As causas e os efeitos
A história é o que é, a vida é o que é, nada, nada mesmo, se transforma separando-se o real da sua real realidade.
Podemos pegar numa parcela do real e, na verdade, a partir dele, pensarmos que por magia, nesse fragmento, elaboramos um lindo ensaio, uma tese académica, assim, pronto, aí está o mundo real. Só que esse não é o mundo real, ele, na realidade, é o mundo da nossa invenção. Distorcido. Ampliado. Minimizado.
A realidade distorcida pode servir para nos consolarmos, pode até ser um meio de gerar efusivas discussões, colocando o nosso ego em confronto com o nosso superego. Sim, Freud explica isso!
Através de ficção, nós podemos imaginar tudo o que quisermos, inventar que o céu é cor-de- rosa, porque ele, na verdade, hoje, às seis da tarde estava cor-de-rosa, mas isso, é, de facto, uma mera distorção da realidade, circunstancial.
Orquestrar. Distorcer. Desfigurar. São tudo faces da mesma moeda. Há quem pense mesmo, que, dessa forma encontra o rumo certo, e vive, repetindo, repetindo, com paragens de intervalo de tempo, mas regressando sempre ao mesmo modelo, uma espécie de catarse, deslumbrante, sem conteúdo, apenas com a motivação de desfazer e explorar sentimentos de aversão.
Uma mensagem, seja ela qual for, tal como um texto, tem sempre uma diversidade de leitores e interpretações. Cada um retira do texto o seu contexto. Um contexto histórico.
Mas, o facto, os factos, é que uma cidade tem a história, e, ela, a história, é inseparável dos factos.
Por isso, quando se apontam factos, é preciso falar dos factos e enquadrá-los na história. Ah, é verdade, e apontar opções!
É por isso, só por isso, que, por vezes, no prolongamento dos meus sentimentos, por dentro dos dias, entristece-me quando no uso de técnicas, meramente técnicas, ou interpretações da história, leio, leio, e, matematicamente, no final sinto que o resultado é zero. Zero de ideias. Zero.
Leio. Volto a ler. Depois de tanto discurso. Volto de repente à minha consciência, mergulho por dentro de causas e efeitos. Olho para a história. Repete-se!
Pasmo. Sinto que tudo se desfaz. Com o caraças – é uma rúbrica, porra!
Olho, pela janela. Está a chegar o fim do dia. Penso, sim, já vi o céu cor de laranja, hoje está cor-de-rosa, mas o real, o mundo real, não se inventa – ou se compreende, ou não se compreende.
Dou comigo a reflectir sobre a história, as estórias, as causas e os efeitos. O dito e não dito. É vida!
São formas de agir e pensar. Fazer. Desfazendo. Só que o real é o real. Está aí…é preciso é saber ver e sentir. O resto, sim o resto é invenção!
S. P

