Viver, viver, viver…
Às vezes vive-se. Às vezes morre-se. Vive-se vivendo. Morre-se morrendo.Viver é esta biologia, um ciclo, este, do nascer, crescer, construir e morrer. Nos dias que vivemos, somos capazes de sorrir. Criticamos. Elogiamos. Somos bondade, umas vezes, outras, somos maldade. Tudo depende. É a biologia da vivência ou sobrevivência. Reprodução.
Estamos vivos. E, de um dia para o outro morremos.
É um instante. Há aquela morte que nos mata. Definitivamente. Aquela que nos conduz à eterna, longa e imensa eternidade.
Depois, há a outra morte, aquela que nos mantém vivos, morrendo. São esses dias, nos quais já não somos, ou não sabemos se somos, nem sequer o que queremos ou podemos querer e ser.
São aqueles dias que se repetem em angústias. Dores nos nervos. Náusea nos passos. Tortura nos ossos. É essa morte, feita de morte em vida. Aqueles dias amargos, depressivos. Esses dias, afinal, de troikas, que foram uma lição de vida, em morte, rasgando sonhos e esperanças, um tempo que aprendemos a morrer – cantando e sorrindo. Indignados até nos pensamentos. Ali, mortos de futuro.
Nos dias que já não somos, todos morremos. Por isso, por vezes, rezamos, como quem conversa com a morte adiada. Essa certeza que nos marca os nervos.
Afinal, é a morte que eterniza a nossa bondade, a nossa pureza. Ele tinha aquele feitio, mas era boa pessoa. Todos somos boas pessoas no dia que partimos.
Todos somos, porque todos queremos ser eternamente bons. A maldade, essa, são sempre os outros.
Ah, é verdade, quando alguém parte, há sempre quem diga – partem os bons! Só ficam os maus.
É vida. Às vezes vive-se. Outras vezes morre-se.
Sim, de um dia para o outro, de um instante para o outro – sorrimos e num simples sorriso, pode estar o ponto final, esse, o instante de despedida – até já, até sempre!
Por isso, mais que morrer em vida, mais que viver sem viver, então, ergamos essa pureza e bondade que nos faz sentir o sol brilhar, e, de um dia para o outro, façamos a escolha, de viver- vivendo.
Essa sim é a escolha que vale a pena, mais que existir, subsistir, de facto, o melhor é viver-vivendo!
A vida-vivida, com o que temos e somos, vale mais, muito mais, que o cinismo e a hipocrisia, e, digo-vos, ela, a vida-vivida, está para além, muito para além da ingratidão, da insatisfação, dos erros. Todos erramos.
Só os perfeitos não erram. E, esses, afinal, também de um dia para ou outro, deixam a perfeição sucumbir, porque descobrem que o impossível está sempre lá longe, lá longe… muito longe, no infinito.
Viver é ser insubmisso. Viver é ser. Viver é tentar ser feliz, querer ser feliz. A felicidade é um encontro com a simplicidade. Um beijo. Um abraço. Um sorriso. Um sabor. Um aroma. Um instante.
Porque, de um dia para o outro, de um instante para o outro – sendo criança, adolescente, adulto, idoso, seja aquilo que cada um for – assim, de um dia para o outro…sim, de um dia para o outro, às vezes vive-se, e, às vezes morre-se.
Morre-se, quando não se olha o sol, não se canta, não se sorri, não se sonha, não se ama, não se vive!
Amanhã, ao acordar, vou, olhar os olhos do sol e gritar, sorrindo – BOM DIA SOL!
Quero sentir que estou vivo…vivendo!
Enquanto o tempo for permitindo, o melhor sonho que temos é viver, viver, viver…
S.P.

