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Entre Tejo e Sado

Por dentro dos dias e da vida

Por dentro dos dias e da vida

Gostar e não gostar

A vida é feita de gostar e não gostar. Acho mesmo que aprender a gostar é mais difícil, muito mais, que aprender a não gostar. Acreditem.

Aprender a gostar é descobrir. Aprender a não gostar é uma mera rejeição.

 

Para aprender a gostar é preciso descobrir, sentir, tocar, desocultar, como dizia o outro, o filósofo, só se ama aquilo que se conhece.

Conhecemos pelo aprofundamento, pela entrega, pela lisura, pela pureza dos actos e diálogos.

 

Para não gostar, por vezes, basta dizer que não se gosta, é uma espécie de protesto, um vómito, uma indisposição dos nervos e dos pensamentos.

Porque não gostar, quando é o contrário de gostar, porque se quer diferente, exige, igualmente, conhecer e ter ideias que demonstram mais, muito mais, que clichés, frases de estilo - “são todos iguais”, esses, os tais, “já deram o que tinham a dar”.

 

Um não gostar que se afirma contra, conscientemente contra, não é um não gostar, é o querer ser outra coisa, viver outra coisa, conquistar outra coisa, porque se ama outra coisa que se conhece e deseja. Este é um gostar ao contrário. É outro aprender a gostar. É por isso que aprender a gostar é mais difícil, exige clareza.

Aprender a gostar é treinar competências, é sentir que evoluímos, é sentir que mudamos. É reconhecer os erros e aprender com os erros.

 

O não gostar, que se diz, não gosto, porque não gosto, é um gostar que não se aprende, nem se apreende.

É uma espécie de ‘pedantismo’ do gosto. É uma «inveja camuflada» contra aquilo que se contesta e  não se quer transformar. É afinal, querer, apenas ocupar o espaço do outro, ser o outro, dizendo – “não sou o outro”.  

Isso, diz-se, por vezes, ser «inveja». E esta, a inveja,  cega e tolhe os nervos do pensamento. Torna os pensamentos, ironicamente e meramente - «anti».  

O não gostar, porque não se gosta, é incapaz de olhar e ver para além do «umbigo da sua intelectualidade» - “nobre, séria e cosmopolita”.

 

É por isso que procuro viver, aprendendo a gostar, a tentar descobrir porque gosto, mais, muito mais, do que tentar saber porque não gosto.

Afinal, o que não gosto, é muito simples, é tudo, mesmo tudo, que me possa impedir de colocar perguntas sobre os dias, sobre a vida e manter viva a imaginação, aí, onde encontro os limites das explosões da minha consciência!

 

S.P.

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