Na Mão de Deus
Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.
Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva no colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,
Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
Antero de Quental, in "Sonetos"
Porque, de mãos dadas, percorrendo suavemente os teus dedos. Comentei: “Tens umas mãos lindas. Tens uns dedos lindos”. Ali. Sorriste.
Olhando os meus olhos, comentaste : “As tuas mãos, são as mãos de Deus, de Antero Quental”. Senti a despedida, naquele teu olhar aberto ao futuro.
Um beijo!
S.P.

