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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Das teorias da provocação ao jornal com «rostos»

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Hoje, dia 1 do ano 46 da Liberdade, reinicio a edição regular da «Rota 66», um espaço de diversão, ironia e democracia, porque a democracia, é o direito de ter opinião e divulgar de forma livre pensamentos.

Numa terra onde há tantos muros a cair, onde se respira, afinal, como nunca se respirou, onde o desenvolvimento já faz crescer a água na boca, a terras da região, onde a imprensa regional tem todas as condições para ser livre, e, afirmar-se como um pilar da democracia, aqui e agora, reanimar e editar com regularidade a «Rota 66», é um acto de Liberdade.

 

Teoria da Provocação

 

Quando o pessoal era criança tinha aquelas cenas de “ajuste de contas”, então, para desafiar o adversário, ou, o tal que nos tinha eventualmente ofendido, a regra era com um dedo tentar “colocar cuspo na orelha” do dito. Assim, atingido esse objectivo, o “adversário” estava provocado e tinha que aceitar o desafio de uma luta corpo a corpo, para se confirmar, ou, quem era o mais forte, ou apenas para que, na luta pública, quem assistia, pudesse, apenas e só, confirmar que nem o provocado, nem o provocador eram cobardes.

 

Por vezes, esta “teoria da provocação” parece que anima certos actores da vida politica. Ou, usam esta técnica do “colocar cuspo na orelha” para gerar conflitos, ou usam uma espécie de toque e foge.

Parece que há mesmo quem se delicie em viver de forma permanente a jogar este jogo.

E, depois, escuta-se o tal grito do Scolari: “E o pirata sou eu”.

 

A provocação como arma para picar o adversário, mesmo que o adversário não vá à luta, serve para que se fale das provocações. Esta concretização serve para que, na prática, se verifique a tal velha e desejada forma  de afirmação : “Falem de  mim, falem bem ou falem mal, eles que falem de mm”.

 

E, parece que esta táctica, que, acredito, por vezes já não é táctica, mas é mesmo estratégia, de uso regular da provocação não é nada, mesmo nada inocente. São diversos os actores desta metodologia. Pode ser um polvo, como pode ser um muro, tudo serve, desde que enfureça o outro. Ora dizes tu, ora digo eu. Um ping-pong. Há quem marque mais pontos.

   

Os resultados são visíveis – provocação feita, gera o efeito em cadeia. As conversas giram à volta do perfil do provocador, que passa a herói e perseguido. Os provocados que reagem, e, na verdade, nem se apercebem que dão lenha para que o dito cujo, se transforme numa vitima, alimentam o jogo dos bons e dos maus. O discurso desenvolve-se entre verdades, meias verdades e fantasmas, dá para todos os gostos.

 

Assim, levando-se o debate de ideias para esta dimensão, na verdade, fecha-se o campo, e não há espaço para que o nível da discussão suba, fica-se pela banalização, ou por uma espécie narrativas de terrorismo verbal, de bombardeamentos etico-morais. É este o clima que as provocações pretendem alimentar. Há quem goste de estar nesta dimensão.

  

Ao principio estranha-se, depois entranha-se. Uma vez parece acaso, como sendo um desabafo. Duas vezes, parece estranho, mas, regista-se, que já é um caso de «livro de estilo», ou um «manual de gestão ideológico».

Enfim, a repetição após repetição, essa, é como o algodão, já não engana. Ou por outra, pode enganar quem opta por entrar nesse jogo do toque e foge e do cuspo na orelha, quem se sente bem nesse patamar, porque sente-se como o anti-herói.

São verdadeiros Robin dos Bosques que uns roubam, outros vendem aos ricos, uns ajudar, outros para dar alegria aos pobres.

 

De facto a “teoria da provocação, usada com calculismo, inteligência mediática, com  maquilhagem prévia, para que o rosto saia bem nas filmagens, directas ou indirectas, contribui para manter o “actor” no centro das atenções.

O provocador  como não se consegue afirmar pela positiva, porque ou faltam argumentos ou capacidade de diálogo, usa o jogo do gato e do rato, procurando afirmar-se pela negativa, o objectivo é colocar-se no centro, ser o sol à volta do qual tudo gira – “Je suis le roi”.

Uma boa provocação até, de facto, pode dar uma boa manchete.

     

O «Rostos» e o Google

 

Encontrei, hoje, ao fim da tarde, num café, um leitor do jornal «Rostos» que comentou: “Então, o jornal «Rostos» deixou de aparecer nas notificações do Google”.

Disse-lhe que sim – “Foi há cerca de um ano. Sei mais ou menos a data que isso começou. São coisas de algoritmos.”, disse-lhe.

“São coisas que acontecem”, comentei. Sorri.

“Eu continuo a ler o Rostos todos os dias. Só que gostava de receber as notificações”, sublinhou.

Registei. É isso que dá prazer, o jornal «Rostos» tem leitores. Obrigado.

 

Sou leitora há muitos anos

 

Fui um destes dias à Penalva. Quando entrei na Colectividade uma senhora dirigiu-se a mim – “Você é do jornal Rostos?». Interrogou. Disse-lhe que sim. Sou vossa leitora diária há muitos anos.

Agradeci e fiquei feliz. Afinal há quem leia o jornal «Rostos», com notificações, ou não, do Google.

 

Pronto, por hoje, fico por aqui, um abraço, do vosso  irreverente,  

 

António Sousa Pereira

Barreiro é uma terra onde «em cada esquina há um amigo» O cravo simboliza o nosso coração

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Hoje, pela manhã, participei no programa «Histórias Vividas e Contadas do 25 de Abril», numa iniciativa que decorreu na Escola do Ensino Básico nº 7, na Verderena.

Há vários anos que sou convidado para, nestes dias de Abril, conversar com alunos sobre essa data memorável que se escreve com a palavra Liberdade.

Ali estava de novo, frente a 23 alunos, com idades entre os 9 e 10 anos.

Comecei por dizer que mais que conversar com eles sobre o que foi o dia 25 de Abril, gostava que eles sentissem e conhecessem o significado do dia 25 de Abril, nos dias de hoje.

Levei comigo um cravo. Coloquei o cravo junto ao meu coração e disse-lhes que era ali, no coração, que cada um de nós tinha que sentir o 25 de Abril, nos dias de hoje, este cravo é o nosso coração a bater, e, perguntei-lhes se estavam a escutar o que ele dizia, quando está a pulsar dentro do peito.

Tentem escutar. Eles colocaram as mãos no coração e, suavemente, começaram, baixinho, muito baixinho, comigo a sentir e a escutar a voz do coração que dizia: “Liberdade. Liberdade. Liberdade”.

Repetiam todos, em coro ténue, suavíssimo, aquele som que nascia de um cravo a bater no coração : Liberdade! Liberdade! Liberdade!

 

É este o significado do 25 de Abril nos dias de hoje, foi isso que nos legou, esse direito de podermos ser homens e mulheres livres, com direitos e deveres. A Liberdade é o sangue da democracia, disse-lhes.

Recordei-lhes o que era Portugal, antes do 25 de Abril, um país em guerra, um país com censura na imprensa, um país onde não existia democracia, Fui explicando, de forma simples, com exemplos diversos. Eles perceberam. Escreveram frases e fizeram desenhos, no decorrer da conversa, num pequeno livrinho, que foi passando de mão em mão, onde, afirmaram, por palavras deles, que – 25 de Abril é Liberdade! 25 de Abril é Amor!

Porque Abril é uma palavra que começa com «A» de amor e termina com «L» de Liberdade!

Sim, no meio está o «B» de Barreiro. Cantámos a Grândola Vila Morena. Eu disse-lhes: «Vocês já reparam nos vossos dias, que o nosso Barreiro, é uma terra onde, ‘em cada esquina há um amigo’.» Somos uma terra pequenina onde quase todos nos conhecemos.

Um ergueu o dedo e disse: “É verdade, eu no domingo fui ao cinema ao Forum e encontrei lá um amigo”.

Outro disse, todo feliz: “Eu fui ao Parque do Barreiro. Ali, ao voltar uma esquina, é verdade, encontrei um amigo”.

Nós somos amigos. Na nossa rua temos amigos.

Então, falamos que o 25 de Abril, também é importante, nos dias de hoje, para que exista amizade. Ser amigos nas diferenças. Respeitarmo-nos uns aos outros.

 

“O cravo simboliza o nosso coração”, é uma das frases escritas no caderno que, disse-lhes : “vou guardar este caderno, para ler as vossas palavras quando o 25 de Abril celebrar 50 anos.”.

Espero que, também eles, festejem os 50 anos do 25 de Abril e, também, que comemorem o 25 de Abril nos 900 anos de Portugal.

É este o meu país, que pulsa, com um cravo no coração.

Somos um país lindo, dos mais antigos do mundo, com uma das línguas mais faladas pela humanidade.

Eles gostaram da conversa. Alguns acompanharam-me até ao portão e abraçaram-me. Senti a vossa ternura a bater no meu coração. Obrigado!

Não esqueçam, Abril está vivo no nosso coração: BOM DIA!

 

António Sousa Pereira

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