A vida é bela
Foi neste dia, que era um ponto de chegada e de partida, que unimos as mãos, e, ali, entre os cânticos, erguemos a voz para pedir, em silêncio, que Guevara fosse celebrado, ao nosso lado.
Foi neste dia que, como palavras escolhidas, para marcar um compromisso, ali, em festa, proclamamos bem alto os Direitos Humanos.
Foi neste dia que entre muitas palavras, escolhemos, para partilha de sentimentos um lema – «Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei!».
Depois partimos. Num gesto de libertação. Vivemos. Sorrimos. Recuamos. Avançamos. Semeamos flores na vida. Flores lindas, belas, coloridas que enchem de paixão o nosso tempo e são a continuidade do nosso compromisso feito com o coração.
Abraçamo-nos com ternura na neve. Trocámos beijos no Atlântico. Erguemos bandeiras em plena revolução de Abril. Cativamos o nosso coração com o Principezinho. Escrevemos poemas. Gritámos.
Choramos. Construímos. Sempre de mãos dadas, vasculhando por dentro dos nervos.
Percorremos areais de esperança. Lutámos. A vida é uma luta permanente. Mais que querer receber, partilhamos essa alegria de dar – servir a comunidade.
Descobrimo-nos nos defeitos e virtudes. Sentimos a corda esticar, em momentos de dilaceração dos dias. Dúvidas. Incertezas.
Aguentámos. Sorrindo, sempre sorrindo. Mantendo aquele lema escrito, num dia de ternura, em Dezembro, antes de Abril acontecer – «A vida é bela!».
Dizer que tudo foi perfeição, sem mágoas, ou sem momentos de inquietação, era temer enfrentar de frente, a realidade do ser humano, que somos.
Ser humano é viver e superar as dificuldades. Ser humano é sonhar. Ser humano é viver a paixão da vida. Sendo sempre o que somos, nesse desejo de descobrir a felicidade.
Ser humano é aprender e encontrar em todas as experiências, a energia que gera a verticalidade – no sentir e amar.
Ser humano é esse desejo de nos descobrirmos, a nós mesmos, com os outros, em tudo o que faz o tempo que vivemos.
A vida é sempre uma lição e tudo o que vivemos, e fazemos, sendo nós próprios, é afinal a maior escola de aprendizagem e de sonho. Isso é lindo.
Chegámos aqui – 40 anos depois. Olhamos para trás.
Sorrimos. Discutimos. Avançamos.
Sabemos que não somos perfeitos, nem queremos ser perfeitos. Conhecemo-nos com um simples olhar e nos gestos que fazem dos nossos dias, sempre, um ponto de encontro com o sol e com o luar.
Este é o teu dia. Este é o nosso dia.
Ah, é verdade, hoje, como ontem, quero apenas repetir aquelas palavras escritas e ditas, em plena noite de escuridão, com a Primavera a nascer, ao longe, ali, por dentro do nosso sonho, escuto, esse grito da memória, um som vivo no presente, um eco que se estende na pradaria do futuro.
É isto, apenas isto - “Hoje fui feliz! A vida é bela”!
S.P.

