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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Ser e Estar

Há quem viva para viver. Há quem viva para sobreviver. Há, sem dúvida, uma grande diferença entre viver e sobreviver. E, apesar de todas as diferenças, ambas são formas de existir. Porque existir, pode não significar viver, mas apenas isso, consumir o tempo, gastar o tempo. Estar.

Afinal, sobreviver é estar, andar por aí, sentir o tempo e navegar ao ritmo do nascer e pôr-do-sol. Sucessivamente.

Sobreviver por vezes, até, pode ser um acto de coragem, quando esse sobreviver é lutar contra a voragem, as intempéries, os dramas, as dores. Quando sobreviver é recuperar forças, marcar passo. Lutar. Esse, na verdade, não é um estar, estando, mas um estar, sendo. É um sobreviver que se faz vivendo, perante as adversidades. Criando. Sabendo que sobreviver não é sucumbir. É um acto de amor pela vida e pelos valores que se assumem como percurso do tempo. Resistir. Nesse sobreviver, afinal, vivemos – a nossa luta!

 

Viver é o sentido da vida. É por isso que há uma grande diferença entre viver e sobreviver, porque viver não é estar, viver é ser.

O mais belo da vida é nós vivermos sempre sendo, sendo o que somos, vivendo o que somos, em totalidade, em cada tempo, em cada momento, em cada instante. Viver e Ser, não é viver e estar.

Viver é olhar todo o tempo vivido, não com nostalgia. É olhar, simplesmente olhar. Sem necessitar de fazer catarse. Só precisa de fazer catarse, quem não viveu, vivendo.

Quando vivemos todo o tempo na plenitude de nós, sentimos que nunca sobrevivemos para estar, sobrevivemos para ser e, afinal, vivemos - sendo.

Isso é que é belo. É nisso, sim nisso, que a vida é bela.

É, isso, afinal, que nos faz, parar no tempo, por dentro do pensamento, tranquilamente, encontrando o equilíbrio, a harmonia, entre o que fomos e somos. Um espelho onde nos olhamos, sorrindo. Um espelho onde mergulham os nossos olhos, em viagem, até ao fundo da alma.

Viver é ter esta consciência de todo o tempo, e, hoje, aqui e agora, na manhã cedo, com as gotas de orvalho a lacrimejar nas flores, sentir o amor pela vida, sentir o amor na vida.

Sim, viver a vida com amor. Viver tudo o que é nosso…e tudo o que é nosso é isso, apenas isso, a vida que vivemos. Única. Sentindo que cada madrugada, cada final de dia, com o sol a rasgar o horizonte a despedir-se, nós, estamos vivos como chamas que ardem no coração, crepitando faíscas nos nervos, e, em segredo escutamos um grito, um som que marca o infinito – “A vida é bela!”.

 

S.P.

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