadear, posteriormente, uma «operação imobiliária», e, em torno dela, naturalmente as respectivas contrapartidas. Anunciam-se milhões. Muitos milhões.

Se calhar, quem sabe, fazendo as mesmas contas, feitas para esses milhões, certamente, seriam tantos, os mesmos, ou mais, que podiam entrar nos próximos dez anos se a CMB apostasse na requalificação do território urbano e no estímulo à reabilitação do edificado, apoio ao desenvolvimento de comércio local, criação de áreas de serviços, criar urbanidade com praças e sitios pedonais.
Recordo que, dizem ser mais de 6000 fogos que estão ao ‘abandono’. Mas, isto só seria possível se existisse, como visão, uma estratégia de revitalização urbana e não numa estratégia de expansão urbana.

É por isso que a minha opinião de um cidadão do Barreiro, que tenho o direito a ter opinião. Afirmo e reafirmo que discordo da proposta do «executivo PS». Nem se trata de vender ou não vender, Trata-se dos contornos. Da forma. Ponto final.
Sei, estou convicto que este processo, pode demorar, andar para trás e para a frente, com arrufos daqui e dali, mas no final vai avançar. Tenho pena. Fico triste.
Lamento que seja utilizado o conteúdo de um PDM absurdo – que visa fomentar a cidade de betão, como era dito - mas, agora, o mesmo, sirva de argumento para justificar uma urbanização, que vai tornar um ponto de excelência ambiental, um ponto que podia e devia ser pensado como uma âncora de valorização do concelho na AML, transformado um território, ali junto ao Tejo, numa urbanização com 184 fogos, que será, por exemplo, o dobro da urbanização de Vilas da Serra, em Penalva. Mais mesmo, mas esta com terceiros andares, permitindo mirar o rio, através das ‘ruas com permeabilidade’. Isto num tempo que se aposta na defesa do ambiente, como principal arma no combate às alterações climáticas.
Mas, enfim, os milhões tudo compram. É vida.

Este projecto será, «o pai do sonho imobiliário do século XXI», esse, afinal, que pretendem que seja aquilo que vai marcar o dito «desenvolvimento» do Barreiro, o qual não será outra coisa que crescimento urbano, expansão urbana. Sim, claro, ‘habitação também é desenvolvimento’.
Por isso já está a servir de «âncora publicitária» do sector imobiliário. Já vi anúncios em jornais, de casas à venda na Avenida da Praia, onde está escrito, edificio – “perto do projecto da Quinta de Braamcamp”. É isto.
E, certamente, em breve outras expansões irão surgir, igualmente, com protestos de alguns sectores sociais. Mas será o ‘progresso’. Está no PDM. Dou um exemplo, basta pensar as «Oficinas da CP».

Na verdade, considero que é mau, mesmo muito mau, para o Barreiro e para a vida social e para a democracia local, para a sã convivência entre pessoas que vivem na mesma cidade e querem partilhar a vida comunitária , a forma como este tema da Quinta da Braamcamp tem sido usado, como ‘leit motiv’ para dividir a cidade, para gerar climas de crispação, para gerar intolerância e contribui apara impedir o respeito democrático e de confronto de visões. A democracia é o confronto de opiniões. A democracia não é a imposição de uma verdade absoluta.
Por tudo, pela sua importância estratégica e estruturante, este assunto exigia calma, tempo de maturação e diálogo institucional.
Não há pressa, não há mesmo pressa nenhuma. É mentira esse discurso de estar há décadas ao abandono. Sejamos adultos.
Nenhuma conjuntura de mercado justifica andar a correr para colocar a ‘quinta’ no Mercado. Afinal, se há pressas devido às conjucturas do mercado, se este é apenas uma janela de oportunidade, agora ou pode ser tarde, podemos estar a gerar um elefante branco. E, depois quem vier que feche a porta.

A Quinta de Braamcamp naquilo que ela for transformada no futuro, não vai ser par uso de comunistas, socialistas, sociais-democratas, bloquistas, panistas, democratas cristãos – é de todos e para todos.

A primeira razão que todos nós elegemos uma autarquia é para que esteja ao serviço de todos.
E isto para dizer, que na Campanha Eleitoral, o tempo em que os partidos se confrotam e a apresentam as suas propostas ao eleitorado. E, nas últimas eleições autárquicas, nenhum partido, mesmo nenhum partido politico, colocou o cenário de venda da Quinta de Braamcamp.
Frederico Rosa, actual presidente da CMB, numa entrevista que lhe fiz, respondeu que devia continuar a ser do dominio público.
E, talvez, numa visão de futuro, uma ideia entre o marketing politico e ser um projecto que queria marcar a diferença do PCP/CDU, o PS apresentou uma proposta em video, em paineis. Um sonho. Uma visão. Uma ambição.
Foi uma boa táctica eleitoral, e, talvez, a roda gigante anunciada, a praia de ondas e tudo o mais, que pode ser visto num video de grande pujança criativa, contribui para a vitória dos socialistas. Era uma ideia de sangue novo. Uma nova visão de ser cidade.
Assim o PS antecipou-se ao PCP/CDU que tinha proposto a compra (aprovada por unanimidade – CDU/PS e PSD), mas, até ali, ainda não tinha apresentado qualquer proposta, apenas algumas ideias soltas, valorizando o mesmo que o PS, um território ao serviço da comunidade.

No entanto, para o PS, tudo que apresentou pelos vistos foi mesmo marketing politico. Uma ambição. Uma visão. Agora foi tudo para o caixote do lixo. A roda gigante. A praia de ondas. Todos os sonhos do delírio eleitoral, de uma ambição, agora estão ignorados.

Na sessão de esclarecimento, para mim, isto ficou claro o que se pretende é criar um pacote que tem por base um negócio da venda da Quinta de Braamcamp por 5 milhões de euros e as respectivas contrapartidas, que irá valorizar outros negócios da zona envolvente. É vida.
É, isso, que vai ser, apenas isso, um negócio imobiliário com contrapartidas. É pena.

Talvez, pelo andar da carruagem, a coisa seja adiada. Tenho algumas dúvidas, isto, até, pode não se concretizar até às próximas eleições autárquicas.

Este é um assunto que promete, que vai continuar a ser o tema para alimentar as redes sociais.
É um bom tema para confundir e dinamizar o discurso politico que coloca em confronto - o potencial versus marasmo.

Mas, depois de tudo isto, não posso deixar de tecer algumas notas finais. Estas sim considero relevantes deixar para memória futura.

A Quinta de Braamcamp é o tema central que pode e deve ajudar a reflexão sobre a forma como se está a pensar o futuro do território do concelho do Barreiro.
Assim como a ETRI, no final do século XX, ajudou a colocar na agenda da cidade a necessidade de pensar o território da Baía do Tejo/Quimiparque, para além, muito para além da visão que estava no PDM, nos dias de hoje, a Quinta Braamcamp pode, neste século XXI, abrir o debate e clarificar, se vamos ser uma cidade que quer ter vida própria, com capacidade de gerar um modelo de cidade, que aproveite as suas potencialidades – desde o nível académico, passando pelo património e pelo promover um concelho com dinâmicas locais, sitios de vida própria, do Lavradio a Coina, requalificando o espaço urbano, requalificando e valorizando o edificado, gerando zonas pedonais, apostando na consolidação urbana, desenvolvendo a rede de transportes urbanos, exigindo a construção de acessibilidades, retirando o Barreiro do guetto, aproveitar o potencial do rio e da Mata da Machada. Ser uma cidade criativa, com nichos de artes, ou transformar-se numa cidade depósito de arquivos e de pessoas.

O caminho que o projecto imobiliário da Quinta Braamcamp indicia é esse de se apostar na valorização da expansão urbana, o caminho para criar um concelho dormitório, com zonas novas para a classe média que está sendo empurrada para fora de Lisboa. Começa na Braamcamp, a seguir vai ser nas Oficinas da CP, nada de novo, está previsto no PDM. Depois será Coina, que está a 30 minutos de Lisboa.
Nem vale a pena fazer a revisão do PDM. Aliás ele assim, está adequado, para dinamizar a estratégia do imobiliário.

Por fim, seremos um nicho dito de turismo, para ficarmos felizes, com uns festivais e feiras. É giro.

Pelo que tem sido dito, em torno da discussão da Quinta de Braamcamp, começo a acreditar que o Barreiro é um concelho que perdeu ambição.
O seu rumo vai ser esse – imobiliário e turismo residual. Cidade dormitório de Lisboa, nada tem a ver com o conceito que pensa e sente uma cidade de duas margens. Seremos sempre a outra margem, a outra banda. Lisboa agradece.

As decisões em torno da Quinta Braamcamp vieram confirmar que o Barreiro não tem estratégia para o século XXI, a sua estratégia está inscrita no PDM do século XX.

Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

A mentira é uma arma contra a democracia

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“Estou farta de politicos. Já não os consigo ouvir”, comentava uma amiga, ontem pela manhã, ali no Mercado Lavradio. Ela não é uma pessoa que tenha notado, ao longo da sua vida, o seu envolvimento na acção politica partidária, mas, sei que, na verdade, sempre foi daquelas pessoas que manteve uma cidadania activa.
Uma jovem, como eu, naquele tempo que vivemos os dias nascidos no 25 de Abril, com uma intensidade e entrega de quem sonhava com a construção de um mundo melhor. Acreditávamos. Lutávamos.
Era um tempo de causas – como hoje se diz – um tempo de sonhos. Um tempo de ideias a pulsar nas ruas da cidade. Todos sentiam emoção no fazer cidade e cidadania.
Sim existiam confrontos, debates acessos, agressividade num despique de procura de caminhos. Era um tempo no qual a politica mexia, dentro de nós, por valores.
Um tempo marcado por um mundo de guerra fria. Um tempo de um mundo com as cicatrizes do Vietname à flor da pele, com as lágrimas de Salvador Allende a tocar as noites frias.
Era um tempo nascido da tristeza dos tanques a entrar ruidosamente, em chamas, nas ruas de Praga.
Tudo isto mexia e remexia nos confrontos da vida quotidiana. A vida em permanente ebulição era um autêntico laboratório de experimentação e acção politica.
Ollf Palme. Mitterrand. Berlinguer. RDA. RFA. China, bando dos quatro. Capitalismo. Socialismo.
Era um tempo nascido de uma guerra com raízes na história, por mares navegados, essa história epocal que, no dizer de Hegel, na História da Razão, abriu as portas da modernidade.
A globalização renascia agora pelas televisões. O mundo novo surgia no horizonte.

Em suma, era um tempo marcado pela acção politica feita de nervos de aço, de rupturas, de confrontos de Norte a Sul. Há os que falam que eram agredidos no sul, e, esquecem os que eram agredidos no Norte. Um país saído de quarenta anos de silêncio e prisões, que, agora respirava uma fogueira de liberdade.
Portugal em chamas. Na vida real e na cidadania.

Felizmente chegámos a bom porto nesse caminho de fazer democracia e consolidar a democracia.
Temos, segundo dizem os peritos, uma das Constituições mais modernas do mundo, na defesa de direitos humanos. Se são, ou não são, cumpridos, isso é outra coisa, mas, uma coisa é certa, nos tempos da troika até foi ela – a Constituição – que colocou o freio às ansiedades e defendeu as angústias. Sentiu-se o seu papel, sentiu-se o seu conforto, conjuntamente com os sons da Grândola, que se escutou pelas ruas, e, até no Parlamento.

São estas recordações que me ocorrem, hoje, ao ver os jovens da minha geração, indignados com os politicos e com a politica.
Ela, como eu, somos desse tempo forjado em sonhos, antes de Abril nascer, de amor à Liberdade e ao viver cidadania de corpo inteiro.
Sei que ela nunca foi pessoa de intervenção politica partidária, mas, sei, isso sei, foi sempre uma pessoa interessada na vida da comunidade e no fazer comunidade.
Normalmente, só se interessa pela vida da Polis, quem tem um sentimento e um olhar com uma dimensão politica. A politica é a força que faz florescer a vida da polis, são as ideias que fazem a cidade.
Foi, por isso, apenas por isso, que estranhei aquela sua posição anti-politicos.
Digo-vos, nesse dia, por mero acaso, escutei outras opiniões de pessoas com opiniões negativas sobre a vida politica e os politicos. Uma repulsa.
Fiquei triste. Para mim, os politicos devem ser o primeiro exemplo, devem ser os motivadores, devem ser os defensores de ideias e de valores, devem ser os lideres que mobilizam a comunidade. Devem ser exemplo de vida. Homens e mulheres que pela sua acção e exemplo cativam, concordemos ou não concordemos. Eles são a força da democracia. Há nomes de politicos que se inscrevem nas nossas vidas – Mandela, Ghandi, Churchil, Gorbatchov. Mário Soares. Álvaro Cunhal. Sá Carneiro. Eanes. Jorge Sampaio. Freitas do Amaral. Maria de Lurdes Pintassilgo. Miguel Portas. Exemplos de lutadores pela Liberdade e pela democracia. Há mais, muito mais.

Nunca hei-de esquecer, aquelas palavras de Virgilio Ferreira, quando ele afirmou – “a democracia não é uma ideologia”, acrescentando que a democracia “é o caldo” onde se confrontam e desenvolvem as ideologias.
A democracia não é marketing. A democracia não é propaganda. Isso são técnicas de combate politico.
Recordo tudo isto e, de repente, ocorre-me um comentário que um amigo, social democrata, a propósito de um texto em tempos escrevi no âmbito das comemorações do 25 de Abril. Esse meu amigo numa de ‘picanço’, interrogava-me se eu não tinha memórias do 25 de Novembro. Não lhe respondi. Não vale a pena dar respostas a perguntas quando feitas em contextos que visam ‘abandalhar’ e dar-lhes resposta é mesmo, meio caminho andado para justificar a resposta que está implicita na pergunta. Não há perguntas grátis, por vezes o que querem é aquilo que se costuma dizer – ‘estimular conversa da treta’ – promover confrontos de banalidades, estimular populismo baratos, ou motivar formas de olhar e interpretar a história.
A história tem sempre interpretações – dos vencedores, dos vencidos e, até, dos indiferentes.
Mas, hoje, a propósito de certos climas de vida politica que estamos vivendo, que muitas vezes o que visam é, isso, apenas isso, gerar ódios de estimação, promover ‘o inimigo comum’ ou o promover o ‘culpado’ – como se sabe é sempre o mesmo, é mais fácil, porque sabendo-se quem é o culpado, os raciocínios banalizam-se. Quem está contra, quem critica, está com eles, ou é manipulado por eles. Os ditos que levaram este melhor dos mundos ao marasmo.
Sim, hoje recordei, a propósito dessa pergunta desse meu amigo social democrata, que tenho uma grande recordação do 25 de Novembro. Nunca esquecerei.
Talvez a história um dia faça justiça a essa afirmação histórica, que, afinal, foi decisiva para estarmos aqui, hoje, vivendo a democracia, nascida com Abril.
No meio de todos os ódios e paixões, num clima de tensão enorme, escutou-se em pleno 25 de Novembro, a voz de Melo Antunes dizendo, que perante a “angústia e inquietação” e no confronto intenso de valores “a democracia” e “o socialismo” estavam sendo postos em causa.
Nessa sua declaração histórica sublinhou que “a participação do PCP na construção do socialismo é indispensável”. Outros queriam, talvez, a ilegalização.
O militar de Abril apontou como caminho ser necessário, criar uma plataforma de acção politica de todos os principais partidos para prosseguir um caminho de construção de uma sociedade democrática, pluralista, livre, justa e humana. E cá estamos.
Para o meu amigo social democrata, hoje e aqui, já muito longe dos tempos da guerra fria, quero dizer-lhe que guardo esta recordação do 25 de Novembro. É isso, mesmo isso, nunca esqueci.

O mal dos tempos de hoje, é as pessoas confundirem politica com politicos. É a mesma coisa que confundir certas pessoas com os seus partidos, só porque aquelas pessoas são militantes, de tal ou tal partido.
Um partido tem um programa, tem linhas de acção estratégica, tem valores, tem ideais, tem uma história, tem práticas que demonstram as opções na defesa da democracia, da liberdade e dos valores constitucionais.
Os partidos são a força da democracia. Não há democracia sem partidos.
Os partidos são formados por pessoas. E as pessoas são isso mesmo – pessoas. Há os que vivem para a politica. Há os que vivem da politica. Há os profissionais da politica, Há os apaixonados por ideais. Há os que colocam os ideias na gaveta. Há os gestores politicos. Há os técnicos de marketing. Há os profissionais. Há os amadores. É vida.
A politica começa na nossa rua e estende-se por todo o planeta. A politica é a vida.
A politica de hoje, não é diferente da vida politica de todos os tempos. Mas a vida politica evoluiu muito pela positiva. Foram muitos, ao longo de séculos que deram a vida pela Liberdade. Não há vida politica sóbria sem Liberdade. Os autoritarismos nunca gostaram de liberdade. A Liberdade é a energia que move a democracia.
Mas, na verdade, a politica ainda terá que evoluir, muito mesmo muito, na luta pela verdade, no combate à mentira.
Não é por mero acaso, que as pessoas em crescendo optam pelas abstenção, criticam os politicos e a politica.
Uma amiga, dizia-me – “Eu não vou votar!. Fiquei a pensar nas razões que invocou. Pensei que é errado não votar. Devemos votar. A democracia exige que todos votemos, nem que seja para exercer o direito de riscar o voto, ou coloca-lo em branco na urna. Isso, por vezes, ajuda os politicos a pensar.

Sabemos, sim todos sabemos que há a luta pelo poder. O desejo de ser poder leva alguns politicos a usar todos os meios para atingir fins. Prometem. Mentem. Reinventam a realidade. Criam ilusões. Deturpam, Apresentam balanços de trabalho realizado, por vezes, de tal forma, que esquecem a vida real, desmente o que escrevem. Mas eles escrevem, gritam e não coram. Na verdade, nessa ansiedade, de promessas e balanços, ou se enganam no que dizem e propagam, ou fazem-no intencionalmente. Isso, de facto, é que grave e triste.
Se calhar, penso eu, alguns, que vivem da politica, já concluiram, pela experiência vivida que para os eleitores não interessa a verdade, interessa é a ilusão.

Pessoalmente, o que me deixa triste – antigamente barafustava – agora fico triste, apenas triste. Pego nos folhetos leio. Penso. Afinal, muito disto é mentira, meias-verdades e reinvenção da vida real.
Por essa razão, no meio de tudo isto, concluo, que, afinal, razão tem a minha amiga de estar farta de politicos e, também, a outra que diz não vai votar.

Será que eles acham que somos todos estúpidos e ignorantes. Vem um diz uma coisa. Vem outro sobre a mesma coisa diz o contrário. Enfim, isto de fazer politica sem olhar a meios para atingir fins é cada vez mais uma banalidade. É isso, a mentira é uma arma.
Depois admiram-se de existir, cada vez mais, um crescendo do fosso, esse, que se vai alargando entre os politicos e a vida real.

Encontrei um amigo, esta semana, ele, que no dia 25 de Abril, integrou, de armas na mão, o batalhão de Salgueiro Maia. Foi um dos que esteve ali no Terreiro do Paço. Bociferava, contra os politicos e certas opções que estão sendo anunciadas, como das melhores opções para fazer futuro – “não há respeito pelas pessoas”, dizia.

Concluindo, apenas quero citar Jean.François Revel, que um dia escreveu: “A democracia suicida-se se se deixar invandir pela mentira”.

Até já, divirtam-se

António Sousa Pereira

 

Os dias cheios de palavras!

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É uma alegria enorme, essa, sentirmos os dias cheios de palavras. As palavras que nascem vivas numa simples de troca de olhares, palavras que florescem nos sorrisos, palavras humedecidas nos lábios, vestidas de vermelho, essas que falam no silêncio do azul dos olhos – sorrindo.
As palavras podem ser tulipas. As palavras podem ser rosas. As palavras podem ser cravos. As palavras são tudo o que nós quisermos, sempre que as palavras são a energia de nós mesmos, esses sons que gritam, e, afinal, são eles que nos acordam para sonhar e, mais que sonhar, pra viver vivendo.
Viver o sabor das palavras, não é viver a amargura das palavras.

As palavras são o vento norte, esse que arrasta as folhas, ali, na Avenida da Praia, o lugar que pode ser o ponto de encontro com tudo o que nós somos, fomos ou desejamos ser, esse lugar mitico, que abre as portas ao mundo – o Tejo.

É isso, os dias estão cheios de palavras. As palavras que nos fazem pensar e sentir, sempre que rasgam os caminhos dos nervos, ecoando por dentro das memórias, porque nós não somos memória. Nós somos memórias.
O problema ao longo dos séculos é esse, sim, esse, quando querem que sejamos memória, uma memória, ou quando alguns só têm memória, são nesses momentos que as palavras se transformam em silêncio. Reduzem-nos a uma memória.
Na vida, não basta ter memória. É preciso ter memórias, e, essas, as memórias, afinal, são aquelas que sentimos vivendo, fazendo, com os outros. Nós só vivemos com os outros.
E, digo-vos, viver com os outros é viver e sentir as palavras. Todas as palavras.
A minha memória não é a tua memória. A tua memória não é a minha memória. É por isso, apenas por isso, que fico com medo e temo aqueles que querem impor a sua memória como a memória, que simboliza a verdade, essa, que todos temos que aceitar como verdade. Quando querem que as suas recordações, sejam as minhas recordações. Uma cidade é uma eternidade de recordações, vivenciadas e partilhadas.

As memórias que forjam verdades, que querem vender verdades, que acham que ter opinião é submeter à vontade do poder – comer e calar. Essas são as memórias do caminho único. Cansei-me.
Estou mesmo cansado das memórias que apontam o mundo perfeito. São tantas que até já fazem doer as memórias reais , que guardei nos nervos.
Nunca acreditei em mundos perfeitos. Mas, é verdade, tenho que confessar. Cheguei a acreditar, candidamente falando, que, lá longe, como diz a canção, estava a nascer uma cidade junto ao rio, a florir em nascentes. Sonhos.

Hoje, digo-vos, já deixei para trás tudo isso, hoje, à tarde, em conversa com umas amigas, dizias-lhe vivi desejando sempre ser feliz, a partilhar os dias querendo ser feliz, sonhando, por vezes que era possivel mudar o mundo, e, disse-lhes – agora, cada vez mais, só quero isso, apenas isso, ser e viver feliz.

Deixo a missão de construir o mundo perfeito aos vindouros. E, sei,cada vez mais, que nos tempos de hoje esse mundo perfeito, feito de coisas perfeitas, são coisas de videos, ambições, visões, coisas de marketing para criar ilusões. Depois, a vida real, o que conta é vender e comprar. Viver agora. Fazer já.
A memória começa no nascer do sol e morre ao por do sol. Um dia de memória de cada vez, e basta. É este o tempo da modernidade, do pós industrialização.

Sim, é verdade, os dias estão cheios de palavras, e, nós, por vezes passamos dias e dias, muitos dias, sem tocar o seu sabor, sem comer os seus sons.

A alegria, a grande alegria é quando nós sentimos as palavras saltar na nossa frente, naquelas lágrimas que deslizam, através dos lábios a tremelicar, ou quando as palavras deslizam nos dedos, cruzam por dentro do peito, tocam os nervos e ficam guardadas no coração. Essas são as palavras que escrevem a palavra amizade. Dignidade.
Essas são as palavras que percorrem o tempo, por dentro de todo o tempo vivido – escrevem-se amor, escrevem-se saudade, escrevem-se presente, escrevem-se viver.

Hoje, encontrei duas amigas. Estivemos por ali a trocar palavras. Falamos da vida. Falamos de amor. Falamos de sonhos. Falamos de nervos. Falamos de palavras. Falamos de gente de palavra e de gente sem palavra. Falamos de gente que é gente e gente que faz a cidade. E todos nós somos cidade, quando nos olhamos.
Comentámos a gente sem rosto, que diz que é, mas não é, porque não tem ética, nem moral. Nem sabem o que é lutar na clandestinidade, para abrir as portas à Liberdade, e depois falam de máfias. Tristes.
Falamos de pessoas com ideias e valores que lutam por essas ideias e valores.
Falamos de pessoas que afirmam ter ideias e valores e que afirmam lutar por tudo, mas afinal, para eles não contam ideias, nem valores. Usam palavras de rancor. Usam palavras vazias, palavras que ficam gastas pela repetição, pelo esgotamento. São palavras que vivem de fantasmas.
Iludem, mas são palavras gastas. São palavras pavovlianas. Estas palavras morrem dentro de si mesmas. Não são palavras que se dizem, nem são palavras que se sentem.
Essas são palavras da retórica. Górgias explicou isso muito bem, há milénios, antes de Cristo.

E estou para aqui a escrever tudo isto, com palavras que cantam nos meus nervos, tudo isto fruto de encontros, de conversas, de sentir que os dias estão cheios de palavras.
Pela manhã, alguém que tem os olhos de amêndoa, ao ver-me, disse: “Estava à sua espera, para sentir algum colorido neste meu dia a preto e branco”.
Depois as palavras transformaram-se em tulipas.
Ao fim da tarde, entre as gotas que polvilhavam a rua com o cheiro de terra a sangrar, afaguei o gato branco, que mirava os meus olhos, em silêncio.

Mas, de facto, este texto não tinha nascido se, ali, no Forum Barreiro, não tivesse sentido as palavras a saltar das memórias. Palavras, brotando do tempo, por dentro do coração, com saudade de ausências.
As palavras essas que nos dão certezas que, nos dizem, silenciosamente, que não há nada mais belo que viver, caminhar e sentir - olhos nos olhos – como, na realidade, para ser feliz, estar feliz e viver feliz, só há um caminho, esse, de sentirmos que a vida, toda a nossa vida, é tudo o que nós somos...sendo.
Foi isso que senti naquela conversa com duas amigas, numa tarde, de vida real, de memórias, onde senti que a vida só faz sentido quando...os dias estão cheios de palavras!

António Sousa Pereira

A distância entre pensar Barreiro e pensar ‘barrerinho’

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A nossa vida pulsa no pulsar que nos envolve. A paisagem integra os nossos sentimentos. Nas ruas estão inscritas memórias. Habituei-me a ‘tocar com os olhos da memória’ as emoções que estão vivas nos lugares, esses, onde inscrevo os meus passos.
Estou numa idade, que só me apetece viver, divertir-me, sorrir. Olhar a luz das manhãs e sentir que estar vivo é mais, muito mais, que acordar e existir.
Hoje, pela manhã, fui dar um passeio junto ao Tejo, de mão dada com a Lurdes, lá fomos, sentindo a maresia, o vento, e, até escutámos aqueles ‘gritos estridentes’ de gaivotas.
O Tejo é lindo. Caminhamos pelas margens e sentimos o silêncio. Lisboa, na outra margem, brilhante e terna.

Encontrei no seu rodopio diário o ‘Má Raça’. É ali o seu território, junto à Piscina Municipal, na muralha do Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, e, nos últimos dois anos, também, ali, naquela ‘praça’ da Quinta Braamcamp que se abriu ao mundo e ao Tejo.
O Má Raça faz parte da paisagem. O Tejo faz parte da sua vida.
Tudo que nos toca emocionalmente traduz-se em pensamentos, quando temos raízes e essas raízes contam mais, muito mais que, pensar um milhão de euros.

O Má Raça estava por ali, com o seu boné de marinheiro, dando voltas, naquele local onde esteve instalado o palco das Festas do Barreiro, os limites da Quinta Braamcamp.
Um território que, afinal, graças à decisão unânime – CDU, PS e PSD - na Câmara Municipal do Barreiro foi adquirido e faz parte do dominio público.
Mas, pelos vistos, dizem – ‘para bem do Barreiro’ - está previsto que vai ser vendido, no âmbito de uma operação imobiliária. Aquele território, hoje público, vai passar de novo para o dominio privado. Agora, certamente, pelo que se sabe, não por decisão unânime, mas por decisão do PS e PSD.
Mas, pasme-se, consta que depois, quando o novo e futuro proprietário apresentar uma proposta de urbanização, este território, irá voltar de novo ao dominio público.

Olho o Má Raça. Dou a mão à Lurdes e sigo o meu caminho, sorrindo. Isto só dá mesmo para sorrir.
E não escrevo o que penso. Fico pelo pensar. Espero que ao menos, ainda exista liberdade de pensar.
Volto, na distância, a observar o Má Raça, ele continua a passear naquele recanto, onde outrora existiram muros.
É verdade, tenho mais de quarenta nos de vida no Barreiro, e, na realidade, sempre ali conheci um muro. Só nos últimos dois anos recordo, de facto, o muro não tem sido reconstruído, após as Festas do Barreiro. Valeu alguma coisa a CMB ter comprado a Quinta. Até imagino que, ali, pode nascer o nosso Terreiro do Paço.

Enquanto vou dando o meu passeio. Olho a outra margem. Daquele lugar observo o Terreiro do Paço. O centro do poder. O lugar onde começou a cair a monarquia. O lugar onde começou a cair o salazarismo. O poder é sempre o poder.
Os lugares, são sempre o que lá está e o que lá esteve, nunca sabemos é o que vai lá estar – são memória e são presente.
O futuro está sempre por escrever e fazer, mas, quando escolhemos no presente, as nossas escolhas abrem o caminho de futuro. Por isso o futuro escolhido, está escolhido.
Acredito que para pensar e sentir uma cidade é preciso pensar e sentir o que está inscrito na paisagem e nas pessoas que fazem a paisagem.
Por isso é belo, pensar e sentir cidade e viver cidadania. Sendo. Fazendo.

Volto para o carro. Olho o ‘Má Raça’ e pergunto-lhe: “Qual é o caminho para o Barreiro?”. Ele sorri. - "Não tem nada que enganar. Vá sempre em frente e vai ver que daqui a pouco está no Seixal!”.
Olho, de novo, aquele recanto sorrindo.
Apetece-me mesmo sorrir. Não sei se é sorriso triste, se de mera irreverência. Lá vou sorrindo.
Aqui é a Quinta Braancamp - hoje do dominio público, amanhã vai ser de novo privada, e, depois volta de novo ao dominio público. Neste ir e vir, a Câmara Municipal do Barreiro, encaixa um milhão de euros.

Olho o Má Raça e sinto o seu sorriso vivo e natural. Olho o Terreiro do Paço, ali em frente. Penso. Limito-me a pensar. O melhor é ficar é pelo pensamento, ‘sinta quem lê’.

Meto-me no carro. Vou até à Universal, aquele espaço de gente simpática no Bairro Operário. Gente de trabalho. Dos resilientes que vão mantendo a cidade com alguma vida. Brinco com a Marina. Converso com a Lili. Faço uma festa no Gabriel, que se prepara para nascer.
Volto à rua. “Dê-me uma moedinha”, diz o utente da Persona.
O Bairro Operário. O velho Bairro Operário, desse Barreiro feito de vizinhanças. O Barreiro que agora está anunciado é, na verdade, aquele que vai ter vida ‘à noite’, e, portanto, não se vai comparar com o Parque da Cidade. Fico de novo a sorrir. Também gosto de sorrir. Retórica. Górgias.

Estou por ali, e, aproveito para visitar o Kira, no seu novo espaço de criatividade. Passo junto à Escola Profissional Bento Jesus Caraça. Os alunos dão vida ao bairro. Potencial. Isto é potencial. Enfim.
O Kira continua a sonhar. Um sorriso de grande senhor, que resiste, resiste... existe porque sonha. Só deixamos de existir, quando deixamos de sonhar.
Quando o nosso sonho se resume a pensar milhões e a vida se resume aos euros. Retornos. Lá se vai o potencial.
E, afinal, até, é, quando se vai a visão, lá se vai a ambição, em suma, nada mais nos resta que essa realidade de ficarmos reduzidos a um parque de merendas, um campo de futebol, um parque infantil. Vendemos os aneis e ficamos felizes porque não nos levam os dedos.
Isto é afinal a distância que vai entre pensar Barreiro e pensar ‘barrerinho’. Pensar ‘Barreirinho’ é pensar um lugar onde se regressa após um dia de trabalho - o dormitório, o lar doce lar, das tais 180 habitações. Pensar Barreiro é pensar um lugar com visão, ambição...é isso com Rodas Gigantes, e, afinal acreditar que temos mesmo potencial para ser referência na região.

É que pensar o ‘Barreiro na AML’, sem dúvida, é muito diferente de pensar o ‘Barreiro da AML’. Uma única letra muda o ‘conceito’ de pensar e fazer estratégia no pensar e fazer cidade.
É assim, sempre assim foi, tem sido assim, década após década, o meu país vai hipotecando o futuro de sucessivas gerações.
Até já divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

É frequente familias começarem a falhar o pagamento de empréstimos

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Pela manhã, regularmente a primeira coisa que costumo fazer é deslocar-me para comprar o jornal diário. Sou leitor do jornal «Público» desde a sua primeira edição, faz parte das minhas vivências diárias. Senti a partida de alguns cronistas, que me deliciavam matinalmente. Um deles recordo com saudade Eduardo Prado Coelho.
As minhas primeiras conversas matinais começam com o diálogo que estabeleço com as páginas impressas. Gosto de sentir nas mãos as páginas e folhear.
Vou lendo. Interrogando. Pensando. É uma conversa interior que permite, calmamente, sem preocupações. Estar ali, ler. Viver.

Hoje, a manchete alertava para o aumento de familias a pedir ajuda, perante o incumprimento no pagamento de prestações.
Referia-se que entre Janeiro e Setembro cresceram o número de pedidos de apoio e cresceu a “infidilidade financeira”, que é dito ‘são cada vez mais frequentes’.
O aumento de rendas altas, nos centros das cidades, levam familias a não pagar o crédito ao consumo. Mas, acrescenta-se que o fenómeno já se estende às periferias, é frequente as familias começarem a falhar o pagamento de empréstimos, sendo de destacar os atrasos dos empréstimos relacionados com prestações da habitação. Empréstimos sobre empréstimos, para manter a vida, ou a aparência de vida.E, por fim, surgem as penhoras de ordenados e de outros bens.
Leio. Penso. Pois, foi assim que tudo começou, naqueles tempos antes da entrada da troika. O crescendo de situações desta natureza, definida depois nas teses – ‘os portugueses vivem acima das suas posses’, são o sinal de um futuro anunciado.

Vou caminhando. Na escola do ensino básico, escuto os gritos das crianças brincando, saltitando, felizes, alheias aos movimentos da vida e da história. Sim, aprendi isso vivendo, a história está a fazer-se todos os dias.
Olho a parede da escola e reparo que as pinturas feitas pelos pais, tenho a ideia que foi numa das jornadas do Dia B, desapareceram, a nova pintura tapou os trabalho que, pelo que soube na altura, foi feito com carinho e uma grande paixão pelos pais.
Enfim, reparou-se o telhado e retirou-se o amianto. Colocou-se o alpendre na entrada. Muito bom. Pintou-se a escola. Aquelas pinturas, pelos vistos, estavam ali a mais. Incomodavam ? Eu gostava, gostava acima de tudo por terem nascido do amor e voluntariado de pais, de querem dar cor e alegria ao espaço do recreio. Estava giro. Era naif e criativo.
Mas, enfim, é talvez, a tal ‘modernidade’ que desconstrói o passado e faz nascer um futuro inócuo, sem a presença dos sentimentos que nascem no coração.
Quando ali passava olhava aqueles desenhos infantis e sentia as suas cores misturadas nas crianças a saltitar. Agora sinto o silêncio das imagens apagadas. Faz-me lembrar aquela pintura que foi pintada num Dia Mundial da Criança, na Piscina Municipal do Barreiro e, um dia, igualmente, por um critério de ‘modernidade caviar’, em vez de recuperar, decidiram apagar, destruindo a memória e uma das primeiras obras de arte urbana existente no Barreiro, que, por acaso, o seu autor foi Rogério Ribeiro, um dos grandes nomes da Arte Portuguesa contemporânea.

Pela rua de mão dada lá vão, o pai e a mãe da Elsa. Sorriem, Cumprimenta-mos. Um abraço e um beijo. Tudo bem. Trocas breves de palavras. Afinal são momento destes que nos fazem sentir o território onde vivemos, como parte da nossa consciência, donde viemos, o que somos. É isto que somos. Sim, é isto que somos, humanos de sorriso no rosto. Gente com história e memória, gente que fez esta terra chegar aqui, com filhos e netos e muita esperança. Vale a pena encontrar rostos que nos fazem sorrir e sentir que somos.

Uma das coisas que, por razões da actividade de jornalismo local que mantenho, diariamente vou tomando contacto com as redes sociais. Por vezes é interessante, outras vezes é arrepiante.
Na verdade, se há espaço onde a desconstrução social e da sociabilidade é uma marca da vida quotidiana é por ali, especialmente, no facebook, onde proliferam perfis falsos, anónimos, ou semi-anónimos, cuja ‘virtude’ é difamar e caluniar.
Há mesmo quem pense que estas redes sociais vieram para retirar espaço ao jornalismo, por isso existem agências que são pagas para manter páginas, vocacionadas para o ‘terrorismo urbano’. São a voz das estratégia dos donos. Eles não vivem, sobrevivem.
Não os costumo ler, nem lhes passo cartão. Mas sei que existem, pelo que, por vezes, os meus amigos vão comentando.
Os amigos não percebem e dão-lhes troco. O que eles querem é que falem deles, falem bem, ou falem mal, falem deles, só assim se sentem vivos. Eles são faciopatas!

Há uma grande diferença entre as redes sociais anónimas e o jornalismo local. O jornalismo tem rostos, está sujeito ao cumprimento de regras deontológicas, é um dos pilares da democracia.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

Quinta Braamcamp – a nossa «Ribeira das Naus»

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Tempo de recomeçar. Um novo ano pela frente. A vida começa a agitar-se. Gosto sempre deste reencontro com as ruas da cidade, após uns tempos de ausência.
Encontrei um amigo que comentou, alguns artigos que publiquei recentemente. Gostei, disse ele – “bons artigos, continua”.
Dei um volta pelo centro da cidade. Sentei-me a tomar café, ali, junto ao Parque Catarina Eufémia.
Fui mergulhar os olhos no Tejo. Ali, naquele espaço da Quinta de Braamcamp, que, considero pode tornar-se a mais bela «Praça» do estuário. O Terreiro do Paço, da Margem Sul.
Olho em volta, e dou comigo a imaginar que, ali, mesmo ao lado, naquela caldeira que faz parte da Quinta de Braamcamp, está a nossa «Ribeira das Naus», dando continuidade de forma integrada à «Praça do Tejo».

Enquanto me delicio a imaginar e sonhar com um arranjo urbanístico e paisagístico que ligue a «Praça do Tejo» à «caldeira», numa continuidade da Avenida da Praia e ligada ao Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Olho para a outra margem e recordo a forma como, ao longo das últimas décadas, a Câmara Municipal de Lisboa, tudo tem feito para ligar a cidade ao Tejo. Aquela zona da Ribeira das Naus é um exemplo. E, nós, hoje, graças a decisões do anterior executivo municipal, aprovadas por unanimidade, estamos a dois passos do futuro, porque aquela caldeira é municipal, não se justificando a sua venda a privados, para, depois, num qualquer ‘caderno de encargos’ definir as formas de fruição pela comunidade.

Achei maravilhoso pensar o enquadramento urbano da caldeira, com o espaço envolvente da Escola Alfredo da Silva e da Igreja da Nª Srª do Rosário. Está ali, sem dúvida, a nossa Ribeira das Naus.
Ao olhar aquele espaço recordei, quando no ano de 2016, no âmbito das Jornadas Parlamentares do Partido Socialista, num tempo que a Câmara Municipal do Barreiro era liderada pela CDU, os dirigentes do Clube Naval Barreirense divulgaram aos deputados socialistas como naquela caldeira podia ser criada uma «Pista de Formação», que abria portas para ali serem realizadas provas ao nível nacional. Era possível realizar naquele espaço a Taça nacional de remo, foi dito.

Esta pista de formação podia evitar a regular deslocação dos atletas do Clube Naval Barreirense, para treinos, para a Freguesia do Torrão, no concelho de Alcácer do Sal
O Clube Naval Barreirense tinha um projecto de construção da pista de formação, com o apoio de um privado, para o qual já existia uma memória descritiva, visando a recuperação do plano de água e, saliente- se, na altura nem se fazia ideia que a Câmara Municipal do Barreiro ia adquirir a Quinta Braamcamp.
Este projecto de criação de uma «Pista de Formação» de actividades náuticas, segundo foi revelado contava com o “apoio verbal” do Clube de Vela do Barreiro, dos Ferroviários e do Fabril.
Este foi um assunto debatido com os deputados socialistas, porque era uma mais valia para o concelho do Barreiro e para a AML.
Recorde-se que as condições de formação actuais “são condicionadas pelas marés” e a criação da Pista de Formação na Caldeira iria criar condições de treino com muitas vantagens, não só para o remo, mas também para a vela, canoagem ou kitsurf.

Olhava aquele espaço e recordava estas Jornadas Socialistas, as propostas do Clube Naval Barreirense, a existência de investidores privados, num tempo que a Caldeira não era propriedade municipal. Hoje está meio caminho andado.
Porque não se reabre este dossier? Porque tem que ser vendida a caldeira? A nossa «Ribeira das Naus», real, linda, com ligação ao Tejo.
Um cidade que conta com a existência de clubes que desenvolvem actividades náuticas, com campeões nacionais, europeus, mundiais e olimpicos. Uma cidade que tem um Agrupamento de Escuteiros Maritimos, tem ali, naquela caldeira o seu verdadeiro potencial de afirmação como cidade de desportos náuticos.
Esta, até, podia ser uma vertente educacional, inovadora e de dimensão metropolitana a dinamizar na, e pela, Escola Alfredo da Silva.
Uma cidade que tem nas suas mãos este enorme potencial, agora opta por vender,e, com a venda irá definir com o privado definir as regras de utilização. É isto que não consigo perceber, numa cidade que tem o desporto no seu coração.
Era isto que pensava, hoje, pela manhã, ao dar a minha primeira volta junto ao Tejo, junto ao nosso Terreiro do Paço e nossa Ribeira das Naus.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

Na próxima próxima legislatura não há ponte Barreiro – Chelas

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Ao escutar as palavras de António Costa, paro a pensar, e, em seguida escuto um imenso silêncio, ninguém se ergue a levantar a voz, a interrogar, a dar um sinal de discordância, e, apenas, lembrar ao Primeiro-ministro que a Terceira Travessia do Tejo não é um problema da margem sul, nem sequer é um problema de Lisboa, é uma necessidade imperiosa para o país se ligar à Europa e para que Portugal seja um todo de norte a sul.
O próprio Rui Rio, que defende um comboio de alta velocidade como prioridade, é incapaz de refutar e dizer ao Primeiro Ministro que o comboio de alta velocidade, se queremos pensar o país como um todo, não se deve limitar a ligar Lisboa- Porto, tem que ser parte integrante de uma estratégia de ligação de Portugal à Europa, e de ligação até do Norte ao sul, por isso, a Terceira Travessia do Tejo, que integra o plano ferroviário nacional é inadiável.

Até, no âmbito de estratégias de combate às alterações climáticas, Portugal precisa renovar e dar dimensão à ferrovia e Área Metropolitana de Lisboa carece de mais ligações entre as duas margens valorizando a vertente ferroviária.

A Terceira Travessia do Tejo é estratégica e estruturante para desenvolver o conceito de cidade de duas margens.
O Barreiro e a margem sul já pagaram facturas suficientes para ser a outra banda e servir Lisboa, ou ser o seu dormitório.
O Barreiro esta cidade história, merece de uma vez por todas ter um tratamento diferente e deixar de ser um guetto na AML.

Só é possível atrair investimento e empresas para o Barreiro e para a margem sul se a rede de acessibilidades for dinamizada e pensada com base no conceito «cidade de duas margens», de contrário, a margem sul vai continuar a ser assim, como sempre foi – o dormitório, o prestador de serviços, o aeroporto- apeadeiro.

É nestas alturas que me ocorre ao pensamento como o Barreiro, precisa de uma uma voz que se erga para defender a sua estratégia de desenvolvimento e o seu enquadramento no território da AML.
É nestas alturas que penso a necessidade de existir uma voz que motive os governos – sejam PS ou PSD – a colocarem o Barreiro na sua agenda politica.

Pronto, não temos Terceira Travessia do Tejo na próxima legislatura, nem, na próxima década, porque não está previsto no Programa Nacional de Investimentos.
Cá vamos estar orgulhosamente... a minha esperança é que em politica, o que hoje é verdade, amanhã é mentira.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

 

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