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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Os sons

Há sons que se estendem por dentro dos nossos olhos porque fazem nascer imagens nas curvas dos nervos. Vivemos a intensidade sonora nos movimentos que nascem, reais, em ecos, nas texturas que eles criam nos pensamentos.

Uma sinfonia que faz sentir um exército em movimento. Tchaikovsky na abertura 1812. Um tiro de canhão.

Um som de um piano que faz mergulhar no silêncio. Beethoven suave, tão suave como um poema.   

Os sons são melódicos. Trovejam. Cintilam. Brilham nos olhos. São telas imaginárias que criamos nos cantos do cérebro, ali, por onde navegamos, entre as memórias e os sonhos. Aqui e agora. Os sons são a eternidade que se propaga no infinito. Sem antes, nem depois. São.

Uma sirene que rasga a distância, por dentro das ondas do rio, ali, onde o nevoeiro esconde as margens. Recuamos no tempo. Navegamos.  

Um apito que se estende pela linha, numa sonoridade angustiante a perder-se na distância. A luz de uma janela que se abre, num aceno que se perde nas luzes amarelecidas, que se vai desvanecendo, desvanecendo.

Vivemos os sons e os movimentos. As paisagens vão ficando presas nas janelas do tempo, esse, que espreita sempre nas raízes do hipotálamo.

Os sons cantam nos cânticos dos pensamentos. Escutamos. Rodopiamos. Meditamos.

São trinados de pássaros a romper a noite de luar. O ruído de uma cascata. Um repuxo de vida que se abre junto à terra, abrindo as pernas, sulcando os nervos, selvaticamente, numa sonoridade única que se sente ao rasgar o ventre da terra seca.

Uma musicalidade que quebra o silêncio da noite. Uma experiência única. Um jardim colorido de sons, verdejantes, húmidos de calor humano. Amor. Paixão. Ternura. Pensamentos polidos pela aprendizagem dos gestos.

Sim, há sons que se estendem por dentro dos nossos nervos porque fazem nascer nos olhos, imagens, sonoras no pensamento. Percussão. Harpas. Clarinetes. Piano. Uma floresta a arder.

Sons sem palavras. Sons de onde emergem as palavras, essas, que estão escritas em imagens a ribombar nos dedos a percorrer outros dedos de afectos. Suavemente a explodir dentro de gritos de revolta e luta.

Os sons são o eco da humanidade, a navegar no Mediterrâneo, esse mar que marca o tempo que somos em todos os gritos de impotência, dor e raiva.

Os sons são mais sons e mais, muito mais, belos quando nos ajudam a pensar e a sentir – o tempo que somos! Em gritos de paixão.

 

S.P.

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