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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Banalizar o debate de ideias e valorizar a guerrilha urbana da adjectivação.

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Ontem, o meu amigo Emanuel Góis, num comentário referia que, nos dias de hoje, nas redes, é preciso dar valor aos 10% de coisas boas que por ali vamos encontrando, quanto aos outros 90% o melhor é desligar, e, sobre esses, o melhor é dizer –“ Ide-vos!”.

 

Dou comigo a pensar que muito do que se regista nas redes sociais, não é acaso, nem coincidências, aliás, como dizia o outro, as coincidências são puramente matemáticas.

Cá por mim, acho que tudo começa naquelas conversas, às quatro da manhã à roda de uma cerveja, que, muitas vezes são preparatórias de outras conversas, aquelas, mais “nobres e intelectuais”, onde se reúne a “nata pensadora” – as várias natas pensadoras, que são o supra sumo da produção de estratégias, esses pensadores que vão marcando as nossas vivências quotidianas.

 

Nessas ditas reuniões de pensamento macro, eles chegam cumprimentam-se. Sorriem uns para os outros. Alguns abraçam-se. Cada um já

trás, dentro de si, uma ambição e sonho de projecto de vida: “um dia hei-de ser…”!

 

As reuniões começam, com trocas de piropos, o Sporting e o Benfica, podem até ser o leit motiv, pacificador e a energia que faz o caldo cultural daqueles convénios de alta dimensão intelectual.

Fazem abordagens dos acontecimentos, que marcam a vida comunitária. Vasculham ideias. São dadas algumas informações, oriundas de outras instâncias, regionais ou nacionais. Nesses momentos, eles sentem-se importantes, por saberem que integram as redes dos donos disto tudo. Acham mesmo que, sem eles o  mundo não existia tão perfeito.

 

Os membros do órgão são aqueles que atingiram o patamar da decisão. Seja lá qual for o órgão.

Eles sabem que é ali, no órgão dito, que se abre caminho para outros caminhos. Um dia hão-de subir a outro órgão. Assim como quem diz de órgão em órgão, enche a galinha o papo.

 

Há sempre, em cada órgão, alguém que é senhor, que faz as contagens de cabeças, que tem os seus submissos, aqueles que estão a disponíveis para repetir e defender, na dita reunião, todas as propostas que, naturalmente, foram previamente e muito criteriosamente debatidas ao redor da cerveja.

Outros estão ali de coração aberto. Sonham no silêncio.

A noite prolonga-se. Conversam. Argumentam. Contra argumentam. Tecem cenários. Desbravam fragilidades dos outros, que noutro ponto qualquer, noutro lugar, pelas mesmas razões, também avaliam e fazem outras abordagens. É o sistema a funcionar.

Eles, de forma intelectual e pensante armadilham formas de se picarem uns aos outros. Gerem técnicas pavlovianas. Marketing, este é essencial.

 

E, naturalmente, como sempre assim foi e sempre assim será, lá vem à baila, em diversas reflexões e aprofundamentos teóricos, surge o tema da comunicação, as falhas de comunicação, os recursos de comunicação, os problemas da comunicação. A comunicação tradicional. As novas tecnologias. Enfim a comunicação e a democracia, duas faces da mesma moeda. A imprensa regional essa não vale a pena ligar – “ninguém lê”.

Mas, nesta dimensão de avaliação da comunicação, o essencial é a propagação, difusão, contra-informação, consolidação, percepção, sim a percepção das percepções, isso é determinante.

O essencial é a comunicação para chegar ao poder. Conquistar. Manter. Subir sempre, nunca descer. Ter, a palavra ter, é que conta. Só quem ‘tem’ pode dar e gerir as vidinhas. Comprar. Facilitar.

 

E, é neste caldo, que surge o tema da utilização das redes sociais. O instagram é para malta mais nova. O facebook, sim, esse dá para tudo.

Teoriza-se. Fala-se dos que têm acesso às redes sociais e os que não têm às redes sociais.

Uns pensam nos novos. Outros pensam nos velhos.

A conversa sobe de nível intelectual, surgem, para avaliação as formas de agir, os exemplos do Brasil, dos EUA. A guerrilha. 

 

Usar mais imagem. Videos. Vale mais uma imagem que mil palavras. Não é necessária muita argumentação. Geram-se as lógicas do combate de maus e bons. É tudo mais fácil, não carece explicações, é o imediatismo que conta, o futuro, quem lá chegar que feche a porta.

 

A estratégia para a rede do facebook é aprofundada em torno dos clichés, forjam-se ódios de estimação. O essencial é criar o inimigo comum. Desvaloriza-se o pensar ideias. Valoriza-se o pensar emoções.

A gestão da presença nas redes sociais, cada vez mais, é feita com recurso a “gestão de serviços prestados”. São perfis falsos. São perfis verdadeiros, incumbidos de cumprir missões.

As missões são diversas, desde os que são estimulados apenas para agir como meros provocadores – “Vai lá diz…pica…..” - até aos que assumem uma dimensão mais intelectual, os que fazem “confrontos ideológicos”, demonstrando que existem diferenças, em discussões que acabam sempre uns a fazer-se de vitimas que estão sendo ofendidos, outros numa postura de superioridade moral. Por vezes, demonstram que são amigos, com opiniões diferentes, que estão a travar confronto de ideias, mas, a maior parte das vezes, é a banalidade discursiva, onde a opinião se reduz a clichés, uns são lobos, outros cordeiros, e, por ali, à volta, por vezes existem uns coelhinhos aos saltos, que preferem o jogo do toca e foge, um mundo de facto a degradar-se, e, afinal, tudo começa, nesses convénios que dizem querer fazer mais democracia e mais cidadania, mas estimulam a guerra a ferro e fogo, porque sabem, quem não mata morre.

 

Ah é verdade. Também existem os «Provedores das Redes Sociais». São encartados, ou empossados com várias missões. uns têm a missão de atacar e fugir. outros têm a missão de dar uma dimensão intelectual. Há ainda os que são encartados para avaliar os temas, que podem servir para as turras. No meio de tudo, o importante é manter o ambiente de futilidades, de baixar o nível, quanto mais arruaceiro, mais propicio á brejeirice e boçalidade. Muita criancice, infantilismo e superioridades de trazer por casa.

Em suma, banalizar o debate de ideias e valorizar a guerrilha urbana das adjectivação.

É o século XXI com os resíduos das metodologias do século XX. Agit prop. Marketing. Coisas e loisas…

 

E, por isso cá vamos, até um dia…quando o sistema começar a implodir. Sentem-se os sinais. Cuidem-se…

 

António Sousa Pereira

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