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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

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Estátua do «Salineiro» no Mercado Municipal do Lavradio – uma oportunidade para pensar futuro

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Esta opção pela sua colocação no Mercado Municipal do Lavradio, sem dúvida, para além de enriquecer o espaço, salvaguarda aquela escultura de actos de vandalismo.

Está de parabéns o Pedro Miranda da Silva, por ter recuperado a sua bela obra dedicada ao «Salineiro», e, naturalmente o executivo da freguesia que concretizou esta solução, proporcionando à comunidade fruir diariamente desta escultura.
 

Vivemos um tempo de ‘politicas pobres’ no que diz respeito à promoção de reflexão teórica e estratégica. Essa realidade gera uma tensão permanente entre a forma como a realidade se apresenta de forma objectiva e as interpretações ou visões que se projectam sobre essa mesma realidade, quer na sua análise teórica, quer na consequente implementação de práticas.

O debate teórico é o fruto do pensar a realidade, esse pensar que gera reflexão, sendo a reflexão que faz nascer ideias, e, as ideias que depois nos movem para forjarmos a transformação da realidade. 
É isto que traduz as vivências que nascem nas práticas quotidianas, num permanente equacionar e concretizar a relação entre a teoria e a prática.
As ideias traduzem-se nos comportamentos, nas decisões, nas acções, nas relações, no fazer cidade e cidadania. 
As ideias, o pensar, faz presente e antecipa futuro.
É por isso que ao longo da vida, vamos sentindo que a realidade existe, transforma-se pela acção humana, uma acção que começa no pensar e do pensar vai para o fazer. Só assim se afirma, de contrário, não se afirma, porque fica-se por meros slogans escatológicos. Afirmar só faz sentido quando se inscreve no fazer vida e fazer cidade.

Estes pensamentos ocorreram-me ao passar, pela manhã, no Mercado Municipal do Lavradio e, ali, verificar que, na sua zona central, está colocada a estátua do salineiro do escultor Pedro Miranda da Silva, que será ‘descoberta’ no próximo sábado, no âmbito da programação das Festas do Lavradio.
Uma solução positiva. Uma opção que merece um caloroso aplauso. 
Na verdade, a estátua devido aos materiais que foi produzida era impensável colocá-la de novo no espaço público, mais dia, menos dia, seria de novo destruída por actos ignóbeis de vandalismo, como aqueles que se registaram no passado.
Esta opção pela sua colocação no Mercado Municipal do Lavradio, sem dúvida, para além de enriquecer o espaço, salvaguarda aquela escultura de actos de vandalismo.
Está de parabéns o Pedro Miranda da Silva, por ter recuperado a sua bela obra dedicada ao «Salineiro», e, naturalmente o executivo da freguesia que concretizou esta solução, proporcionando à comunidade fruir diariamente desta escultura.

Mas, ao olhar para o espaço envolvente do Mercado Municipal na minha memória ocorreram-me as conversas e as tomadas de posição assumidas para que este Mercado Municipal fosse construído, porque, na época existia por parte da Câmara Municipal do Barreiro a recusa de avançar com a sua construção, porque os mercados estavam em decadência, alguns a fechar pelo país, e o Lavradio estava “bem servido pela Feira Nova”, dizia-se.
O então presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, foi uma das vozes que mais contestou esta posição da Câmara Municipal do Barreiro. Sublinhe-se que ambos os órgãos autárquicos eram de maioria CDU.

Recordo um discussão, para a qual fui convidado a participar, estando em debate aceitar ou não aceitar a decisão da CMB. Discutiu-se. Discutiu-se. Argumentos diversos inclinavam a decisão para a concordância com a posição da CMB. O Morgado, presidente da Junta de Freguesia, estava indignado, e, decidido mesmo a pedir a demissão.
Lancei o repto de se avançar com a construção do Mercado, tendo por base um programa que na sua arquitectura, projecta-se o presente e o apontasse soluções para o futuro.
Ou seja que a arquitectura permitisse o funcionamento do Mercado, na época pujante e com um vasto leque de consumidores, mas, ao mesmo tempo, sabendo-se que a tendência podia ser caminhar para o declínio destes espaços na vida das cidades, dado o surgimento constante de novas superfícies comercias, seria bom, que a construção fosse pensada para, no futuro, de forma prática e eficaz, ali, poder nascer um espaço de praça pública – Centro Cultural – que fizesse a ponte entre o Lavradio Velho e o Lavradio Novo, que estava em emergência a Urbanização dos Loios.

Foi então aprovado avançar com a construção do Mercado, para cuja construção, em vários orçamentos municipais já tinham sido aprovadas, as verbas de várias derramas destinadas ao Mercado do Lavradio. Assunto que era sistematicamente recordado por Aires de Carvalho, e muito bem, então líder concelhio do PS.
Recordo tudo isto, porque ao passar por ali, notei as muitas bancas que no Mercado não estão ao serviço e, como são reais as dificuldades de manter esta actividade com capacidade de ter dimensão económica numa vila, cujo tecido edificado está cada vez mais devoluto, com um espaço urbano que há décadas carece de ser pensado e requalificado, e, pensei, se, afinal, a colocação da estátua do salineiro não é, infelizmente, o primeiro sinal que, mais tarde, ou mais cedo, é preciso pensar, reflectir e decidir sobre a revitalização ou reutilização daquele espaço municipal.

Talvez, até, já nos dias de hoje, ver como é possível olhar para a sua realidade e ‘mexer’ no seu espaço, proporcionando no seu interior outra utilização, abrindo caminho para outras valências. 
Pensei várias soluções. Diverti-me a pensar.

Recordei as discussões, e, agora, concluo que o projecto como foi elaborado, sem dúvida, sem muitos custos permite reconversão para reutilizações, de diversas actividades e, até, nesta fase, é possível manter as áreas que por ali estão em funcionamento.
Mas, isso, compete aos técnicos de forma interdisciplinar, ou seja, através do diálogo entre diferentes serviços, ver opções e encontrar soluções. Naturalmente, em primeiro lugar, isso, só é possível se os políticos, responsáveis pela gestão da polis, pensarem, reflectirem e agirem, fazendo nascer o futuro, aqui agora, neste presente.

Parabéns pela implantação da Estátua do Salineiro.
Que seja um bom sinal, de revitalização do espaço, e, desejo mesmo que abra as portas para que, desde já, se comece a pensar futuro. 

Isso mesmo uma oportunidade para pensar futuro! Que significa pensar o território do Lavradio desde o Mercado Municipal, passando pela ‘praça’ do antigo Mercado, ruas envolventes, da Egas Moniz à Rua Luis Furtado de Albuquerque, que podem e devem, no seu conjunto, transformar-se numa zona central de uma vila que carece de revitalização com urgência, de forma a evitar que se transforme num guetto, cujos sinais vão surgindo e vão sendo ignorados. 

António Sousa Pereira

 

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