A vida é um poema!
A vida é linda. Quando guardamos tudo o que nela existe, que vivemos, que sentimos, regalados, nas delícias que abraçamos no coração.
Essas são as coisas que ficam presas nos cantos, esses lugares, onde guardamos os sentimentos que nos dizem isso mesmo – a vida é bela!
Esse é o lugar mais humano que nós somos, aí, onde o nosso sorriso brota e pulsa do fundo de nós mesmos. O amor. A amizade. Os ideais. Os valores. Os carinhos.
Há dias assim, esses, feitos de chuva e trovoada, permitem sentir a natureza, sentindo que, ela, afinal, tal como nós, tem tanto de bela, como de selvagem. Ruge. Range.
Nestes dias, ficamos pequeninos, reduzidos à nossa insignificância, perante o eco dos sons que rasgam o céu e os clarões que iluminam a negritude do dia, isso, permite-nos parar, por instantes, viajar pelas distâncias do tempo, sentir o presente, e, sorrir presos nessa tranquilidade do nosso cantinho acolhedor, donde observamos a vida. Lá fora a tempestade.
A vida é bela! – repetimos. A vida é um poema!
Um poema feito de um clarão que abre brechas de luz, rasgando o dia num curto-circuito, iluminando a paisagem e quase cortando as cores dos nervos. Um silêncio enorme. Contamos. Um. Dois…depois aquele estoiro, estremecendo as vidraças, quebrando todas as distâncias - , temporais - ali, entre a luz e o som. A natureza viva, real, que é acolhedora e ao mesmo amedronta.
A vida é bela! – voltamos a pensar. Escrevemos um poema nos olhos, como quem sente, a luz a iluminar as palavras.
O tempo repete os seus sentimentos, do frio ao calor, do calor ao frio, na brancura da neve ao tórrido areal que se estende nas águas do mar.
A natureza é bela! A vida é bela!
Ah, como é belo sentir que a vida é um poema escrito no tempo vivido e sentido por dentro dos nervos, por dentro dos dias, por dentro, sempre por dentro…lá fora está a tempestade!
S.P.

