Desligar
De repente apetece desligar. Principalmente quando o cansaço entra nos ossos, ou, até, quando o pensamento fica encharcado de delírios.
Desligar, apenas sentir a escuridão. Adormecer, de olhos fechados para dentro, e, ficar ali, no vazio de tudo. ..só o vazio.
Estar, apenas estar, completamente desligado, dos nervos, dos sons, dos cheiros e, acima de tudo, dessa angústia de escutar, ou ler, palavras inúteis. Aquelas palavras que não servem para nada, nada resolvem, nem sequer fazem sentir uma emoção.
Nem uma lágrima. Nem um sorriso. Nem uma recordação. Nem um toque nos vincos da memória. Nada, não fazem sentir nada. Talvez apenas a repulsa do vibrar de pensamentos inúteis.
São um verdadeiro tsunami de ausência. São meras palavras que emergem de nervos ressequidos, de náuseas. Inveja. Putrefação de sentimentos.
Pronto, é isso, por isso mesmo, que às vezes, de um dia para o outro, apetece desligar, por isso, só por isso, apenas por isso, para sentir que não há tempo, não há nada, nem sequer o silêncio, nem emoções. Assim, desligar, assim como quem diz – Basta!
Ficar desligado. No vazio. Sorrindo. Apenas sorrindo, aquele sorriso que abre os olhos ao vento e rasga uma ternura, vincada, suave nos contornos dos lábios. Desligar.
É isto desligar, e, acreditem, isto aprende-se…descobrindo o sorriso!
S.P.

