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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

A criança e a vida

Há uma criança escondida, lá no fundo, bem no fundo do rio, essas águas eternas, onde, um dia tocámos os nervos. Somos nós, essa criança e a vida. Somos nós essa criança na vida. Somos nós essa criança a vida. A vida é sempre criança, em cada começo, em cada abrir os braços, em cada fogueira, feita de luz e som.

Descobrir, sim descobrir, em cada nascer do sol, em cada noite brilhante de luz branca, a rasgar as águas do oceano, é, podem crer, a mais bela emoção, uma flor a abrir as pétalas, que rasga os lábios vermelhos, onde nos encontramos, nas águas que fluem num sorriso.

Há uma criança escondida, na transparência, intransparente do mar, onde cumprimos todas as viagens – do ontem para o hoje, do hoje para amanhã – esse percurso sublime que faz sentir, pensar, a pureza infantil, da criança escondida no sótão das nossas certezas.

Há uma criança escondida no sorriso de uma gaivota.

Há uma criança escondida no chilrear dos pássaros.

Há uma criança que chora, nas lágrimas, cativantes, numa gota de silêncio.

Há uma criança que sorri, nos afectos, suculentos, numa nota musical.

Há uma criança – tu – minha irmã, que escreves poemas com poejos, contas histórias com os cravos a florescer na primavera. Essa criança feita vida que cativou meu coração adolescente.

Mergulho nas águas do Tejo, o rio feito de gotas de paixão. Onde tu estás, sorrindo.

 Toco as águas do Guadiana, o rio feito de platina brilhante, nervos erguidos na memória de criança.

Por fim, sento-me, a olhar a planície mergulhando no azul do Sado. Escuto um cântico alentejano, um torrão de luz, que se diz esperança.

Levanto-me, pego numa rosa vermelha, entre os dedos cravados de saudade, coloco no teu seio fraterno, um poema – o teu poema – onde sempre senti aquela textura sólida e colorida, que toca o coração, faz retomar o caminho de criança, descobrir o sol, a vida, esse lugar, onde, podem crer, só faz sentido quando – liberdade rima com dignidade.

Escrevo para ti, minha irmã, poeta de poejos, que sempre tocaste com o teu sorriso as águas límpidas do amor, esse lugar onde nasce, sempre, sempre, a criança e a vida.

 

S.P.

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