Sim, meu amor!
Quando penso, sinto, olho, a noite estrelada, viajo por dentro das sílabas, cruzo o espaço em linhas de vertigem, ilumino o meu cérebro de cores azuis, assim, como quem imagina um quadro de Van Gogh, em movimentos de luz.
As estrelas são girassóis, onde se inscreve um aroma que sopra da montanha, voando no erotismo que se sente num olhar fixo, esse, com raízes da paixão a dilatar as pupilas verdejantes, azuis, onde a noite amadurece mergulhando em estrelas cintilantes. Um beijo.
Os lírios são esse sorriso, rasgando as rotinas, brilhando nessa brancura dos teus lábios, onde o néctar da vida, suavemente, floresce nos teus dentes de luar, assim, como quem voa, voa, voa e, pela primeira vez, num impulso, único, encontra uma casa amarela, rodeada de um campo de trigo e amendoeiras em flor – a natureza a nascer no voo de um pássaro vermelho.
Quando penso, sim, quando penso, os sons são notas musicais, as ideias deitam-se nos meus nervos, e, tu, afagando os meus braços, fazes florir a Primavera, no meu corpo, no teu corpo, aí, onde sentimos o fascínio, o silêncio profundo, de um grito – sim, meu amor!
S.P.

