Controlar o tempo
Apetece-me apenas escrever para descansar os olhos e adormecer com palavras. Uma despedida. Um até amanhã!
Por exemplo, que sinto uma profunda tranquilidade nos dias, como hoje, que trabalhei, dei passos em frente, geri o tempo, construi, conclui e abri caminhos.
Ou seja, consegui dominar o tempo em vez de por ele ser consumido. Às vezes o tempo domina-nos. Mesmo que achemos que o controlamos. Nesses dias sentimos um cansaço que emerge, sôfrego, do tempo não vivido.
São, afinal, estes dias, aqueles que eu gosto, quando sinto que ocupo o tempo fazendo. Enriquecendo o tempo que vivo. Lendo. Escrevendo. Falando. Ouvindo. Sentindo o tempo a pulsar. Uma sensação de plena liberdade, sendo senhor do tempo que vivo. Vivendo.
E, por fim, quando chego à noite, antes de adormecer, sinto que estou sem cansaço, apenas com uma sensação de leveza, de tal forma que sinto o tempo esvoaçar numa nuvem, real, a deslizar no espaço entre os meus olhos e o cachimbo. Calmamente.
Decido escrever estas breves notas, apenas para ter a certeza que, foi real esse sentimento, sentido. Não é imaginação. É uma paz, enorme, enorme, que se estende na planície dos nervos.
Registo. A vida é para registar. Enquanto o tempo o permitir, assim deve ser, de facto, enquanto tivermos pela frente tempo para sermos, decididamente, o melhor que nós podemos ter na vida é sermos senhores do tempo que somos.
É por isso, talvez, que sinto, esta noite, o tempo deslizar no fumo do meu cachimbo. Brincando com os meus pensamentos. Sorrindo.
S.P.

